Bloodborn Hunter
2 Capítulo 2: Observador
Notas iniciais
Desde aquela noite em que despertei meus poderes vampíricos eu ganhei uma espectadora inesperada durante as minhas caçadas, noite após noite aquela mesma garota vampira me segue, pensei em manda-la embora, mas não é como se a presença dela me atrapalhasse ou incomodasse, por hora decidi ignora-la.
Até que em uma noite...
Estava em um beco onde esperava por minha presa, deveria ser um trabalho fácil mas algo não me cheirava bem.
Senti a garota me observando das escadas de emergência de um prédio próximo, não sei o motivo mas senti que deveria a mandar embora nessa noite.
—Ei garota! –Disse para vampira que me seguia pensando estar despercebida.
—O-Oi... Espere! Desde quando você sabe que estou te seguindo? –Respondeu a garota que pulou das escadas e caiu na minha frente.
—Hum... desde sempre, você não sabe esconder sua presença, mas enfim, por que está fazendo isso? Melhor parar antes que se machuque ou pior.
—Sei cuidar de mim mesma, você mesmo já viu isso, além do mas eu não te devo nenhuma satisfação do que eu faço ou deixo de fazer.
—Primeiro, eu vi o que sabe fazer, confie em mim, você não duraria nem 2 minutos contra o que estou caçando essa noite. Segundo, aposto que você quer aprender mais sobre o seu vampirismo por isso está me seguindo desde então... estou certo? –Respondi num meio termo de seriedade e deboche.
—Não... sim é exatamente isso... –Respondeu a garota envergonhada.
—Bem deixe me dizer uma coisa garota, se ficar me seguindo pra cima e para baixo não vai aprender nada então volte pra casa antes que acabe se matando.
—Eu já te disse, posso me virar sozinha, e se eu me lembro bem você sofreu um pouco pra me derrotar antes de usar seus poderes vampíricos, como pretende lutar contra sua “presa” sem usar eles?
—Hahaha... A presa de hoje é uma piada, nem vai conseguir me distrair –Disse num tom de arrogância
—Você é muito convencido, sendo assim deixe me lutar... –A garota é interrompida por um forte estrondo seguido por tremores no chão que indicavam que a presa estava se aproximando.
Um monstro gigante de pelagem negra, chifres e olhos amarelos brilhantes apareceu, a sua forma se assemelhava bastante com a de um minotauro.
—Vou calar sua boca, fique parado e assista –Disse a vampira antes de correr em direção ao monstro.
—Ei sua idiota você não pode... –Sou interrompido pela vampira que grita –Fique quieto, não fale nada, não faça nada.
—Aquela idiota... preciso fazer algo ou ela vai acabar se matando –Digo enquanto evoco minhas pistolas e corro para ajudar a garota.
Miro nos olhos do monstro e disparo o fazendo ficar atordoado e cambalear por alguns instantes.
—Ei seu idiota! Eu não te disse para ficar apenas observando!
—Ele não é uma criatura normal, ele absorve a energia vital das presas para aumentar o seu poder.
—O que! –Disse a garota antes de ser agarrada pela criatura que em poucos instantes já havia drenado uma quantidade considerável de sua energia vital.
Começo a atirar no monstro porém os projeteis não surtem efeito algum. Desmaterializo as armas e corro em direção a criatura enquanto formava o círculo de evocação de minha foice.
Deslizo por entre as pernas do monstro enquanto cortava os tendões de seus calcanhares, o fazendo cair de joelhos. Logo em seguida salto desferindo um ataque em seu pulso, cortando sua mão e consequentemente libertando a vampira que teve quase toda a sua energia vital sugada.
—Garota teimosa, falei para não fazer nada estúpido –Disse enquanto carregava a garota para longe da criatura que estava se regenerando.
—Me... Me desculpe, você tinha razão, não durei nem 2 minutos contra ele... hahah... parece que acabei deixando o seu trabalho um pouco mais difícil.
—Não fale nada, ele drenou quase toda sua energia vital, se você se esforçar muito vai acabar morrendo. –Digo enquanto deitava a vampira no chão encostada numa parede.
—Meio irônico não? ... Um vampiro morrendo por ter a energia sugada... achei que éramos nós que fazíamos isso... –Disse a garota com uma voz fraca porem rindo
—Não seja tola, não quero que fiquem dizendo por ai que uma garotinha morreu por minha causa, apenas aguente firme enquanto eu finalizo o serviço.
Me levanto enquanto assumia minha forma vampírica, não por que o inimigo possuía tamanha força necessária para me fazer assumir tal forma, mas sim porque deveria acabar com a luta o mais rápido possível.
Encaro a criatura com uma intenção assassina tão forte que até um simples humano poderia perceber, assumo postura de combate e seguro firmemente minha foice.
—Criatura imunda! Se prepare para pagar pelo que fez!
Avanço com toda minha velocidade, ao me aproximar da criatura começo a desferir ataques com toda minha força e ferocidade, não pensava em nada além de trucidar o monstro a minha frente.
—MORRA INCETO! –Grito antes de desferir um poderoso ataque que separou a cabeça do monstro do resto de seu corpo.
Fico parado encarando o corpo da criatura, com meu corpo coberto com o sangue de minha presa, ofegante e em um estado de transe, demoro alguns instantes para recuperar minha plena consciência.
Corro até a garota e verifico seus sinais vitais.
—Ótimo, ela ainda está viva... mas não por muito tempo... odeio ter que fazer isso mas se não agir ela vai morrer.
Mordo o pescoço da garota para injetar o meu próprio sangue em seu corpo... se tudo der certo o corpo dela aceitará o meu sangue e junto com ele deverá desenvolver algumas de minhas habilidades incluindo minha capacidade de se regenerar.
O sangue injetado é o suficiente para me fazer retornar a forma humana, olho para os ferimentos da vampira e percebo que eles estão se fechando
—Consegui... ela vai ficar bem... –Sussurro antes de perder completamente minhas forçar e desmaiar.
Quando acordei vejo que estou deitado numa cama, vejo que já é manhã pela pouca luz do sol que vinhas das janelas pelas pequenas frestas que tinham entre as cortinas e a janela.
Me sento na beira da cama e percebo que estou vestindo apenas uma calça. Olho em volta e vejo que estou num quarto escuro de um apartamento, além da cama havia apenas um guarda-roupas e uma TV pequena.
Assim que tento me levantar a porta do quarto se abre e a vampira entra no local.
—Bom dia luz do dia, dormiu bem? –Perguntou a garota.
—Creio que sim... digo não lembro de nada, depois de derrotar aquela criatura tudo que me lembro e de acordar aqui.
Não estava falando toda a verdade, afinal ainda lembro de salvar a vida da garota... mas isso não é algo que tenho “coragem” de dizer abertamente.
—Ah! Muito obrigada por ter me salvado ontem, realmente, se não fosse você provavelmente teria morrido como um lixo qualquer.
—Me agradecendo por matar uma criatura fraca como aquela, até parece que fiz algo de incrível.
—Não estou falando disso... estou falando disso –Disse a garota apontando para as marcas de meus caninos em seu pescoço.
—Do que você está falando, não sei nada sobre essas marcas –Digo enquanto tento desviar o olhar.
—Você pode ser incrivelmente forte enquanto luta... mas mentindo é uma negação.
—Ok, ok eu confesso que injetei meu sangue em você para salvar sua vida... Satisfeita agora?
—Hahaha, bem melhor... –A garota me encarou por alguns instantes. –Bem, assim que vi estas marcas percebi que você havia feito algo, mas nunca me passou pela cabeça que teria ido tão longe assim.
—Igual me disseram uma vez, não sou obrigado a te dar satisfações sobre o que faço ou deixo de fazer...
—Engraçadinho... Mas mudando de assunto, quer dizer que eu tenho sangue Nosferatu correndo em minhas veias? Quer dizer que, mesmo indiretamente, eu faço parte da linhagem Nosferatu, a mesma do Rei Vampiro?
—Sim, e sim, e por ser o meu sangue isso meio que te faz a “princesa” deles...
—O QUE !? VOCÊ É O FILHO DO REI VAMPIRO!?
—Sim... mas não vá se alegrando muito pois eu sou um desertor do clã Nosferatu, perdi todo e qualquer direito ao trono quando desertei para me tornar um caçador.
—Um desertor? Isso quer dizer que a sua própria família o quer morto?
—Não exatamente, eles são obrigados a tentar me capturar e executar mas nem meus pais ou irmãos me querem morto
—Interessante... outra pergunta, por que você desistiu de tudo para se tornar um caçador? Digo, você é a elite da elite.
—Não suporto criaturas que quebram o tratado entre humanos e monstros e matam humanos inocentes apenas por diversão.
—Tratado? Nunca ouvi falar nada de um tratado entre humanos e monstros.
—Há muito tempo, um Rei Vampiro firmou um tratado de paz onde os monstros poderiam fazer o que quiser com os criminosos condenados e viver em harmonia, porém a grande maioria dos monstros ignoraram o tratado e continuaram a atacar inocentes. Não havia nada que o Rei pudesse fazer.
Após todas essas perguntas veio alguns instantes de silêncio, ficamos parados lá nos encarando, até que resolvo quebrar o silêncio.
—Parando pra pensar, eu ainda não sei o seu nome...
—Ah... me desculpe, me chamo Seraph Blackheart, mas pode me chamar de Seras.
—Seraph Blackheart? Um nome um tanto quanto interessante devo dizer, prazer em conhece-la Seraph, vejo você de noite- Digo enquanto me levanto e pego minhas coisas.
—Como assim?
—Agora que você tem o meu sangue você deve treinar para que ele o aceite como hospedeira.
—Mas ele já não aceitou?
—Apenas no primeiro momento, o poder ainda está fraco, quando ele despertar completamente seu corpo deve estar devidamente preparado.
—E se não estiver?
—Se não estiver o sangue ira lhe recusar como hospedeira e você se transformará num ghoul, uma criatura que vive apenas para matar e se alimentar, digamos que é uma espécie de vampiro zumbi.
Após dar o aviso digo onde iremos nos encontrar para iniciar o treinamento e então saio do quarto.
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