Blood on the hands
20 Conversa com um amigo
Notas iniciais
O olhar ao me reconhecer se suaviza e logo um sorriso hesitante o segue:
–E aí baixinha? –pergunta Joe, ao analisar o estado de meu casaco seus olhos se arregalam –O que houve com você? Foi atropelada ou algo do tipo? –pergunta espantado.
Dou uma risada sem humor:
–-Fiquemos com “algo do tipo”. –respondo. –Onde estão Joseph e Elizabeth?
Não os avisto em lugar algum, nem outras pessoas além de nós dois e do cadáver jogado na cadeira:
–-Ah, eles... foram resolver uns... problemas... –responde olhando para o chão.
Percebo que ele ainda está com a arma na mão e não tiro meus olhos da mesma, também percebo que ele não dá nenhuma indicação de aproximação, ele parece um pouco tenso, ficamos em silêncio por um tempo, eu olhando para a arma e ele para o chão:
–-Então... Não vai fugir graças ao que presenciou aqui? –pergunta levemente hesitante.
Franzo o cenho:
–-Deveria?
–-Bem, muitas pessoas teriam medo...
Ele conseguiu... solto muitas gargalhadas:
–-Joe, você é hilário! Já presenciei muitos assassinatos e eu mesma já cometi vários!
–-Você?!
–-Bem, o rio da vida está cheio de pecados, prefiro beber o sangue em minhas mãos. –digo com um meio sorriso me referindo há uma música.
Então o sorriso de Joe se torna verdadeiro e ele tenta vir me abraçar, mas eu recuo, isso o confunde:
–-Achei que não estivesse com medo...
–-E não estou, mas você ainda está com a arma na mão e não quero isso apontado para mim!
Ele ri:
–-Não irei atirar em você! Vê? Está apontada para o chão!
Bufo:
–-Claro, é muito complicado erguer um pouco o braço...
Ele ri:
–-Sou profissional, nunca iria atirar por acidente!
Ergo as sobrancelhas e cruzo os braços, ele é legal e tal, mas não confio em ninguém com uma arma, ele percebe que ainda estou encarando a arma e suspira colocando-a no chão:
–-Melhor?
–-Muito.
Então finalmente ele vem e me envolve num abraço, ele acaba tocando em alguns cortes e eu me encolho disfarçadamente, porém ele percebe:
–-Sério, o que houve com você?
Suspiro, vim aqui para fugir de falar nisso, mas era de se esperar que perguntassem...
–-Nada que precise se preocupar.
–-Tem certeza? Se precisar da ajuda da gangue, sei que Joseph iria adorar ajuda-la, faremos o possível e impossível para que quem a machucou pague!
Abro um meio sorriso:
–-Está duvidando de minha capacidade?
–-Não! Quer dizer... te conheço, mas... bem, nós adoraríamos lhe ajudar! Você é quase membro, e mexeu com um mexeu com todos!
Dou de ombros, mas sinto um leve orgulho por ser considerada quase membro:
–-Agradeço a oferta, mas é desnecessária. O que houve aqui para que o cara ali tenha sido morto?
–-Ah, ele era um duas caras, trabalhava para uma gangue rival implantado na nossa, assim implantavam provas em crimes que não cometemos, o bêbado stripp e sua parceira foram resolver isso com outros membros.
–-Interessante... algo que eu possa fazer?
–-Qual a justiça, você nos ajudar enquanto não podemos lhe ajudar? – ele diz com um sorriso debochado.
–-Estou entediada, então seria algo para eu fazer, motivos totalmente egoístas. –digo sinceramente.
Ele ri:
–-Nossos motivos também seriam egoístas, nós poderíamos falar que ajudamos a Grande Incendiária.
–-Legal, ainda tenho essa fama!?
–-Tem.
–-Uau, e faz tempo que saí de circulação, deveria fazer alguma coisa para relembrar...
Ele ri e coloca um braço em meus ombros:
–-Pensaremos em algo para você.
–-Agradeço, mas novamente, acho que sei decidir o que queimar ou não...
–-Como provas e trabalhos na cara de professores? –ele diz relembrando o tempo em que nos conhecemos, tempos tão inocentes...
–-Isso era divertido...
–-Era...
Ficamos um tempo relembrando o passado e dando risadas em alguns momentos, como quando ele colocou sapos na sala dos professores ou quando interditou os banheiros com papel higiênico, é, eu não fui a única anjinho... Logo vejo a hora, faltava pouco para o sol nascer, então resolvo voltar para casa, ele me acompanha até a parada de ônibus e eu chego na casa do Cachorrinho alado e subo pela parede novamente, não havia nenhuma diferença no quarto e tudo estava silencioso, então jogo-me na cama e finalmente apago.
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