Blood5
3 Pesquisas nada Satisfatórias
O coração de Valentim subiu até a boca. O garoto queria sair correndo dali o mais rápido possível. Estava tentando recuar pra longe da multidão e sentiu seu corpo esbarrar em alguém. Frio! Pensou ele e virou-se rapidamente. Era ele! James!
— Eu disse que você não iria querer ver isso! — James falou em tom de sermão e tentou segurar Valentim.
— Não me toque! — Valentim se desesperou e empurrou o homem para longe dele.
Algumas pessoas começaram a notar o que acontecia entre os dois rapazes e Valentim saiu correndo empurrando algumas pessoas que reclamavam sobre o ato. O garoto se dirigiu o mais longe possível dali e tentou respirar. Precisava achar o seu carro.
— Você não está em condições de dirigir, Valentim. Parece-me muito abalado depois do que aconteceu. — Disse James que seguia o garoto.
— Quem é você para me dizer como estou depois de ver dois corpos mortos? — Valentim jogou na lata.
James balançou a cabeça em negativa.
— Você sabe que não são apenas dois corpos mortos! — James jogou verde. Ele tinha quase certeza que Valentim sabia de alguma coisa.
— O que? Do que você está falando? — Perguntou Valentim nervoso.
James segurou a vontade de rosnar para aquele moleque magricela e loiro na sua frente.
Valentim se afastou alguns centímetros de James.
— Eu preciso sair daqui. — Falou o loiro sério e ignorando James. Correu em direção ao seu carro e partiu para longe dali.
James ficou a observar o carro que partia em alta velocidade, o homem não demorou muito e saiu caminhando devagar, sem pressa. Não queria ser notado por ali.
(...)
Valentim caminhava pelo quarto, estava apenas de cueca boxer vermelha, os cabelos loiros amarrados em um pequeno coque e um óculos grande no rosto.
— Eu tenho certeza do que vi! — Falou Valentim ao telefone. O garoto parecia nervoso, estressado. Não estava em um dos melhores momentos. Os últimos dias vinham sendo muito estressantes. — Muito bem, Gus. Eu vou descobrir isso sozinho. Está bem? — Valentim desligou o telefone e o jogou longe na cama.
Resmungou e sentou-se no chão do quarto. Abraçou as próprias pernas e ficou em silêncio. Levantou-se determinado e correu até o computador que estava sobre uma pequena mesa no canto do quarto.
Digitou no google Vampiros Smith, lenda.
A internet discada estava meio lenta, mas logo carregou os resultados. O garoto clicou no primeiro resultado. Os vampiros de Connor O’Hill. Era o nome do blog.
“Vampiros andam sobre nós. Como? Não sabemos! Mas eles conseguem andar pela luz do sol. Não acredita? Em anexo temos algumas fotos de cartas de 1799; Fundação de Connor O’Hill. Reza a lenda que a cidade foi fundada pelo coronel Albert Smith *. Um dos vampiros mais fortes da história.”
Valentim abriu mais uma aba e jogou no google sobre a fundação de Connor O’Hill. A deixou carregando e voltou para a sua leitura.
“Albert Smith pai de cinco filhos (todos vampiros, e criação do seu pai) fundou a cidade, mas depois de descobrirem sua real identidade, mataram e queimaram a aberração. Os filhos fugiram, mas juraram vingança. Segue fotos em anexo.”
O jovem loiro abriu os anexos e ficou horrorizado com as fotos da morte do tal vampiro. As excluiu logo e apagou a lixeira. Voltou para a leitura.
“Em anexo fotos dos filhos Smith’s, apelidados de blood five, ou cinco filhos do sangue.”
Valentim abriu as fotos dos filhos, e chocou-se ainda mais a ver as fotos de James e de seu novo professor.
O garoto fechou o notebook rapidamente e se afastou dali. O telefone começou a tocar. Valentim caminhou lentamente.
“Numero desconhecido.”
Número privado, tarde da noite? Valentim ficou com o pé atrás, mas resolveu atender.
— Eu sei que você sabe! — A voz falou seca ao telefone.
Valentim arregalou os olhos e sentiu um frio percorrer o seu corpo.
— Q-Quem está falando? — O rapaz perguntou com a voz tremendo de medo.
— O seu assassino. — A voz do outro lado da linha falou. A ligação se encerrou.
Valentim olhou para a tela do celular. Perplexo. O garoto jogou o celular longe e correu em direção ao banheiro. Arrancou os óculos que tinha no rosto e ligou a água da pia. Só poderia ser um trote. Lavou o rosto e tentou manter a calma.
— Acalme-se, Valentim. Nada pode lhe acontecer! — Falou para si mesmo e ouviu a companhia tocar.
Desceu a escada correndo e olhou pelo olho mágico.
James.
O garoto sentiu o corpo congelar.
— Vá embora! — Gritou Valentim se afastando da porta.
— É melhor você me dar permissão para entrar. Ou farei você sair! — Resmungou James friamente.
— O que? — Valentim perguntou com medo.
— Diga para que eu entre! — Rosnou James!
— Não! O que você está fazendo aqui? Está meio tarde para uma visita! — Valentim falou enquanto procurava alguma coisa dentro da gaveta, encontrou uma tesoura. A segurou atrás das costas.
— Diga que eu posso entrar! — James falou seco, e mais bravo que antes.
Valentim engoliu em seco.
— Entre! — O garoto falou num sussurro.
A maçaneta da porta girou e a mesma se abriu. James entrou em casa. Vestia uma calça jeans presta, mas não usava camiseta. O peito forte e musculoso a mostra.
James gargalhou ao notar a tesoura atrás das costas de Valentim.
— É com uma tesoura que você vai se defender de um vampiro? — James perguntou caminhando na direção de Valentim que estava imóvel. Arrancou a tesoura das mãos do menor e sorriu. — Eu deveria usar ela pra cortar a sua jugular e depois beber todo o seu sangue!
— Você não faria isso! — Valentim arriscou.
— E por que não? — James perguntou de forma irônica.
— Não sei... Mas acho que não quer me machucar! — Valentim foi sincero.
James sentou sobre o sofá do garoto e indicou para que o mesmo sentasse ao seu lado.
Valentim continuo parado no mesmo lugar.
—Sente-se! Agora! — James ordenou.
Valentim sentou-se no sofá mantendo uma distância “segura” de James.
— E conte-me o que te leva a achar que não vou mata-lo. — James completou.
Valentim engoliu a saliva lentamente e baixou os olhos.
— Você não parece querer me machucar. Não tem jeito de um predador. E se fosse fazer alguma coisa, teria feito quando nos conhecemos. Seria um momento perfeito, mas não o fez!
— Não o fiz porque você não sabia sobre mim ainda! — James respondeu seco.
Valentim ficou em silêncio.
— Fale! — Disse James, seco.
— Pra que? Você não irá matar-me? — Perguntou Valentim.
— Estou decidindo ainda! — James falou sorrindo.
— Isso é divertido pra você? — Valentim disse sério e olhou para James.
James coçou o queixo.
— Você deu sorte que meu irmão não veio comigo. — Disse o vampiro.
— Quem? O meu professor? — Valentim perguntou sério.
— Aha, você já o conhece? — Perguntou o vampiro em tom de brincadeira.
Valentim revirou os olhos.
— Não faça isso novamente! — Ameaçou o vampiro e rosnou para o garoto. Depois voltou a se comportar como humano. — Não vim para matá-lo. Apenas avisar que se você contar para alguém você será um brinquedinho para os meus irmãos.
— Alguém acreditaria se eu contasse? — Valentim desafiou.
— Está avisado! — James disse e saiu da casa numa velocidade nada normal para os humanos.
Valentim respirou fundo e sentiu o corpo mole como gelatina. Levantou-se do sofá e caminhou até a porta, a fechou e encostou-se a ela. Fechou os olhos e sentiu as lágrimas escorrerem.
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