BloodLust
2 Teatro dos Vampiros
Notas iniciais
Shayera estava sentada na cama de Wally. Eles assistiam a um filme juntos quando os créditos subiram. Wally desligou a TV e fitou uma Shayera muito quieta.
─Você está ok?
─Por que não estaria?
─Por causa de ontem, você...
Ela colocou o dedo em sua boca, fazendo-o se calar.
─Estou bem, Wally. Venha aqui.
Ela o puxou para si e o beijou. Ele envolveu os braços ao redor dela, aceitando as caricias. Shayera era mais forte e começou a empurrá-lo para baixo, para a cama.
─Você está tão quente...
─Shay...
─Confie em mim, certo?
─Wally. ─A senhora West chamou. ─Nossos convidados chegaram.
─Já desço, mamãe. ─Ele ainda respirava com dificuldade, e Shayera olhava para ele de um jeito engraçado. ─Salvo pelo gongo?
─Não me venha com piadas. Eu ataquei você.
─Foi legal. Me sinto estranhamente excitado.
Ela riu, e o abraçou.
─Vamos descer antes que ela venha verificar a gente.
Diana usava um vestido vermelho. Sua mãe, Hipólita, tinha uma galeria de arte e elas tinham um jantar com seus melhores clientes.
─Não se preocupe, querida. ─Disse a senhora West a Diana. ─Temos um filho da sua idade e vocês poderão conversar enquanto os adultos tratam de negócios.
Ela sorriu. Wally desceu as escadas, seguido por Shayera. Sua surpresa foi grande ao ver a amiga da escola em sua casa.
─Diana? O que faz aqui?
─Vocês se conhecem?
─Estudamos juntos.
─Então não preciso apresentá-los. Este é meu filho, Wally. E esta garota bonita ─Apontou para Shayera ─, é uma amiguinha dele, Shayera.
─Meu tio está se apresentando em Los Angeles pelo fim de semana e me deixou fazer uma visita ao Wally.
O coração do rapaz parou com a mentira de Shayera. E se Diana a desmentisse?
─Pois eu fico muito feliz com sua presença. Janta conosco?
─Não, obrigada. Tenho planos para a noite.
─Vou levar você até a porta.
─Shayera é um amor. Faço muito gosto dela.
Diana cruzou os braços.
─Se você diz...
Wally arrastou Shayera até a porta.
─Por que disse aquilo? ─Sussurrou. ─Diana sabe que é mentira.
─Tenho certeza que ela não vai me desmentir. Boa noite.
Ela o beijou de leve, tomando cuidado para não se atirar novamente sobre ele, e então se foi.
*****
─Aquela Shayera é uma mentirosa. ─Diana disse ao entrar na biblioteca. Seus amigos e seu observador a esperavam. ─Tenho certeza que esconde alguma coisa.
─E por que acha isso?
─Ela mentiu para os pais de Wally na minha frente. Não confio nela.
─Como sabe que ela mentiu? ─Era John.
─Shayera estava na casa de Wally e disse que estava apenas como uma visita quando eu sei que ela mora na cidade.
─Ainda acho que está tirando conclusões precipitadas.
─Só porque gosta dela. Você...
Diana se calou quando as portas da biblioteca se abriram. Wally entrou, e foi recebido por alguns pares de olhos.
─Hã... eu fiz alguma coisa?
─Talvez possa explicar as mentiras de sua amiga. ─Diana cruzou os braços.
─Shay não mentiu. O tio dela é um ilusionista e ela realmente mora em Las Vegas com ele, mas veio passar alguns meses na cidade.
─Ainda não acredito. ─Diana chegou mais perto. ─Está mentindo.
Wally deu de ombros.
─E por que eu mentiria? Volto outra hora.
Mais que depressa, o ruivo saiu da sala.
*****
Shayera abriu seu armário quando um envelope caiu. Ela olhou de um lado para outro, e se encontrava sozinha. Mesmo desconfiada, abriu o envelope. Havia um convite em estilo gótico, todo preto, com letras em vermelho.
─Teatro dos Vampiros. ─Ela leu. ─Convite vip para a sessão das dez e meia. Venha sozinha?
Guardou o envelope em sua bolsa e saiu.
*****
Wally estava na sala, com os fones de ouvido escondidos, quando Diana sentou a seu lado. Ele a fitou assustado quando ela segurou seu braço.
─Vai me fazer um monte de perguntas estranhas de novo?
─Não, Wally. Vim pedir-lhe desculpas. Não devo desconfiar de você só porque eu e Shayera não nos damos bem.
Ele assentiu e deu uma leve risada.
─Você ficaria surpresa em descobrir o quanto é parecida com a Shay.
─Parecida? Com ela? ─Ela então decidiu mudar de assunto. ─O que está ouvindo?
─Dave Matthews. ─Estendeu um dos fones a ela. ─É legal.
Diana alegremente aceitou e se juntou a ele.
*****
Quando a noite surgiu, Shayera fez seu melhor para parecer agradável para sua visita ao “Teatro dos Vampiros”. Ela nunca antes soube do lugar, mas, pelo visto, eles sabiam sobre ela.
Colocou um vestido num tom vermelho fechado, de alças e curto. Usava meia calça e uma bota preta. Escovou os cabelos para trás e encontrou uma pequena bolsa, cujo tamanho era perfeito para caber o convite, e uma faca. Era do outro lado da cidade, então ela saiu para não perder a hora.
*****
Em meio ao cemitério, Diana lutava contra um vampiro. Ela o chutou e ele cambaleou. Diana tirou uma estaca do bolso e atirou contra ele. Em instantes, o vampiro era poeira. Bruce surgiu do meio das sombras.
─Encontrei isto.
─Teatro dos vampiros? ─Indagou. ─Pensei que fosse apenas um teatro gótico para os ricos da cidade.
─Talvez não seja. Devemos mostrar a J’onn.
*****
Era surpreendentemente cheio o teatro dos vampiros. Aquelas pessoas todas bem vestidas, algumas cobertas de jóias, destoavam do visual gótico punk de Shayera. E todos a encaravam.
─Shayera? ─Uma voz feminina chamou e ela teve que se virar.
O casal se aproximou. Shayera deu seu melhor sorriso ingênuo.
─Senhor e senhora West? Que surpresa ver vocês aqui...
─Também não esperava vê-la. ─Retrucou. ─Pensei que tivesse ido embora.
─Bem, eu...
Um rapaz com roupas do século XVII se juntou ao grupo. Tinha cabelos compridos, presos em um rabo de cavalo. Sua pele era muito branca e, apesar de jovial, tinha algo de sinistro sobre ele.
Ele se colocou atrás de Shayera e segurou seus ombros.
─Com licença, funcionários entram pela porta dos fundos...
Shayera se voltou para o homem. Ele continuou a falar.
─Esta nobre dama foi muito bem recomendada.
─Não sabia que você seguia os passos do seu tio, minha querida.
─Me desculpe. ─Ele puxou Shayera. ─Mas estamos atrasados.
Longe dos pais de Wally, Shayera se soltou.
─Eu tenho um convite.
─Eu sei. ─Seu rosto se transformou. ─Bem vinda ao teatro dos vampiros.
Ela deu um passo para trás, e tentou fugir, mas ele a segurou pelos braços.
─Você está certa onde deveria estar. Não tente ir embora antes de ouvir nossa proposta.
Shayera concordou e o vampiro a soltou.
─Desculpe meus modos. Meu nome é Liam.
─Shayera.
─Nós sabemos. Ouvimos falar muito a respeito de você.
Liam mostrou-lhe uma porta, que dava para um longo corredor e entrou. A ruiva o seguiu.
─Olhe que estou há apenas dois dias aqui. Como sabem sobre mim?
─Seu cheiro é de um vampiro, apesar de sair na luz do sol e viver como os humanos.
Ela riu.
─E você tem um teatro para entreter humanos.
─Você acha?
Liam parou diante de uma outra porta e a empurrou. O fedor de sangue e morte invadiu suas narinas e ela teve que cobrir o rosto para não vomitar. Havia gaiolas, algumas lotadas de pessoas.
─Isto é...
─Horrível? Diz isso um vampiro que mata a própria espécie.
─Se você não percebeu, sou metade vampiro. ─Cruzou os braços.
Liam puxou-a novamente. Seguiram por uma escada, o caminho todo ele a guiava. Acabaram saindo na parte de trás do palco, onde pode ver a apresentação. Uma moça estava no palco, rodeada de vampiros.
─O que vão fazer com ela?
─É a lei da vida, minha cara.
Em pouco tempo, ela jazia sem vida no chão. Outra pessoa era trazida, e Liam empurrou Shayera para o palco.
─Um presente para você, aproveite.
A ruiva o segurou pela camisa e deu-lhe uma rasteira.
─Peguem-na! ─Gritou.
Porém Shayera corria, descendo as escadas e abrindo caminho pelos vampiros que vinham sobre ela. Mesmo encontrava na segurança do lado de fora, não parou de correr.
*****
Wally dormia quando alguém bateu em sua janela. Ele levantou e foi ver quem era.
─Shayera? ─Sussurrou. ─Sabe que horas são?
─Preciso de sua ajuda. ─Disse e mostrou-lhe uma bolsa. ─O que acha de fogos de artifício?
─Não estamos um pouco longe...?
─Isto será um pouco diferente...
*****
Os dois amigos pararam diante do prédio em estilo gótico. O dia amanheceria em breve, então Shayera imaginou que Liam e os outros vampiros estariam dormindo.
─Ei, meus pais assistiram uma apresentação aqui ontem.
Ela mexeu na bolsa e tirou um galão de gasolina e uma caixa de fósforos.
─Vamos colocar esse lugar abaixo.
─O que? Por quê?
─Eles são vampiros, Wally. E não vou deixá-los vivos.
A ruiva tinha uma espada presa as costas. Segurou a espada, enquanto entregou a Wally a gasolina e os fósforos.
─Vai entrar?
─Tem pessoas lá e vou tentar tirá-las.
─E... quando eu começo o fogo?
─Agora.
Antes que Wally retrucasse, ela correu para dentro.
*****
Os vampiros dormiam em caixões com a aproximação do sol, e as pessoas se amontoavam nos cantos das gaiolas. A fumaça logo começou a subir, e Shayera teve que se apressar. Encontrou um molho de chaves e abriu as gaiolas. Acenou para as pessoas saírem, enquanto terminava seu trabalho.
Quando abriu a última gaiola, alguém segurou seu pescoço e a atirou contra a parede. Sua visão escureceu, mas voltou a tempo de ver Liam correr sobre ela. Com um golpe certeiro da espada, sua cabeça se separou do corpo e ele logo era poeira.
Outros vampiros vieram sobre ela, nada que sua espada não resolvesse. O calor aumentava, e logo o caminho foi encoberto pela fumaça. Shayera ouvia os gritos dos vampiros queimando, e ela esperava que todas as pessoas tivessem saído.
Ela não tinha mais tempo, e correu para fora.
*****
Wally ajudava as pessoas do lado de fora quando ela saiu. Sentou-se do outro lado da rua, observando o teatro ser consumido pelas chamas. Logo, eles ouviram o som das sirenes e viram as pessoas atordoadas os encarando.
─Acho que é hora de ir.
Shayera aceitou a mão de Wally e os dois correram pela rua de mãos dadas, rindo e meio chamuscados pelo fogo.
*****
J’onn e Diana seguiram as sirenes e chegaram a tempo de ver o fim do teatro. Diana não tinha certeza, mas jurava que ouviu a voz de Shayera enquanto seguiam o caminho oposto. J’onn se embrenhou na multidão, e pegou parte das conversas, onde surgiu a palavra vampiro. Mais além, encontrou uma mochila feminina e uma espada semelhante a uma katana.
Ele olhou dos escombros, para os objetos encontrados. Havia um caçador na cidade?
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