Eu era uma das garotas mais populares do colégio. Não por antipatia ou dinheiro, mas pelo meu carisma e bondade. Eu ajudava todos aqueles que precisavam, mesmo não recebendo agradecimento às vezes. Mas… Eu não fazia isso pra ganhar crédito, mas porque eu me sentia bem ao ver outras pessoas bem.

Uma das coisas que eu mais gostava de fazer era ajudar na biblioteca. Eu só não era responsável pelos livros porque eu era uma mera aluna. “Famosa”, mas ainda assim uma aluna. Até que, num dia chuvoso e bem nublado, resolvi arrumar os livros das gôndolas enquanto o bibliotecário tinha ido tomar um café. Certa hora, ouvi um barulho na porta, seguido de passos em volta da mesa do Sr. K.

– Quem está aí? — Disse, um pouco aflita. Não consegui disfarçar o tremor na minha voz, até porque ali estava um pouco escuro, e eu tinha que usar a luz do meu celular para enxergar alguns livros.

Ninguém respondeu. Achei que fosse coisa da minha confusa imaginação e voltei a atenção ao meu ‘trabalho’. Não se passaram nem cinco minutos, quando ouvi o barulho de livros caindo da estante. Mais ou menos uns três. Agora eu tinha certeza que havia alguém ali, pois os livros não cairiam sozinhos.

– Quem está aí? — Perguntei novamente. — Pare de ser engraçadinho, seja lá quem for!

Comecei a andar em passos lentos, mantendo a luz do celular à minha frente.

– Se você aparecer, prometo não lhe dedurar aos superiores.

Não obtive resposta. Continuei andando, saindo d’entre as gôndolas e chegando numa outra sala, onde ficavam as mesas de estudo e leitura.

– Por favor, apareç… Ummf! — Foi nessa hora que senti uma camada de tecido grosso cobrir-me a boca. Lembro-me que esse mesmo tecido fôra amarrado fortemente na parte de trás de trás da minha cabeça. Minhas mãos tentavam arrancar o tecido, mas era inútil. Minha força era inútil. Até mesmo gritar era inútil.

Nessa hora, senti meu esôfago se contrair, e algo molhar minha fina roupa de tecido claro, junto com algo que exalava um cheiro agridoce, diferente.

Era o meu sangue.

Senti minhas mãos ficarem jogadas, cansadas de relutarem tentando arrancar o tecido pressionado contra meus lábios. Meu corpo queria desistir. Minha alma lutava para sobreviver, mas minha carne recusava. Ainda pude sentir algumas partes do meu peito até a cintura serem perfuradas, até que notei algo ser severamente cravado no meu peito, no meu bondoso e inocente coração.

Meu corpo caiu bem ali. A pessoa que me segurava resolveu me soltar. Por que eu não conseguia me mexer? Minha visão começou a ficar escura, como se fosse o final de um filme, porém bem lentamente.

Tudo foi escurecendo.

Apagando…

… apagando…

… apagando…

Até que não enxerguei mais nada.

Eu era uma pessoa boa. Hahaha… Muuuito boa. Mas eu esqueci de dizer que também posso ser má. E eu sou má o quanto eu quero. A minha vingança será crua, fria e cruel… Podiam me humilhar e pisar em mim, mas ninguém tinha o direito de me tirar a vida.

Agora você se pergunta… Se eu estou morta, como posso estar contando essa história?

Haha… Se eu te contar, você não vai acreditar. Mas… Chegue mais perto, vou te contar um segredinho:

Você não me vê…

… Mas me sente.


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!