Blue Eyes
4 Blue Eyes, Misunderstood
Notas iniciais
Os dois deixaram a sala. Em uma mão Naruto levava seu bastão guia, e na outra, que estava engatada no braço de Sasuke, seu celular. Já o moreno tinha as duas mãos nos bolsos. Desceram as escadas com Sasuke apoiando e guiando o menor. Quando chegaram ao pátio da escola, os olhares não demoraram a recair sobre os dois.
– Namorando, Uchiha? – Gritou Neji, arrancando risos de alguns alunos. Naruto apenas suspirou. Sabia que isso aconteceria.
– Estou apenas guiando meu amigo até em casa. – Retrucou seco. – Ao contrário de você, eu não preciso demonstrar que sou homem querendo bater em um garoto cego. – Alfinetou.
– O que você disse, seu bastardo? – Indagou Neji com ódio.
– Isso que você ouviu. Me contaram que você empurrou e ameaçou ele hoje no início da aula. – Falou alto. – E que fique claro, que se algo parecido acontecer de novo, eu não irei fazer vista grossa.
– Sasuke... – Intercedeu Naruto, um tanto preocupado.
– Não, tudo bem, Naruto. – Falou o maior, tranquilizando o loiro.
– Você está me ameaçando sabendo que eu tenho amigos do meu lado, e você só tem um cego inútil? – Zombou Neji. Sasuke serrou os punhos de raiva, e só não avançou no outro porque Naruto o impediu.
– Que fique claro Hyuuga. – Disse um ruivo. – Não precisamos ser amigos do Uchiha para nos juntarmos a ele e te darmos uma surra.
– Você é um idiota, disso todo mundo sabe, mas bater em um cego? Tá se superando. – Disse um ser de aparência canina ao lado do ruivo.
– Você ouviu, Neji. Sem querer me gabar nem nada, mas os insetos que você chama de amigos apanham fácil desses dois. – Concluiu o Uchiha sorrindo, apontando para o ruivo e o moreno com expressões ameaçadoras, e em seguida, dando as costas. – Vamos Naruto.
O menor assentiu com a cabeça e seguiu seu caminho de braço atado com Sasuke. A caminhada dos dois seguia silenciosa. Na rua, muitas pessoas também os olhavam com caras estranhas, mas também havia aquelas que admiravam a atitude do moreno e fizeram questão de parabenizá-lo.
– Sasuke... – O menor chamou sua atenção.
– Hn? – Respondeu o moreno, fazendo Naruto desviar de uma placa.
– Obrigado por me defender antes. – Silabou um tanto sem jeito.
– Não precisa agradecer. Amigos são para essas coisas. – Sorriu.
Pouco tempo depois, ambos já se encontravam parados em frente a casa do loiro.
– Está entregue. – Falou o moreno desatando seus braços. – Precisa de mais alguma coisa?
– Não, acho que é só. Obrigado de novo. – Falou o loiro dando um sorriso. Um sorriso que acelerou o coração do moreno. – Por tudo. Se tiver algo que eu possa fazer por você, não hesite em pedir.
– Por nada, foi um prazer. – Respondeu o moreno. – E tem algo que pode fazer sim. A que horas você sai pra escola?
– Por volta de 06h50min. Por quê?
– Certo, eu passarei aqui para irmos juntos, então. – Falou Sasuke. – Não aceito um não como resposta e nem desculpinhas. – Concluiu. O loirinho apenas sorriu.
– Tudo bem então. Até amanhã. – Despediu-se, rindo de um jeito bobo. Antes de entrar em casa, os dois trocaram os números de celular, para que pudessem conversar melhor. Sasuke anotou o seu número na mão de Naruto, pois o celular do mesmo estava sem bateria. Após isso, Sasuke seguiu para sua própria casa. Muito mais feliz do que o de costume. Já Naruto pediu para seu pai digitar os números que estavam em sua mão em seu celular, após o mesmo ser recarregado. Sasuke arrumou um amigo, e isso para ele era um grande feito. Sasuke é um garoto desprezível, então por que ser tão legal com alguém?
Na noite anterior, loiro e moreno trocaram mensagens de texto até tarde, então, ambos estavam mais cansados que o habitual.
Sasuke havia acordado ainda mais cedo que o de costume, pois teria de sair mais cedo para passar na casa de certo loirinho. Nem ele mesmo sabia por que estava fazendo isso. Apenas estando com o loirinho, se sentia melhor do que com qualquer outra pessoa. “É isso que é ter um amigo?” o moreno, ingenuamente, se perguntava. Mas, cada um com seu tipo de cegueira.
Após fazer sua higiene pessoal, o moreno desceu até a cozinha, onde encontrou seu irmão lendo o jornal e tomando seu café tranquilamente.
– Ohayou, otouto! – Saudou Itachi, o irmão de Sasuke. Itachi era seis anos mais velho que Sasuke, mas suas semelhanças eram incríveis. Apesar das implicâncias de irmãos, os dois se davam bem. – Caiu da cama?
– Ohayou pra você também, aniki. Não caí da cama não. – Respondeu sentando-se de frente para seu irmão,começando a saborear seu desjejum. – Estou apenas motivado.
– Motivado? – Indagou fitando o menor.
– Sim, preciso ajudar um amigo. – Respondeu e mordeu o seu sanduíche em seguida.
– Amigo?
– Itachi, perguntas de uma só palavra me irritam. – Bufou Sasuke.
– Sério? – Respondeu debochado, o que fez Sasuke revirar os olhos e suspirar.
Sasuke terminou sua refeição, escovou os dentes e partiu rumo à casa do loiro.
Na casa do tal loiro, a rotina era normal. Havia acordado a hora de sempre, tomado café e estava sentado no sofá matando algum tempo até Sasuke chegar. A rotina era normal, mas a velocidade que o loirinho a cumpriu, não. Estava ansioso.
– Adiantado hoje, filho? – Indagou Minato, pronto para sair.
– Um pouco. – Sorriu.
– Ótimo para você, mas não vai querer mesmo uma carona? – Indagou, recebendo uma resposta negativa. – Ok, então até mais tarde.
O maior despediu-se depositando um beijo na testa do filho, pegou seus pertences, e quando abriu a porta, deu de cara com um moreno pálido e receoso, que estava prestes a tocar a campainha.
– Ah, olá! –Cumprimentou Minato um tanto curioso. – Posso ajudar?
– Olá! Sou Uchiha Sasuke. – Estendeu a mão para um aperto, que logo foi aceito por Minato. – O Naruto está?
– Oh, claro. –Respondeu, um pouco atordoado. – Naruto, eu acho que tem um amigo seu aqui!
– Já ouvi tou-san! – Disse o loirinho, aproximando-se cauteloso, com a mochila nas costas, sem óculos escuros e com seu bastão em mãos. – Ohayou, Sasuke! –Saudou sorrindo. – Este é Minato, meu pai.
– Prazer. – Falou o moreno. – E bom dia pra você também, Naruto. Vamos? – Perguntou, enlaçando seus braços em seguida, espantando um pouco Minato que não entendeu muita coisa. –A partir de hoje, vou levar Naruto até a escola, se não se importar. – Explicou Sasuke.
– Não, tudo bem. Isso até me tranquiliza. – Minato respondeu um tanto mais aliviado e esclarecido.
Após isso, despediram-se e seguiram seus devidos caminhos, Minato para o trabalho e os dois para mais um dia rotineiro de aula. E essa ação se repetiu por várias e várias manhãs. Um mês se passara e a amizade dos dois só aumentara, junto de alguns outros sentimentos reprimidos. Nesse meio tempo, Sasuke já havia ido visitar a casa de Naruto algumas vezes, mas o inverso nunca acontecera. Passavam o período de aulas sempre juntos, e quando não estavam em aula ou juntos, trocavam mensagens de celular.
Neste tempo também, Neji havia tentado encrencar com Naruto algumas vezes, mas sem sucesso, pois em todas Sasuke havia intervindo, quando não sozinho, com a ajuda de Gaara e Kiba. Estes dois nutriam um ódio pessoal pelo garoto de longos cabelos castanhos, por isso não se opunham a ajudar o Uchiha. Não iam muito com a cara do moreno, mas ponderando, a vontade de bater em Neji era maior do que a de bater em Sasuke.
Sasuke e Naruto tornaram-se bastante amigos, obviamente. Era inevitável alguns falatórios sobre o quão profunda era a relação dos dois, mas isso não importava nem para um e nem para outro. E claro que a amizade deles provocava ciúmes por parte das “fãs” do Uchiha, que insistiam em pensar que tinham chance com o moreno. Pobres coitadas. Cada pouco tentavam uma dar uma investida no moreno, mas sem sucesso. Isso incomodava um pouco Naruto. Acabava com a paz de ambos.
Mais uma vez, a rotina do loiro e do moreno se repetia. Os dois caminhavam pelas ruas da cidade, lado a lado e de braços atados. Se não fosse pelo olhar perdido de Naruto e o bastão que ele carregava, pareceriam um casal. Em meio às conversas aleatórias, Naruto manifestou-se.
– Sasuke, as pessoas nos olham estranho? – Perguntou repentinamente.
– Algumas. – Respondeu após olhar em volta. – Não se importe com isso. – Repreendeu.
– Não me importo, eu acho...
– Mas me diga Naruto, quer jantar lá em casa hoje? – Indagou, mudando rapidamente de assunto e surpreendendo o menor. – Meus pais estão em viagem, mas felizmente Itachi, meu irmão, segue os passos da minha mãe. Eu só te pedi por educação, pois não aceito não como resposta.
– Você tem que perder a mania de não aceitar nãos. — O loiro alfinetou e Sasuke fez um bico, indignado com o amigo. – Se é assim, eu vou então. Só vou avisar meu pai. – O moreno teve de sorrir com a resposta.
Pouco tempo depois, os dois chegaram à escola e foram direto para a sala. Já sentados em seus lugares, conversavam normalmente. Havia mais alguns alunos na sala, mas não que isso importasse. Gaara e Kiba trocaram de lugares a pedido de Sasuke, para que ficassem mais próximos de si e de Naruto, ao qual foram incumbidos de proteger em sua ausência. Talvez uma dose de superproteção, mas ambos não se importaram, pois com o passar do tempo, Naruto se tornara uma figura querida por eles.
As aulas seguiram sem nenhum transtorno. Receberam um trabalho que deveria ser realizado em dupla. Naruto e Sasuke fizeram juntos. Na hora do almoço, Sasuke novamente foi comprar um lanche para os dois comerem. Desta vez, não ficaram na sala de aula. Foram até o lugar preferido de Sasuke na escola, o terraço. Lá almoçaram, conversaram e riram muito, e agora estavam sentados aproveitando a brisa que passava por eles.
– Deve ser linda a vista daqui de cima. – Disse Naruto com um sorriso. Sasuke ficou triste com a frase do menor. – O vento, pelo menos, é uma delícia.
– Naruto... – Murmurou incerto. – Você algum dia poderá enxergar?
– Não. – Respondeu normalmente. – É um mal congênito, como já sabe. – Completou. Depois de um tempo de silêncio, ele sorriu e continuou. – Meu pai disse que o médico falou que eu enxergaria apenas com um milagre...
– Entendo... Sinto muito.
– Tudo bem... – Disse o ainda sorridente loirinho. – Eu acredito em milagres, Sasuke.
Sasuke nada respondeu, apenas sorriu ao ver o rosto sereno do amigo. Sasuke apreciava a companhia do loirinho. Ele era quase como se fosse seu completo oposto, mas mesmo assim, se davam extremamente bem. Gostava do seu jeito, sua voz, seu cheiro, o seu sorriso, os olhos... Tudo. Sasuke concluiu que gostava de Naruto. “Como amigo!”, acrescentou a seus pensamentos.
A aula depois da hora do almoço era de artes. O professor Deidara pediu para a turma fazer uma tela, retratando algo abstrato, algo totalmente aleatório, porém, que expressasse suas emoções. Até Naruto, que era cego, poderia fazer isso. A aula seguia animada, com muitos risos e muita sujeira e bagunça, principalmente estes dois últimos. Até Sasuke ria e se divertia e ria como criança, algo extremamente raro. Logicamente que o moreno pintava ao lado de Naruto.
– Sasu-kun? – Chamou uma rosada de voz melosa. Naruto fechou a cara na hora por conta do apelido. – Me empresta a tinta verde? – Sasuke suspirou fundo e nada respondeu, apenas fitou os potes de tinta a sua frente, e depois de alguns segundos, estendeu um para a rosada. – Verde, Sasu, não azul celeste! – Continuou ela, ainda com a voz melada que embrulhava o estômago de Naruto. E de Sasuke. E de qualquer um. Baita garota enjoada essa aí.
– Desculpe. – Disse ele, olhando os potes de tinta, ponderando um pouco e em seguida pegando um e dando para a rosada.
– Sasuuu! – Exclamou ela com a voz mais nojenta ainda.
– Sasuke! – Gritou Naruto, ainda pintando seu quadro e chamando a atenção tanto da rosada quanto a do moreno. – O nome dele é Sasuke! Não é tão difícil assim de lembrar. – Disse irônico já em tom pouco mais baixo. Sasuke olhou para o rosto com uma expressão de raiva sem entender. “Será que...”.
– Alguém te perguntou? – Retrucou a rosada com raiva da "patada".
– Não, mas você é tão burra que me deu pena, então meu senso de caridade me mandou te avisar que o nome dele é Sasuke, retardada. – Resmungou o loiro, com sarcasmo escorrendo da boca. Sasuke arregalou os olhos. Sakura apenas urrou de raiva, mas logo suas atenções se voltaram para Sasu...ke! – De nada. – Concluiu fazendo a garota bufar e Sasuke segurar o riso.
– Enfim Sasu, ignorando aos metidos, eu pedi VERDE e não outro tom de azul. – Disse ela, novamente com voz de vadia e enfatizando a cor que queria.
– Porra garota! Para de encher o saco e pega você mesma a porcaria da tinta! – Exclamou o moreno, fazendo a rosada se assustar e o loirinho rir discretamente. Após pegar a tinta desejada, com lágrimas nos olhos ela se retirou. Essas garotas incomodavam mais do que pulgas nas cuecas. Sasuke lembrava da cena que Naruto e a rosada protagonizaram à pouco e ria. Naruto sabia ser cruel quando queria.
Depois deste pequeno tumulto, a aula seguiu normal. Quando ela se deu por encerrada, Sasuke novamente pegou Naruto pelo braço e o acompanhou até em casa.
– Nos vemos a noite então? – Indagou Sasuke, já se despedindo.
– Aham. – Respondeu o loiro sorridente. – Até mais, então.
– Até. – Murmurou o moreno, afastando-se rumo a sua casa.
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