Bloody Night
1 What's the name of your god?
Notas iniciais
Suas mãos tremiam quando entrou no lugar horrendo e escuro. Não estava com medo do lugar em si, mas do que aconteceria ali. Suas mãos suavam e seu estômago embrulhava em antecipação. Respirou fundo.
O moreno tinha uma expressão de confusão em seu rosto e diversas perguntas saíam de seus lábios, perguntas que nunca seriam respondidas. E então lágrimas. Lágrimas e gritos, gritos que pareciam vir do fundo de sua alma e que Kida sentia nos ossos.
Mas ele não parou, não podia parar. Atingiu-o de novo e de novo e novamente. Não era difícil, pelo contrário, era assustadoramente fácil, a carne macia lembrava-o do sushi que comia sempre que saiam juntos. Se perguntou se tinha o mesmo gosto. Tais pensamentos logo foram afastados pelo cheiro forte de sangue que invadia suas narinas.
"Você morreria por mim?"
"Sim." Não hesitou em responder.
Os gritos ensurdecedores continuavam, e quanto mais ele gritava, mais forte o loiro o atingia, na esperança de silenciá-lo.
Sua voz foi ficando mais fraca a cada vez que a faca entrava em sua pele, finalmente se reduzindo a ruídos, e então nada mais.
Silêncio.
"Você mataria por mim?"
Pausa.
"Sim."
E então a ordem foi dada. Seu deus queria sangue, então sangue ele daria.
Kida não sentia as lágrimas que escorriam por seu rosto, estava ocupado demais pensando no que acabara de fazer. Não veria mais o sorriso dele. Não ouviria suas risadas quando contava uma piada.
Olhava para ele, seu melhor amigo que foi transformado em apenas mais um cadáver que ninguém se importaria em procurar, e que talvez nunca fosse encontrado.
Seus joelhos cederam e ele caiu no chão, largando a faca que fez um barulho alto ao atingir o solo. Gritou. Gritou alto, tentando em vão extravasar a raiva e a dor que sentia.
A figura de vestimentas pretas saiu das sombras, se abaixando ao lado do loiro. Envolveu-o protetivamente em seus braços.
O menor abraçou-o de volta, achando conforto em seu toque. Molhava a roupa do informante com suas lágrimas, mas este não parecia se importar. O típico sorriso tomou seus lábios.
"Eu estou impressionado, Masaomi."
O loiro ergueu a cabeça, olhando-o nos olhos, a visão embaçada pelas lágrimas que ainda insistiam em cair. Piscou várias vezes, tentando afastá-las. Uma felicidade enorme crescia em seu peito, tomando o lugar da dor.
As palavras do maior, por mais simples que fossem, o alegraram. Seu deus havia lhe aprovado, e agora ele teria o direito de ficar ao seu lado.
Até que esse deus arranjasse outro anjo.
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