Notas iniciais
Desculpem a demora, bloqueio + visitas = sem capítulos. Como estão? Espero que gostem.

Às vezes, o amor chega em momentos oportunos, às vezes, ele chega apenas porque as pessoas precisam de algo que as mantenham vivas, algo que dê razão a sua existência.

As aulas passaram rápidas, enquanto eu pensava nos doces lábios de Afrodite. Finalmente, o sinal tocou e todos saíram. Eu olhei para a nova professora – uma senhora de sessenta e três anos, com cabelos grisalhos, pele pálida e cheia de rugas –, e lembrei de quando Afrodite me dava aulas. Pensando bem, ela só me deu uma aula.

Eu fui direto para o refeitório, onde encontrei todos os deuses sentados juntos – curiosamente, na mesma ordem em que sentavam no Olimpo, exceto por Hera, que não estava presente, por isso, tinha um lugar vazio ao lado de Zeus –. Ares encarava Poseidon, que ficava olhando apaixonadamente para Atena, enquanto Afrodite discutia com Hefesto e Ártemis e Zeus estava parado comendo tranquilamente. Só então notei a ausência de Apolo.

– Ei, pessoal – chamei. Afrodite, Atena e Poseidon foram os primeiros a me olhar, os outros acompanharam os olhares logo depois, exceto por Ares, que continuava encarando meu pai. – Alguém viu Apolo?

– Ele e Árt brigaram – disse Atena, calma.

– Ele correu para o banheiro – disse Afrodite apontando para a porta azul no canto do refeitório.

– Caio – Ártemis me chamou, olhei-a. –, vá falar com ele. Estou preocupada.

Assenti com a cabeça. Lembrei de quando Apolo falou de Ártemis, o modo como seus olhos brilhavam, até ele cair e começar a dizer uma profecia e, bem, estamos no meio dela agora.

Fui até o banheiro e encontrei Apolo parado encarando o espelho. Lágrimas rolavam em seu rosto, seus olhos estavam inchados e seus cabelos bagunçados.

– Ei, cara, tudo bem? – aproximei-me com medo dele me transformar em pó. Mesmo que sem querer.

Ele me encarou e rapidamente limpou as lágrimas.

– Tudo bem, Ares não sabe brincar e acabei ficando assim – ele disse.

– Eu deveria fingir que acredito?

– Por favor.

Ouvi gritos e urros e alguém entrou no banheiro. Empurrei Apolo para dentro de um dos boxes e fiquei parado esperando a pessoa aparecer.

– O que foi? – ele sussurrou.

– Se te verem chorando aqui, vão te zoar pelo resto da sua vida, e acredite, isso é muito tempo – murmurei.

– Olha, se não é nosso amigão, Caio – a voz de Matheus ecoou pelo banheiro inteiro. Cerrei meus punhos. Ele estava ao lado de mais cinco marmanjos do terceiro ano, todos do time de futebol, os mais fortes da escola, depois dos deuses e semideuses, é claro. – Peguem ele.

Os cinco correram na minha direção e tentaram desferir socos e chutes em mim, eu desviava de cada ataque com muita facilidade. Matheus cerrou os punhos e tentou me atacar, segurei a mão dele e coloquei atrás das costas, empurrei-o para frente e ele deu de cara com a parede.

– Matt, tudo bem? – perguntou um dos garotos.

– O que estão esperando? Peguem esse idiota – ele murmurou.

Os cinco voltaram a me atacar. Continuei desviando. Matheus bufava.

– Saiam daí – ele disse. Os garotos se afastaram. – Seus incompetentes.

– Venha, Matt, vamos resolver isso entre família – eu sorri. Matheus rugiu e tentou me atacar, segurei o punho dele novamente e soltei-o logo depois. – Muito lento.

– Vou te mostrar quem é o lerdo aqui – ele murmurou cerrando os punhos.

Matheus tentou atingir meu rosto, resolvi imitar o Neo de Matrix, e desviei do soco dele abaixando a parte de cima do corpo, logo depois, coloquei as mãos no chão e levantei meus pés chutando ambos os peitos de Matheus, que cambaleou para trás e bateu com as costas na parede, enquanto eu me levantava em um mortal para trás.

– Que merda foi essa? – Matheus me encarava confuso.

– Sei lá – murmurei.

Matheus ia me atacar mais uma vez, porém, um grito de Apolo o parou. O grito ecoou por todo banheiro.

– Ei, cara, você está bem? – perguntei.

– Ele só tá botando pra fora – um dos valentões do time de futebol gargalhou e os outros, incluindo Matheus, o acompanharam.

A porta abriu e Apolo caiu no chão. A maldita nuvem verde estava lá novamente. Não demorou muito até ele começar a falar:

Das sombras emergirá,
e os deuses desmemoriados, derrotará.
O
filhodo mar, seus amigos deve juntar,
uma batalha travar, e o destino do mundo poderá mudar.

Apolo apagou. Segurei-o.

– Sua amiga tá bem? – um dos garotos perguntou e todos, exceto Matheus, gargalharam.

– Vocês, sumam daqui – ele disse. Os outros garotos correram para fora do banheiro deixando apenas nós três lá dentro. Um vento fechou a porta e Matheus me encarou curioso. – Quem é ele?

– O quê? – perguntei.

– O Oráculo de Delfos costuma ser uma garota. Ou seja, esse cara não é o Oráculo, o que quer dizer que ele só pode ser um... – Matheus interrompeu-se. – filho de Apolo.

– Você não acreditaria se eu contasse – murmurei.

– Experimente.

– Ele não é filho de Apolo – eu disse. Matheus encarou o garoto no chão.

– Ele é o próprio Apolo, não é? – Matheus perguntou. Assenti. – Okay, eu vou... embora.

Matheus dirigiu-se para fora do banheiro, mas eu o interrompi.

– Matheus – chamei. Ele virou. –, como sabe sobre tudo isso?

Ele sorriu.

– Não é óbvio? Okay, eu explico. Eu sou Matheus, filho de Hades.

Notas finais
Desculpem-me se não está muito grande, mas é o máximo que eu consegui fazer por enquanto. Em breve teremos mais. Gostaram? Comentem.