Blueberry
11 Conte aquela história outra vez
Notas iniciais
– Ronan? – Elesis indagou, tirando os olhos do papel. – É você? – Ela levantou ao ouvir livros caindo no chão.
– Sim... – A garota ouviu um murmúrio e ao levantar da cadeira ela encontrou o azulado com a mão na cabeça e uma careta. Rindo, a ruiva foi até ele e o abraçou. Mesmo não sabendo por onde ia, ele sempre tentava acompanhá-la, não se importando se podia ver ou não.
– Não devia estar aqui. – Ela beijou os lábios dele.
– Nem você. – Ele retrucou depois. – Não deveria ficar até tarde só por minha causa.
Desde que os quatro chegaram a Serdin e o Rei os acolheu, a jovem mal saía da biblioteca tentando achar alguma solução para curar os olhos de Ronan. Usando a sua mágica, talvez ela pudesse arranjar um jeito. Ou era o que ela pensava.
– Eu estava escrevendo outra carta para a Lin. – Elesis explicou. Pelo menos ela conseguia se comunicar com os outros. Segundo a última carta de Lin, ela e Lass estavam bem e Lupus vinha visitá-los quase todos os dias. O albino começou a aceitar mais o outro e os dois entraram em um acordo. Ryan continuava com a forja e confessou que ele sabia que a ruiva era uma mulher o tempo todo. Isso causou alguns risos da parte dela. O disfarce era uma droga mesmo.
– Bem, termine a carta e vá dormir. Está tarde. – O rapaz acariciou o rosto da garota e beijou a testa dela. Não demorou muito para esta perceber que quando ele ia beijá-la em algum lugar ele pegava o seu rosto, provavelmente para saber o lugar em que ele iria beijá-la. E isso era uma das razões da qual Elesis queria que ele fosse capaz de ver novamente. Ela não queria que ele pegasse o seu rosto com o objetivo de saber onde estariam seus lábios para depois beijá-la. Isso estava errado.
Ronan não parecia tão incomodado com isso, porém ela estava disposta a fazer de tudo. Além do mais, finalmente ela poderia fazer com que sua magia fosse útil para alguma coisa.
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– Alguma notícia de Canaban? – Jin manifestou-se. Os quatro estavam sentados na grama em um jardim fazendo um piquenique. Depois de vários dias preocupados com o reino, agora eles não estavam mais tão nervosos. Canaban parecia estar indo bem com os Revolucionários no comando, mas dinheiro ainda era um problema.
Elesis colocou uma coroa de flores em Sieghart, que abriu um sorriso. Jin comia um biscoito e Ronan tateava o chão com as sobrancelhas franzidas, tentando pegar uma xícara de chá.
– Lin disse que as coisas não mudaram muito. – A ruiva confessou e decidiu entregar a maldita xícara à Ronan, que agradeceu. – Portanto o assunto é outro quando se trata de dinheiro.
– Qual o problema? – Aquilo pareceu chamar a atenção de Sieghart.
– Muitos outros nobres não aceitam o fato dos Revolucionários estarem no poder e cortaram vários comércios e rendas do reino. – O azulado explicou. — Eu já pensava que isso iria acontecer.
– O Rei de Serdin não ajuda? – A garota perguntou.
– Ele faz o que pode, mas... Ele não tem todo o dinheiro do mundo. – O rapaz tomou um pouco do chá. – Normalmente quem cuidava da economia do reino era Lire.
Elesis colocou uma mão no ombro dele quando percebeu o rosto triste do azulado. Lire foi uma das vítimas do ataque dos Revolucionários e não conseguiu escapar com vida.
– Sinto muito... – A menina o abraçou.
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– Ora, ora. Que surpresa – Elesis comentou com os braços cruzados, ao lado de Ronan, que estava com uma expressão confusa no rosto. Ambos estavam na entrada do castelo para receber uma visita de um nobre do norte.
O que chamou a atenção da ruiva, entretanto, foi um dos guardas que acompanhavam o aristocrata.
– Ah, bom dia, senhorita Elesis. – Cumprimentou Lupus com uma leve reverência.
– É a segunda vez que nos encontramos acidentalmente, huh? – A ruiva sorriu. Aquilo pareceu chamar a atenção de Ronan.
– O que? Quem é ele? – Ele se manifestou e a garota suspirou. O azulado estava começando a ficar ciumento há algum tempo.
– Na verdade, — Corrigiu o soldado, levantando uma mochila. – eu vim aqui para entregar algo. – E com isso ele colocou a bolsa nos braços da jovem. – Lin e Lass insistiram para que eu trouxesse isto.
Confusa, a ruiva abriu a mochila e tirou o único objeto que estava dentro dela. Em suas mãos estava um livro de magia. Na contracapa estava escrito “Abra na página 131” e foi o que ela fez. Em seguida, seus olhos se arregalaram.
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– O que foi, querido? – Elesis perguntava para a criança que puxava a sua saia. – Quer colo? – Ela estendeu os braços, o que causou o menino a pular em seus braços.
– Mama, o titio Sieg tá me assustando de novo. – O garotinho chorava e a ruiva acariciava os cabelos azuis dele, tentando consolá-lo. Quando notou que a criança tinha se acalmado, gritou:
– Sieghart Erudon!!
Todos que estavam no corredor estremeceram e saíram apressadamente. Até as criadas sabiam que não deveriam ficar no caminho quando a mulher estava estressada.
– Sou eu! – Cantarolou o moreno, vindo em direção dos dois.
– O que eu te disse sobre brincar de histórias de terror?
– Mas ele se assusta muito fácil. – O Príncipe fez biquinho. Sentindo uma veia pulsar na testa, Elesis bateu na cabeça do moreno.
– Ele tem três anos!
– O que está acontecendo? – A ruiva ouviu uma voz familiar e virou-se para encontrar Ronan andando em sua direção.
– Papa! – O garotinho balançava os braços quando viu o homem. O azulado abriu um sorriso e pegou o menino.
– Não é nada, Ronan. – Elesis suspirou. – Deixa que eu cuido disso. – Ela então encarou Sieghart, que engoliu seco. Ronan, prevendo o que iria acontecer, começou a recuar.
– Uhm... Acho melhor deixar a mamãe e o titio Sieghart se resolverem. – O rapaz explicou para o menino e começou a andar na direção oposta.
– Mamãe é assustadora. – A criança comentou enquanto abraçava seu pai.
– É... – Ronan continuou andando, pensativo. – Mas ela tem o seu charme. – Ele sorriu e beijou a testa do menino.
– Papa! Conta a história de como você e a mamãe se conheceram!
– Outra vez? – O maior riu. – Eu já te contei tantas vezes.
O garoto fez cara de choro.
– Tá bom, ta bom. – O azulado rolou os olhos e começou a sua história.
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