- E o próximo... — A enfermeira olhou a prancheta. — Srta. Evelyn Blen.

Na mesma hora uma jovem com um gesso se levantou, indo até lá acompanhada de um rapaz, que a enfermeira deduziu ser seu namorado.

Logo ela foi pegar uma tesoura, começando a cortar o gesso.

- Como você machucou o braço? — Ela perguntou curiosa enquanto cortava um terço do gesso.

- Ele derrubou um tambor nele. — Evelyn respondeu apontando pra Keith, e logo viu a enfermeira fazer uma cara de espanto. — Não se preocupe, foi um acidente.

- Ah sim... — A enfermeira voltou a cortar o gesso, se calando.

- Mas se ele tentasse me atacar, pegava meu canivete e cortava a garganta dele. — Evy acrescentou com uma expressão facial de indiferença, como se já fosse acostumada com coisas desse tipo.

- M-meu Deu... — A enfermeira pulou ao ouvir isso, com medo e receando em chamar a polícia.

- Eu tava brincando! — Evelyn deu uma risada leve, mas logo voltou a fazer uma cara de séria. — Continue com o seu trabalho, por favor...

- O-ok... — Ela voltou a cortar, até que viu Keith mexendo com algumas coisas de sua mesa, como seringas. — Ei, senhor...

- Meus amigos me chamam de Keith, você me chama de John. — Ele disse com um olhar indiferente para a insegura enfermeira enquanto espetava seu dedo de leve na agulha. — Podia levar uma dessas pra botar heroína.

- Pode largar isso, por favor? — A enfermeira pediu impaciente.

- Keith, por que você não preenche aquela ficha por mim? — Evelyn pediu com calma e um ar leve de impaciência.

- Por quê? — Ele perguntou, provocando.

- Porque eu mandei – Ela respondeu com um olhar malvado – E é melhor eu não estar chateada com você depois que eu tirar esse gesso.

- Tá, tá... – Ele pegou a prancheta em cima da mesa, apertando o botão da caneta. – Nome?

- Evelyn Margareth Blen – Ela disse, com um pouco de ódio, como se não quisesse lembrar esse nome.

- Então o seu nome do meio é Margareth? – Ele comentou risonho enquanto escrevia.

- Não me lembra disso, por favor... – Evelyn grunhiu. – Eu odeio esse nome.

- Ah é? – Ele deu um riso. – Então vou te chamar de Maggie agora.

- Se foder, vai... – Evy falou mostrando o dedo do meio.

- Hummm, tá bom... – Ele olhou malicioso e voltou a olhar para a ficha. – Sexo? Essa é a mais fácil de se preencher. Todos os dias...

- Aff, você é um chato, Keith Moon – Evelyn falou risonha. – Mas eu te amo.

- Vocês dois são engraçados... – A enfermeira riu, finalmente acabando de cortar o gesso. – E esquisitos também.

- Obrigada, mas você ainda tem um gesso pra tirar. – Evy não deixou de comentar, impaciente.

- Calma... – Finalmente ela tirou o gesso da frustrada garota. – Consegue mover o braço?

- Acho que sim... – Evy começou a girar e balançar o braço aleatoriamente, tentando recuperar os movimentos. – Espera aí... Keith vem aqui...

- O que é? – Ele chegou perto e levou uma tapa no rosto, que provocou um sorriso na garota.

- Pois é, consigo mexer muito bem. – Ela sorriu diabolicamente para a enfermeira, que estava sem graça. – Agora vamos dar o fora daqui.

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Mary estava sentada no seu sofá, pensativa. Não conseguia se distrair com nada, e estava se sentindo muito sozinha. Sua situação na banda também era preocupante. Já que Evy já estava possibilitada de tocar de novo, ela ia ser dispensada e teria que arrumar outro emprego.

“Devia parar de pensar nos meus problemas” Ela pensou trêmula, tomando um gole de conhaque. “Eles me deixam nervosa demais.”

Nem tocar a distraía. Tentou dormir, mas não conseguia. Só ficava duvidosa.

Até que seus pensamentos preocupantes foram interrompidos pelo telefone tocando. Correu até o móvel perto do sofá e o tirou do gancho.

- Alô? – Ela perguntara sem um pouco de seu fôlego, devido ao breve esforço.

- Oi Mary – A voz do outro lado da linha respondeu e Mary reconheceu como Evelyn. – Como está?

- B-bem... – Ela gaguejou, temendo que fosse dispensada naquela hora. – Por que ligou?

- Nada, só que eu e o Keith vamos dar uma festinha... Queria saber se você quer ir.

- Você dando festas, Evy? Não parece muito da sua natureza.

- Não sabe que dia é hoje, não é?

- 9 de março?

- Também... Não me diga que você esqueceu...

- Ahh é... Seu aniversário, certo?

- Sim. Eu nem queria lembrar, mas quando o Keith ficou sabendo... Cara, ele ficou enchendo o saco para eu comemorar.

- Hahaha, é que horas a festa?

- Daqui a uma hora...Tempo suficiente pra você dar uma retocada e comprar um presente.

- Ok...

- É sério, se é pra todo mundo ficar me lembrando de que eu um ano mais perto de morrer quero algo pra recompensar.

- Tá certo Evy, eu compro alguma coisa...

- Então te vejo lá, tchau.

- Tchau...

Ao colocar o telefone de volta no gancho, a garota correu para o banheiro se arrumar.

- Então, o que você espera fazer nesse ano? – Dani falou enquanto via a fumaça do cigarro de Pete subir, se apoiando na parte de trás da cadeira com os braços.

- Bem... – Ele assoprou fumaça para fora da boca, e depois voltou a olhar para a namorada. – Estou pensando no próximo álbum que eu vou gravar com a banda... Tenho algumas ideias, mas ainda não estou certo.

- Ah sim... Ainda não sei o que eu vou fazer... Vou esperar a Evy ter algumas ideias e aí acho que começamos a trabalhar...

- Você não precisa depender dela, sabe...

- Pete, eu só fiz umas duas composições até agora. Dá no máximo pra fazer um single com isso. A Evy é uma máquina humana de composições...

- Vocês devem ter sorte em ter ela na banda... Mas você tem que saber ser independente também, apesar de ela ser a líder.

- Você fala isso porque é o líder da sua banda. Não quero liderar, não sei fazer isso.

- Está bem, deixa pra lá...

- Você parece estar mais calmo ultimamente. Menos ciumento.

- Acha mesmo?

- Sim...

- É que eu te amo muito, e notei que você também... Seria besteira ficar sendo possessivo.

Dani riu e o beijou carinhosamente, por uns segundos.

- Sim, te amo muito.

Então o telefone tocou, cortando o clima do casal.

- Deixa que eu atendo. – Dani falou indo até a sala, deixando Pete na varanda de casa.

Ele olhou pensativo para a garota, pensando sobre o futuro dos dois.

Os dois estavam muito bem durante esses sete meses. Mas e depois? Continuariam juntos? Ele queria pensar muito bem antes de fazer qualquer coisa, mas já estava cogitando em pedi-la em casamento. Ele a amava muito, e não se importava em passar o resto da vida junto com ela.

- Era a Evy. – Dani falou ao voltar para a varanda. – Nos convidou para a festa de aniversário dela, você vem?

- Claro... – Pete respondeu indiferente.

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- Já vai! – Evelyn gritou correndo até a porta, vendo John ao abrir. – Oi Ox, chegou cedo.

- Eu sei. – Ele falou já entrando. – Não tinha mais o que fazer, então vim pra cá direto. Cadê o Keith?

- Aqui! – Ele falou sentado em um sofá do outro lado da sala, sem fazer nada.

- Não vai fazer nada não? – John perguntou chegando perto do colega de banda, fazendo um cumprimento inventado pelos dois e sentando no sofá mais próximo.

- E você acha que eu sou trouxa de deixar ele fazer alguma coisa? – Evelyn falou enquanto olhava pros dois. – Pra depois ter alguma coisa explodida nessa casa?

- É, tem razão. – John concordou, enquanto se ajeitava no sofá.

- Acho que já tá tudo pronto... – Ela disse dando uma olhada geral no ambiente. – Agora eu quero mais é que vá tudo se fuder, vou descansar um pouco.

Então ela se jogou no sofá, enquanto John a observou caindo nele e não deixou de perguntar:

- Não vai se arrumar não?

- Eu já estou arrumada... – Ela disse com um olhar impaciente.

- Você que sabe né... – John respondeu sem jeito.

- Ei, eu já posso sair dessa cadeira? – Keith perguntou.

- Sim, pode... – Evelyn respondeu, roendo a unha. – Fica lá na porta pra poder atender quem chegar.

- Senão? – Ele perguntou em um tom desafiador.

- Você já sabe. – Ela o fitou com um olhar de predadora. – Agora vai.

- Tá... – Keith foi andando impaciente até a porta, virando pra John sussurrando: “Ela vai me matar”

Passada meia-hora, a campainha tocou de novo. Era Mary.

- Oi... – Ela disse baixinho, entrando na casa.

- Oi Mary – Evy falou deitada do sofá.

- Oi Evy... – Mary respondeu indo até mais perto da amiga, com um embrulho nas mãos. – Feliz aniversário, espero que goste do presente...

A garota pegou o pequeno embrulho das mãos da guitarrista substituta, já abrindo.

- Cordas novas? – Ela disse empolgada. – Obrigada, tava precisando.

- De nada... – Mary falou dando um sorriso tímido e procurando um lugar vago para se sentar, que coincidentemente era do lado de John, que olhava surpreso para a garota.

- Nossa Mary... – Ele disse maravilhado. – Você está muito bonita hoje.

- O-obrigada... – A garota corou, se encolhendo na poltrona onde estava sentada.

Então os quatro ficaram conversando, até que chegaram mais pessoas: Roger e Belle.

E essa segunda não ficou muito feliz de encontrar Mary lá, se sentando um pouco longe dela junto com Roger.

- Belle, não precisa ter ciúmes... – Roger falava tentando quebrar o gelo. — Eu amo você, minha pequenininha.

- Aposto como você dizia isso para Mary sempre.

- Pare de implicar com a Mary! Acabou tudo entre mim e ela. Vocês deviam ser amigas.

- Como vou ser amiga de uma rival em potencial? Ela quer tirar você de mim!

- Não quer, não.

- Como pode ter tanta certeza?

- Porque olha ela e o Ox conversando ali. Veja como estão se dando bem...

Belle olhou os dois por um breve momento, vendo que estavam mesmo se dando bem. Riam bastante.

- Então isso significa que ninguém vai te tirar de mim... – Ela riu, dando um selinho nele.

- Sim, meu amor...

Os dois sorriam um pro outro, apaixonados.

E então a campainha tocou de novo. Eram Dani e Pete.

- Eles foram os últimos convidados, posso agora fazer alguma coisa? — Keith perguntou impaciente.

- Sim. — Evy respondeu indo até ele. — Pode me beijar.

- Tá bom... — Ele a agarrou a beijando como em filmes franceses.

- Perfeito... — Ela disse mordendo os lábios levemente. — Agora pode ficar a toa, só não suma do meu ponto de vista, senão...

- Já sei, já sei...

- Ótimo.

- Ei, é impressão minha, ou a Evy está fazendo o Keith se comportar? — Pete falou pra Dani.

- Meu caro... — Evy falou indiferente. — Eu tenho que mostrar quem manda aqui nessa porra.

- E você deixa ela mandar em você, Moon? — Pete perguntou com um ar de sacanagem, rindo.

- Se você soubesse do que ela tá falando... — Keith não deixou de comentar — Nem brincava com isso.

Logo o clima ficou meio pesado, até que a campainha tocou.

- Agora deixa que eu atendo... Mas estranho, não tinha chamado mais ninguém... — Evy falou indo até a porta e abrindo.

E a pessoa que estava do outro lado da porta surpreendeu a todos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.