Boa Noite, Bocchan

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Fic dedicada à minha ídola, Chrissie. Queria ter feito algo melhor... Feliz aniversário adiantado! Se der tempo, amanhã eu posto a outra história

- Boa noite, Bocchan – sussurrou o mordomo vestido de negro. O garoto de cabelos tão bem arrumados já se deitara na cama e virara para o lado contrário, sem ao menos se despedir do mordomo, que logo o abandonaria. Ele apenas fechou os olhos, esperando dormir, mesmo que soubesse que enquanto aquela figura negra estivesse ali ele não conseguiria.


O mordomo retirou-se, apagando as velas com um sorriso sarcástico esticando seus lábios. Encostou a porta gentil, como se estivesse lidando com um animal delicado, apenas para não acordá-lo.


Sua visão era boa no escuro. Foi andando pela casa com sons inaudíveis, arrumando os quadros, alguns vasos tortos, tudo que era desnecessário. Ele não precisava dormir, então gastava suas noites daquele jeito.


Passou novamente pela porta do quarto do bocchan, ouvindo um barulho imperceptível, mas preocupante. Abriu a porta, perguntando-se o que teria acontecido. Não viu nenhuma cena anormal. Ele respirava mais alto que o normal, caindo num sono merecido depois de se preocupar tanto com as pessoas à sua volta.


O mordomo olhou-o com certa superioridade, entreabrindo um pouco os lábios. Depois o olhou com fascínio. Agarrava-se ao cobertor como se precisasse de alguma proximidade, como se precisasse de algum calor, fosse ele humano ou material. Seus olhos fechados com os cílios compridos os delineando. Seus cabelos de uma cor tão bela e peculiar. Era como se ele não pudesse resistir. Seus cabelos pareciam tão macios quanto os pêlos de um gato. Sentiu vontade de tocar. Aproximou suas mãos, fraquejando a centímetros de distância.


Não, ele não era um gatinho indefeso. Ele não deveria segurá-lo no colo como se fosse um. Não deveria acariciá-lo como se fosse um.


Afastou as mãos, juntando-as.


- Oras, Bocchan – ele suspirou, fazendo uma cara desanimada.


O que poderia ele fazer? Ele queria sair dali, parar de ficar olhando-o. Queria abandoná-lo. Mas o suspiro que o jovem soltou foi com tanto desespero, que o mordomo não pôde deixá-lo ali, sozinho.


- Sebastian – ele murmurou ainda agarrado à coberta. O mordomo olhou para ele com os olhos arregalados, vendo a careta que seu mestre agora fazia. Algo entre a melancolia e o sarcasmo.


Como, poderia ele, abandoná-lo agora?


Sua mão não fraquejou dessa vez, acariciando aqueles fios de cabelo tão brilhantes, tão diferentes. Ousava dizer que a suavidade contida neles era maior que as de um gato. Eram mais macios.


Como poderia abandoná-lo...?


Soltou um longo suspiro, quase cantado, ao se ajoelhar no chão, apenas para ficar à altura daquele garoto. Continuou passando a mão enluvada nos cabelos dele. Afastou-as pensando em tirar as luvas para sentir melhor. Mas como poderiam aquelas mãos sujas relar em algo tão puro? Engoliu em seco.


Nunca um simples humano, contratante de seus serviços ou não, havia causado-lhe tanto interesse quanto aquele menor. Talvez fosse a pureza de uma criança que causava nele aqueles fetiches. Ele era fascinante. Uma criança brincando de adulto.


Aproximou sua face da dele, encarando-o com uma proximidade perigosa. O garoto parou de abraçar a coberta, suspirando mais uma vez o nome do mordomo. O mordomo aproveitou aquela voz chamando seu nome de olhos fechados, dizendo o nome dele com a mesma simplicidade, mas não parecia causar o mesmo efeito.


O garoto inconscientemente encurtou a distância entre o rosto dos dois, ainda dormindo como uma criança indefesa. Era apenas uma criança indefesa. Então, por que tinha tanto receio quanto àquilo?


O garoto finalmente encostou uma de suas mãos na roupa do mordomo, chamando-o mais para perto, com a boca entreaberta.


Seria aquilo uma ordem? O mordomo perguntou-se. Aquele gesto inconsciente que havia chamado tanto a atenção do mordomo.


Ele aproximou seus lábios dos dele, parando a alguns centímetros de distância, sentindo a mão do menor em seu pescoço, tentando fazê-lo aproximar ainda mais.


Era realmente uma tentação não beijá-lo com vontade agora. Por que o bocchan não acordava com aquela proximidade? Se bem que ele realmente não desejava que ele acordasse.


Finalmente encostou seus lábios assustadoramente gelados aos dele, tão quentes e formidáveis, que tremiam um pouco. Sua mão continuava na nuca do mordomo. Será que ele realmente tinha um sono tão pesado assim?


Ele soltou um gemido involuntário enquanto o mordomo afastava-se. O garoto então abriu um pouco os olhos, mas não acordando, talvez apenas pensando que aquilo fosse um sonho. O mordomo arregalou os olhos, sem saber como explicar aquilo.


- Sebastian? – o garoto chamou-o sofregamente enquanto envolvia as duas mãos no pescoço do mordomo.


Ele ainda estava sonhando, só podia ser. Ele nem sequer tentara afastá-lo, apenas o agarrara ainda mais.


- Sebastian, isso é um sonho? – ele perguntou e o mordomo não ousou afastar-se.


- Sim – o outro sussurrou. Ele não tinha aquela pose forte que tentava demonstrar acordado. Parecia frágil, rendido à um prazer que já havia pensado em sentir. Ficou encarando o mordomo. Ele aproximou-se dando um beijo na testa do garoto. O mesmo soltou um gemido baixo, ficando com a boca entreaberta e as bochechas cada vez mais escarlates.


O menor perguntou-se por que estaria sonhando aquilo, mas o mordomo foi invadindo sua boca com tal delicadeza, como se quisesse explorar cada canto desconhecido.


Era uma sensação nova e surpreendente para o garoto. O mordomo ficou perguntando-se como ele ainda podia pensar que aquilo era um sonho. Afastou-se, deixando as mãos dele caírem por cima de seu próprio corpo, com delicadeza, levantou-se. O garoto permaneceu ainda com os olhos entreabertos, olhando-o, mas logo os fechou.


Será que seu mordomo realmente acharia que ele estava apenas dormindo?


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Extra:


Finny: Ei, Bocchan, por que você está com olheiras?


Meirin: É verdade! Você por acaso dormiu mal?


Ciel: ¬¬’

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!