Blue
15 Apenas um começo
Notas iniciais
Dia 31 de dezembro, uma data pra refletir, renovar as esperanças, fazer promessas, um dia onde passado e futuro estão tão próximos.
Embora se tenha uma expectativa e ansiedade, também não deixa de ter nostalgia, uma retrospectiva passa por sua mente como um filme.
Estou assim hoje, é estranho pois, sou completamente diferente do eu de 12 meses atrás. Pra apenas um ano aconteceu tanta coisa, nunca minha vida havia sido tão agitada.
Me desiludi, superei, ganhei um amigo, curti as festas do colégio como nunca havia feito antes, pensando bem foi um bom ano.
Pensei bastante a respeito de tudo o que passei, alguns planos mudaram e estou em paz com isso. Fico pensando se pro Sasuke esse dia estava sendo parecido com o meu.
Decidi sair, andar um pouco e me distrair, passar o natal com ele foi divertido e eu teria boas lembranças desse ano, tudo graças a ele. Quem diria que o Uchiha e eu nos tornaríamos amigos.
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— Alô.— atendeu preguiçosa como sempre.
— Mai, tudo bem?
— Ah, oi Sasuke. Tudo e você como está?
— Bem. O que houve?— perguntei achando ela estranha.
— Nada.— disse simplesmente.
— Bom, de qualquer forma queria dizer que vou ficar fora por um tempo.
— Por quê?
— Viagem com a família.
— Não parece muito animado.
— Claro, ficar de vela não é legal.
— Eles vão, né?
—É.
— Não precisa ficar perto o tempo todo.
— Eu sei. Pode ser legal.
— Isso aí.— me animou.
—E você?
—O quê tem eu?
— Vai fazer o quê?
— Nada de mais.
— Ok, nos vemos na facul.
— Só na faculdade?— se surpreendeu.
—Só vou voltar pra estudar. O que foi, vai sentir muito a minha falta,é?— ironizei.
— Claro que não, só queria conversar contigo antes de ir.
— Algo importante?
— Não muito.
— Não sei se vai dar.
— Ah, tudo bem eu te ligo.
— Acho que seus pais não vão gostar disso.
— Por que?— questionou confusa.
—Ligação internacional.
— Ah.— compreendeu.
—Eu te ligo. Tchau.
— Vai hoje?— perguntou antes que eu desligasse.
— Sim.
— Boa viajem.
— Até a facul.
— Até.— se despediu sem ânimo.
Fiquei pensando se ela estava realmente bem, não deixava de pensar em quanto ela estava estranha.
Mai ficou de um jeito diferente quando toquei no assunto da faculdade. O que será que houve?
Continuei arrumando minhas malas enquanto ouvia música.
Um tempo passou e tenho que confessar, estava inquieto e pensando no que houve com a Mai, não iria ligaria, esperava que ela fizesse isso, embora as chances fossem mínimas.
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O dia estava correndo traquilamente, tranquilo até demais pro meu gosto. Fiquei pensando no que Sasuke me disse e não consegui parar de pensar sobre a faculdade, mas, minha decisão já estava tomada e não voltaria atrás.
Peguei meu celular mil vezes e disquei o número dele, porém, no final acabava desistindo de ligar. Não era algo tão importante pra ele como era pra mim, é estranho se sentir assim.
Pela primeira vez em alguns meses me senti sozinha, fiquei melancólica. Queria que ele me chamasse de chata e dissesse que sempre estaria lá mesmo que fosse pra me chatear, como fez da outra vez. Sorri ao lembrar daquele dia, daqui pra frente seria tudo diferente.
Optando por não ligar, mandei uma mensagem pro indivíduo.
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Estava distraído quando senti o celular vibrar, era uma mensagem da Mai.
"Se não tiver muito ocupado e der tempo gostaria de ver você hoje. Acho que deveria saber de uma coisa, mas acho que não será tão importante assim pra você, mesmo assim queria que você soubesse."
Estranho, será que é algo grave? Se ela quer falar pessoalmente talvez seja, fiquei pensativo tentando descobrir o que era, porém, não deu certo.
—Será que dá pra você dizer logo o que aconteceu?—perguntei antes que ela dissesse alô.
—Sasuke, calma.—pediu um pouco surpresa.
—Está me deixando curioso.
—Ah, é? Deixei o Uchiha impaciente, que maravilha.—debochou rindo.
—Pode parando com isso e fala logo, não sou desocupado que nem certa pessoa.
—Isso vindo da pessoa que me ligou só pra saber o que tenho a dizer.
—Vai falar ou não?
—Se fosse assim, teria escrito na mensagem.
—Então vai me falar apenas nos corredores da faculdade. Tchau chata.
—Ok, você nem tava tão curioso assim.—Riu.
—Tem razão, só quis ser educado.
—Obrigada, mas não precisava.
—Você tá tirando uma com a minha cara, né?
—O quê?—questionou incrédula.
—Vai, pode falar, você não tem nada a dizer, só não quer que eu vá viajar.
—Vê se pode! Anda se achando muito importante senhor Uchiha.
—Eu sou importante.—afirmei convicto.
—É, muito mesmo.—ironizou.
—Admite logo.
—Quer saber, deixa pra lá. Uma hora ou outra você vai saber mesmo, não vou precisar te contar.
—Quem mais sabe, desta suposta coisa que você quer falar?
—Ninguém, relaxa que na hora certa você descobre. Acho que vai até gostar. Tchau.—desligou na minha cara.
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—Abusada, sou eu quem sempre faz isso.—disse olhando para a tela do celular.
Acabei de arrumar tudo e fiquei tocando meu violão pra passar o tempo, minha mãe me ligou dizendo que o vôo iria atrasar e só iríamos na manhã seguinte.
Mais tarde...
— Olá, a Mai está?
— Ah, oi Sasuke-san. Ela saiu, quer deixar recado?— disse a mãe dela simpática.
— Não, obrigado. Sabe onde ela foi?
— Ela não disse.
— Tudo bem, obrigado.— agradeci me despedindo.
Onde essa praga se meteu?
Voltei pra casa sem mais lugar onde pudesse procurar, não conhecia nenhum amigo dela, talvez ela nem tivesse outro além de mim.
Ao chegar em casa desabei no sofá.
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Sai um pouco pra relaxar, ainda não havia escurecido, então meus pais deixaram eu dar uma volta, e pelo visto já era hora de ir embora.
Com a noite caindo começariam as festas, fui pra casa lentamente tentando imaginar como seria o ano que chegava.
Mal cheguei e minha mãe disse:
— Seu amigo esteve a aqui.
—O que o Sasuke queria?
— Não disse, só perguntou onde você estava.
— Faz muito tempo?
— Não.
Peguei o celular e mandei outra mensagem:
"Não deveria estar no aeroporto? Porquê veio perturbar minha mãe?"
Logo ele respondeu:
"A peste apareceu! Pensei que tinha morrido. E a propósito, quem perturba aqui é você."
Com preguiça de escrever mais mensagens liguei logo pra ele.
—O que veio fazer aqui?
— Estava entediado.
— Mas e sua viagem?
— Vou amanhã.
— Vai passar a virada sozinho?
— Não.
— Que bom, seus pais virão pra cá antes de vocês viajarem?
— Não.
— Vai à uma festa?
— Não.
— Ok.— afirmei derrotada.
— Desistiu de descobrir o que vou fazer?
— Eu não preciso saber.— falei com tédio.
— Claro que precisa.
—E por quê?
— Por que será com você, idiota.
— Quem disse isso?
— Eu to dizendo, vai pro mirante antes da meia-noite.— desligou.
Ninguém merece, esse ser se acha!
— Mãe, o Sasuke me chamou pra passar a virada com ele.
— Com a família dele?
—É, como ele passou o natal aqui... — menti pra que ela me deixasse sair.
— Ele te trás?
— Sim.
— Então pode ir, eu falo com seu pai. Se cuida.
— Ok, tchau.
Um pouco antes da meia-noite, estava chegando no local combinado. Lá estava ele debruçado na grade olhando pro horizonte, queria assustá-lo ou algo do gênero, porém ele me viu antes.
—Até que enfim.
—Cheguei na hora certa, então cale a boca.
—Tá, fique quieta você também.—disse me entregando uma latinha de refrigerante.
—Valeu.
—E aí? Ta esperando o quê pra começar a falar?
—Foi pra isso que me chamou aqui, podia simplesmente ter ido lá em casa de novo.
—Estou esperando...—murmurou impaciente.
—Ok, pode parar com isso, eu digo.
Ele olhou pra mim e eu mirei o horizonte a minha frente.
—Bom, não vamos nos ver na faculdade.
—Como assim? Por quê não?
—Não vamos frequentar a mesma faculdade, Sasuke.—disse com um leve sorriso.
—Assim, der repente?
—Não foi der repente.
—E quando pretendia me contar? Queria que eu descobrisse na hora?
—Nada disso, só pensei que não seria assim tão importante se você não tivesse tempo antes da sua viagem.
—Pode não ser uma manchete de noticiário, mas podia ter me falado antes.
—Desculpa, mas, será melhor pra mim estar longe deles. Vai ser mais fácil esquecer.
—E onde é?
—Na outra cidade.
—É muito longe pra ir e voltar todo dia.
—Eu dou meu jeito.
—Bom, se você quer assim tudo bem. Boa sorte.—sorriu.
—Obrigada, vou precisar.—devolvi o sorriso.—Já, já se inicia um outro ano, temos que brindar.—estendi a latinha de refrigerante pra ele.
—Com latinhas?—estranhou.
—Quê foi? Brindar com latinhas é épico.—ri.
—Épico?—duvidou.
—Se não for, faremos com que seja! —sorri novamente.
Ele esboçou um pequeno sorriso de lado e logo começou a contagem regressiva.
Os fogos explodiram no céu e a noite escura se iluminou com diversas cores, quando ouvimos o fim da contagem:
3... 2... 1...
Feliz Ano Novo!!!
Brindamos com as latinhas.
—Ao futuro.—disse.
—Ao nosso futuro.—concordou sorvendo o líquido.
Continuamos ali, assistindo aquele show de cores e a esperança preencheu meu ser no lugar daquela melancolia que me perturbou durante todo o dia.
Um novo começo nos esperava, e estávamos prontos para vivê-lo.
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