Bloodshot
1 Your turn has come, Ms. Burkhardt
Ela estava com medo. Odiava o barulho das folhas secas e dos galhos se quebrando sob seus pés enquanto corria pela floresta num fim de tarde de outono. Arfava; seu peito subia e descia inconstáveis vezes por segundo, mas não podia se permitir parar de correr. Não enquanto ainda quisesse viver.
Atrás dela, caminhava calmamente Azazel, o Demônio dos Olhos Amarelos, que, naquela ocasião, havia roubado o corpo de um executivo. Ela não tivera medo no princípio. O achara bonito e, pelos trajes, parecia um homem sério e de inestimável valor. Foi o pior erro de sua vida.
Agora, Azazel mantinha os terríveis olhos amarelos na nuca da moça. Ela podia sentir seu peso. Suas pernas travaram e ela tropeçou. Ficou imóvel no chão, exatamente na mesma posição em que caíra. Não conseguia mais andar nem mover nada além dos olhos; ele a tinha paralisado. Sentiu algo líquido, quente e espesso escorrer pelo seu pescoço. Mal precisou olhar para baixo parar perceber que ele a estava fazendo vomitar sangue e, provavelmente, engasgar-se nele. Fez um esforço enorme, o que só a fez tremer e enfraquecer ainda mais. Talvez se tentasse mais um pouco...
Ela finalmente conseguiu quebrar aquilo — seja lá o que fosse — que a prendia.
- Volte aqui! Você é minha. — Azazel sibilou entre dentes, ela percebeu pelo tom de voz, pois não ousava encará-lo.
Infelizmente, não pode resistir e, em vez de correr, estacou e virou a cabeça para encarar profundamente os olhos amarelos do demônio.
- E por que motivo eu deveria obedecer você?
- Hahahahah! — a risada dele parecia vir de um poço fundo e úmido — Humana tola. Você já está me obedecendo, apenas não percebeu, porque... Eu estou controlando seu corpo inteiro e isso inclui seu cérebro. Estou manipulando seus sentidos. Foi assim que pude congelar seus membros, causar-lhe medo e fazê-la acreditar que poderia me provocar e sair ilesa. Mas deixe-me contar-lhe uma coisa, garota — ele a puxou para cima pela gola da blusa vermelha que usava — O poder de um demônio comum tem suas limitações... mas eu sou Azazel, o braço-direito de Lucífer. Posso fazer o que quiser com você. Pena que... — ele forçou os cantos da própria boca para baixo, fingindo tristeza — o sangue não vai ser tão visível assim nessa sua blusa vermelha. — e a largou sem nenhuma cerimônia, de modo que a moça bateu a cabeça no chão ao cair.
- O-o que é isso? — ela perguntou, com a voz carregada de pavor.
- É hora de cumprir seu destino, Senhorita Burkhardt. — uma voz profunda, grave, rouca e certamente inumana disse.
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- Pai, você viu isso? — Dean perguntou a John enquanto tomavam café da manhã, indicando uma notícia na folha de jornal.
"Mulher de aproximadamente 23 anos foi encontrada morta numa floresta nos arredores de Rock Springs, no Wyoming. Havia sangue em seu corpo, mas nenhum ferimento foi visto."
- Hmm — John resmungou após terminar de ler — Me parece mais trabalho para nós. E espero que eu esteja errado, mas não gosto da ideia de enfrentá-lo de novo...
- Enfrentar quem? — Dean perguntou e John lhe respondeu com uma careta amarga — Ah, não me diga que é o... — ele interrompeu;
- Azazel — John disse.
- Como poderíamos matá-lo, pai?
- Com a Colt. Ou com a faca da namoradinha do seu irmão.
- Só temos duas balas na Colt, pai.
- Eu sei, Dean! — John esbravejou. — Droga, só me deixe sozinho um pouco enquanto preparo o equipamento. Devemos partir hoje se quisermos ter alguma chance de pegar Azazel.
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