Bloodlines I - Castlevania
1 Prólogo
1691 D.C. Transilvânia.
Era na pequena região campestre, mais precisamente, na aldeia de Jova que vivia a família Belmont.
É claro, o termo "família" é usado muito vagamente.
Simon Belmont vivia só, em uma pequena casa da aldeia.
A família Belmont tem uma longa história no combate contra o mal. Por gerações, vem enfrentando e derrubando o temível Lorde Drácula, e suas intenções maléficas, carregando o sagrado chicote Vampire Killer; uma arma com poder excepcional, capaz de obliterar qualquer entidade maligna.
Simon, entretanto, não foi o primeiro Belmont a empunhar o Vampire Killer.
Seus antecessores, Leon, Trevor e Christopher já haviam lutado contra essas forças no passado, com o uso do chicote
E embora seus esforços tenham sido heróicos, o mal nunca sucumbe para sempre. Enquanto existir luz, existirá escuridão.
Aproximadamente dois séculos atrás, Trevor Belmont foi o primeiro Belmont a "Derrotar" Drácula.
Entre 1476 e 1690, Drácula nunca fora ressuscitado. Até que, em 1691, um pequeno grupo de cultistas veio a oferecer tributo ao Lorde, que na época, encontrava-se em "sono profundo".
Castlevania, o castelo de Drácula, ressurge a cada 100 anos. Cada vez maior. Cada vez mais tenebroso.
O topo do castelo, com sua torre de relógio em frente da lua vermelha como sangue, era uma visão amedrontadora para a população.
Não só Transilvânia, mas toda a Europa seria encoberta por escuridão e uma cortina de sangue, com a ressurreição do Lorde.
E mais uma vez, era a família Belmont que estava destinada a impedir o véu vermelho de transformar a região em um mar de chamas e cinzas.
O grupo de cultistas deixava mensagens da ressurreição do Lorde através de toda a cidade, aterrorizando a população.
Pedaços de papel eram largados nas ruas, com mensagens como "Vosso Lorde retorna".
A volta de Drácula foi prevista por um Padre da igreja local, que logo em seguida, desesperado, avisou Simon sobre tal, implorando-o para que defendesse seu povo uma vez mais.
"É o meu destino, santo Padre. Não tens de suplicar-me."- Simon respondia, atendendo aos pedidos do Padre.
Embora o mesmo se sentisse relativamente nervoso-- Naturalmente, já que seria sua primeira Simon iria confrontar o Lorde, e empunhar o Vampire Killer como se deve-- Era o destino de sua família. E desde quando Simon se conhece por Belmont, se prepara para este dia.
Alguns dias após o aviso do Padre, Simon se preparava para sair de sua casa, e seguir em rumo de Castlevania.
"Então vai mesmo, Simon?"-Perguntou uma jovem moça que se encontrava ao lado de Simon em seus aposentos.
"E estou, esperando voltar em breve..."-Simon responde, enquanto encaixava uma armadura de aparência leve em si, apoiando o chicote em sua cintura.-"Isso é, se eu voltar."-Ele brincava.
"Ora, mas não brinque com tal coisa!"-A moça assustou-se um pouco com a brincadeira, só de considerar a hipótese do amado não retornar. Logo após o mesmo se preparar, a jovem abraçava-o pelas costas, através da armadura. -"Tu és um Belmont, meu querido...Sangue sagrado corre por tuas veias! Rezo por ti...Tenho certeza que tua viagem será uma abençoada!"
"Agradeço por sua preocupação, Regina."-Ele entreolhava a moça por entre seu obro-"De fato, sou um Belmont."-Logo, ele se virava e apoiava suas mãos sobre os ombros da jovem.-"Mas até o santo deve cair um dia. Vamos esperar, apenas, que hoje não seja o dia em que irei sucumbir ao maldito e a escuridão."
Após essas palavras, Simon foi até a porta e então, abrindo-a devagar, olhava para trás para olhar a amada uma última vez.
"Até, Regina." Foram suas últimas palavras para a moça.
Ainda era cedo. O céu, porém, estava escuro. E estava assim desde quando a volta do Lorde das trevas fora prevista.
Há semanas o sol não raiava, e nem era visto na chegada do crepúsculo.
O Padre também avisou o povo de Jova do destino de Simon, e que o mesmo iria encerrar o sofrimento causado pela maldição de Drácula que se aproximava.
Assim que pisou pra fora de casa, as pessoas se aproximavam. Rostos alegres, esperançosos. Rostos desesperados, com medo. Alguns desejando-lhe "Boa sorte!", outros, implorando "Salve-nos, Belmont!".
Todo esse afeto e aprecio da população era irônico.
Na era de Trevor Belmont, dois séculos atrás, a família Belmont era temida por seu poder extremo e passado escuro. Por isso, o povo tinha medo, e eles viveram exilados do resto do mundo.
E por décadas foi assim, até o dia em que Drácula veio.
Soldados da santa igreja foram enviados até o castelo de horrores, mas nem uma alma viva retornou. Alguns soldados voltaram como zumbis, sem um pingo de vida restante no corpo, e foram mortos pelos guardas de Jova.
Os esforços da igreja eram inúteis, uma vez que o poder de Drácula crescia a cada fiel morto e devorado.
Logo, o povo não teve mais opção. A família Belmont foi chamada, carregando seu poder. Representando-a, estava Trevor Belmont.
Após o fim do Lorde nas mãos do Belmont, a família foi reconhecida como uma de boas intenções, e disposta a proteger Transilvânia sempre que as forças do mal surgissem.
Atravessando a multidão que se formava em volta de si, ia até o portão da cidade. Lá, o padre lhe aguardava.
"Simon Belmont, filho santo..."-O Padre colocava um terço em volta do pescoço de Simon.="Que Deus abençoe tua jornada."
"Agradeço-lhe, Padre." Simon respondeu, fazendo o sinal da cruz.
Uma carruagem aguardava Simon no portão da cidade.
"Seguimos ao norte, atravessando a área da floresta. Chegando ao pântano, irei prosseguir sozinho."-Ele dizia, enquanto entrava.
A carruagem, logo, seguia seu rumo até o Castelo.
A floresta era extensa. Arvores enormes em volta da estrada úmida e cheia de pedras, o que danificava as rodas da carruagem, forçando-a a seguir lentamente.
Se não fosse pelos longos galhos e folhas incontáveis neles, cobrindo toda a visão do céu e do seu redor, Simon poderia avistar o castelo no horizonte.
A noite mal havia chegado e já era quase impossível ver qualquer coisa. A carruagem, porém, carregava duas tochas a sua frente, o que iluminava parte do caminho a frente.
Enfim, chegaram ao pântano. Como esperado, não era possível cruza-lo com a carruagem.
Simon então descia, e a carruagem se afastava. O homem que a conduzia, acenava.
"Que os santos estejam com você, Belmont!" Ele gritava.
Logo, Simon se encontrava só. Carregando apenas uma tocha em sua mão, e o chicote em sua cintura.
Afundou suas pernas na lama densa do pântano, andando lentamente, atento para seu redor.
Ele estava quase literalmente cego. Não sabia aonde exatamente estava, o mapa deixado por seus ancestrais não fazia sentido, e talvez estivesse até enganado, uma vez que o castelo muda de forma, e talvez, até de lugar a cada 100 anos.
Não sabia se lá fora já anoitecera. Não sabia o que estava em sua volta, ou quem.
Tudo que seus olhos podiam avistar era a chama fraca em sua tocha, em contraste com a escuridão da floresta, e um pouco de luz na distância.
Passou um longo tempo atravessando o pântano. Provavelmente horas. E depois de tal espera, chegou ao fim da floresta.
As pernas cobertas de lama, fazendo elas se sentirem pesadas. A longa caminhada também o cansou consideravelmente.
Mas, no fim, ali estava. Abaixo da lua vermelha como sangue, o céu escuro, nem uma estrela a brilhar. As pontes, torres, e o grande relógio no topo do castelo, estava tudo diante de seus olhos.
Era Castlevania. O castelo de Drácula.
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