Blue Ocean! (2ª Temporada)
8 A Identidade de Mors.
Notas iniciais
Às vezes, precisamos tentar, mesmo sabendo que vamos falhar, pois tudo neste mundo está ligado a uma única coisa: Perseverança.
Eu estava sentado no sofá, minha irmã ao meu lado. Bia parecia em estado de choque, desde que soube da morte de Marya, ela esteve sentada com os olhos arregalados e agarrada ao braço do sofá. Eu tentaria ajudar, mas minha reação não era das melhores. Eu mal conseguia me mover.
– Caio – uma nuvem azul apareceu na minha frente e imediatamente o cheiro da brisa marinha invadiu a sala, deduzi, obviamente, que era Poseidon. Mas, assim que a nuvem se formou, eu vi Marcie me encarando, aquilo me deixou um tanto confuso, mas justo quando ia perguntar, ela começou a falar. – Atlântida está um desastre!
– O que foi? – perguntei. – Meu pai ainda não retomou o controle da cidade?
– Sim – ela assentiu. –, mas seu pai é apenas um. Ele não pode lutar contra um exército de monstros e titãs que querem acabar com a cidade.
– O que eu posso fazer? – perguntei.
– Precisa ir para Atlântida – ela disse. Esticou a mão. – Precisa proteger seu povo.
– Não – a voz de Beatriz soava determinada. Virei-me para ela. – Eu vou.
– Bia...
– Não começa – ela me interrompeu. – Eu também sou filha de Poseidon, e uma hora terei que aceitar esse fardo, por que não agora? O Caio deve ficar, e proteger Atena.
– Você precisa ser treinada – disse Marcie. – Atlântida não pode esperar.
– Bia, eu vo... – eu tentei dizer, mas antes de finalizar minha fala, apaguei.
Eu não sabia se era um sonho, até ver que eu estava encarando Mors e ele nem sequer me notara. Ele estava parado em seu trono majestoso – uma enorme cadeira negra, com caveiras na ponta e tochas acesas com fogo grego no topo. Segurava sua espada e encarava Lucas, que estava agachado na sua frente.
– Senhor? – Lucas estremeceu ao pronunciar a palavra.
Ele ergueu a cabeça e pude ver a marca das remendas, era como se Mors tivesse costurado ele, depois de parti-lo em dois. Não entendo por que me espantei com aquilo, quer dizer, no mundo onde eu vivo? Isso é quase normal.
– Lucas, quero que mate aquela garota – ele disse friamente.
– Que garota, senhor? – ele perguntou. Senti que Lucas sabia qual era a resposta, eu também sabia.
– Caroline. A filha de Poseidon.
– Não! – Ele levantou e encarou Mors. – Digo... não posso mata-la.
Mors levantou calmamente do trono e ergueu Lucas pelo pescoço.
– Como disse? – perguntou.
– Tem outra pessoa – ele gaguejou. – Alguém mais importante. O senhor vai ver, o Caio vai ficar completamente atordoado.
Mors soltou Lucas.
– Quem?
– Marya. A mortal.
– A mortal – Mors repetiu calmamente e sentou-se novamente. – A namorada do filho de Zeus?
– Sim, senhor.
Mors acariciou o queixo por baixo do capuz.
– Sim, isso é bom – ele assentiu lentamente com a cabeça. – Decidido, mate a mortal.
– Senhor – Lucas chamou mais uma vez.
– O que foi?
– Por que não mata Afrodite, ou a irmã. Isso o deixaria ainda mais atordoado.
Mors ergueu a mão e Lucas caiu no chão agonizando de dor.
– Um homem demonstra seu verdadeiro poder, quando sua família está sendo ameaçada.
– Shakespeare? – Lucas perguntou entre os gritos, de forma zombeteira.
– Zeus, a fabulosa.
Lucas levantou.
– Apelido legal – murmurou.
– Era mais divertido quando ele soltava raios. – Mors bateu o pé duas vezes e todo o palácio estremeceu.
– Você tem problemas – Lucas murmurou.
– Os loucos são... – Mors fez uma pausa momentânea. – subestimados.
– Que seja – Lucas deu de ombros. – Vou matar a garota.
Eu acordei em um salto. Minha respiração acelerada. Agarrei meu travesseiro e minhas unhas rasgaram a fronha, chegando à espuma.
– Maldito! – gritei. Tenho quase certeza que o grito foi alto o bastante para que toda a casa escutasse.
Arremessei o travesseiro na lâmpada, que desabou no chão. Levantei da cama e estava prestes a destruir a janela, quando Bia entrou no quarto.
– Que diabos...?
– Foi ele! Aquele maldito deus menor! – gritei.
Igor entrou apressado no quarto.
– O que aconteceu com você? – ele perguntou.
– Igor. – Imediatamente calei a boca.
– O que foi?
– Eu descobri quem foi o culpado pela morte da Mary – eu disse.
Os olhos de Igor arregalaram-se, só então pude ver as marcas em volta deles. Estava mais que claro que ele esteve chorando nas últimas horas, não é de se espantar, perdeu a namorada, a pessoa que mais amava. É, no mínimo, difícil processar tudo isso, e resistir.
– Falam de mim? – Uma sombra negra surgiu no centro do quarto. Dei um passo para trás. Rapidamente, Mors estava parado com seu irritante manto negro. Meu coração disparou, eu tive vontade de avançar na garganta dele, mas tive que segurar Igor, para que ele não o fizesse. – Deixe-me apresentar, eu sou Mors. E sim, eu matei sua namoradinha.
Igor não pronunciou uma palavra sequer, apenas ergueu a mão e o teto da minha casa foi destruído por um raio. O mesmo chocou-se, inofensivo, contra Mors, que nem se deu ao trabalho de desviar, apenas ficou parado, e sugou toda a energia para seu corpo.
– Maldito! – Igor estava prestes a atacar Mors diretamente, mas eu o impedi. – Me solte!
– Não – eu disse. Encarei Mors. – Ele ia simplesmente mata-lo.
– Dane-se! – Ele tentou tirar minha mão, mas eu o arremessei para trás, e ele se chocou contra a parede.
– Obrigado, Caio – Mors sorriu.
Retirei minha espada debaixo da cama. Mors me encarou sorridente. Ergui-a e corri na direção do deus.
– Não me agradeça – eu disse. Tentei desferir um golpe contra seu braço direito. – Não antes de eu arrancar sua cabeça.
Mors desviou do meu golpe e contra-atacou com um chute na minha barriga. Defendi-o com a espada e, rapidamente, ergui minha espada, tentando atingi-lo no queixo. Em vão, o deus facilmente desviou do ataque. Então, quando estava prestes a atacar-me novamente, algo o puxou para trás e ele bateu contra a parede. Seu capuz saiu.
Assim que vi seu rosto, entrei em estado de choque. Beatriz gritou abafadamente. Igor apertou meu ombro, assustado. De pé, parado em minha frente, estava ele, com seus cabelos castanhos, agora um pouco mais escuros, e olhos negros, anteriormente castanhos, mas, ainda assim, eu pude reconhecê-lo sem nenhum problema. As palavras foram pronunciadas da minha boca com um misto de surpresa, ódio e receio.
– John? – Meu coração falhou uma batida.
– Seu amigo morreu – ele disse calmamente. Seus olhos frios encaravam Bia, paralisada. – Eu sou Mors, o filho de Poseidon.
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