eu que sonho, amo

deitado a um tablado

vejo-te ao lago, num pedalinho.

atraves do vento

meu coração voa

seguindo seu desejo.

rostos conhecidos estavam lá

na descontência do nublado tempo

e eu, voando aquele momento

vi você voltar.

o coração batia forte

e meus pesados passos

leves voltavam a ficar.

atrás de você eu estava,

naquele giro onde um feixe de luz

brilhou em seu sorriso

e meu coração derretido

continuava a admirar.

dispersaram-se pessoas

e você então voltava.

ao seu lado passei, e o rosto abaixei

para que não me notasse.

uma pequena cerca eu tocava

você frente à uma pequena casa

naquele ar de fazendinha.

vi então minha madrinha,

entre o palpitar desse coração

desejando, sua ajuda.

palavras agora suas, ditas a ela

que esperança me deram,

entre os raios de sol

que tornavam a iluminar

um frio dia de janeiro.

\"entregue a ele seu amor\"

pequeno sorriso, sorriso meu

que nada era, perto dessa morena

que orelha a orelha, acabava chegando

com seus olhos brilhando, como numa paixão.

e por mim passou, nem ao menos notou

o sorriso que outrora não daria.

em longos passos corridos que continuava dando

para longe num canto, onde outro rapaz estava

enquanto meu coração despedaçava

bem nas suas mãos.

ajoelhou-se você, mas nem continuei pra ver

aquilo que fiz outrora.

então eu corria

subindo aquela ladeira que nem conhecia

onde tantos estavam.

rostos conhecidos, que como num rio

em reflexo ficavam.

para no fim chegar, então eu acordar

e lamentar

..outra vez.