Boa o Suficiente
1 O lado oculto da lua.
Tudo aquilo era culpa dela.
Edel olha para suas mãos entorpecidas pela luta; o flintlock e o florete caídos no chão.
Se ela não fosse tão fraca, se ela fosse como Adel, todos estariam bem. Sua família não teria que passar por mais um sofrimento, a mansão Frost não estaria sobre uma maldição e seu irmão não teria sido sequestrado.
Ela fecha os olhos com força e cobre o rosto com as mãos calejadas — tantas horas de treinos diários, tantas lutas enfrentadas e mesmo assim ela continua fraca.
Ela envergonha o nome e o legado da família Frost.
Todos eles sofreram por causa dela. Céus, eles não mereciam isso. Seu irmão era sábio e sagaz, ele era a esperança e o orgulho da família e tinha um futuro brilhante pela frente, mas como se já não bastasse a doença incurável que roubou isso dele, ele também tinha sido roubado de sua família.
E ela não pode fazer nada.
Ela era uma decepção, não conseguindo nem sequer manter seu posto no exército de Serdin por causa de um mísero desconforto causado pela dor em seu olho direito.
Ela é Edel Frost. Apenas isso. Sem um futuro brilhante, sem um proposito que fosse realmente seu e sem força suficiente para proteger aqueles ao seu redor.
Uma parte dela quer ceder. Deixar a dor em seu olho a consumir por completo até que transforme todos os seus ossos em pó e não sobre nem sequer vestígios de sua alma. Qualquer coisa para deixar de ser ela.
Edel levanta o rosto e observa as pessoas caídas no chão, a poeira fina que flutuava pelo ar cobrindo os corpos e os destroços do que ela um dia chamou de lar, consequência da luta que teve. Ela não foi boa o suficiente para protege-los.
Então ela chora. Um choro silêncio e vazio, as lágrimas frias.
Ela nunca será boa o suficiente.
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