Blue Eyes
9 Blue Eyes, You take a pill wonder if it'll fix you
Notas iniciais
Depois de alguns instantes, Naruto desceu as escadas, acompanhado de seu bastão guia. Minato olhou para Sasuke e abriu um sorriso bem maroto.
– Ele já foi tou-san? – Indagou Naruto com a voz um pouco embargada pelo choro recente, mas já não chorava mais e estava bem mais calmo. Minato fitou Sasuke, que estava parado na porta da cozinha e depois fitou o filho.
– Já sim Naru... – Respondeu o maior, abraçando o filho. – O que houve?
– A gente conversou... Ele disse que me ama... – Falava calmamente.
– Isso é bom. Você o ama também, não é? – Indagou ele, lançando um olhar para o moreno.
– Amo... Mais do que deveria. – Sasuke e Minato sorriram. – Mas ele me feriu muito, sabe... Pode parecer algo facilmente perdoável, mas eu... Eu não consigo. – Falou abafado pelo abraço do pai.
– Acho que ele vai precisar de algo maior que simples desculpas para conseguir seu perdão. – Murmurou enquanto lançava um olhar sugestivo para o quem sabe futuro genro.
– Quem sabe... – Murmurou.
– You heart i’ts broken... To you surprise... – Minato cantarolou.
– You’re sick of crying, for blue eyes... – Continuou o menor.
– Vá deitar um pouco, Naruto. Ajuda a pensar. – Disse o loiro maior.
– Hai. – Ditou o menor, pegando o bastão e cautelosamente subindo as escadas. Quando o barulho da porta do quarto foi ouvido, Minato continuou.
– Espero que tenha entendido. Erros graves pedem por desculpas a altura. – Acariciou os fios negros de Sasuke.
– Arigato Minato-san. – Agradeceu o menor, abrindo a porta cautelosamente e saindo por ela sem fazer barulho.
Sasuke caminhou lentamente de volta pra casa. Pensava no que iria fazer. Naruto estava de fato chateado, e muito. Quando pôs os pés em casa, viu seu irmão largado no sofá.
– Como foi lá, Sasuke? – Indagou o mais velho, sentando-se no sofá.
– Me desculpei com ele, disse que o amo, mas isso ainda não foi o suficiente. – Ditou cansado. – Não sei o que fazer...
– Eu também não lhe perdoaria se fosse ele. – Sasuke o fitou indignado. – Desculpe, mas é verdade. Eu sei o que talvez lhe ajudasse, mas não direi. – Confessou, deitando-se no sofá novamente em seguida.
Sasuke pediu, implorou e até se humilhou para que seu irmão lhe dissesse o que é essa tal coisa que talvez lhe ajudasse, mas Itachi foi irredutível. Disse para seu irmãozinho que ele deveria conquistar seu amor sozinho. Sasuke foi para seu quarto, muito emburrado é claro, mas seu irmão estava certo. Deveria agir como um homem e conquistar seu amor sozinho. Apenas não sabia como. Ainda...
Passaram alguns dias após a ida de Sasuke à casa de Naruto. Sasuke não ia mais até a casa de Naruto para levá-lo à escola. O moreno ia sozinho e Naruto com algum de seus amigos. Na escola, tratavam-se apenas como colegas. Sasuke agora passava o intervalo sozinho e Naruto com Kiba e Gaara. Poucas foram as trocas de palavras de loiro e moreno nesse pequeno intervalo de dias.
Sasuke havia tentado algumas conversas amigáveis com Naruto, mas sem muito sucesso. Gaara e Kiba estavam cientes de toda a história, mas procuravam não se meter nela.
Durante o almoço do quarto dia depois do acontecido, Sasuke estava sentado no telhado da escola. O lugar lhe trazia algumas memórias boas. Estava sentado olhando para o horizonte, tão distraído que não percebeu a chegada de outra pessoa.
– Pensando, Uchiha? – Indagou Neji.
– O que você quer aqui? Já vou avisando que se for briga, não estou interessado. – Rosnou sem nem ao menos desviar o olhar para encarar Neji.
– Vim em paz, não se preocupe. – Retrucou o garoto de cabelos compridos, sentando-se ao lado de Sasuke, um pouco afastado.
– Então, se não é encrenca, o que quer? – Indagou fitando o outro por alguns segundos.
– Não que me importe contigo, mas você está em um estado preocupante desde que não anda mais com seu amigo loiro... – Comentou. – Me pareceu meio triste, e como eu disse, não que eu me importe, mas às vezes todos precisam de um amigo. Ou alguém para desabafar... Ou até mesmo descontar suas frustrações. – Concluiu, fitando o nada.
– Tá de brincadeira? – Indagou o moreno em zombaria.
– Não... Apenas acredito que você queria desabafar e precise de mais um ponto de vista. – Disse Neji olhando as próprias unhas com descaso. – E quais são suas outras opções mesmo? – Bombardeou-o com ironia. Sasuke apenas franziu o rosto em desaprovação.
– E o que você ganha me “ajudando”? – Fez aspas com as mãos.
– Redenção, talvez. Depois de tanta coisa ruim, temos de fazer algo bom para equilibrar, não concorda? –Sorriu de lado.
– Hn... – Sasuke suspirou pesado e então continuou. – Eu agi por impulso e depois disse que tal “ato impulsivo” não significou nada. Depois fui simplesmente um imbecil...
– Seja mais específico, Uchiha. – Resmungou.
– Eu beijei o Naruto, disse que foi um erro e depois beijei a Karin, aí comecei a ignorar o Naruto e ficar com a Karin direto, o que só de lembrar-me, da nojo dela, dos beijos e de mim mesmo, isso para depois de tudo, descobrir que eu amo o Naruto. Satisfeito? – Ralhou Sasuke. Neji arregalou os olhos em espanto.
– Nunca imaginei que você fosse gay... – Murmurou.
– Pois é, já pode correr e espalhar pra escola toda. – Resmungou com descaso fitando o céu.
–Tentador, mas não... Desde que não dê em cima de mim, não tenho nada a ver com isso. – Falou com um sorriso de lado. Sasuke sorriu também. – E me diga, o que vai fazer?
– Não faço ideia...
– Grandes erros requerem redenção à altura.
– Já ouvi algo assim... – Murmurou.
– Se precisar de alguma ajuda, conte comigo. – Estendeu a mão ao Uchiha para um cumprimento.
– Obrigado. – O moreno sorriu, retribuindo o gesto.
O restante do dia passou corriqueiro. Naruto passou o restante da aula e um pedaço da tarde com os amigos e Sasuke sozinho em casa, pensando. Estava faminto, e na hora do jantar, foi até a cozinha e encontrou seu irmão terminando de preparar a refeição. Durante o jantar, não conversaram. Sasuke estava com o semblante abatido e pensativo. Chegava dar pena em Itachi, e por isso, o moreno maior suspirou e levantou-se indo em direção à porta, mas antes de sair, apenas disse:
– Saia da sua zona de conforto, Taylor. – E retirou-se.
Sasuke parou de comer, largando o garfo sobre a mesa e abrindo o mais largo sorriso que já dera em sua vida. Agora sim tudo fazia sentido. Como não pensara nisso antes? Com sua mente fervilhando, levantou-se da mesa e correu porta a fora. A noite de sexta-feira estava bem agradável, diga-se de passagem.
O moreno correu em direção à casa dos loiros, desta vez em busca do loiro maior. Quando chegou lá, fez uma única pergunta ao mais velho, e com a resposta em mãos, correu de volta para casa. Passou uma bela parte da noite fazendo pesquisas e pensando no que faria para se redimir. Tinha um plano, mas precisaria de ajuda.
Na manhã do sábado, levantou cedo e foi direto para frente do seu computador, começar a por seu plano em prática. Feito o que devia, imprimiu algumas folhas, apenas checando a qualidade, depois as largando sobre a escrivaninha, calçando um tênis para depois sair de casa, mas antes comendo uma fruta, pois não havia tomado café.
Alguns minutos de caminhada, e corrida também, chegou ao seu destino. Uma casa de classe média alta, bem luxuosa e bem decorada, com um jardim belíssimo e impecável. Tocou a campainha e esperou ser atendido, o que não demorou a acontecer.
– Oh, com esses cabelos, essa cor de pele e esses olhos, só pode ser um Uchiha. – Falou o homem de olhos perolados, que bebericava uma xícara de algo que parecia ser café. – Como posso ajudar?
– Uchiha Sasuke, senhor. – Respondeu o moreno. – Preciso falar com o Neji. É aqui que ele mora, certo?
– Hai. Entre garoto, e sinta-se a vontade, vou chamá-lo. – Ditou enquanto subia uma escadaria. Sasuke não reparara muito na decoração da casa, mas notava-se que era bem luxuosa, e tudo era impecavelmente limpo e arrumado.
– Sasuke? – Indagou Neji, que descia as escadas à medida que vestia uma camiseta. – O que você quer aqui, e a essa hora? – Indagou confuso e com a voz típica de alguém que acabou de acordar, sem falar nos longos cabelos que estavam desgrenhados.
– Você disse que se eu precisasse de ajuda, poderia recorrer a você. – Iniciou. – E a hora é essa! Vim te buscar, você vai comigo lá pra casa, e vai chamar a Ino. Vou chamar Gaara e Kiba também! – Exclamou. – Vou precisar de bastante ajuda para sair da minha zona de conforto. – Sorriu. Sasuke estava altamente motivado. Neji sorriu anasalado.
– Certo, Lara Croft, vamos. – Murmurou ainda rindo, retirando um elástico do pulso e prendendo seu cabelo de um modo desleixado. Era só para não precisar pentear. Despediram-se do pai de Neji e seguiram a pé para a casa de Sasuke. No caminho, Sasuke explicou o plano, que era um tanto simples, para Neji. O moreno de olhos perolados ponderava sobre o que acabara de ouvir.
– Você acha que vai dar certo? – Indagou inseguro.
– Minato-san disse que é uma das poucas coisas que amansa ele, e que ele adora. – Sorriu confiante. – Vai ter que dar certo.
– Vou confiar em você... – Murmurou Neji. – Você poderia fazer tudo isso sozinho, sem orquestrar esse circo todo, então por que quer tanta ajuda?
– Bom, talvez seja porque eu seja tímido demais. – Sorriu, negando com a cabeça. Neji fitou o moreno, negando com a cabeça também em seguida.
Os dois seguiram o caminho para a casa do Uchiha, não tardando em chegar. Lá, foram direto ao quarto de Sasuke, saudando o irmão mais velho do mesmo pelo caminho. Itachi estava curioso para saber o que seu irmão estava tramando, mas decidiu não questionar nada no momento. Suspeitava que tinha a ver com o loirinho, e isso no momento lhe bastava. Como fora avisado que teriam mais visita, então resolvera fazer uma lasanha para o almoço. No quarto, Neji discava alguns números em seu celular.
Itachi estava na cozinha, temperando a carne com a qual rechearia a tal lasanha. Do quarto de Sasuke vinham diversos barulhos. Alguns gritos, resmungos, acordes e batuques. Itachi estava feliz por finalmente seu otouto estar tomando jeito na vida. Foi tirado de seus devaneios, e da cozinha também, pelo som estridente da campainha que tocara. Estava com um avental preto com “Kiss the cook” escrito em vermelho, o qual nem se incomodou em retirar para atender a porta. Abrindo a mesma, deu de cara com três figuras um tanto sem jeito e confusas ao mesmo tempo.
– Olá! – Saudou sorridente. – Vocês devem ser os amiguinhos do Sasuke, certo? – Indagou convidando os três a entrarem.
– Nem eu sei o que somos ou o que estamos fazendo aqui, sei que fui tirado da cama antes das 11h00min em um sábado, então espero que tenha um bom motivo. – Esbravejou o visivelmente mal-humorado Kiba, fazendo Itachi franzir o cenho.
– Vocês chegaram! – Exclamou Sasuke de cima das escadas. – Subam, temos muito trabalho!
– Não gostei... – Murmurou Kiba revirando os olhos, enfermiço.
– Urasai! – Repreendeu a loira, puxando o moreno aborrecido pela orelha escada a cima, seguida por Gaara, que se divertia com a cena.
– Quando o almoço estiver pronto nos chame, aniki. – Pediu Sasuke, fechando a porta assim que seus “amiguinhos” entraram.
– Sim, vossa magnificência. – Zombou Itachi.
No quarto, o quinteto conversava animadamente. Sasuke havia explicado seu simples plano, fadado a um destino incerto, para os outros, que gostaram da ideia, e começariam a trabalhar em seus papéis assim que possível. Longos minutos, e por que não horas, depois, o Uchiha mais velho chamou o pequeno time para comer, o que nem se fazia necessário, pois o aroma delicioso da refeição impregnava toda a casa.
A lasanha foi servida, acompanhada de arroz, salada e um suco natural. A refeição estava divina, ainda mais regada a conversas animadas, risos e brincadeiras. Kiba batucava incessantemente com as mãos na mesa e, apesar desta ser uma atitude de pessoas distraídas, parecia concentrado no que fazia.
– Nervoso com algo, Kiba-kun? – Indagou Itachi um tanto curioso, fazendo o menor parar o que fazia e reparar que todos o observavam.
– Apenas praticando. – Sorriu para Sasuke.
– Macumba? – Brincou o mais velho, fazendo todos à mesa rirem.
– Quem sabe. – Deu de ombros. –Se der certo, vai trazer o amor de certo alguém de volta rapidinho. – Brincou também, fazendo todos menos Itachi rirem. Ele não entendera a piada. Os risos foram cortados por “Lollipop”, do cantor Mika, oriundo do celular de Kiba.
– É o Naruto. – Contou, fitando o aparelho.
– Atende. – Exclamou Sasuke.
– Fala, Naruto... – Ditou nervoso. – Se vou estar livre hoje à tarde? – Falou alto, olhando para os presentes, em busca de uma resposta. Sasuke balançou o indicador em sinal de negação, e Kiba entendeu o recado. – Não, não vou. Não estou me sentindo muito bem, na verdade. Fica pra próxima. Jaa ne! – Desligou.
Pouco tempo depois, o celular de Gaara tocou, e o mesmo nome que apareceu no visor do aparelho de Kiba, aparecia também no do ruivo, que atendeu e inventou uma desculpa qualquer para não poder se encontrar com o loirinho. Sasuke precisaria do ruivo. De todos, na verdade. Até o celular do garoto de olhos perolados tocou, mostrando-se novamente Naruto. Neji e o loirinho tornaram-se uma espécie de amigos também. O moreno disse que estaria ocupado com sua namorada e assim dispensou o loirinho, que tinha uma certa tristeza na voz. Também, não era pra menos, havia sido dispensado por todos os seus amigos. Apenas os celulares de Ino, que o loirinho sabia que estaria com o namorado, e o de Sasuke não tocaram.
Após o almoço, os garotos subiram de volta para o quarto. Sasuke “assaltara” o pequeno armário de instrumentos musicais de Itachi, pegando lá o que lhe faltava. Pouco tempo depois, da cozinha Itachi ouvia novamente ruídos vindos do quarto do irmão. Acordes, batuques, mais acordes, e vozes preenchiam a casa e formavam juntos um “barulho agradável”.
– Você acha que consegue, Gaara? – Perguntou Sasuke, afinando seu violão negro.
– Tive aulas de piano metade da vida. Me viro no teclado. – Respondeu o ruivo, à medida que analisava o instrumento a sua frente. – Consigo reproduzir os sons dos instrumentos que ainda faltam aqui mesmo no teclado.
– Ótimo. – Retrucou o moreno animado. – Obrigado, minna. Sei que posso ser uma pessoa desagradável às vezes, mas fico feliz em ver que não viraram as costas para mim. – Confessou o moreno. De fato Uchiha Sasuke não podia ser classificado como um bom samaritano, mas estava tentando.
– Sim, você é desagradável e essa frase soou bem gay, até para você, mas não agradeça. Fazemos de bom grado. E é como dizem, o amor remove montanhas. – Brincou Neji.
– Não era a fé? – Questionou o moreno.
– Também. Mas fé não trará o loirinho pra você, então fiquemos com o amor. – Retrucou com o semblante sério. – Temos hoje e amanhã para deixarmos tudo perfeito, e segunda executar o plano. Agora, mexam-se! – Berrou.
– Yes sir! – Respondeu Sasuke de forma irônica, batendo continência simultaneamente, fazendo os demais rirem.
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