Blowing the Exit

1 Blowing the Exit


Notas iniciais
Olás ♥
Aqui estou eu trazendo mais uma one resultante de um desafio do Creative Challenges ♥
Desta vez, a @WStars nos enviou a frase “Eu não estou em perigo, eu sou o perigo" do Walter White, de Breaking Bad!
NOSSA na hora tive tantas ideias, mas quando fui escrever... só consegui uma one ><
e pra variar foi do Katsuki homãodaporra ♥

Espero que gostem c:
boa leitura ~

"Needless to say...

I'll be a hero that surpasses even you!"

— Katsuki Bakugou, Boku no Hero Academia

Estava tudo escuro. Ele sentia o corpo pesado e suado devido ao abafado calor, seus membros formigavam, demonstrando-se extremamente difícil de movê-los, sentindo que seus movimentos estavam sendo impedidos por uma força externa. Sua mente, mesmo em funcionamento, parecia vagar em outro lugar, completamente distante da aguda dor que agora finalmente começara a se instalar em seu musculoso ser. Espalhando-se como diversas agulhadas afiadas... Ou talvez tal angustia já estaria ali e ele apenas não percebera antes?

Ele gemeu baixinho enquanto apertava os olhos com força, se obrigando a abri-los. Os cansados e pesados orbes rubis vagaram pelo desfocado local, voltando a se acostumar com a pouca luz ali presente. Seus olhos conseguiam ver paredes sujas, cadeiras jogadas pelo chão, cacos de vidro espalhados por aí e pequenas poças de sangue. Em um canto mais escuro, Katsuki percebeu a presença de um corpo imóvel.

Seria um inimigo abatido, ou um aliado desmaiado? Ele precisava saber. Não se lembrava ao certo como havia chegado ali, sua memória parecia estar fragmentada, pregando peças no exausto loiro. E forçando seus globos oculares rubros a se focarem naquela estrutura recheada de curvas, ele começou a perceber os detalhes contidos naquela pessoa. Viu o que parecia ser os quadris arredondados, a fina cintura – assumindo que poderia ser uma mulher – e as roupas, mesmo que rasgadas em alguns pontos, indicavam ser algum tipo de uniforme justo ao corpo. Semelhante a muitos das fantasias utilizadas pelos heróis presentes naquela era.

“Então é um aliado. Mas quem?” Questionava-se lutando para permanecer acordado, agora sentindo seus ouvidos zumbirem alto. Balançando a cabeça com raiva, em uma tentativa de voltar a se concentrar no corpo desacordado, o loiro novamente direcionou a sua atenção para a incógnita jovem. As costas desta pareciam movimentar-se minimamente, indicando ainda estar respirando. Um alívio. Porém ele precisava saber quem era ela.

Então finalmente seus zangados orbes rubis puderam avistar os detalhes da moça até então escondidos pelas sombras. Fitando os curtos e lisos cabelos castanhos completamente bagunçados, revelando um corte em sua cabeça – o qual mesmo seco, indicava que havia sangrado bastante. Ele seguiu os traços de sangue com apreensão, agora percebendo as bochechas pálidas e cheias de hematomas, e os grandes e inchados olhos fechados. Era ela.

Imediatamente o garoto sentiu o enrijecimento de alguns de seus músculos, sendo invadido por sua característica e borbulhante ira, e a incomum urgência. Forçando o tronco para frente, em prol de identificar o estado da moça e auxiliar a jovem, logo sentindo-se bloqueado e percebendo uma estranha oscilação em seu equilíbrio.

“Ocha...” o rapaz murmurou parte do nome da desacordada garota no chão, interrompendo sua fala ao perceber a sua ardente garganta seca, imediatamente calculando a quantidade de tempo que deveria estar ali. Talvez umas quatorze horas? Quem sabe, sem qualquer janela ou relógio era de fato difícil ter uma exatidão, porém ele sabia que havia sido nocauteado há horas por conta da sede crescente e o amortecimento de seus membros.

Voltou a atenção para si, por fim tentando compreender o estado em que se encontrava. E como já havia imaginado ele estava amarrado à uma cadeira, sentado diante de toda aquela destruição confusa. Porém ele tão pouco se importava com o que havia acontecido, para Katsuki, era mais importante sair dali junto de Ochako e mantê-la em segurança.

Olhando ao seu redor, ele tentava encontrar uma saída. Uma janela, uma porta, qualquer coisa... Porém tudo que conseguia encontrar eram paredes e rastros de uma batalha pesada. Um alto ruído – uma batida – chamou a atenção do irritado herói, fazendo-o girar o máximo que podia a sua cabeça para trás e assistindo um grupo de bandidos adentrarem no local por meio de uma porta de ferro. Arregalando os olhos em surpresa, ele não demonstrou qualquer interesse para com a presença dos malfeitores, focando-se em seu principal alvo metálico. Encontrando uma saída.

“Finalmente acordou, huh?” Disse um dos vilões, aproximando-se do imóvel loiro com desdém e provocação. “Vocês nos deram um puta trabalho, sabia?” Rosnava o homem, enquanto puxava o cabelo de Katsuki para trás, obrigando-o a erguer o olhar para o homem, torrando a paciência do loiro com aquele hálito fedido, carregado de álcool. “Perdemos o moleque que tinha super força, mas pelo menos conseguimos o cara das bombas e essa gracinha aqui.” Falou distanciando-se do loiro e caminhando até Ochako.

Então o jovem Bakugou lembrou-se do motivo de estar ali. Era uma missão de resgate. Deku – seu irritante e chorão colega de infância – havia sido capturado junto com seu parceiro Eijiro – um rapaz capaz de endurecer o seu corpo e tolerar grandes impactos – e mesmo que seus professores fossem contra, Ochako e o loiro decidiram ir atrás dos dois.

Não que ele realmente tivesse um grande interesse em salvar aquele garotinho patético. Mas Eijiro – diferente de Izuku – havia se mostrado um grande companheiro e o loiro não deixaria que seu amigo de pele dura fosse morto por míseros vilões.

Porém algo havia dado errado, mesmo com o auxílio de Momo e Shoto carregando os dois desacordados alunos da escola de heróis para longe dali, os bandidos se demonstraram preparados para os poderes explosivos de Katsuki e os levitacionais de Ochako, conseguindo abatê-los até aquele momento. Teria sido azar? Alguma falha em seu plano? O loiro não sabia dizer, pois agora os tais bandidos não pareciam tão poderoso quanto antes. Talvez eles tivessem tido alguma ajuda de outro vilão mais importante, conseguindo nocautear os dois alunos.

“Fique longe dela.” Ameaçou Katsuki entre os dentes, ao assistir o homem agachar-se a frente da garota e mover uma mecha do rosto machucado de Ochako, exibindo suas intenções sórdidas para com o corpo da jovem.

“Oh...” Provocou o bandido voltando sua atenção para o herói. “Estás com ciúme por acaso? Não se preocupe, alguns dos meus companheiros se interessaram por ti também.” Brincou com um sorriso torto e amarelado, demonstrando a sua falta de lucidez por conta da bebida. “O nosso chefe só mandou que nós os deixássemos vivos. Não especificou se precisavam estar intactos ou não.” Revelou o bêbado voltando a observar o rosto e o corpo de Ochako, devorando-a com o olhar.

Eles eram os capangas, por isso não pareciam ser fortes. Katsuki refletia sobre isso, imaginando que o líder daqueles imbecis poderia vir a ser um obstáculo mais perigoso e como tal vilão não estava ali, talvez o loiro poderia ter uma chance de escapar junto de Ochako. Contudo não sabia ao certo onde estava, se pudesse simplesmente explodiria tudo, mas estava preocupado com o estado de sua companheira de sala.

Enquanto observava o sujeito aproximar-se ainda mais de Ochako, sentindo seu sangue borbulhar em suas veias, Katsuki percebeu que estava sendo cercado por mais dois marmanjos. Estes também tinham sorrisos malignos em seus rostos, porém o interesse deles não era aproveitar-se no corpo do loiro, mas sim sadicamente mutilá-lo enquanto permitiam que o herói assistisse sua amiga ser devorada pelo imbecil a sua frente.

E assim o fizeram. Mesmo sofrendo com socos e chutes, eles obrigavam Katsuki a assistir Ochako ser lentamente despida pelo sujeito. Alimentando a ira explosiva do rapaz ao máximo. O bandido vez ou outra lançava um olhar pervertido para o loiro imobilizado, principalmente quando a moça produzia um ruído de dor, praticamente implorando para que tudo aquilo acabasse. Desaparecesse.

“Ochako!” Murmurou o rapaz entre os dentes, odiando tudo aquilo que seus olhos rubros estavam presenciando, sentindo-se impotente enquanto recebia os vários golpes dos dois capangas. Mordendo os lábios com força, ele desejava salvá-la, arrancar aquele maldito de perto da moça, fazê-lo pagar por tudo o que havia feito e fugir com a jovem em seus braços.

“Veja como ela é linda.” Dizia o homem erguendo o rosto machucado de Ochako para frente, exibindo-a para Katsuki como um troféu prestes a ser aclamado. “Tão linda que dá vontade de faze-la ser punida com prazer.” Ironizou puxando o cabelo da garota fazendo gemer de dor, provocando ainda mais a fúria ardente do loiro.

“Fique longe dela!” Ordenava o furioso herói, já sentindo suas mãos arderem com o seu poder explosivo, ativando-o involuntariamente. Imediatamente ouvindo um dos homens manda-lo se calar, acompanhado de um forte chute no estômago. O forçando a assistir a tudo calado. O torturando psicologicamente e fisicamente.

Então ele a ouviu fracamente chama-lo pelo nome. “Katsuki...” Conseguindo surpreende-lo, paralisando-o momentaneamente. Ali ele sentiu o ar lhe falta, enquanto seus olhos arregalados encontravam os quase inconscientes dela. Ele pensou que aquilo seria um sinal para ele simplesmente desistir, que tentasse fugir sozinho – coisa que ele nunca faria, preferia morrer a desistir daquele jeito.

Porém, por um pequeno momento, ele viu aqueles grandes e feridos orbes castanhos se tornarem decididos, acenando para que ele se rebelar. Permitindo que explodisse tudo. E quando o loiro finalmente percebeu as verdadeiras intenções da heroína, esta empurrou o bandido com um forte chute, imediatamente fazendo-o levitar no ar, imobilizando.

E com aquele golpe, o herói explodiu. Destruindo a sua prisão e os capangas – os quais tentavam correr até o seu flutuante companheiro. Liberando toda aquela raiva e ira contida por horas em seu ser, queimando tudo, enquanto Ochako esforçava-se para fugir de todo aquele caos provocado por Katsuki, aproximando-se do furioso rapaz, abraçando-o pela cintura.

O abraço inesperado da ferida moça o deixou nervoso, inquieto. Contudo, sabia que não tinha tempo para dar atenção às estranhas reações que a jovem conseguia lhe causa, ele precisava tirá-la dali. E reunindo toda a força que lhe sobrava, a carregou nas costas enquanto explodia a porta e todos os que tentava bloquear o seu caminho. Xingando-os aos berros enquanto corria.

Em meio ao caos, sendo perseguido por diversos homens e escutando um alto alarme soar, Katsuki conseguiu encontrar uma janela e não pensou duas vezes antes de se lançar contra a fina camada de vidro, torcendo para encontrar uma rua ou coisa parecida. Contudo tudo que seus orbes rubis viram foram nuvens. Eles estavam há mais de setenta e cinco metros de altura, o equivalente a um prédio de vinte e cinco andares. E estavam caindo rapidamente.

Katsuki imediatamente gritou um palavrão, tentando explodir contra a direção de sua queda, retardando a sua inevitável morte. Com o susto, Ochako o abraçou com mais força e fez de tudo para conseguir levitar o corpo do rapaz, ajudando-o a fugir. Após perceber a suave levitação, Katsuki redirecionou suas mãos para trás, afastando-se do prédio em segurança.

“Obrigado, Ochako...” Murmurou a voz do loiro, obviamente não acostumado a agradecer alguém. Quase torcendo para que a jovem em suas costas não o escutasse, afinal, isso seria muito vergonhoso. Todavia ele sentiu os braços de Ochako o apertarem gentilmente, enquanto apoiava o rosto no ombro do rapaz.

“Eu que agradeço, Katsuki.” Disse a gentil voz dela, abraçando-o com carinho enquanto fechava os olhos e apreciava o calor natural do corpo do rapaz. Não percebendo o ardente rubor que se fazia nas bochechas machucadas do loiro.

Notas finais
O que acharam?
Sinceramente espero que tenham gostado :)

Como sempre, todo e qualquer comentário é mais do que bem-vindo ♥
Não seja um fantasma, exponha suas opiniões. Sejam estes elogios ou críticas, serão sempre bem vindas!

Byebye~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!