Blue Ocean! (2ª Temporada)
6 Um Sonho Nunca é Só um Sonho.
Notas iniciais
O mundo não tem piedade dos fracos, não seja como o mundo, pois um dia, você pode precisar desses fracos.
Quando terminamos de contar toda a história para Beatriz, ela me encarou por um segundo.
– Sério Caio? – ela disse. – Se você não queria dizer que estava com duas garotas, podia inventar uma história decente.
– Mas... – eu tentei falar.
– Bia, é verdade – Carol disse. Bia nos encarou furiosa. – Nós duas também somos filhas de Poseidon, por isso estamos aqui. Os Olimpianos esqueceram quem são, e agora o mundo está um caos. Você não notou isso ainda?
– Não, estava ocupada demais procurando meu irmão – ela respondeu furiosa.
– Bia – murmurei. – Por favor, precisa acreditar.
– Não – ela respondeu. – Essa história nem faz sentido!
– Tudo bem – levantei e fui até a cozinha. Peguei um copo de água e dei para Bia segurar. – Vou te mostrar.
– Vá em frente – ela deu de ombros.
Concentrei-me e estiquei a mão para a água. Logo ela se ergueu do copo e formou um anel que se encaixou perfeitamente no dedo do meio de Bia.
– Isso prova que você conhece o tamanho do meu dedo – ela disse. Levantou da cadeira, deixou o copo na mesa e logo o anel voltou a ser água. – Eu vou dormir.
Beatriz correu para o quarto. Olhei para Carol e para Clivia, as duas deram de ombros.
– Okay, vamos dormir – eu disse.
Assim que deitei na cama eu adormeci. Não demorou muito até que um sonho começasse.
Eu estava ao lado de Mors, que sorria friamente para Lucas. Os dois estavam sentados frente a frente. Lucas tinha uma expressão de puro pânico no rosto asqueroso dele.
– Então – disse Mors, quebrando o silêncio da sala escura e vazia, a não ser pelas cadeiras –, você quer entrar para o lado negro da força.
– Sim – Lucas respondeu. Parou por um segundo. – Eu acho. Digo, não quero me unir ao Darth Vader.
– Você não gosta do Darth Vader? – Mors perguntou inexpressivo.
– Não – Lucas respondeu rápido. – Ele é patético.
Mors levantou da cadeira e encarou Lucas por um segundo.
– Fora.
– O que?
– Fora daqui – Mors apontou para a porta.
– O que eu fiz?
– Insultaste a honra do líder. Fuja, ou arque com as consequências – Mors disse sério. Lucas gargalhou. – Por acaso eu sou algum palhaço?
– Desculpe, é que eu não achei que fosse sério – Lucas disse.
– E por que eu brincaria com algo tão importante?
– Eu... – Lucas levantou da cadeira e fez uma referência – Perdoe-me!
– Tudo bem – Mors ergueu a mão. – O mestre cuidará de sua punição. Agora, quer mesmo entrar para o lado negro da força?
– Sim, eu quero – Lucas respondeu com convicção.
– Ótimo – Mors sorriu friamente, parecia um psicopata prestes a fazer uma vítima. –, então que comece o ritual de iniciação.
Mors bateu palmas e a sala se transformou em uma espécie de sala de tortura.
– O que vai fazer comigo? – Lucas perguntou assustado.
– Para entrar no nosso grupo, precisa fazer certos... sacrifícios – Mors ergueu uma espada de Bronze Celestial e um chicote. Atrás de Lucas, uma imensa parede com espinhos surgiu.
– O que diabos...?
Mors chicoteou a perna direita de Lucas.
– Primeira pergunta – ele sorriu friamente. – Quem é você? O que faz da vida? Quantos anos tem?
– São muitas perguntas – ele murmurou. Mors chicoteou a perna dele novamente. – Pare! Eu sou Lucas, filho de Hades. Ai! Sou um estudante, mas trabalho com meu tio mortal em uma plantação. E tenho... dezoito anos.
Mors gargalhou.
– Você é frágil como uma pétala de rosa – ele riu. Chicoteou novamente a perna direita de Lucas, que berrou de dor. Tenho que admitir, ver aquele idiota apanhando era muito divertido. – Já se apaixonou? Por quem? Por quê?
– Não – ele respondeu secamente.
Mors encarou-o por um segundo. Outra chicoteada na perna.
– Resposta errada.
Lucas caiu de joelhos, sua perna começou a sangrar.
– Retiro o que eu disse – Mors levantou Lucas pelo cabelo. – Pétalas de rosa dão de dez em você.
– É assim que você trata os aliados? – ele murmurou.
– Só os fracos – Mors deu de ombros. – Agora, responda a pergunta, corretamente. Devo alertar, acabaram as chicoteadas.
– Sim – ele respondeu rapidamente. – Caroline, filha de Poseidon.
– Por quê?
– Porque ela era... meiga? – a resposta soou quase como uma pergunta.
– Está me respondendo, ou perguntando? – Mors parecia entediado. – Vamos, responda de uma vez, aqueles espinhos precisam de um pouco de vermelho-sangue.
– Vai me jogar nos espinhos?! – Lucas berrou aterrorizado.
– Responda – Mors disse.
– Ela era linda, tá bom? – Lucas murmurou. – Muito linda!
Mors deu de ombros.
– Próxima pergunta – ele pegou a mão de Lucas e cravou o punho fechado em um dos espinhos. Lucas berrou enquanto o sangue escorria de sua mão. – Por que quer se unir a nós?
– Porque eu odeio os deuses – Lucas murmurou. – Todos eles.
– Motivo fraco – Mors disse. – Que seja.
Ele pegou a mão direita de Lucas novamente e pressionou seu pulso contra os espinhos. Lucas berrou ainda mais alto, enquanto caía de joelhos e era banhado por seu próprio sangue.
– Por favor, não seja tão dramático – Mors disse. Ele tirou o pulso de Lucas dos espinhos e o jogou no chão. – Acabaram as perguntas.
– Então, estou livre? – ele perguntou esperançoso, enquanto se levantava.
– Livre? – Mors gargalhou. – Não.
O deus ergueu a mão direita e Lucas caiu no chão de joelhos e começou a gritar. Depois de alguns segundos, sangue começou a sair por seus ouvidos, narizes e olhos. Lucas berrava cada vez mais alto, enquanto o sangue não parava de jorrar. Então sua regata branca desapareceu. Mors ergueu a mão esquerda na direção da barriga de Lucas e uma lesma começou a abrir caminho entre sua pele. O garoto gritava, até que sua garganta começou a ficar vermelha e ele já não conseguia reproduzir nenhum som com a boca.
– Hades deve ter vergonha de você – Mors disse. – Eu teria.
Um osso saiu do braço direito de Lucas. Ele começou a gritar enquanto o sangue espalhava-se em uma poça ao redor dele.
– E agora – Mors disse calmamente. Abaixou as duas mãos e Lucas voltou ao seu normal, tirando as manchas de sangue e os machucados. – O sacrifício final.
Mors caminhou lentamente até Lucas e cravou a mão direita em sua garganta. Logo depois desceu a mão, partindo o garoto ao meio.
Acordei assustado em meu quarto. Afrodite me olhava na beirada da cama.
– Bom dia – ela disse sorrindo.
– Dite? – levantei e abracei-a. – É tão bom te ver.
Afrodite me afastou e beijou-me.
– Eu andei pensando – ela disse. – Caio, dane-se se eu não me lembro de nada. Ninguém vai me impedir de ficar com você. Ninguém. Porque, por mais que tudo seja rápido demais... eu te amo.
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