Blue Blood
1 shortfic
Notas iniciais
Fiquei com vontade de escrever um YoshikixShinya quando me lembrei que eu havia visto esse pairing em algum lugar que não me lembro.
Well, espero que gostem.
O loiro estava sentado de frente ao oyabun¹ na limosine preta, com a Glock reluzente repousando sobre seu colo e sob sua mão habilidosa.
Olhava para os lados, observando o movimento da avenida pelos vidros escurecidos.
-Preocupado, Terachi? –a voz do homem a sua frente o chamou, divertida.
-Um pouco, aniki². –disse baixo, como de costume, voltando o olhar ao oyabun.
-Relaxa... Com o Andou dirigindo é mais fácil morrermos com o carro capotando do que com uma investida dos italianos. – o mais velho no carro sorriu zombeteiro, piscando um dos olhos para o subordinado.
Shinya se permitiu rir um pouco, balançando a cabeça negativamente enquanto o motorista resmungava algo.
-Pára de frescura e continua dirigindo, Die. – Shinya disse um pouco alto, se fazendo ouvir pelo motorista que ainda resmungava.
-Tá, tá, fala pro oyabun que já estamos chegando. – o motorista ruivo disse, olhando no retrovisor.
-O — -
-Eu ouvi, Shinya, não se preocupe.
O oyabun, Hayashi Yoshiki, sorriu cortês, abrindo o pequeno frigobar existente na limosine. O subordinado voltou a olhar pelas janelas, atento a qualquer coisa suspeita.
A segurança do aniki acima de tudo, fora o que Shinya prometera quando entrara para a organização mafiosa.
-Quer um pouco de conhaque, Shin-chan? Ou talvez uísque?
-Não bebo em serviço, aniki. –se remexeu no banco de couro, se concentrando no ambiente fora do carro.
-Mas eu estou convidando, oras. –Yoshiki ergueu uma das sobrancelhas, fitando o mais novo.
-Ah...N-não, obrigado, Hayashi-sama.
-Talvez amendoins? Ou castanhas? –sorriu para o subordinado.
-Irei recusar, aniki. –sorriu minimo, abaixando levemente a cabeça em forma de respeito.
-Você que sabe, Shin. –disse, jogando um amendoim na boca, ainda observando o mais novo. – Se quiser depois... –começou, assim que engoliu o primeiro amendoim, jogando outro na própria boca novamente. –... É só pegar.
O loirinho engoliu seco, apertando com força o revolver sobre seu colo, tentando pensar em outra coisa que não fosse...
Yoshiki.
Ah, sim, Yoshiki, o oyabun, o líder de pelo menos metade do território japonês, o...
Amor platônico de Terachi Shinya.
-Pensando no quê, Shinya? –Hayashi dava um gole de seu precioso uísque, fitando o segurança.
-Ãh? – o loirinho piscou, se remexendo novamente no banco de couro. – Hm, nada de especial, aniki.
-Nada de especial ou nada que eu possa saber? – o outro loiro ergueu uma sobrancelha, sorrindo de canto para Shinya.
O guarda costas do oyabun tentou disfarçar a falta de jeito, mordendo o canto da boca.
-E-eu só tava pensando que tinha que levar a Miyu no petshop... Nada demais. –abaixou a cabeça, se suicidando mentalmente por ter inventado uma coisa tão ridicula.
Yoshiki riu-se divertido, pegando mais um amendoim.
-Miyu? Sua cachorrinha?
-É. –Shinya sorriu cabisbaixo, coçando a nuca com a mão livre.
O oyabun sorriu carismático, acabando com os amendoins, ainda observando o subordinado com certo interesse.
-Shin, chegamos. – o motorista ruivo se fez ouvir, voltando a olhar pelo retrovisor. Shinya se preparou para responder mas Daisuke voltou a olhar para frente, aparentando estar concentrado em algo.
-...Só um instante, oyabun. – Terachi se apoiou no encosto do banco de couro, procurando com o olhar o ponto que o motorista observava insistentemente.
Yoshiki se remexeu de leve no banco em que estava sentado, sentindo a garganta secar e um mau pressentimento o acometer.
-Oh-oh, temos compania. – Die disse, segurando o volante com força ao sentir o estômago revirar, ainda observando os carros negros blindados pararem frente à limosine, homens –ocidentais, italianos, diga-se de passagem- expunham seus braços para fora das janelas dos carros, empunhando revólveres e metralhadoras. Uma emboscada.
-Peça reforços, Die. E rápido.
Terachi Shinya sabia o que fazer.
Proteger o oyabun, mesmo que dependesse de sua própria vida.
Proteger seu amor platônico.
Shinya se pôs para fora da janela do carro, metade do corpo dentro do veículo e outra metade sentindo a brisa que acariciava Tokyo. Finalmente iria usar a arma 9mm que repousava em seu colo.
Não precisava se preocupar com silenciadores ou discrição, só precisava se preocupar com a integridade física de Hayashi Yoshiki.
Mais uma vez protegeria o líder do clã Hayashi, o yakuza mais imponente que conhecera...
Mas dessa vez, Shinya tinha a quase certeza de que não sairia vivo.
Notas finais
²: aniki nesse contexto tem o sentido de um cargo superior que exige respeito.
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