Blue Ocean! (2ª Temporada)
5 Mors, o Deus Menor.
Notas iniciais
Uma vida não questionada não merece ser vivida. – Platão.
Eu, Mors, Clivia, Caroline, Lucas e Poseidon sentamos no templo de meu pai.
– Mors – Poseidon disse –, eu deveria saber que você tinha um dedo nisso tudo.
– É claro que eu tinha, quem mais seria? – ele sorriu. – Cronos? Aquela pedra gigante superestimada? Não, ele não seria capaz.
– Nem você, afinal, eu me lembro de tudo – Poseidon sorriu.
– De fato, isso não fazia parte do plano – ele disse. Deu de ombros. – Quem liga? O que você pode fazer contra um exército de deuses?
– Você me subestima, Mors – Poseidon disse.
– Não, não – Mors levantou e apoiou-se sobre a mesa de Poseidon. – Você me subestima.
– Pare de ser tão infantil – Poseidon murmurou.
– Pare de ser tão infantil – Mors repetiu em uma voz grave, imitando Poseidon.
– Francamente, como você pode ser tão criança? – Poseidon disse levantando da mesa irritado.
– Francamente, como você pode ser tão criança.
– Patético!
– Patético!
– Pare com isso! – Poseidon gritou e todo o templo tremeu.
– Pare com isso! – Mors imitou.
– Eu juro, por tudo que é mais sagrado, que se não parar agora, eu vou mata-lo! – gritou Poseidon.
– Eu juro – Mors se interrompeu. – Pode repetir? Parei de prestar atenção, o eco desse lugar é incrível!
Eu não aguentei mais prender. Gargalhei.
– Caio – Carol me cutucou com o cotovelo.
– O quê? – eu disse sem parar de rir. – O cara é hilário!
– Obrigado – ele sorriu para mim.
– Mors – Poseidon disse tentando controlar-se. –, por favor, vamos negociar.
– Certo – ele cedeu. Sentou-se novamente. Ajeitou o manto. – Poseidon, como dizias.
Poseidon suspirou aliviado.
– Eu gostaria que trouxesse a memória de meus ir – Poseidon foi interrompido.
– Espere – disse Mors. Poseidon encarou-o furioso. Mors olhou para Lucas. – Inútil, traga um café.
Lucas resmungou, mas alguns segundos depois entregou o café para Mors. Ele olhou sorridente para Poseidon.
– Lucas, talvez eu te pague o dobro do que eu te pago agora – ele disse apreciando o café.
– Você não me paga nada – Lucas murmurou.
– Ótimo, assim fica mais fácil – Mors sorriu e bebeu mais um gole do café, então se voltou para Poseidon. – Pode continuar.
Poseidon murmurou palavrões em grego antigo – palavrões que eu prefiro não repetir.
– Popo – Mors advertiu. –, isso é modo de falar na frente de seus filhos? Que tipo de pai é você?
– Calado! – Poseidon gritou. Mors saltou da cadeira, mas logo depois se sentou novamente. – Como eu dizia, eu adoraria que trouxesse meus irmãos de volta.
Poseidon disse rápido, atropelando uma palavra com a outra.
– Acalme-se, titio Popo – Mors sorriu. – Então, eu não posso atender ao seu pedido. Sabe como é, eu prometi para o pessoal que não ia deixar os deuses lembrarem-se de nada. Desculpa ai.
– O que Perséfone colocava na sua comida no Submundo? – Poseidon murmurou.
– Maçã batida. Deliciosa. – Ele levou a mão direita à boca e imitou um chefe italiano. – Mamma mia!
– Você é irritante – murmurou Poseidon.
– E você mal-humorado – Mors apertou a bochecha de Poseidon. – Vamos, titio, dê-me um sorrisinho.
– Já chega! – o Olimpo tremeu. Poseidon estava com o tridente em mãos, pronto para matar Mors, quando seu celular tocou. Ele sentou e atendeu. – Alo?... Claro, já estou indo... Desculpe, tive alguns problemas... Teninha, por favor... Tudo bem, nos encontramos em cinco minutos... Eu te amo!
– O amor é lindo – Mors sorriu e piscou os olhos rápido.
– Calado – Poseidon ordenou. – Eu tenho de ir. Carol, Clivia, vou deixar todos vocês na casa do Caio com a Beatriz. Ela já está melhor, só precisa descansar.
– Tudo bem – eu disse. – Pai.
– O que foi? – perguntou Poseidon.
– Não desaponte minha senhora – eu sorri. – Seria uma pena ter de arrumar um jeito de mata-lo.
Poseidon sorriu. Encarou Mors e o deus menor mostrou a língua para ele. Poseidon segurou a minha mão e a mão de minhas irmãs e aparatamos para minha casa.
– Se cuidem – ele sorriu e desapareceu.
– Caio – Beatriz disse atrás de mim. Virei-me a tempo de ver minha irmã saltar em cima de mim. – Eu vou te matar! Como ousou me deixar sozinha por três dias?!
– Três dias? – engoli em seco. – Isso tudo?
– Sim! – ela berrou e me socou no braço. – Mas é claro que você não notou! Estava se divertindo demais para se lembrar da sua irmãzinha aqui, não é?!
– Deuses, calma! – eu disse. Beatriz me apertou em um abraço.
– Calma?! Achei que tivesse morto!
– Ei, ei – sorri. – Lembra? Vou te atormentar para sempre.
– Beatriz, está tudo bem, ele estava comigo – Carol interveio.
Bia me soltou e olhou constrangida para as duas.
– Caio! Duas?! Que absurdo – ela gritou.
– Não – Carol disse. – Não estávamos juntos, estávamos...
– Visitando o papai – eu disse. Carol me olhou espantada. – Chega de mentiras. O mundo está acabando e já tá mais do que na hora dela saber tudo.
– Tudo sobre o que? – Beatriz perguntou.
– Sobre nosso pai. Sobre nossa família – respondi. – Sobre nosso mundo.
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