Blue Scorpion And Red Aquarius
15 Capítulo 15 EPÍLOGO
Notas iniciais
Quatro meses depois...
Lentamente, cuidadosamente, Shaka abriu os olhos, após Ikki retirar as mãos que os cobriam. Ao seu lado, Ikki parecia inquieto, embora não movesse um só músculo. O indiano olhou a casa enorme com uma fachada clássica e janelas com vitrais ao invés de vidros comuns. A escadaria, em mármore branco criando uma espécie de caminho que parecia levar a um lugar mágico...
— Como você descobriu esse lugar? – perguntou Shaka com o olhar admirado.
— Andei fazendo alguns contatos. Achei que gostaria que o local para o seu restaurante fosse tão diferente quanto à proposta gastronômica que vai oferecer.
— Ikki, você... Você não para de me surpreender! Como pode ser tão...
— Tão sexy? – disse o moreno com um sorriso malicioso.
— Não, insuportavelmente, eficiente. – respondeu o indiano.
— Se você acha eficiência achar uma simples casa, o que dirá em saber que entrei em contato com o Instituto de deficientes visuais e eles acharam a proposta de empregar cegos como garçons no seu restaurante, fantástica. – falou Ikki estufando o peito com orgulho.
— Iluminação de Buda! Se você continuar assim, vou ter que...
— Admitir que não pode viver sem mim! É simples.
Shaka sorriu e como sempre acontecia, Ikki via-se perdido nos olhos azuis que pareciam tão plácidos aos outros e com ele, exibiam um fulgor que despertava sua libido. Controlou-se para não beijá-lo, ali fora, mas quando entrassem, ele iria mudar a situação...
Inebriado com cada detalhe do lugar, Shaka não percebia as intenções de Ikki até chegarem à cozinha da casa que mais parecia um santuário com suas bancadas de granito branco contrastando com o piso de pedra negra...
Sorrateiramente, Ikki aproximou-se por trás e abraçou Shaka, interrompendo o idílio do indiano. Ficaram um tempo abraçados e sorrindo dentro daquele espaço que parecia ter sido construído por algum visionário.
— Esse lugar é perfeito. Eu não sei como agradecer tudo o que tem feito. – disse Shaka encostando o rosto no de Ikki.
— Pois eu sei de um jeito perfeito... – respondeu o moreno com um brilho safado nos olhos e um sorriso largo.
— Nem pense nisso, seu depravado! Não vamos fazer amor aqui. – falou Shaka sentindo o volume da excitação de Ikki em suas nádegas.
— Depravado é você... Eu só queria um beijo. – disse Ikki fingindo estar magoado.
— Somente um beijo?
— Claro, achou que eu ia te seduzir numa cozinha?
Franzindo o cenho, Shaka voltou o rosto para um beijo rápido, quando a boca de Ikki tomou a sua com um fogo que o excitou de imediato.
Buda me resgate! Pensou ele, quando sentiu o baixo-ventre formigar com a exploração de sua boca pela língua ávida de Ikki e algo mais...
— I-Ikki...você disse...só um beijo! — gemeu Shaka sentindo as mãos de Ikki tocando-o de forma sensual, insinuando-se por baixo da roupa.
— Pois é, eu menti... — respondeu Ikki puxando-o mais para si e fazendo-o sentir a ereção impressionante e rígida como pedra.
Em instantes, era fogo queimando fogo. Ikki movia-se de modo sensual, roçando seu corpo no de Shaka e o indiano ofegava, sentindo o gosto e o cheiro delicioso daquele garoto que se revelara um homem no sentido total da palavra.
E, como alguém que não tivesse opções, Shaka entregou-se ao momento e deixou-se levar, deixando que Ikki o despisse o suficiente para mergulhar naquele oceano de carícias íntimas e prazerosas...
Que Buda o cobrisse de bençãos! Ele estava apaixonado por Ikki e o moreno tinha razão em sentir-se indispensável em sua vida.
Como se lesse o pensamento do indiano, Ikki aproveitou para perguntar, enquanto o penetrava e preenchia com um vigor delicioso:
— O que eu sou prá você...? Diga-me... — falou com a voz baixa e cheia de desejo.
— I-Ikki... e-eu... — gemeu Shaka, quase sem poder raciocinar com aqueles movimentos tocando-o profundamente e irradiando prazer por todas as células de seu corpo.
— Fale... — sentenciou Ikki parando de se mover.
O indiano agitou-se, o rosto rubro pelo prazer e o corpo sedento para que Ikki continuasse. O moreno parecia ter retirado todo o ar de seus pulmões e, mesmo assim ele buscou o ar e disse:
— E-Eu...amo você.
Ikki esperara muito por aquele momento. Porém, quando ouviu, a intensidade do contentamento fez sua respiração estancar e seu sangue circular tão rápido que o deixou tonto. Então foi a vez de Shaka puxá-lo contra si e beijá-lo na boca.
Em meio ao beijo sôfrego, Ikki confessou:
— Eu também te amo.
Os dois sorriram, sentindo o sangue latejar nas têmporas e o corpo mover-se com a química explosiva que sempre houvera entre os dois. A boca de Ikki tremeu e a de Shaka abriu-se num suspiro de puro prazer. E quando o orgasmo chegou ambos se entregaram às chamas...
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A manhã de temperatura amena mostrava Rodós Dodekánisos recebendo reformas e pintura, enquanto uma nova leva de jovens buscava o lugar que agora contava com um dos programas de treinamento profissional mais avançado de toda a Atenas.
Shiryu, Seya e Shun recebiam os novos candidatos e se preparavam para o ingresso na universidade. Havia um clima de camaradagem, mas, ao mesmo tempo, todos haviam amadurecido e estavam traçando seus próprios caminhos em direção ao futuro.
O Lexus negro estacionou e Camus desceu, acompanhado por Hyoga que olhava para a nova fachada e sorria orgulhoso. Ele dera a ideia e seu irmão achara providencial e adequada. Agora, ali não funcionava somente uma república, mas um verdadeiro centro de aprendizagem para os jovens.
— Então, o que achou? – Perguntou Milo recebendo Camus e Hyoga com um brilho de contentamento nos olhos.
— Está perfeito. – disse Camus e Hyoga concordou rapidamente, enquanto via Shun acenar-lhe de uma das salas que estavam sendo redecoradas.
— Eu esperava você mais tarde. Ainda tenho alguns ajustes a fazer no projeto de treinamento e Shaka inaugura o restaurante amanhã e quer a minha opinião sobre os detalhes da grande noite. Puxa, nunca trabalhei tanto! – disse Milo sorrindo e levando a mão aos cabelos.
— Ora, ora... Então agora sou eu quem tem que marcar um horário em sua agenda. – falou Camus com uma voz rouca que fez Milo se arrepiar.
— Verei o que posso fazer... – respondeu Milo, olhando para os lados e constatando que estavam sozinhos.
Com um movimento hábil, Milo puxou Camus para si e o beijou. Depois afastou-se e sorriu.
— Pronto, já está agendado para esta noite, senhor Leclercq! Ah, enquanto Shaka não inaugura seu restaurante New Age, que tal um jantar no Vecchio Torino?
O ruivo balançou a cabeça e sorriu de volta, assentindo. Ele, que sempre se orgulhara de ser um homem, sob controle, e que não deixava dúvidas sobre sua habilidade em separar a emoção da lógica, agora, via-se tomado por um sentimento que o levava a experimentar uma urgência em ter Milo junto de si.
Seus lábios se curvaram num sorriso ao pensar no que fariam, logo mais à noite, e na proposta que faria ao grego. Tinha sido uma feliz sincronicidade ele ter sugerido o restaurante onde tudo havia começado...
Queria viver com ele, tê-lo ao seu lado em todos os momentos. Além disso, naquela manhã Saga e Kanon haviam partido para Londres, após receberem sua parte na fusão das empresas Naxos Marbles S.A com a Koukouravas S.A.
Aquela página da sua história havia sido virada e agora, nenhuma pendência do passado se colocava entre ele e Milo. Vida nova, e, de preferência, desfrutando da presença do grego em sua vida de forma completa.
Olhou para o teto alto e iluminado, pensando no quanto sentia-se abençoado. Ouviu as conversas e risadas e, enquanto encaminhava-se para a saída, Hyoga o interpelou perguntando se poderia levar Shun para passar o fim-de-semana.
Sorrindo, ele fez que sim com a cabeça e saiu, sentindo que o passado, estava definitivamente, onde devia estar e que tudo, mesmo os piores desafios o haviam transformado no homem que devia ser...
FIM
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