Notas iniciais

A última coisa que ela havia ouvido antes da atuação fora "Cena 6, take 1: ação". Ou alguma coisa assim, não estava muito boa da cabeça.

— Sou Logan. — Ele estendeu sua mão para que ela a apertasse.
— E eu já sabia disso. — Ela ignorou o gesto de Logan e ele abaixou a mão.
— É claro... — Ele sorriu. Era o sorriso que queria ver todos os dias, mas que não via.
— Não seja tão...
— Certo, vamos começar tudo de novo... — Logan a cortou, tentando evitar ouvir algo desagradável.
— Hayley. — A morena deu um sorriso pequeno, sem mostrar os dentes.— Meu nome é Hayley. — Repetiu.
— O prazer é todo meu.
— É claro... — Saiu da frente de Logan e sorriu, fazendo com que a cena acabasse.
— Ótimo! Ficou muito bom. Acho que não será necessário outro take... — "Eu também não acho", ela pensou.


Foi andando até seu camarim, para descansar e esperar a próxima cena. Apesar da última ter sido curta, houveram outras antes e aquilo a cansava bastante porque era necessário às vezes milhares de takes para apenas uma cena.


— Ei. — Logan disse, puxando seu braço de leve. — Temos mais uma cena juntos. — Ele sorriu também — Quer ensaiar?
— Ahn... Claro. — Não poderia negar que gostava de passar o tempo ao lado de Logan, ensaiando e conversando por longos minutos, que era o que restava.
— Vem, vamos ao meu camarim.
— Que chique. Ele tem o próprio camarim.
— Você também tem...
— Mas não sou estrela. Não é o MEU camarim. — Ela deu ênfase no MEU, mas continuou a acompanhar Logan até seu camarim. Não ligava para o que a quase fama proporcionava ou deixava de lhe proporcionar. Não muito.
— Ah...
— Ei, não ligo pra isso. Gosto de lá. — Andaram mais um pouco e chegaram ao camarim de Logan. Era bonito, entretanto, não surpreendia. Era como o seu, só que com enfeites e outras coisas diferentes. Era um camarim, oras.
— É legal aqui. Aconchegante.
— Eu gosto daqui. Divido com Carlos. — Pegou o script que estava jogado no sofá e começou a lê-lo.
— Que legais. — Leah se referia às fotos que estava vendo. Era uma colagem com muitas fotos diferentes em diferentes lugares dos quatro e mais alguns amigos. Em umas estavam dormindo, em outras estavam abraçados, noutras estavam sorrindo e em algumas estavam até com garrafas de bebidas na mão; mas em nenhuma estavam num tapete vermelho — nem mesmo laranja.
— São, não são? Acho que os que as fazem tão legais pra mim foram os momentos. Não houve uma que não tenha sido um momento especial, acho que tudo que acontece com eles se torna especial de algum jeito. — Ele deu de ombros. — Um dia a gente coloca nossa foto. Num momento especial.
— Vou cobrar... — Ele riu. — Qual a cena?
— É simples, a gente...
— 'Cause I'm TNT, I'm dynamite... — Ela começou a cantar, interrompendo-o. — Desculpa. Eu queria ver se essa música é tão legal quanto eu acho que é.
— O quê? — Ele riu exageradamente dela e ela, sem entender, pegou o script da mão dele, comparando com o seu.
— Entendi. — Ela riu um pouco com ele ainda rindo e continuou. — Vamos?
— Aham.


Ocorreu um silêncio engraçado de alguns segundos. Eles se olharam e riram novamente.
"Que risada linda a dela", pensava.
Ele olhou para o script e começou a se aproximar dela. Pegou em sua cintura e olhou em seus olhos.

— Eu gosto de você. Eu não sei por que, nunca senti isso por ninguém. Nem Camille me faz sentir assim e eu sempre gostei muito dela.
— Eu também gosto de você. Mas tenho medo que dê errado, que você voltepara ela.
— Ela está me esquecendo. E quero ter a oportunidade de esquecê-la.
— Eu não quero ser aquela que você usou pra esquecer uma outra pessoa, Logan.
— Não vou. Você é maior do que tudo isso, Hayley. — Ele pegou em seu rosto e começou a acariciar suas bochechas. — Você é melhor do que tudo isso. — Ele sussurrou e se aproximou um pouco mais. Seus lábios tocaram os dela. Ela correspondeu o beijo de forma inesperada, tornando o que era para ser encenação algo real. A primavera perfeita que era misturada com o gosto de gloss de morango fizeram tudo valer à pena. E, alguns segundos depois, se arrependera.
— Desculpa. — Disse.


Ele a olhou nos olhos com cara de quem iria fazer uma piada mas, quando percebeu a gravidade da situação, ela já havia saído pela porta. Resolveu que não correria atrás. Não por enquanto.

— Desculpa. Eu... Não... Eu não te vi. — Disse, cabisbaixa, quando havia percebido que esbarrara em Carlos.
— Ei, tudo bem. Você...?
— Preciso ir. — Sorriu fraco e deixou-o com a dúvida.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.