Notas iniciais
Blábláblá... Espero que gostem!

Quando alguém se vai, é preciso superar para seguir em frente.

– Caio?

A voz de Dani rodeou todo meu quarto. Virei-me e meu queixo ultrapassou todos os limites possíveis. Ela estava vestindo um lindo vestido azul, combinavam muito com seus belos olhos.

– Dani?

– Aqui vai um segredo – Dani disse se aproximando e sussurrando. – Não sou uma garçonete.

– Semideusa? – perguntei.

Ela balançou a cabeça negativamente.

– D-deusa? – gaguejei.

Ela balançou novamente.

– Caçadora?

– Eca, não.

– Sinta-se a vontade para dizer – murmurei.

– Sereia – ela sorriu. – Ou, como alguns preferem chamar, cria de Atlântida. Palhaçada.

Sorri. Dani é divertida, só me lembro de vê-la para baixo uma vez. Muita coisa aconteceu desde que nos conhecemos no local de trabalho dela. Viramos amigos com o tempo e imagino que ela esteja triste por saber que o John não morreu, mas se transformou no Mors. Ou talvez ela não saiba.

– Como vão as coisas no mundo mortal? – perguntei.

– Estão melhorando. – Ela brincava com a maçaneta da minha porta. – Agora que os deuses podem controlar tudo novamente. Eros está furioso. Milhares de casais estão se separando pelo mundo. Qual será o motivo?

– Ele está com medo de morrer – dei de ombros.

– Ele é um deus. Por que estaria com medo de morrer?

Expliquei toda a história de Mors e do sacrifício. Dani me encarou surpresa.

– Temos problemas.

– Sérios problemas – Igor disse da porta. – Eu ouvi vocês conversando. Resolvi ver o que estava acontecendo.

– Oi, eu soube da Marya. Sinto muito – Dani disse.

– Todos morrem um dia. Temos de superar – Igor disse, mais para si mesmo do que para Dani, mas ela entendeu o recado.

– Você tem razão – Dani assentiu. Olhou para mim – Caio, a Mirella estava te chamando. Parece que pintou um problema, não entendi muito bem, filhas de Atena são confusas. Ela está no quarto do lord Poseidon.

Olhei para Igor e ele deu de ombros.

– Ok – assenti. – Igor, você precisa de um sorvete. Pode pegar no meu cofre.

Igor sorriu e comemorou. Sorri de volta e fui até o quarto de meu pai.

– Mirella? – Entrei no quarto lentamente. Ela estava encostada na janela. – Qual é o problema?

Mirella caminhou até minha frente e parou para me encarar.

– Soube que está livre do juramento – ela disse. Assenti com a cabeça. – Sinto por perder sua imortalidade.

– Não tem problema – dei de ombros. – Até aquele momento, eu nem sabia que tinha ela. E eu nunca quis ser imortal.

– É a primeira pessoa que eu conheço que diz isso – ela sorriu.

– Sou a primeira pessoa que você conhece que tem motivos para isso – sorri de volta. – Não tem sentido ser imortal, se isso significar perder todos que ama.

– E Afrodite? Você a teria para sempre.

Parei para pensar por alguns segundos.

– Dite é diferente – eu disse.

– Diferente bom, ou diferente ruim?

– Apenas diferente – respondi.

Mirella aproximou-se. Só então notei o ferimento em seu rosto, na bochecha direita. Parecia um corte de faca, ou espada, algo do gênero.

– Isso é bom. Eu acho.

Toquei o rosto dela, tirando o cabelo da frente do corte. Mirella me encarou confusa.

– O que aconteceu aqui? – perguntei.

– Um idiota com uma espada – ela murmurou. – Estava no exército de Shitou, era um dos filhos dele. Conseguiu escapar por pouco, mas eu estou bem.

Eu estava prestes a retirar a mão do rosto de Mirella, quando ela a segurou. Olhei-a confuso. Mirella sorriu.

– Você também é diferente – eu disse.

Ela se aproximou e sussurrou.

– Bom ou ruim?

– Bom – sussurrei em resposta.

Nossos lábios se tocaram lentamente. Enrolei meus braços na cintura dela e puxei-a lentamente. Nossas línguas brincavam em constante harmonia, aproximei Mirella ainda mais.

– Sério? No meu quarto? – A voz de Poseidon ecoou em todo o palácio. Afastei Mirella e virei para ele. Meu pai me encarou irritado. – Mirella, por favor, posso conversar com meu filho?

– Sim... lord Poseidon. – Ela fez uma rápida reverência e correu para fora do quarto.

Poseidon entrou no quarto e bateu a porta. Ele me encarava tão furioso que era difícil dizer se ele era meu pai, ou o carcereiro de um criminoso preso por matar o presidente.

– Você tem noção da besteira que acabou de fazer? – ele perguntou irritado. Tentou controlar o tom de voz, para que o palácio inteiro não ouvisse nossa discussão.

– Sinceramente, também estou um pouco perdido – sorri.

– Você acha que está em posição de fazer piadas? – ele gritou. É, o controle de tom foi parar no Tártaro. – Afrodite vai mata-lo, se descobrir o que aconteceu aqui. Isso na melhor das hipóteses!

– Afrodite não tem esse direito – eu disse.

– E o que te leva a pensar isso?

Parei por um segundo.

– Que tal o fato dela ser casada e ter dois amantes? – eu disse. Poseidon ergueu a mão, mas eu a segurei antes que ele me batesse.

Soltei a mão de Poseidon e saí do quarto. Mors estava parado do lado de fora.

– Algum problema? – ele perguntou ironicamente.

– Não enche – murmurei.

– Essa é a educação que seu pai te deu? – Mors sorriu ironicamente.

– O que aconteceu com as piadas boas? – perguntei.

– Guardadas para pessoas importantes – Mors sorriu.

Ignorei-o e continuei caminhando. Mirella me parou no meio do caminho e encarou-me preocupada.

– E então? Estamos mortos? – ela perguntou.

Abracei-a.

– Provavelmente. Vão disputar nossas cabeças.

Notas finais
E ai, quem vc acha que mata o Caio primeiro? kk' Gostaram? Comentem ^^