Bloody Sins
1 Prólogo
Notas iniciais
Nove meses haviam se passado desde que... Tanto tempo e eu ainda não conseguia tocar no assunto. Desde que eu vira Sherlock pela última vez. A imprensa já estava começando a esquecer o caso e a se concentrar em novas fofocas. Consegui um emprego em um hospital no centro de Londres e um apartamento bem distante da Baker Street.
Mas infelizmente hoje, uma ligação de Mrs. Hudson fez com que eu mudasse meus planos. Insistira para que eu fosse até lá, cuidar das coisas de Sherlock, já que havia alguém interessado no flat. Tomei um táxi, distraído em meus próprios pensamentos. O medo das lembranças que estavam mais próximos a cada tique taque do relógio.
Quando dei por mim já estava no café, com Mrs. Hudson. Ela pusera uma mesa especialmente para nós e seu sorriso era o de uma mãe preocupada.
- Ah, John, querido, fico muito feliz que tenha vindo – ela serviu-me um pouco de café e alguns biscoitos. – Não consegui, de jeito nenhum, me livrar daquelas caixas, Achei que seria mais fácil doá-las ou algo assim, mas pareceu uma afronta à memória de Sherlock – involutariamente, tremi com a menção do nome e ela notou – Oh, sinto muito. Imagino que deve estar sendo difícil para você, mas...
- Está tudo bem, Mrs Hudson. – interrompi e esbocei um sorriso. Um sorriso pairou enquanto desfrutava do café daquela doce senhora. Suspirei e olhei para fora. Apenas mais um dia cinzento em Londres. – Então... A senhora disse que têm interessados no apartamento?
- Sim, sim. – ela acenou – Um jovenzinho ligou na semana passada, desesperado, e como todos os quartos estão vagos, sobrou apenas o de vocês.
Ela bebericou seu chá e continuou falando sobre o assédio de jornalistas, turistas na porta e alguns lunáticos que alugavam apartamento na Baker Street, na esperança de encontrar Sherlock vagando por ali. A ideia me provocou sérios arrepios. Não... Depois de tanto tempo, ele teria ao menos mandado alguma notícia, algum recado. Não agüentaria tanto tempo assim no tédio.
No fim das contas, subi sozinho até o flat. Não sei por quanto tempo fiquei ali, sentado na minha poltrona, rodeado pelas coisas de Sherlock. Sei apenas que o sol já tinha se posto. Resolvi ir embora dali antes que começasse a chorar, deixando uma Mrs. Hudson ainda mais preocupada pra trás.
Peguei outro táxi, fui para meu próprio apartamento, liguei meu laptop e escrevi. Nunca, em toda a minha vida, digitei tanto naquele maldito blog. Contei para as pessoas minha história com ele e o que fizera mais cedo naquela tarde. O calor do fatídico dia, há nove meses atrás, voltara, junto com todas as lembranças. Voltei a defendê-lo e a dizer, como se fosse um advogado lutando pelo seu cliente, que Sherlock era inocente.
Pelo menos daquele pecado.
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