Blue Eyes
7 Blue Eyes, Go find your spirit
Notas iniciais
Neji ligou para a namorada, que estava em algum canto da escola com suas amigas, e pediu para que a mesma acompanhasse Naruto, e assim ela o fez. Conversaram algumas banalidades no caminho, mas na verdade o loirinho estava distante. Ele só voltou a realidade com a parada brusca feita por Ino.
– Não acredito que o Uchiha se rebaixou pegando a piranha da Karin! E ainda fica se agarrando com ela na praça... Haja coragem. – Naruto riu amargo. Então era por isso que havia sido deixado só na escola. Respirou fundo para não chorar de raiva, ou cometer algum crime, sorriu, e, para não deixar tristeza alguma transparecer, disse:
– Realmente deplorável. Fico feliz em não poder ver isso... Você também não gosta da Karin? – Indagou, dessa vez com interesse mesmo. Achava que elas eram amigas.
– Odeio! – Exclamou. – Alguma hora dessas o rosto dela será apresentado a minha mão. – Rosnou. – Essa piranha ficava se oferecendo para o Neji no início do meu namoro com ele. Eu a ameacei e ela parou, mas ainda tenho vontade de virar ela do avesso de tanta porrada que quero dar nela. – Confessou. Naruto riu.
– Quando fizer isso, dê uns tapas por mim. – Brincou. – Vamos, deixemos os dois se divertindo.
Dito isso, os dois loiros seguiram seu caminho. Do outro lado da rua, no tal parque, Sasuke estava sentado em um banco e esfregando-se em si como algum tipo de animal detestável no cio, estava Karin. Sasuke viu os dois loiros juntos e algo em seu interior estava o incomodando. No fundo essa história com Karin era para tentar encobrir ou substituir algo que teimava em lhe incomodar em seu interior, e isso começara a lhe irritar.
E não como surpresa, as semanas passaram assim. Quem lhe levava pra casa era Ino, Kiba ou Gaara, mas não o moreno. Os dois pouco se falavam, na verdade. O moreno passava muito tempo com sua “quase namorada”. No início, Naruto se sentia mal por tudo isso, mas com o tempo, foi enterrando tudo nas profundezas do seu ser. Batido isso, mas verdadeiro.
Mas como dizem os nossos pais, amigos, professores, e na verdade, todas as pessoas alguma vez já devem ter dito: tudo tem limite. Enquanto Sasuke era um mar tempestuoso, pura confusão, Naruto era talvez um copo d’água bem cheio, apenas esperando o dia que transbordaria.
Ao final de mais um tedioso dia de aula, os alunos preparavam-se para ir para casa. Naruto acabara de guardar seus pertences e aguardava Kiba fazer o mesmo, pois o mesmo o acompanharia até em casa. Os dois conversavam animadamente, fazendo brincadeiras e piadinhas, o que incomodava o outro presente na sala, Sasuke. O sentimento que o corroía no momento era sem dúvidas o ciúme, e munido do mesmo moveu-se até Naruto. Queria resolver as coisas do seu jeito. Sendo um idiota.
– Vem Naruto, vamos. – Disse o moreno com serenidade. Estendeu seu braço, pegando o do menor em menção de atá-los. O loirinho até se assustou com a ação, que impediu de ser concluída com um tapa dado no braço do moreno.
– Que mané "vamos, Naruto"? O que você tá fazendo? – Perguntou o loirinho indignado.
E o dia do copo transbordar chegara.
– Vou te levar pra casa. – Respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, o que irritou profundamente o menor. Kiba estava em estado de alerta.
– Não vai coisíssima nenhuma, Kiba vai me acompanhar até em casa. Se quiser acompanhar alguém, vá procurar aquela tal de Karin, talvez ela seja tão ignorante que não saiba onde fica seu próprio chiqueiro! – Rosnou ríspido, fazendo Kiba e Sasuke se espantarem.
– Naruto, por que você tá falando assim? – Questionou o moreno.
– Por quê? Você me pergunta por que, gênio? – Sorriu com escárnio. –Você é um idiota mesmo.
– O que deu em você? O que houve? – Naruto parou por um segundo, pensando se Sasuke estava fingindo não saber o que fizera, se realmente não sabia ou se o moreno era um completo idiota. A resposta foi a terceira opção, e em um acesso monstruoso de fúria, o loirinho tomou o grosso livro de História que repousava em sua mesa, e com um urro, girou o corpo na direção do moreno, acertando o livro contra a face do mesmo com toda sua força, fazendo o desnorteado moreno esbarrar nas mesas e cair no chão. Kiba estava atônito assistindo a tudo.
– Você definitivamente é um idiota! – Dito isso, juntou toda a força que lhe restava e arremessou o livro contra o lugar que Sasuke havia caído e saiu correndo da sala. Não via para onde ia, mas não ligava.
– Naruto, para! Vai acabar se machucando! – Gritou Kiba correndo atrás do loiro, logo o alcançando. Depois de ser alcançado e parado por Kiba, o loiro apenas caiu sobre os joelhos e chorou. Chorou de raiva, de tristeza, de desgosto... Chorou para lavar a alma. Sasuke, já mais recomposto, tentou se aproximar, mas Kiba, que amparava o loiro choroso, fez um maneio negativo com a cabeça, sinalizando para que o moreno não se aproximasse. Meio contrariado, foi o que Sasuke fez. Saiu correndo para sua casa, com um belo hematoma e algumas escoriações.
Após longos minutos sentado com Naruto, Kiba levou o mesmo para casa. Resolveu não se meter na história, então após levar o loiro até seu quarto, deixou a casa do menor. Naruto ficou jogado na cama o dia todo, chorando de chegar a soluçar. Não chorava de tristeza, como uma menininha, apenas chorava, pondo o resto de raiva que lhe sobrara pra fora. Quando Minato chegou em casa, foi até o quarto do menor e se deparou com a situação deplorável que o loiro se encontrava.
– Vai me contar o que aconteceu? – Perguntou Minato, sentando-se na beirada da cama, ao lado do menor.
– Nem eu sei bem... – Murmurou em resposta, com a voz embargada pelo choro recente. Agora, já não chorava mais.
– Tem a ver com a figura preocupada e um tanto roxa de Sasuke que encontrei na rua agora há pouco? – Indagou, fazendo o loirinho com a típica cara de choro sentar-se na cama. – Ele disse que eu era para falar com você. Estava bem preocupado, então aqui estou eu, aguardando alguma explicações. – Disse o maior, sentando de forma mais confortável na cama e deitando a cabeça do filho no colo, iniciando um cafuné na cabeça loira de Naruto. – Você sente algo por ele, não sente?
– Isso é errado? – Questionou com voz chorosa.
– Não no meu ponto de vista. – Falou enquanto fitava a parede tranquilamente. – Aconteceu algo grave, suponho.
– Depois daquele jantar na casa dele, há algumas semanas, ele estava meio irritado e possivelmente confuso, então ele me beijou do nada... No dia seguinte, ele começou a ficar com uma vadia, e me disse que nosso beijo não havia sido nada. Depois desse dia, mal nos falamos, pois ele estava todo o tempo com ela, me ignorando. Hoje, do nada, ele veio como se nada tivesse acontecido, eu me descontrolei e bati nele com um livro. – Contou calmamente, fazendo Minato espantar-se um pouco. Naruto não era disso. – Sabe, eu sentia algo diferente por ele há algum tempo, mas só agora sei o que era. Gosto e sinto muita falta da presença dele, da sua voz... Eu o amo, tou-san. Mas acho que fui um idiota ao pensar que poderia ser correspondido. Ainda mais com tantas garotas aos seus pés.
– Você pareceu uma menininha falando assim... – Comentou o loiro maior dando risada, fazendo o menor rir também. – Você pode estar triste, mas mesmo assim não deve pensar que não é especial para ele. – Murmurou. – Em uma das vezes que ele veio aqui, eu o questionei sobre o porquê dele te ajudar e te apoiar. Ele apenas sorriu e me disse que era porque gostava de você. – Contou o maior, surpreendendo o loirinho. – Eu acho que ele está apenas confuso sobre o que sente. Deve ser novo para ele também. Dê tempo ao tempo, Naruto. – Finalizou o maior, beijando a testa do filho e se levantando para deixá-lo só para pensar.
– Tou-san. – Chamou. – Tudo bem para você? Sabe, pelo que parece eu sou... Gay. – Concluiu inseguro.
– Se você está feliz, eu também estou. – Pronunciou-se o mais velho. – Só não me apareça de salto alto e maquiagem que estamos bem! – Brincou. – E Naruto, tem muita coisa que naturalmente não se pode ver, então apenas sinta. Você foi privado da visão, mas não de um coração. Isto basta. Usado sabiamente, ele pode ser um guia tão bom quanto os olhos. – Disse o loiro maior, sorrindo e se retirando depois. – Agora quem pareceu uma menininha fui eu... – Naruto ainda conseguiu ouvir seu pai murmurando.
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