Bloodborn Hunter
3 Capítulo 3: Demônio Interior
Notas iniciais
Assim que a noite cai Seraph e eu nos encontramos no local determinado para começarmos o nosso treinamento, um armazém abandonado nas docas da cidade, é um local bem afastado então ninguém notará a bagunça.
—Começaremos com o básico, evocação de armas –Estendo meu braço direito para o lado fazendo surgir um selo de evocação, vermelho e brilhante, a frente de minha mão, ao fechar meu punho o selo se desfaz e uma foice se materializa em minha mão –Assim como minhas pistolas ou minha foice você pode canalizar sua energia para materializar armas de todos os tipos, contudo a forma e modo de uso dela depende do poder e vontade do usuário.
Transformo a foice em duas pistolas para servir de exemplo para a próxima explicação.
—Por exemplo, armas a distância como essas duas aqui. Os projeteis disparados podem ser criados de duas formas, basicamente.
Jogo três alvos para o alto e os destruo com três disparos certeiros.
—A primeira forma é a mais fácil, você criará os projeteis do mesmo jeito que criou a arma, no meu caso eu evoco bala por bala nos carregadores das pistolas.
Novamente jogo alvos para o alto porém desta vez um raio de energia sai das armas.
—A segunda forma requer um pouco mais de treino, basicamente você canaliza sua energia em uma forma física e a dispara, simplificando é como se fosse um laser.
Seraph que observava com atenção e demonstrava uma certa expressão de admiração ou de surpresa.
—Deixe me ver se entendi... Posso materializar além de armas brancas como espadas, facas e machados, eu posso criar, por exemplo, um arco ou uma besta que dispara tanto flechas convencionais quanto energéticas, certo?
—Em teoria sim, mas tudo depende da vontade e capacidade mágica do evocador.
—Acho que entendi, agora como faço para evocar minha arma? –Pergunta Seraph num tom extremamente empolgado, parecendo uma criança que ganhou um brinquedo novo e não vê a hora de brincar.
—Estenda o seu braço, se concentre nos detalhes da arma, forma, mecanismo, tamanho, quanto mais detalhes melhor –Digo enquanto observo Seraph realizando os passos.
—Agora canalize a maior quantidade de energia em sua mão e molde esta energia na forma que quiser, recomendo começar com algo fácil como uma espada.
Seraph concentrou sua energia e uma esfera de energia, que brilhava num suave tom de azul safira, se formou em sua mão, aos poucos essa esfera tomou a forma de selos com padrões complexos que brilhavam na mesma cor que então se quebrou e formou uma lâmina curta e levemente curvada.
—Muito bom, os resultados foram como o planejado?
—Mais ou menos... Era para ser uma cimitarra porém a lâmina ficou curta de mais –Respondeu Seraph num tom de decepção.
—Entendo... isso acontece quando o fluxo de energia não é alto o suficiente, mas no geral você foi bem, a maioria das pessoas não consegue nem canalizar a energia, muito menos materializar alguma coisa, por mais pequena que seja –Disse para Seraph que ainda encarava a “faca” em suas mãos com um olhar de decepção
Caminho até uma mochila jogada no chão e tiro de dentro dela uma bolsa de sangue e a jogo para Seraph.
—Bem, foi um bom começo agora vamos tentar algo que você provavelmente vai adorar, vamos tentar despertar sua forma vampírica, primeiro de tudo, beba o sangue.
Seraph rasga o pacote com os dentes e então bebe em questão de segundos todo o conteúdo da embalagem.
—Para alcançar o estado de despertar você vai precisar se concentrar e canalizar todo o seu instinto selvagem, sede de sangue e intenção assassina em seu algo, ou seja, eu mesmo, se tudo der certo você irá despertar –Digo para Seraph que escutava com atenção.
—Entendido, vou tentar agora mesm...
—ESPERE! Antes de começar quero que saiba de uma coisa –Digo interrompendo Seraph num tom extremamente sério.
—E o que seria? –Seraph pergunta no mesmo tom.
—Se você não suportar a tensão de sua forma vampírica você irá perder o controle e se tornará uma criatura movida pela sede de sangue.
—E se isso acontecer o que você terá de fazer? –Pergunta Seraph preocupada
—Isso é obvio não é? Te matar é obvio –Respondo com um sorriso assassino.
—V-Você é louco... bem não parece que tenho outra escolha...
Seraph se concentra e em instantes o seu cabelo começa a se tronar branco, seus olhos começam a brilhar num forte tom de vermelho sangue refletindo o instinto selvagem e sede de sangue, uma aura assassina passa a rodar todo o seu corpo.
—O despertar foi um sucesso... agora que vem a parte difícil... –Sussurro para mim assim que vejo a transformação de Seraph.
A garota a minha frente permanece parada por alguns segundos até expor as garras e caninos, e avançar para cima com uma incrível velocidade e um sorriso diabólico no rosto
—Vejamos se você vai conseguir domar esta besta interior –Digo ao aparar seu primeiro ataque com minha foice ao mesmo tempo que a jogo para longe.
—Então, não leve para o lado pessoal, vou tentar enrolar o máximo possível, mas se demorar de mais vou ser obrigado a te matar... Boa sorte –Digo enquanto seguro minha foice com as duas mãos e também assumo minha forma vampírica.
Enquanto o corpo de Seraph estava duelando com Vlad, sua mente se encontrava em uma terrível batalha contra seu demônio interior.
—A... Aonde estou? ... Está tudo tão escuro, não consigo enxergar.
—Vejamos se você vai conseguir domar esta besta interior –Escuto a voz de Vlad como se fosse um sussurro em minha mente.
Permaneço parada por alguns instantes tentando descobrir o que estava acontecendo e onde estava quando, de repente, uma aura vermelha corta a escuridão, no centro desta aura estava uma figura familiar... era eu mesma... porem uma representação da minha forma vampírica.
—Acho que entendi o que está acontecendo aqui... então este é o teste... Devo derrotar minha forma vampírica antes que Vlad mate o meu corpo físico... Parece que isso vai ser divertido.
Corro em direção a minha “eu” e com toda minha força e velocidade começo a ataca-la repetidas vezes.
Todos os meus ataques são repelidos ou esquivados e na primeira abertura que mostro seu golpeada e arremessada para longe.
—Droga! ... Ela é muito forte, quase fui derrubada em um único ataque.
Percebo que minha forma vampírica se prepara para atacar, assumo, prontamente, postura de defesa e me preparo da melhor forma possível para o ataque.
A “sombra” avança numa velocidade impossível de se acompanhar, desafiando todas as leis da física, e em uma fração de segundo estava na minha frente.
Me defendo da forma que pude porem os ataques eram muito rápidos e fortes, era impossível esquivar ou defender algo do tipo.
Eventualmente minha defesa se quebrou e passei a receber os ataques diretamente, um após o outro, repetidas vezes, finalmente fui derrubada e jogada para longe.
—D-Droga... preciso pensar em algo rápido –Disse enquanto me levantava com dificuldades de me manter em pé.
—Tive uma ideia... mas se isso falhar é o meu fim.
Concentrei minha energia em minhas mãos e materializei uma faca de arremesso e a atirei contra a minha forma vampírica que por sua vez se esquivou como o esperado.
—Vejamos se consegue desviar disso –Materializo diversas facas iguais a primeira entre meus dedos.
Comecei a arremessar as facas, para cada faca arremessada outra era materializada, uma após a outra elas iam cortando o ar em uma incrível velocidade, porem isso não era o suficiente a sombra desviou de todas.
Por mais que minha sombra fosse rápida, eventualmente consegui a encurralar, arremessei três facas, todas em direção ao rosto, porém duas são refletidas e outra segurada.
—Achou mesmo que estes brinquedos seque me machucariam?
—Não... mas sabia que serviriam de distração.
—O que?!
Quando a sombra voltou a atenção sobre mim já estava a sua frente, rumo minha lâmina em direção ao peito de meu alvo que graças aos reflexos sobre humanos segura e redireciona meu ataque contra meu abdômen.
—Bem pensado... mas não o suficiente.
—E-Eu ainda não acabei.
Crio outra faca em minha mão esquerda e esfaqueio as costas da sombra que grita de dor, aproveito a chance criada e com a faca que antes estava cravada em meu abdômen corto a garganta de minha forma vampírica que cai no chão agonizando e então desaparece.
Perco minha energia e as facas desaparecem, então levo minhas mãos ao ferimento causado mais cedo e então sinto minha consciência se apagando e então desmaio.
Ao acordar percebo que voltei ao local onde estava treinando com Vlad, ao olhar para frente percebo que estava com as garras a mostra e a poucos milímetros do peito de Vlad, que segurava sua foice de uma forma que a lâmina quase encostasse em meu pescoço.
—Você conseguiu... quando perdeu o controle completamente pensei que teria que te matar... fico feliz que não precisei.
Guardo minhas garras e Vlad desmaterializa sua foice enquanto riamos, olho para uma janela e pelo reflexo vejo que estava com cabelos brancos e olhos vermelhos indicando minha transformação.
Olho para Vlad que demonstrava um olhar de aprovação, por algum motivo aquele olhar me animava e me deixava aliviada ao mesmo tempo.
—Seraph Blackheart! A partir desta noite esta forma representa sua ligação com a casa Nosferatu, a partir de hoje é uma verdadeira vampira.
—Sim senhor! –Digo enquanto me ajoelho.
—Heh... parece que está feito... você é a primeira em muito tempo a se provar digna de possuir sangue Nosferatu, por enquanto é só, continuaremos seu treinamento amanhã.
Estava me preparando para deixar o armazém quando Vlad me chama a atenção.
—Antes que eu me esqueça, pegue isto –Disse Vlad estendendo seu braço mostrando um rosário feito do que parecia ser prata em sua mão e uma gema vermelha no centro, talvez um rubi.
—Por que está me dando isso? –Pergunto curiosa e confusa.
—É uma das relíquias dos Nosferatu, a Gema de Sangue, ela foi fundida ao rosário para amplificar seus poderes, ela te ajudará a controlar seus novos poderes. Sem ela você poderá usar todo o poder do sangue Nosferatu porem isso a transformaria num ghoul mais rápido do que imaginar. Quando achar que pode controlar seus poderes sem a ajuda da relíquia eu a pegarei de volta –Respondeu Vlad antes de sair do local.
Mesmo após Vlad ter ido embora fiquei algum tempo no armazém olhando para o rosário, após isso coloquei o rosário como se fosse um colar e fui para casa.
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