Blues Moon
17 Compasso - Sutileza
“A vida é o paradigma das palavras. ”
Alessandro Manzoni
COMPASSO
“Nada se resolve em questionamentos, é tanto que o cenário que vemos nada mais é que um teatro de sombras, as coisas vão além de qualquer resposta.”
Sutileza
— Mano, a Ana ontem confirmou que o tio dela tá disposto a fechar o negócio, parece que ele vai estar lá pela tarde, se puder ir lá hoje, seria legal, assim vamos juntos, e aproveitando vou querer uma pequena parte dos lucros, hehe!
— Malandrinha você hein!
Estavam os irmãos no café da manhã de sábado, sol dava alegria para o dia que encantavam muita gente, o verão anunciava sua chegada, a primavera praiana dava seus últimos toques com um calor mais intenso.
— Aonde vai senhor Hector?
— Vou pra marte, ver se tem mais alguma Elaine por lá!
— Vou te abduzir, darei um corpo de urubu pra você!
— Cabeçuda, só darei umas voltas na byke, já volto, oks!? Até...
Seguindo pela extensa orla da praia, com seus óculos escuros, um pouco de bobo alegre e com sua voz a cena que se desenvolvia: “Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo, tudo muda o tempo todo no mundo. Não adianta fugir nem mentir pra si mesmo agora, há tanta vida lá fora, aqui dentro sempre; como uma onda no mar, como uma onda no mar, como uma onda no mar...”.
— Espera, conheço aquela pessoa! — viu Hector uma garota pular um pequeno muro de uma casa numa rua onde ele pouco passava, era familiar de certo modo aquela aparência, resolveu com sua bicicleta aproximar do perímetro, leu logo em seguida: “Casa do Pai Preto Zatumba.” — Ops! Têm algo estranho nisso!? — Escutou um barulho de coisas caindo, vê uma pessoa com toca correndo, ao saltar para a rua de volta, nesse momento ligeiro os dois se cruzam olhares, confirma quem era aquela pessoa, Samanta! Ela se agacha e foge rapidamente, enquanto que abria a porta daquela casa um senhor com uma camisa social meio aberta, um senhor negro com as barbas cãs, com uma boina de cor preta, com olhos arregalados. Provavelmente nem percebeu a presença da Samanta, encarou diretamente Hector, se aproximava do muro, sem saber reagir pegou sua bicicleta e saiu acelerado Hector, ouvia de fundo “volte aqui garoto!”.
“Que medo! Será que ele tá pensando que fui eu, será que aquela garota aprontou algo, e o que vão pensar sobre minha pessoa se me culparem, ela estava fazendo algo ilícito ou não, mas raios do que ela foi fazer lá? Bem, a irmã dela bem que disse que ela era meio estranha, agora só imagina o Sr. Zatumba me procurando... Vai lançar um encanto em mim talvez, há há há... Agora sim estou curioso, vou aproveitar ir lá hoje na Ana...”
.
— Legal você Hector, mas como já disse antes preciso ir cuidar dos negócios agora, e que os nossos também seja um sucesso...
— Prazer todo meu Sr. Fernandes, e pode apostar que sim, até mais... — Assim se despediram no final da tarde, enquanto que Elaine estava no quarto da Ana conversando as duas, e chegaria a janta insistida pela mãe da Ana. Hector queria se encontrar com Samanta, mas naquele momento parecia que não se encontrava, por isso queria fazer algumas perguntas à irmã dela pelo menos, só que atravessando o corredor estava perdido, viu a luz acessa de um dos quartos e adentrou.
As meninas não estavam por ali perto, ele percebeu que devia ser de outra pessoa, observou curiosamente, tomou uma conclusão, era o quarto da Samanta pela as características, com um clima misturado com certo grau de misticidade, e bandas de rock. Numa mesinha, abre uma gavetinha, dá de cara com uma agenda, e um monte de amuletos. Hector ouviu passos pelo corredor, ele coloca a agenda de volta, percebera o movimenta da porta, não sabia como reagiria se fosse pego ali, se esconde debaixo da cama, até que a porta se abre e vê apenas os calçados de Samanta.
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