Blue Scorpion And Red Aquarius

10 Capítulo 10 MON AMOUR...


Notas iniciais
Fic encaminhando-se para o final!!!Bjs e Boa Páscoa!! Milaangelica, respondendo a tua mensagem, esse capítulo é dedicado a ti.Beijos, amada e obrigada!

Instalado no abrigo da pequena caverna, Milo tremia de raiva e frio. Sua jaqueta estava rasgada nos cotovelos, manchados de sangue e, nos joelhos, tanto o tecido da calça como a pele simplesmente não existiam.

Quando a neve despencara sobre ele e Saga, num ato reflexo ele conseguira girar o corpo tentando manter o equilíbrio e, com enorme esforço ele saltara, mas o peso ficara demasiado e ele cortara a corda permitindo que Adebaran puxasse Saga, enquanto despencava rumo a uma parede da caverna.

Graças a sua habilidade, ele utilizara a corda de segurança para balançar-se e, mesmo batendo violentamente na rocha, cair alguns centímetros na pedra achatada que levava à pequena caverna onde se encontrava agora, ferido e com frio.

— Merda...não acredito que salvei a vida daquele... grego traiçoeiro prá morrer de frio na porra desta caverna! E ainda acho que quebrei uma costela... – praguejou Milo tocando no lado direito do corpo e sentindo uma dor intensa.

Naquele momento, o que Milo mais desejava era estar em Atenas, o clima ameno e agradável, o cheiro de maresia... Sem que tivesse controle sobre as suas lembranças, pensou em Camus e seu sorriso contido. A expressão dele, no passado, quando haviam roubado maçãs do pomar do velho Acrísio, um misto de medo e ousadia. As mãos unidas na fuga e o rubor na face alva...

Nunca esquecera aquele momento. Talvez, porque fora ali que se dera conta de estar apaixonado pelo francês. Não tinham tido intimidade física, apenas conversavam horas a fio e o tempo parecia voar. Estar com Camus era a parte mais preciosa de seus dias.

Fechou os olhos, sentindo-os pesados e tossiu, sentindo um gosto metálico na boca. Não estava em Atenas e sim num ambiente escuro, frio e úmido. As imagens da adolescência se desfizeram e um Camus altivo, sarcástico e amargo insinuou-se em sua mente.

Imagens do Vecchio Torino, o restaurante que Camus escolhera para fazer a sua proposta surgiram lembrando dois momentos distintos... O primeiro, no passado, fora um convite para a sedução e revelação do sentimento que havia entre eles, antes da festa planejada na casa de Afrodite. O segundo, no momento atual, representara a constatação da mágoa, uma proposta e o abandono...

A tosse se fez presente, de novo. O mesmo gosto, o gosto de...

— Sangue... estou fodido. Saga, seu safado... no fim, você venceu... Não, isso não é um jogo. É a vida. No final, tudo acontece como deveria... Camus nunca vai esquecer, nem perdoar. Então, é melhor que... acabe aqui. – disse Milo com dificuldade em abrir os olhos.

Então, veio a escuridão. Encostado à parede úmida, o grego sentia que algo se esvaía de si, ao mesmo tempo que uma sensação de torpor parecia acariciá-lo, aplacando as dores físicas e emocionais. “É, acho que todo mundo se engana se pensa que o inferno é de fogo... O inferno é de gelo! Maldito frio...” Pensou Milo.

A neve caía mais intensa e antes de entregar-se ao sono, Milo voltou seu olhar para a entrada da caverna e pareceu ver um vulto. Sorriu e fechou os olhos.

“O demônio tem os cabelos do Camus...Merda!” Foi a última coisa que passou por sua cabeça.

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Logo que saiu do hotel, Camus começou a andar o mais rápido que o vento e a neve permitiam. Sua experiência em alpinismo se devia ao tempo em que passara alguns meses na Sibéria com o novo marido de sua madrasta. Lá foi levado a experimentar diversas situações limite e isso o doutrinara para ser um homem preparado para enfrentar o cargo de liderança nas empresas falidas de seu pai e, agora, para aventurar-se sozinho e encontrar Milo.

Depois de andar por cerca de um quilômetro, encontrou Ikki e Aldebaran vindos da direção sul. Foi então que ele percebeu que o local de onde eles vinham, era próximo de uma ravina íngreme, mas originalmente sem muitos obstáculos.

— Camus! – gritou Aldebaran.

— Aldebaran, Ikki. Qual a situação? – perguntou Camus olhando para a maca onde Saga estava.

— Achamos que Saga está bem, apenas torceu o tornozelo e bateu a cabeça. Ele acordou durante o trajeto, mas dormiu novamente, está exausto. Quanto ao Milo, Ikki viu quando ele se balançou com a corda auxiliar para dentro de uma caverna ao lado do desmoronamento.

— Eu vou até lá. Ele vai precisar se manter até o socorro chegar. – disse Camus.

— Vou com você, eu vi bem o lugar, posso mostrá-lo. Aldebaran consegue levar o Saga sozinho – falou Ikki.

Camus olhou para o jovem impetuoso com um corte na testa e postura firme. O vento os açoitava, mas parecia diminuir de intensidade. Tocou no ombro do rapaz e falou:

— Eu conheço o local e você deve estar exausto. Diga-me, apenas, em que lado de Scoran houve o desabamento e o que aconteceu. O restante do grupo está sedento por informações e detalhes sobre o acidente, então fique e auxilie o Shaka, está bem?

— Ok! – respondeu Ikki sem muito entusiasmo. – Estávamos mais a noroeste, perto de uma ravina quando o céu escureceu. Milo liderou a volta, mas Saga disse que conhecia o local e que chegaríamos mais rápido se fossemos em direção à estação de esqui. Foi então que tudo desabou e ele caiu. Milo desceu atrás e viu que a corda estava frouxa, mas tinha impedido o pior, então colocou o colete em Saga e nós içamos os dois quando outro bloco de neve caiu em cima deles, então Milo protegeu o corpo de Saga e cortou a corda principal, ficando pendurado pela corda auxiliar. Nós puxamos o Saga e ele se balançou pra tentar chegar perto da rocha que formava uma espécie de marquise. Então ele sumiu e a gente presumiu que ele entrou em alguma das cavernas.

— Tem uma cadeia de pequenas cavernas naquelas rochas. Milo deve ter entrado em uma, bem próxima do local. Vou dar a volta e acessar pelo lado oposto. Quando o socorro chegar precisamos que ele esteja fora. Bem, então estamos entendidos. Agora vamos lá! – disse Camus.

Meia hora mais tarde, Camus andava sobre a neve inclemente e uma neblina grossa se elevava, dificultando a visão. Chegou ao local onde Ikki havia indicado e resolveu arriscar a caverna central onde achava que Milo tinha entrado.

O vento sibilava e, mesmo que ele gritasse, não seria ouvido, então seguiu sua intuição e elevou o capuz para proteger-se da neve rodopiante que dançava em um movimento forte e contínuo. Com cuidado, lançou a corda, colocou o pino e começou a subir.

Alguns metros acima, uma fenda revelou-se. Era estreita, mas dava perfeitamente para entrar uma pessoa. Com a lanterna, Camus iluminou o chão e caminhou através da estreita passagem. Na luz fraca, percebia-se que o lugar, úmido e frio, não era muito grande. Ele avançou com o coração batendo forte e viu um vulto imóvel encostado à parede da rocha.

— Milo! – ele exclamou.

O grego tossiu e Camus percebeu os lábios azulados pelo frio, a face pálida e o olhar fixo, como se estivesse delirando.

— Milo! – disse ele mais uma vez, agora tomando o grego em seus braços.

— Os cabelos ruivos... iguais ao do... Camus... – falou Milo com uma voz rouca.

Em seguida, fechou os olhos com um sorriso nos lábios e seu corpo amoleceu nos braços do francês.

— Milo! Não durma! – disse Camus.

Sacudindo-o e rapidamente pegando o kit de primeiros socorros, o ruivo tomou a temperatura do grego e viu que ele estava no perigoso limite de uma hipotermia devido, talvez, a um ferimento interno. Abriu o zíper da jaqueta de Milo, constatando uma área arroxeada na altura das costelas.

Podem estar quebradas! Pensou Camus e retirou o seu casaco, vestindo-o em Milo. Depois, retirou um cantil e um envelope com aspirina, colocou duas dentro, agitou e fez com que Milo bebesse.

O grego abriu os olhos, para a alegria de Camus. O rosto branco, mas ainda havia brilho em seus olhos azuis, acentuado pelo estado febril.

— Camus... O que está... fazendo... aqui? – perguntou, ofegante.

— Vim buscá-lo! Acho que isso está virando rotina, non?

O sotaque francês e o sorriso de Camus fez Milo estreitar os olhos e exclamar:

— Você... é uma... visão. Estou vendo... e ouvindo... coisas. Camus... jamais viria.

— Sou eu Milo... – disse o ruivo abraçando o grego com cuidado.

Milo não respondeu e fechou os olhos, novamente. Ele precisava de calor e Camus olhou em volta vendo se achava algo para queimar. Viu restos de galhos e folhas que deviam ter sido trazidos pelo vento. Acomodou Milo e juntou tudo, acrescentando o fluído para isqueiro e acendendo uma pequena fogueira. Depois retirou duas latas de sopa da mochila, abriu-as e colocou-as sobre o fogo.

Os órgãos internos de Milo precisavam de calor. Provavelmente, as costelas quebradas não haviam perfurado o pulmão, mas o frio demasiado provocava edema e a tosse seca, acompanhada de sangue, mostrava isso.

— Beba... – disse Camus voltando-se para o grego e alimentando-o com a sopa quente.

No começo, Milo recusou, mas logo que sentiu o gosto e o calor, aceitou e um pouco de cor voltou ao seu rosto.

— Puta merda... É... você mesmo. – disse Milo quando começou a voltar a si, saindo do estado febril em que se encontrava e percebendo que Camus ajoelhara-se junto dele, fazendo-o beber a sopa.

— Sim, e você já está quase em seu estado normal.

Milo franziu o cenho e Camus emendou:

— Você sempre adiciona um palavrão a cada frase dita.

— Nem sempre... Só quando... a situação foge... ao padrão tradicional.

— Ah, é? E o que está fora dos padrões aqui?

— Você.

Camus ignorou o comentário e puxou sua mochila, tirando um saco de dormir. Em seguida, começou a tirar as roupas e a fazer o mesmo com o grego.

— O que... está fazendo? Não vou poder ser sua fraqueza agora, ruivo... – protestou Milo.

— Não fique se achando, vou apenas mantê-lo aquecido. – respondeu Camus.

Assim que ambos estavam só de cuecas, Camus ajudou Milo a entrar dentro do saco de dormir e, logo em seguida, deslizou para dentro e fechou-o rapidamente.

Milo sentiu a temperatura do corpo de Camus e achou-a maior do que a do fogo e da sopa. O francês tinha uma pele alva e firme que transmitia uma imagem de frescor. Porém, ele sabia o quanto aquele ruivo podia ser ardente...

— Abrace-me. – ordenou Camus sentindo o corpo frio e trêmulo de Milo.

O grego obedeceu e Camus o estreitou junto a si, acariciando-lhe a nuca numa leve fricção, enquanto Milo encostava o rosto na curvatura de seu pescoço. Depois, entrelaçou as pernas nas do grego e ambos sentiram um arrepio que não era de frio.

Camus inspirou fundo e fechou os olhos tentando controlar o desejo. Suas mãos percorriam as costas de Milo para cima e para baixo, cuidando para não pressionar as costelas e o grego suspirou elevando a cabeça. Os lábios quase se tocaram e houve um segundo de tensão.

Milo percebeu o conflito que se refletia no rosto expressivo do ruivo e, apenas, sorriu. Os olhos rubros estavam, estranhamente, ternos, mas também cheios de paixão e Camus rendeu-se, beijando Milo com tanta intensidade que o grego sentiu seu corpo ser tomado de intenso calor. Porém, antes que o beijo os levasse para algo mais íntimo, Camus parou e murmurou entre os lábios, agora vermelhos, de Milo:

— Você precisa descansar...

Fechando os olhos, Milo aninhou-se mais ainda, abraçando Camus e adormeceu. Sonhou com seu pai e com Saga e por várias vezes acordou tendo a sensação que Camus o beijava ternamente na testa, murmurando palavras de cuidado e amor. Mas, naturalmente, aquilo era impossível de ser real. Estou delirando... pensou.

Um pouco antes do amanhecer, Camus acordou bruscamente. Havia dormido pouco e vigiado o sono de Milo. A tempestade havia amainado e logo um helicóptero de resgate estaria sobrevoando aquele lugar e tudo ficaria bem.

O grego ainda dormia, porém sua respiração estava um tanto entrecortada, o que deixou Camus em alerta. Saiu do saco de dormir e se vestiu, vendo que Milo se agitava com desconforto. Acocorou-se junto dele e o despertou:

— Milo...acorde!

Milo se mexeu fazendo uma careta de dor, depois abriu os olhos vendo tudo meio desfocado.

— Hummm...o que foi?

— Venha, vou ajudá-lo a se vestir. Precisamos sair desta caverna para que o helicóptero nos veja. Acha que consegue andar?

— Consigo. – disse ele, tentando parecer forte.

Porém, quando se levantou, Milo sentiu uma fisgada forte que lhe tirou o ar. Ficou pálido e foi amparado por Camus, quase desmaiando de dor.

O francês viu que a neve começava a cair, novamente, e tomou uma decisão. Teria que deixar Milo na caverna e ficar exposto para que os localizassem. O grego ofegava, indicando que precisava de socorro com urgência. Tinha que tirar Milo daquele lugar o quanto antes e o faria, mesmo que isso significasse arriscar a vida na tempestade que voltara a cair.

— Vou deixá-lo protegido e esperar o helicóptero lá fora. Assim que eles chegarem, traremos o equipamento necessário prá tirá-lo daqui, certo?- disse Camus com um tom confiante.

— Camus...o vento... o frio. Você está... desprotegido. Seu casaco...

— Esqueceu que eu estou acostumado às baixas temperaturas? Lembra que me chamavam de “mister ice” na escola? Posso suportar o frio por um bom tempo, não se preocupe.

— Não gosto... disso. – Milo teimou. – Não quero... que vá.

— Você está ferido e quanto mais tempo passar aqui, pior ficará. Confie em mim.

— Eu não... valho a sua vida... Camus.

— Você vale muito mais, mon amour... - sussurrou o ruivo antes de beijar Milo, amorosamente, e sair antes que o grego protestasse ainda mais.

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Um ruído ensurdecedor encheu o ar. Milo sentiu-se incomodado pelo barulho desagradável, mas sua angústia era saber onde Camus estava. Semiconsciente ouvia murmúrios de vozes muito distantes. Então, mãos vigorosas começaram a manejá-lo e ele percebeu que o estavam enfaixando na altura do tórax.

— Não o deixem dormir novamente. – alguém orientou.

Bateram-lhe no rosto e ele se irritou. O ruído não permitia que ele entendesse direito o que as pessoas falavam. Sentiu que o colocavam numa maca, atando-o com correias. Depois notou que o transportavam para dentro do barulho ensurdecedor. Só então se deu conta, “Estou no helicóptero”.

Olhou em volta a procura de Camus, mas só viu um dois homens e uma mulher que o olhava e confortava dando-lhe palmadinhas na mão. Fechou os olhos por um instante e quando os abriu, sentiu que mãos fortes e carinhosas envolviam as suas.

— Milo... – uma voz masculina chamou. – Você está salvo. Está tudo bem.

Lábios mornos tocaram-lhe a face.

— Estou aqui, fique tranquilo. – a voz murmurou.

“Camus”, ele pensou.

Com esforço enorme conseguiu abrir os olhos com um ligeiro sorriso de satisfação. Imediatamente, franziu as sobrancelhas. Não era Camus. Não eram os olhos rubros que o fitavam e nem os lábios que haviam dito mon amour.

Diante dele estava o rosto suave de Shaka.

— Milo, você está bem? Consegue me ouvir? – perguntou o indiano.

Desapontado, Milo fechou os olhos e virou o rosto de lado. Percebeu que as faixas ao redor do tórax eram tão apertadas que se tornava difícil falar e até mesmo respirar. Então voltou a olhar para o amigo.

— Eu estou bem, Shaka. – disse ele tentando sorrir.

O indiano percebeu a decepção de Milo e então falou sorrindo:

— Camus está na enfermaria, por isso não está aqui agora.

— Na enfermaria? Ele está bem? – perguntou Milo preocupado.

— Acho que eu mesmo posso responder a essa pergunta. – disse uma voz grave e conhecida.

— Camus... — exclamou Milo, quase sem ar.

O francês entrava no quarto do hospital usando as mesmas roupas, o cabelo desalinhado, deixando-o mais bonito e um ar que denotava cansaço e mais alguma coisa...

— Bem, acho que vou deixá-los a sós. Volto depois! – disse Shaka sorrindo discretamente.

Camus se aproximou e Milo notou que ele estava com as mãos enfaixadas.

— O que aconteceu com as suas mãos? – perguntou o grego tomando-as nas suas, instintivamente.

— Um pequeno contratempo, queimei-as na corda ao descer. Saí tão rápido que esqueci as luvas, mas não é nada. Você está bem? – perguntou o ruivo com ar preocupado, sentando na cama.

— Estou, obrigado. Te devo mais uma! – disse Milo sorrindo.

— E quando... estará disposto a pagar esta dívida, mon amour? – perguntou Camus olhando-o bem fundo nos olhos.

Milo engoliu em seco e fitou Camus, sem saber o que dizer. Então o francês se aproximou e segurou-o pelo queixo, beijando-o suavemente. Assim que o beijo terminou, Milo olhou-o admirado e corado, como se estivesse diante de uma visão mística.

— Camus... o quê... significa isso?

— Significa que eu te amo e que nada é mais importante que este sentimento. Agora sou eu que peço perdão, Milo. Chega de ressentimentos...

O grego sorriu largamente e puxou Camus para perto de si beijando-o com tanta avidez que o ruivo quase despencou em cima dele. Os dois riram e continuaram a se beijar, enquanto lá fora, a tempestade cedia espaço ao sol e as mágoas iam embora junto com a neve derretendo-se com o calor.

No corredor, um par de olhos azuis se detinha na cena. Suspirando, pensou na ironia que havia se instaurado em sua vida. Voltou-se para trás, quando sentiu um par de braços estreitá-lo junto ao peito e sussurrar ao seu ouvido:

— Acho que está na hora de contar a verdade e se redimir, não é irmão?

Notas finais
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: HANNAH ELRIC, ENMAHILDER, JUKIE, KERONEKOI, MILAANGELICA, MONI-D, MINOS_D_GRIFFON, SION NEBLINA, NINACORTTINELLY,DDD, MALUQUINHAX, PAPILLONBLEU, KAMY_JAGANSHI!!!!FELIZ PÁSCOA PRÁ TODOS!!!