Blue, Red And Grey
13 Capítulo 13
— Boa tarde, meninas. — Evelyn falou ao entrar no estúdio, com um pouco de dificuldades por causa do gesso. — Prontas pra ensaiar?
— Evy — Belle falou com uma cara mal humorada e desanimadora. — Você quebrou o braço, quem vai tocar?
— Eu. — Uma figura atrás da vocalista se manifestou, sendo que ninguém a notara antes.
— Quem é você? — Dani falou a encarando, achando ela familiar. — Mary?
— Sim! — Ela sorriu, fazendo Dani ficar bem feliz.
— Caramba! — A baixista correu pra abraçá-la. — Você tinha sumido, nem mandou uma carta ao menos.
— Pois é — Ela disse um pouco sem jeito.
— Mas quem é a Mary, não conheço... — Belle falou com uma expressão de perdida.
— Nossa amiga de infância. — Evelyn começou a explicar. — Nós até tínhamos uma bandinha, mas ela se mudou... Você não chegou a conhecê-la.
— Mas como achou a gente? — Dani perguntou curiosa.
— Eu estava na cidade e fiquei sabendo que a Evy quebrou o braço. Então procurei o número dela na lista telefônica e sugeri tocar guitarra na banda enquanto ela se recupera.
— Mas eu continuo cantando. — Evelyn acrescentou, pois não queria parecer inútil. — E vamos ter que pagar, a Mary não vai fazer isso de graça.
— Quanto? — Belle perguntou tentando se achar na conversa.
— 30 por demo, 40 por single ou faixa de álbum, 10 por cada música em show e 100 por álbum gravado.
— Porra, tudo isso... — Dani falou desanimada.
— São os tempos modernos Dani, o que posso fazer? — Mari falou sem expressão. — Tenho direito de ganhar bem também, sabe...
— Mas ela vai tocar apenas o que pedirmos e não vai interferir nas composições. — Evelyn falou, mesmo isso não mudando nada para as outras duas.
— Tudo bem, tudo bem... — Belle falou, tentando quebrar o gelo. — Vamos ensaiar ou não?
— Vamos. — Dani falou, já levantando da cadeira, enquanto Evelyn e Mary iam atrás delas.
— Então, estava compondo isso semana passada... — Dani falou, distribuindo algumas folhas para as colegas.
— Que ótimo, Dani! — Evelyn se empolgou, enquanto lia a folha dela. — Gostei da letra.
— Obrigada — Ela disse sorrindo de leve, enquanto voltava a falar. — Então, queria que ensaiássemos ela, só pra ver como fica.
— Tá bem. — Belle falou enquanto terminava de memorizar a parte dela.
Evelyn tentou ajeitar o microfone, com um pouco de dificuldade.
— Quer uma ajuda, Evy? — Mary perguntou ao perceber.
— Não, obrigada. — Ela disse meio frustrada, pois não queria ser tratada diferente por estar com o braço engessado. — Eu estou bem.
— Ok... — Mary respondeu sem acrescentar mais nada, enquanto pegava uma palheta do bolso.
— E 1, 2, 3, 4... — Dani começou a falar.
E o ensaio começara.
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— Chega... — Evelyn falou, com um pouco de dor no braço. — Acho que já deu por hoje, vamos embora, por favor...
— Tá bem, Evy — Dani falou, com pena dela. — Tchau pra vocês...
Logo ela e Belle saíram do estúdio, enquanto Mary terminava de ajeitar algumas coisas.
— Você teve um ótimo desempenho, Mary. — Ela falou com um leve sorriso, enquanto observava ela arrumar algumas cordas.
— Obrigada, Evy... — Ela agradeceu enquanto se concentrava nas cordas desalinhadas.
Naquela mesma hora entrara uma mulher de uns prováveis 40 anos na sala. Era a secretária.
— Srta. Blen, tem alguém querendo falar com você. — Ela avisou, enquanto Evelyn deu de ombros.
— Aonde é o telefone? — Ela perguntou sem muita curiosidade.
— Não. — Ela corrigiu. — Lá fora.
— Ah sim... — Evelyn virou o olhar para Mary, que parecia ocupada. — Eu vou lá então, tá bem Mary?
— Sim, até mais... — Ela acenou, demostrando que estaria tudo bem.
— Ok, vamos lá. — Evelyn falou virando para a secretária, a acompanhando.
Apesar das dificuldades, ela estava até tranquila sobre a sua situação. Mary não era uma guitarrista medíocre e até poderia contribuir com algumas músicas, e talvez ela até poderia realizar uma vontade que queria: Fazer um show pendurada de cabeça pra baixo uma camisa de força.
"Até que foi útil isso..." Ela sorriu um pouco. "Mas ainda quero matar aquele merda do Keith."
E logo voltou a sentir um pouco de raiva.
E falando no diabo, olha só quem estava lá. Evelyn não ficou nada empolgada ao vê-lo.
— Oi Evelyn... — Ele disse acenando.
— O que você quer? — Ela disse friamente, queimando de ódio por dentro.
— Saber como você está.
— Bom, eu estou bem, ou estava antes de você aparecer.
— Hummmmm... Então você está melhor ainda?
— Não enche. Aliás, nem devia ficar atrás de mim, sabe. Se não fosse por esse gesso te dava um soco agora.
— Não faz mal, você fica sexy sendo violenta.
Evelyn lutou pra não corar, e então fez uma cara de desgosto.
— Ah, cala a boca. — Ela disse de mau humor. — Pare de me procurar, ok?
— E se fazendo de difícil também... — Ele comentou com uma cara maliciosa, o que irritava e excitava a garota mais ainda.
— Não vou perder meu tempo com você, até mais. Ela saiu de lá, mas Keith a seguiu. De novo.
— Escuta, por que você gosta tanto de me seguir, hein? — Ela perguntou, sem graça.
— É legal. — Foi o que apenas respondeu.
— Mas e se eu estiver indo pro inferno, você vai também?
— Eu vou pra lá mesmo sem depender de você, que diferença faz?
— Mas pra que você quer ficar atrás de mim, porra?
— É uma noite perigosa, principalmente para uma garota de braço engessado.
— Eu não ligo. Sei me defender.
— Mas com gesso vai ser complicado...
— Quer saber? Foda-se, se quer me seguir, que me siga.
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Pete estava sentado no sofá de sua sala, cantarolando qualquer coisa enquanto tomava uma latinha de cerveja. Tudo estava muito quieto, e solitário.
Mas logo a campainha tocou, interrompendo o silêncio.
— Já vai... — Ele disse arrumando forças pra se levantar, indo destrancar a porta.
Ao abrí-la, Dani o abraçou na hora e o beijou com vontade, fazendo-o ficar surpreso.
— Oi... — Ela sussurrou pra ele, enquanto pressionava seus lábios contra os dele. — Senti sua falta...
— Eu também. — Ele falou, sem parar de beijá-la.
— Nós mal tivemos tempo pra nós nesse mês... São tantas coisas e shows pra fazer...
— É complicado mesmo, mas então vamos aproveitar essa hora.
E ao dizer isso empurrou ela contra a parede, botando os braços em volta para impedir que ela escapasse (como se ela fizesse isso).
— Hum, mas quanta atitude hein...
Pete riu da cara maliciosa que ela fazia, excitado.
— Agora você está encurralada...
— Oh, mas eu sou uma moça indefesa, seja cuidadoso comigo por favor! — Ela falava de um jeito que poderia ser considerado dramático, se não estivesse rindo.
— Nananinanão mocinha... — Ele disse cada vez mais em clima de brincadeira. — Ninguém diz o que eu devo fazer.
Então ele a agarrou e começou a beijar, depois descendo os beijos para seu pescoço, enquanto Dani gemia incessávelmente.
Era uma noite pra se aproveitar, não?
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Mary estava terminando de arrumar suas coisas, até que ouviu alguns passos e uma voz familiar.
— Belle, você está aí? — É o que ela dizia.
Logo ela saiu do estúdio, olhando para o lado e viu quem era.
— Oi, Roger... — Ela disse com um jeito meio triste, sem fazer contato visual direto.
— Mary? — Ele olhou surpreso. — O que faz aqui?
— Fui contratada por uma amiga minha pra tocar guitarra na banda dela temporariamente, ela quebrou o braço e não pode tocar por um mês...
— Você conhece a, a... Evelyn, acho que esse é o nome dela...
— Claro, é a minha amiga de infância.
— Ah sim... Mas como você está?
— Com saudades...
Ele olhou para Mary desentendidamente.
— Desculpa, Mary... — Ele falou. — Estou interessada em uma outra garota agora.
— Volta comigo, por favor... — Ela tocou em seu rosto, alisando seus cabelos loiros.
— Não sei...
Mary tentou beijá-lo, mas logo foi interrompida por um...
— ROGER! — Grito. Era Belle, tinha voltado pro estúdio, pois esquecera seu casaco. — O que é isso?!
— Um casal voltando, não está vendo? — Mary falou enquanto tentava abraçar Roger, que a impedia.
— Mary... — Belle falou, quase vermelha de raiva. — Vamos lá fora... Pra conversar.
— Belle, não é isso que você está pensando. — Roger falou tentando impedi-las.
— Não importa, mas fica aí. — Belle falou, o encarando de um jeito raivoso. — É uma ordem.
Roger resolveu não discutir, ficando lá então. Belle levou Mary para o lado de volta do estúdio, com uma cara de ódio.
— E então? — Belle começou a reclamar. — O que há entre você e o Roger?
— Ele é meu ex. — Ela disse sem medo da baterista. — Mas eu ainda quero ele, por que quer saber?
— Desculpa, mas a fila andou...
— Como assim?
— O Roger quer a mim agora, foi mal... Perdeu sua chance.
— Haha, vai sonhando... Ele não resiste a mim.
— Ora sua...
Belle não se controlou, logo deu um soco na garota.
— Então você quer briga? — Mary gritou, passando a mão na parte do rosto onde Belle socara, e logo a socou também. — Pois briga você terá!
E então as duas começaram a se bater, puxar os cabelos, se chutar...
— BELLE! MARY! PAREM COM ISSO! — Roger gritou horrorizado com a cena, indo no meio delas impedindo que se batessem.
— Não me impeça, Roger! — Belle gritou endurecida, olhando para Mary com ódio.
— Esquece essa briga ridícula! — Mary rosnou. — Eu vou pra casa!
— Espera aí, Mary! — Roger falou preocupado.
— O que?! — Belle falou indignada. — Está mais preocupado com ela?! Ah, Roger Daltrey, seu canalha... Vou pra casa também, sozinha!
E Roger não soube qual das duas seguir, ficando sozinho no meio da entrada do estúdio.
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