Blue
9 Enfim primavera
Notas iniciais
Itachi POV
Estou tão feliz ultimamente, não tenho nem palavras para descrever. Tudo estaria melhor se meu irmão não estivesse infeliz, desconheço muitos dos motivos dele estar assim, mas sei que pertencer a nossa família não uma tarefa fácil.
Ao tocar com ele naquela tarde, foi como voltar no tempo fazia anos que não tocávamos juntos. A música sempre foi uma diversão pra mim, aliás foi por mim que Sasuke se interessou por música, ensinei a ele tudo que eu sabia e percebi naquele dia que não era apenas diversão para ele e sim um sonho.
Daquele dia pra cá pode se dizer que meu irmão nunca mais foi o mesmo, embora sorrisse as vezes não possuía mais aquele brilho. Uma parte dele foi adormecida.
Meu pai Fugaku sempre foi muito rígido em relação a nós dois, crescemos ouvindo que seríamos os sucessores das empresas da família, uma grande responsabilidade no final. Pra mim era fascinante esse mundo empresarial, eu gostava de ver como meu pai era e gostaria de ser como ele. Não que isso fosse diferente com Sasuke, mas definitivamente não era a melhor coisa do mundo pra ele.
Ser um Uchiha as vezes pode ser bem cruel, somos influentes e precisamos dar o exemplo, sem distrações ou futilidades somos educados para pertencer a alta sociedade e ser completamente bem sucedido, inclusive nos negócios. Devemos ser os melhores em tudo.
Qualquer coisa que nos desvie desse objetivo deve ser eliminada.
8 anos atrás...
Todo dia depois da escola, Sasuke vinha correndo até mim para que eu lhe desse mais uma aula de violão. Havia se tornado um grande hobby pra ele, que realmente lhe agradava. Eu ficava muito feliz ao ver meu irmão se dedicar tanto a uma coisa com aquela alegria, não que ele não fosse dedicado em tudo que fazia mas, era a primeira vez que via tanta paixão e empenho vindo dele.
—Nii-san, você acha que eu já estou pronto pra tocar?—perguntou apreensivo.
—Claro que sim Sasuke, você faz isso muito bem, até melhor do que eu.—Sorri pra criança animada ao meu lado.
—Quero muito mostrar pra mamãe e pro papai. Será que eles vão gostar?
—Claro que sim, você é ótimo no que faz.
Ele sorriu e disse:
—Hoje depois do jantar vou tocar aquela música que te mostrei ontem. O que acha?
—Acho ótimo. Boa sorte maninho.
Ele se levantou apressado e foi correndo se arrumar para o jantar, fiquei feliz por ele e sabia que ele se sairia bem.
O que eu não esperava era a reação do meu pai. Ele nunca se importou ao me ver tocar ou fazer qualquer outra cosia divertida, e para mim com o meu irmão não seria diferente. Infelizmente eu estava enganado.
O jantar seguiu tranquilamente, eu notei que Sasuke estava ansioso, ao término ele disse:
—Pai tenho uma coisa pra te mostrar, posso?—disse um pouco nervoso.
—O que é Sasuke?
—Tenho certeza de que vai gostar pai.—falei encorajando meu irmão.
—Então nos mostre Sasuke.—minha mãe interferiu.
Ele saiu correndo para pegar o violão enquanto levei todos para a sala.
Ele estava bem nervoso no começo, mas ao começar a cantar e tocar parece que ele havia se desconectado do mundo, executou toda a canção com perfeição. Fiquei muito feliz por ele, minha mãe também se agradou bastante, porém, ele esperava ansioso a resposta de meu pai que permanecei em silêncio.
Sasuke sempre tentava impressioná-lo e agradá-lo de todas as formas possíveis e tudo sempre não passava de uma obrigação aos olhos do grande Fugaku. Mesmo assim ele nunca se deixava abater e se esforçava para alcançar a excelência em tudo, para ser o melhor.
Eu achava as atitudes do meu pai um pouco extremas, mas sabia que ele não fazia por mal, na verdade ele só queria o nosso bem.
—E então pai? Fui bem?—perguntou finalmente não segurando a pressa em saber a resposta.
—Você deveria se ocupar com coisas mais produtivas, como por exemplo estudar. Isso não vai te trazer um futuro adequado, lembre-se que você é um Uchiha e deve agir como tal. O futuro das nossas empresas está na mão de vocês.—disse desviando o olhar para mim e logo após voltando a mirar meu irmão—Eu espero que não me desaponte Sasuke, concentre-se em apenas ser o melhor. Entendeu?—concluiu frio.
Sasuke cabisbaixo respondeu quase em um sussurro:
—Sim, pai.—e foi para o quarto.
Fiquei perplexo com a frieza de meu pai e fui correndo atrás do Sasuke, minha mãe foi conversar com meu pai, o que não mudou o jeito de pensar dele.
—Sasuke!—bati na porta do quarto.
—Me deixa Itachi, eu quero ficar sozinho agora.—respondeu baixo.
—Não ligue pro que meu pai disse, não fique assim.
—Eu estou bem, só quero dormir mais cedo hoje. Boa noite Nii-san.
—Sasuke, abre a porta.—pedi mais uma vez, porém fui impedido por minha mãe que pediu:
—Deixe ele descansar amanhã conversamos com ele.
—Meu pai foi muito cruel, ele não fez nada de errado.—afirmei com raiva.
—Eu sei meu filho, mas você sabe como é seu pai, conversamos com seu irmão amanhã está bem?—pediu calma.
Fiz o que ela disse e deixei que ele dormisse.
Desde aquele dia meu irmão nunca mais foi o mesmo, era ainda um garoto normal e saudável, porém no fundo dos olhos dele havia uma tristeza. Aquela paixão que ele possuía se perdeu, e só pude ver novamente ao vê-lo cantando com a Mai.
A música é a paixão e o sonho do Sasuke, porém foi totalmente reprimido pelo meu pai. Não quero que ele continue infeliz e tudo que eu puder fazer pra ajudá-lo, farei.
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—Itachi, desculpa a demora.—Sakura disse ao chegar no nosso lugar de encontro.
—Tudo bem amor, mas o que houve?
—Não é nada de mais, é que os preparativos para a festa da primavera estão mais corridos.
—Ah, é verdade tinha me esquecido disso.
—Como pode esquecer? Sou uma das organizadoras, lembra?—brincou.
Eu ri e perguntei:
—E como andam as coisas?
—Mais ou menos boas, não temos muita coisa pra encher a programação.—respondeu desanimada.
Pensei um pouco e disse:
—Acho que posso ajudar você.
—Serio?—olhou pra mim com os olhos brilhando e visivelmente animada.
—Sim, mas vou precisar da sua ajuda.—sorri.
—Me fala logo o que é!
Contei a ela toda a história do Sasuke e ela ficou comovida.
—Bom, eu estava pensando em inscrever os dois para cantar na festa. O Sasuke precisa se livrar desse trauma de tocar em público e você viu como os dois são incríveis em um dueto.
—Sim, você tem razão, mas não acha que ele pode ficar chateado por fazer isso sem ele saber. E depois se ele não aceitar?—ficou apreensiva.
—Ele não vai ter como recusar. Tenho certeza disso.—sorri.
—Se você diz, eu acredito. Vou por nosso plano em prática.—Se despediu me dando um beijo em seguida.
Agora é só esperar e ver no que vai dar.
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No dia seguinte...
Cheguei na sala de aula um pouco irritado, todo mundo parecia ficar me encarando e eu não faço ideia do motivo. Joguei minha mochila na cadeira e Mai perguntou:
—O que houve?
—Sei lá, todo mundo fica olhando pra minha cara.—falei ainda irritado.
—Só agora percebeu isso?—Gargalhou.
—Idiota, eu sei que sou popular, mas o problema é que estão me olhando de forma diferente.—expliquei.
—Ih, o que você fez dessa vez Uchiha?—provocou.
—Como assim dessa vez? T a achando que eu sou o que?
—Ok, não está mais aqui quem falou, senhor revoltado.—riu.
—Cale a boca!—disse me acomodando na cadeira.
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Sasuke mal chegou na sala hoje e estava estranho, pensei que ele podia estar ficando paranóico, mas na hora do intervalo comecei a sentir que as pessoas estavam me encarando também, mesmo quando eu não estava perto do Uchiha.
Estranho. Ao notar isso fui falar com ele:
—Acho que você tem razão, tem alguma coisa errada.—admiti.
—Até que enfim acreditou. O que te fez mudar de ideia?—se interessou.
—Estão agindo da mesma forma comigo.
—Isso está muito estranho, me olharem muito é normal, mas agora você?!—Zombou.
—Cale a boca Uchiha! Vai me ajudar a descobrir o que é ou vai ficar ai rindo?—me irritei.
—Ok, senhorita revoltada. —deu o troco.
—Haha, muito engraçado.—ironizei.
Não precisamos caminhar muito até encontrar a fonte do mistério, nossos nomes estavam em um cartaz da festa da primavera como uma das atrações.
—Mas que merda é essa?—Sasuke se surpreendeu.
—Eu é que pergunto. —falei perplexa.
—Quem foi o filho da mãe que fez isso?
—Sabe quem organiza a festa?—perguntei tentando pensar no responsável.
Ele pareceu pensar um pouco e murmurou:
—Não acredito...
—O que foi, sabe quem fez isso?
—Imagino quem tenha sido, vem comigo.—saiu me puxando junto.
Chegamos na sala de aula e encontramos Sakura, Sasuke logo fez questão de perguntar:
—Onde está o Itachi?
—Oi Sasuke, Mai. Eu não sei dele porque?
—Eu queria saber por que motivo nossos nomes estão como atração para a festa da primavera! —perguntou irritado.
—Ah, fiquei muito feliz de saber que vão participar.—disse feliz.
—Mas, nós não vamos! —Sasuke quase bufou de raiva.
—Como assim não vão? Toda a escola já sabe, inclusive o diretor que aprovou a ideia.—falou calma.
Eu permaneci estática, sem saber o que dizer daquela situação cômica e ao mesmo tempo horrível.
Ele virou pra mim e perguntou:
—E você, não vai falar nada não é?
—Estou tão surpresa quanto você, não desconte em mim.—olhei para Sakura e continuei—Sabe quem deu nossos nomes?
Antes que ela respondesse Sasuke interferiu:
—Não precisa dizer, eu sei.
Ele saiu as pressas da sala e eu fiquei preocupada, nunca tinha visto ele tão nervoso, sem pensar duas vezes fui atrás dele.
—Sasuke espera! Onde você vai:
—Atrás do filho da mãe do meu irmão. Foi ele eu tenho certeza!
—Por que ele faria isso?—questionei confusa.
—Lembra quando tocamos lá em casa? Ele sempre diz para eu tocar em público, sempre insiste nisso. Só pode ter sido ele, e aliás a Sakura é um das organizadoras.
—Quer dizer que armaram pra nós?—perguntei incrédula.
—Possivelmente.
Não demorou até encontrarmos Itachi, ele estava com um grupo de amigos e Sasuke impaciente o chamou:
—Itachi, vem aqui.
—Maninho, está com saudades? Que milagre você vir me procurar.—mesmo irônico ele é tão lindo.
—Foi você não foi?—perguntou mais calmo, mas ainda sim irritado.
—Eu o que? —se fez de desentendido.
Toquei o braço de Sasuke para que eu falasse por ele.
—Inscreveram nós dois como atração para a festa de primavera —falei calma— Sasuke acha que foi você. Isso é verdade?
—Acho não, tenho certeza.—retrucou o mais novo.
—Calma Sasuke, o que tem de mais nisso? Você toca e canta muito bem, já está na hora de deixar esse seu trauma de lado, você não é mais uma criança.—disse Itachi sério e calmo.
O que foi que eu perdi? Trauma?
—Isso não é você que tem que decidir, não tinha o direito de fazer isso.—reclamou.
—Cantar é assim tão ruim?—perguntou o mais velho.
—Claro que não, porém, essa não é a questão aqui.
—Sasuke, você não quer pensar um pouco mais sobre isso? Está de cabeça quente, depois resolvemos isso.—pedi temendo aonde aquela discussão iria levar.
—Isso, escute a Mai. Esfria essa cabeça e depois agente conversa. Se até lá você ainda não quiser eu resolvo tudo, ok?—concluiu Itachi sorrindo.
—Perfeito, obrigada Itachi.—sorri de volta—Vem Sasuke.
Levei ele pra longe dali para conversarmos.
—Por que concordou com ele? Não deveria ter feito isso.—reclamou.
—Você está muito estressado, tem que se acalmar. O que é tão ruim assim, hein?—perguntei interessada.
—É uma longa história.—disse desanimado.
—Tenho tempo suficiente.
—Ok, vou resumir pra você.
Olhei pra ele lhe dando toda minha atenção.
—Foi a mais ou menos uns 8 anos, eu estava treinando violão com o Itachi, estava empolgado para mostrar o que tinha aprendido ao meu pia, mas na hora ele não deu a mínima importância e disse que um verdadeiro Uchiha não podia ficar perdendo tempo com essas besteiras e me proibiu de tocar. Eu só pude estudar e fazer o que ele achasse melhor, sempre era reprimido por meu pai e dali por diante só tocava para mim, poucas pessoas já me viram fazer isso.—concluiu pesaroso.
—Nossa, eu não sabia, desculpa.—falei triste.
—Você não tem culpa, mas eu não me sinto bem pra fazer isso.
—Mas você ama tocar, não é?
—É a única coisa que me deixa realmente feliz, poderia dizer que é meu sonho viver disso.—sorriu.
—Então, agora você tem uma chance de fazer isso, não deixe os fantasmas do passado determinarem sua vida. Se você ama, faça. Assim poderá viver melhor consigo mesmo.
Ele olhou pra mim pensativo e eu continuei:
—Tenho certeza que seu irmão fez isso pro seu bem, ele também deve querer que você supere esse trauma.—sorri para ele.
—Acha mesmo uma boa ideia?
—Sim, afinal a música te ajuda a passar por fases difíceis não é? E tenho certeza que esse é um momento difícil, pra nós dois inclusive.—conclui melancólica.
—Tem razão, pode ser bom pra espantar as mágoas.—olhou pra mim sorrindo— Tanto passadas como as presentes.
—Viu?—ri—Então você aceita?
—Sim, mas o que vamos cantar?—perguntou calmo.
—Vamos?—perguntei confusa.
—É, esqueceu que você também está nessa?—riu.
Tinha me esquecido completamente disso, fiquei tensa e ele continuou:
—O que foi?
—Tenho medo, nunca cantei em público.
—Você tem uma bela voz Mai, aproveite pra superar seus medos também.—incentivou.
—Será que eu consigo?—perguntei insegura.
—A pessoa que me aconselhou superar meus traumas com certeza pode enfrentar os dela.—afirmou sorrindo.
—Está bem.—sorri de volta acompanhando ele de volta a sala de aula.
Ao chegarmos Sakura pergunta se tínhamos aceitado a proposta do Itachi, ele disse que sim e ela perguntou se já havíamos escolhido a música. Eu respondi que não e ela sugeriu:
—Por que não cantam aquela que tocaram juntos? É linda e tem a ver com a festa também.
Pensei e concordei com ela.
—Acho ótimo. E você Sasuke?—olhei pra ele.
—Tudo bem pra mim.—respondeu indo pro lugar dele.
—Que bom que aceitaram, boa sorte e bom ensaio pra vocês.—desejou Sakura sorridente.
Sorri de volta e agradeci.
Era hora de superar medos e seguir realmente em frente.
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