Blues Moon
7 Daisy - Ouro
“Tu não me ouves mais,
na ilusão de que o silêncio
vai me remover dos teus pensamentos. ”
Lucas Silveira
DAISY
“Sometime when I'm blue seem like Daisy try to help, me call my name. — Às vezes, quando eu estou triste parece que Daisy tenta me ajudar, chama meu nome.”
Ouro
Estava na frente da sua tela operativa, seu trabalho era às vezes entediante, por isso precisava mais de distração, não era o dia ideal, porém pesava mais para o Hector naquele momento uma garantia do sustento, ainda era necessário firmar a segurança financeira. Sua irmã estava mais uma vez a caprichar no visual, era quase a estação do momento, verão mais próximo, muitos estudantes em férias. Ainda era manhã, ela despede do irmão, disse que visitaria uma amiga e não ia demorar muito, no entanto voltaria ao fim da tarde.
No almoço preparou algo simples para comer, estava com pouco apetite, quando a casa está vazia, parece bater uma tristeza, o silêncio o convida a pensar, estava ele preso a duelar com seu eu interno, precisava ser distraído por algo. Elaine começava a sair mais, algo marcante aconteceu com o rapaz no qual ele de alguma maneira lutava consigo mesmo, isso mais incomodava nas noites — insônias já eram comuns, e, por estranho que pareça dormira bem desta última vez. “Saudades da comida da mamãe”, estava na mesa depois de um reboliço no fogão.
Satisfeito, levou seu prato até a pia e lavou, o almoço parecia pouco agradável. Assim era aquele intervalo do trabalho, seguiu até o quarto e se jogou na sua cama e olhar o teto frio num dia que era quente: “As memórias são como os gostos, boa parte doce, outras salgadas, as piores são as amargas... Aí que toca a melancolia, se não fosse por dor, seria uma bela companhia; por estranho que pareça nessas horas ela me parece me chamar, lembro-me de muitas noites com ela. Não sei, há muito tempo que não faço isso...”.
Debaixo da sua cama, havia uma caixa grande deitada, retirou-a de lá. Retirou um suporte que parecia pesado dentro da caixa, e abriu em cima da sua cama. E Naquele momento o tempo parou, deparava com diversas lembranças, vozes, sons, lugares, pessoas, e uma pessoa querida. Seus olhos vacilaram e se encheram de lágrimas, sua mão parecia pesada, e sentia seu peito apertado, era a Daisy!
— Saudades, minha querida! — exaltou emocionado, e pegou sua guitarra semi-acústica, era de cor igual ao diamante carbonado, tão reluzente como a noite cheio de estrelas, detalhadas com silhuetas em sinuosos ramos ao tom de cinza, à Art Nouveau. Após isso pegaria sua caixa acústica, um cubo pequeno e leve aparentemente, logo depois os demais instrumentos. Assim confessou através da melodia que ecoavam no ambiente o que sentia.
.
Pôr do sol, lá chegava Elaine toda entusiasmada para ver seu irmão, o encontraria cantarolando em frente do computador, que ficava próximo a sacada. Claro que ele nem ligou o tanto que ela chamasse, estava no mesmo ritmo que o dela, empolgado perto de terminar o trabalho.
— Olha que eu comprei! — Falou também cantarolando, sorria até as orelhas ali atrás dele.
— Calma aí, estou quase; quase terminado. — Concentrado, ao ponto de ignorar sua irmã, contundo a persistência dela era maior. Quando se vira para dar atenção a ela, Hector se joga da cadeira para trás, perto de sair para a sacada. Era um aquário que sua irmã segurava, de forma global, com dois peixes dourados. Ele toma aquela cara de complexado: — Você está brincado?
— Que foi? Achei tão bonitinhos, que fez lembrar nós dois, lembra que muito tempo mamãe nos deu um pra cada, e juntamos os dois.
— É que é igualzinho ao que sonhei na praia...
— Hã?
Fale com o autor