BloodMan-Interativa
5 Capítulo 5: Um vale no fim do caminho
Notas iniciais
Após os acontecimentos no laboratório da Intelligence, os três Bloodman, Alice, Katherine e Tekky, e o fantasma Jake se encontravam na praia, Alice ainda estava inconsciente no ombro de Tekky, já era noite, todos estavam cansados e esperavam ter um pouco de paz e sossego, pois todos estavam com sono, cansados e molhados devido ao que ocorreu no laboratório, o grupo andava pela praia sem dizer uma palavra. A areia da praia subia por um pequeno monte de areia, passando por uma faixa média de grama que era conectada com a calçada, que era separada da rua por um pequeno muro de tijolos, o grupo começou a andar pela calçada, pois a areia começava a incomodar os pés de Katherine e não davam equilíbrio necessário para Tekky, que segurava Alice em seu ombro, Katherine ia mais rápida, pois não carregava Alice, mas de tempo em tempo parava dando tapas no ar, tentando acertar Jake que não parava de implicar com a garota.
– Eu não queria dizer, mas pode apressar o passo Tekky? – Katherine para e se vira para Tekky, com as mãos na cintura.
– Se não pode ver, estou com a Alice no meu ombro... – Tekky para de falar e joga Katherine no chão, põe Alice ao lado de Katherine e se joga no chão.
– Ei! O que está fazendo?! – Katherine foi interrompida com a mão de Tekky em sua boca.
– Eles ainda estão nos procurando... – Tekky sussurra, levantando sua cabeça para ver quantos eram os inimigos.
Na rua, três picapes com metralhadoras nas caçambas, acompanhadas de alguns soldados particulares dos laboratórios, de tempo em tempo um helicóptero com uma forte luz que tentava inutilmente rastrear os fugitivos.
– Hm... Hm..! HM!!! – Katherine tentava respirar, quando começou a dar socos na cara de Tekky, que a soltou na hora.
– Desculpe – Tekky respondeu indiferente, ainda olhando a rua e vendo os carros passarem.
– Idiota... – Katherine resmungou.
– Desculpa cortar o barato, mas ainda estamos sendo perseguidos sabe? – Jake aparece sentado no pequeno muro que separava a estrada da calçada – Sugiro que entrem naquela construção abandonada e só saiam amanhã. – Disse o fantasma apontando para um projeto falho de um prédio, com poucos pontos luminosos dentro da mesma, mostrando que algumas pessoas habitavam tal local.
Katherine entrou, seguida por Tekky, que segurava Alice em seu outro ombro, e Jake, que flutuava junto ao grupo. O primeiro andar do prédio era terrível, um cheiro intenso de fezes e urina, além de pichações na parede, certas vezes feitas com fezes, alguns drogados estavam caídos no chão, outros estavam fazendo uma roda, em volta de um barril que queimava por dentro, deixando o local iluminado. Katherine tropeça no corpo de um homem morto, que espumava pela boca, overdose, a mesma se assusta no momento, porém se recompõe e apressa seu caminhar, Tekky dá uma risada abafada, enquanto Jake ria sem parar, botando sua mão na barriga e apontando para a garota, que fica vermelha e começa a subir a escada de cimento que levava para o próximo andar, que tinha o total de quatro andares. Olhares pervertidos e curiosos pairavam sobre o grupo, até que um mendigo se aproximou do grupo.
– Olá, meu nome é Denzel, precisam de ajuda? – O homem perguntou.
– Sim, mas em suas condições, como poderia nos ajudar? – Tekky perguntou indiferente.
– Mais respeito Tekky! – Katherine exclamou – Me desculpe, ele é meio inconsequente.
– Não se preocupe, eu o entendo, realmente, olhe para mim, já era de se esperar, mas eu conheço alguém que poderá. – Disse Denzel sorrindo, subindo as escadas, fazendo um sinal com a mão para que o grupo o seguisse.
Tekky tomou a dianteira, segurando Alice agora nas costas, Katherine ficou curiosa sobre o porquê dessa atitude de Tekky, mas o acompanhou juntamente á Jake.
– Chegamos. – Disse Denzel, abrindo uma grande porta de ferro, que era fechada com um cadeado e algumas correntes. – Lucio? – Denzel perguntou, batendo levemente com a mão fechando na porta de ferro já aberta.
Em resposta uma tampa de lixeira foi lançada para o teto, e de dentro da lixeira saiu um homem, um pouco velho pela barba, mas também podia se considerar alguém mais novo, devido ao local que estava.
– Convidados? – Lucio tentou andar, porém cai no chão, pois ainda estava na lixeira.
– Lucio, lembre-se, não dá pra andar de dentro de uma lixeira! – Disse Denzel, ajudando ele á levantar.
– Estou em uma lixeira? – Lucio perguntou, quando olhou para baixo e notou onde estava – Pensei que estava no espaço!
– No espaço há estrelas, idiota! – Denzel deu um leve soco na cabeça de Lucio.
– Tá bom, tá bom, eu admito, eu estava dormindo naquela lata de lixo, mas vamos ao que importa, quem são os convidados? – Diz Lucio se levantando e tirando poeira da roupa.
Quando o grupo se aproximou do barril que estava aceso para se apresentar, conseguiram ver como eram as pessoas, Denzel não era muito baixo, porém não era tão alto também, era magro, parte de seu cabelo estava á mostra e era castanho claro e escorrido mais era coberto por uma bandana vermelha, em sua boca havia uma máscara médica branca, seus olhos eram cobertos por um óculos negro, com as lentes também negras e as lentes eram presas por um elástico também negro que passava pela parte de trás de sua cabeça, utilizava um casaco azul escuro que estava furado em alguns pontos, em seu pescoço um cachecol vermelho um pouco sujo, em suas mãos haviam luvas, elas pareciam luvas normais de couro, porém algumas pontas de seus dedos estavam nuas, mostrando assim que aquele par de luvas foi usada para várias atividades, usava uma grossa calça jeans com alguns cortes e lugares rasgados, que foram remendados com outras peças de roupa e simples sapatos cinzas, Lucio era um pouco mais alto que Denzel, mas não muita coisa, seu cabelo era negro e espetado, um de seus olhos estava enfaixado, possuía uma barba por fazer, utilizava as mesmas roupas de Denzel, porém com cores diferentes do mesmo.
– Eu sou... Hilary, aquele é o... – Katherine é interrompida por Tekky.
– George... – Disse o jovem rapaz em um tom seco.
– Aquela é a... Letyce. – Katherine respondeu apontando para Alice, que demonstrava sinais de consciência.
Era óbvio que estavam usando nomes falsos, caso Denzel e Lucio trabalhassem para o laboratório da Intelligence, o grupo poderia se cobrir por um tempo, porém se eles trabalhassem mesmo para a Intelligence eles não teriam chance, pois estão em seu limite, e eles teriam um momento perfeito para uma emboscada. Após um pequeno jantar composto por algumas latas de feijões e algumas latas de sardinha o grupo se dirigiu para um pequeno quarto, com janelas fechadas por placas de madeira, um barril cortado na metade emitia a luz do fogo que queimava baixo, com três colchões de água em cada parede da sala e uma porta de madeira que era trancada por uma corrente, podia-se ver as intensas luzes dos faróis dos carros do laboratório, e uma chuva que parecia cair por uma eternidade, cada um se sentou em suas respectivas camas, todos olhavam seriamente para a ofuscante luz do fogo em meio ao quarto, Alice já havia recobrado a consciência, porém sentia fortes dores de cabeça.
– Bom, poderíamos aproveitar esse tempo para nos conhecer melhor, o que acham? – Alice disse um pouco empolgada, levantando sua cabeça que estava entre seus joelhos.
– Não acho um momento um bom para fazermos esse tipo de coisa. – Respondeu Tekky, sem retirar seu olhar para o fogo.
– Ah vamos lá! Estamos juntos há quase uma semana e apenas sabemos o nome de um do outro, como acham que conseguiríamos manter um grupo assim?! – Alice esbravejou.
– E quem disse que eu me juntaria a você? Por qual motivo eu faria isso? – Tekky quebrou o silêncio, quando os olhares de todos voltaram para o garoto. – Já fiquei preso o suficiente dentro daquela merda de laboratório, não vai ser agora que uma garotinha que acha que pode mudar o mundo que vai me prender á uma missão inútil. – Tekky não retirava seu olhar das chamas quando respondeu friamente Alice.
– Ela te salvou Tekky! – Katherine exclamou, se levantou com os braços cruzados para o garoto.
– Agora você acha que vai ajudar essa garota em alguma coisa?! O mais próximo que irão conseguir é sua morte, o mais rápido o possível! – Tekky respondeu olhando nos olhos de Katherine.
– Missão inútil? MISSÃO INÚTIL? – Alice respondeu Tekky, se levantando furiosa – Tudo o que eu quero fazer é dar liberdade para vocês! Confesso que sou fraca e ainda tenho muito a aprender, mas... Mas... Eu quero pelo menos fazer algo para pessoas como nós! Você gostaria de enfrentar aquele inferno novamente?! O que eu busco é a nossa liberdade e direitos...
Alice é interrompida por Tekky – Não temos direitos... – Tekky disse friamente.
Então nós os faremos. – Katherine se levantou indo ao lado de Alice – Se você Tekky, acha que vai encontrar liberdade só porque saiu daquele laboratório, você está errado, talvez, só irá encontrar problemas, eu estou com Alice, só falta sabermos de sua decisão.
Tekky esboça um pequeno sorriso escondido – Hum... Agora que temos um motivo concreto... Acho que poderei utilizar meus poderes para algo útil. – Tekky olha para Alice – Estou contigo!
Alice logo começa a dar pequenos saltos de felicidade, enquanto Katherine olhava para Tekky com um leve sorriso no rosto. Um certo tempo depois o grupo começou a se conhecer melhor.
– E então Tekky, como foram descobrir dos seus poderes? – Disse Katherine que olhava para as chamas do barril.
Tekky abaixa um pouco a cabeça – Eu tinha sete anos na época, e no local onde morava havia uma rixa entre uma quadrilha e a polícia, a confusão durou aproximadamente uns quatro meses, parecia que todos os meus vizinhos e os moradores do local haviam morrido, por sorte nós ficamos vivos, mas... Mas, tudo o que é bom dura pouco não? Alguns dias depois alguns membros da quadrilha entraram em nossa casa, meu pai tentou reagir, mas tomou três tiros e caiu morto, minha mãe os assustou com um grito e eles acabaram a matando, eu não consegui aguentar, e como me contaram no laboratório, parece que eu havia surtado, disseram que eu arranquei dois ossos de meu corpo, os transformei em espadas e matei o grupo, mas não só o grupo, como a quadrilha e a maioria dos policiais do local, foram necessárias duas dozes de iridium líquido destilado para me fazerem desmaiar, e foi assim que parei no laboratório. – Tekky respondeu a pergunta de Katherine também olhando ao fogo.
– Entendo, desculpe-me por perguntar. – Katherine respondeu.
– Tudo bem, isso já passou, mas e então, quais são seus poderes Katherine? – Tekky perguntou, olhando para a garota agora.
– Ah sim! – Disse Alice – Parece que são bem diferentes não? Você até conseguiu mexer com o Jake! – Completou Alice.
– Ah... Não são tão incríveis, são até um pouco medonhos, como minha Necromância e a Umbracinese... – Disse Katherine tentando fugir do assunto.
– Umbracinese? – Perguntou Alice.
– Umbracinese é o poder de controlar as trevas e sombras, podendo até mesmo criar uma realidade alternativa de sombras. – Respondeu Tekky.
– Mas como conseguiu tocar no Jake? Bom, eu sei que ele tá morto, mas a Necromância não funciona somente com corpos? – Perguntou novamente Alice, interessada no assunto.
– Sim, é... Que... – Katherine não queria responder sobre sua Auracinese, quando é “salva” por Denzel que entra no pequeno quarto.
– Desculpa por interromper, mas parece que vocês terão que sair daqui hoje. – Disse Denzel com uma expressão preocupada.
– O que houve? – Perguntou Katherine, se levantando.
– Parece que os guardas da Intelligence descobriram onde vocês estão. – Denzel respondeu abrindo a porta por completo.
Fora do quarto, do outro lado da parede, Lucio tentava conter os guardas que tinham tentado arrombar a porta, os braços de Lucio eram totalmente metálicos, assim como seus pés que estavam presos ao chão.
– Leva as crianças agora Denzel! – Lucio gritou para Denzel, que assentiu com a cabeça.
– Esperem! Vocês são Bloodman’s? – Perguntou Alice curiosa, sem entender a situação.
– Sim, assim como a maioria desse prédio, mas resolvemos renegar nossos poderes e vivermos como pessoas normais. – Disse Denzel apressado, pegando algumas mochilas.
– Vai rápido com isso Denzel! – Grita mais uma vez Lucio, que deixa a porta se abrir um pouco, fazendo com que dois guardas entrem rapidamente.
Denzel então levita dois vergalhões de metal e atravessa os corpos dos dois guardas, jogando-os do prédio.
– Agora peguem isso e vão! – Denzel pressiona para baixo uma alavanca na parede, que deixa um fundo falso cair, revelando um médio elevador de corda.
– Não! O que vocês vão fazer?! – Pergunta Alice preocupada com Denzel e Lucio.
– Vamos cuidar deles até que vocês fujam! — Denzel jogou uma mochila para cada um. – Soren!
– Denzel gritou o nome de alguém, logo um garoto desce de umas escadas que eram presas na parede e subiam, levando para uma espécie de terraço.
– O que é Denzel? – Disse Soren enquanto puxava seu estilingue e algumas pequenas bolas de aço e “carregando” seu estilingue.
– Leva eles para o outro lado da cidade. – Denzel entregou um papel um pouco amassado para Soren. – É o mapa dos esgotos, e vê se não entra em uma confusão hein!
– Tá, tá, vou tentar, mas e quanto a vocês? – Pergunta Soren carregando sua mochila.
– Nós iremos cuidar de tudo! Agora vão! – Denzel grita.
Do outro lado da sala, Lucio arranca a porta, usando-a como escudo e desce batendo em todos os guardas que estavam nas escadas, nesse momento no canto que Denzel e Soren estavam, um helicóptero apareceu, com um atirador na porta lateral, apontando para a cabeça de Denzel, quando Soren atira uma de suas bolinhas no atirador, a bolinha atravessa a mira do rifle, que acerta o olho esquerdo do atirador juntamente com cacos de vidro, que entram ainda mais fundo com o impacto do pequeno projétil de metal, o mesmo desesperado cai tentado estacar o ferimento com alguma coisa em seu redor, Denzel levita mais um vergalhão e o atira na cabine, que atravessa a cabeça do copiloto e o piloto, que deixa o helicóptero começar a cair e o faz bater nos carros dos guardas na rua.
– Certo Denzel, se cuida! – Diz Soren entrando no elevador, já apertado pelos quatro três sentados no mesmo.
– O mesmo para você Soren! – Denzel sorri, levantando seu polegar direito.
Ao começarem a descer veem outro helicóptero, Denzel tenta atirar mais um vergalhão no homem sentado na porta lateral, o mesmo desvia e pega o vergalhão, o torcendo, desce lentamente do helicóptero, abrindo grande asas negras e fazendo sua mão virar uma lâmina de gelo, rapidamente corta a cabeça de Denzel, a última visão que tiveram foi a do rosto do assassino, um olhar frio e penetrante, com sua face coberta por uma máscara de gás manchada de sangue e seus cabelos pratas também manchados com o sangue de Denzel, mas perdem a visão do homem, pois o elevador é coberto pela parede de cimento ,pouco tempo depois que o elevador começa a descer, o grupo ouve um grande barulho de explosão, depois ouvem um barulho em seguida, mas esse era mais próximo, pois era o da corda se partindo, fazendo o elevador despencar até o chão, a queda não era muito alta, pois já era a metade do elevador, quando o grupo termina a descer do elevador para os esgotos, eles ouvem um outro barulho, que parecia ser o de algo bater no metal, que ecoou por todo túnel de esgoto, todos um pouco assustados pela última visão que tiveram de seu amigo Denzel, se viram para ver o que era, não estavam longe do elevador, mas também não tão perto, o elevador em poucos segundos se tornou numa densa chama vermelha arremessando todos ao chão inconscientes.
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