Blood of LOVE
9 Capitulo VIII
Notas iniciais
Capitulo VIII
– Derek -
Depois daquela noite posso afirmar que as coisas começaram a se tornar complicadas, se é que já não estavam. Porém, como contrapartida, eu e Stiles parecíamos ficar mais próximos a cada minuto, a cada momento, mesmo com as confusões; nossas mentes pareciam se sincronizar aos poucos. Eu podia sentir nele algo tão forte e escondido que me surpreendia. Ele era inteligente, enérgico e conseguia me fazer esquecer que existia um mundo do outro lado.
Flash Back – ON
– Nós? – Eu falei meio confuso, mas depois sorri e aproximei minha boca da dele e sussurrei: – Nós somos mais do que namorados...
Depois que nos beijamos levei um susto ao ver o pai dele parado na porta nos encarando com um olhar calculista, mas até mesmo com uma pontada de alegria. Pelo visto parecia que ele estava meio satisfeito com a situação, porém seu lado “pai” o mandava se mostrar autoritário e também fazer algo a respeito da cena.
Stiles se embolou todo para explicar a história de que eu e ele estávamos namorando... Eu ria vez ou outra da situação, mas não estava muito nervoso, pois eu já esperava que uma hora aquilo fosse acontecer.
– Pois bem – ele disse tirando os olhos do filho e indo até mim –, eu espero Derek que você seja mais responsável do que Stiles! Eu já esperava que isso fosse acontecer, afinal de contas ele estava desesperado para falar com você e eu tinha quase certeza que “isso” iria dar certo.
– Claro senhor Stilinski. Vou tomar conta dele muito bem!
– Você é maior de idade garoto – ele aproximou a boca do meu ouvido e sussurrou: – e eu sou o xerife... Se você magoar, ou machucar meu filho, eu te prendo, ou pior...
– Já chega senhores! – Stiles disse com urgência puxando o pai para longe de mim.
Stiles conseguia ficar completamente desajeitado em uma situação como aquelas, mas conseguiu manter segredo de todos os... segredos. O que foi muito bom para nós! Porém ele disse algo que eu não esperava ouvir:
– Pai, Derek pode ficar aqui por uns tempos? – Ele perguntou convicto e firme.
O senhor Stilinski o encarou incrédulo, e eu confesso que eu também não estava conseguindo acreditar no que eu tinha acabado de ouvir. Mais do que apressadamente ele começou a explicar que eu estava sem onde ficar, e que estava na minha casa velha e destruída. Também afirmou que começaríamos a arruma-la depois das aulas dele, e que não faríamos nada de mais.
– Tudo bem – o pai dele disse sorrindo e eu admito, estava mais abismado ainda. – Espero que goste de futebol Derek, pois você terá a obrigação de me fazer companhia as quartas, e vai dormir aqui na sala, além disso, quero vocês em casa no máximo às nove da noite. Entendido?
Stiles o abraçou e eu o dei um aperto de mão. Comemos pizza que Stiles esquentou no forno e ficamos conversando sobre diversas coisas. O pai dele não parecia relutante àquela ideia de eu passar uns tempos na casa dele, ou nem demonstrava aquela ferocidade de minutos atrás quando ele me ameaçara. Pelo contrário, parecia que ele estava gostando da ideia de ter mais alguém naquela casa.
Depois de conversarmos sobre os Beatles, futebol, carros e como Stiles era desajeitado e tagarela em tudo o que fazia, nós fomos todos nos deitar. O senhor Stilinski foi logo para sua cama e nos deixou a sós. Stiles arrumou o sofá o mais confortável possível e eu me deitei.
– Obrigado – agradeci.
Ele se sentou ao meu lado e me beijou, foi um beijo longo e intenso terminado em pequenos selinhos. Sorri para ele.
– Ainda não acredito que seu pai está aceitando isso mais rápido até do que nós – falei.
– Querendo ou não, Derek, você já é um velho conhecido. Meu pai conhecia sua família, e sem falar que você passou grande parte da sua vida aqui, conversando com ele e comigo. Não estou muito surpreso de ele confiar em você.
– O que também indica que ele buscou minha ficha criminal dos últimos anos!
Nós dois começamos a rir.
– Com toda certeza, mas acho que se você tivesse feito algo de errado ele teria te prendido a um bom tempo! – Stiles me olhou me beijou novamente e se levantou. – Agora vamos dormir. Boa noite, Grandão!
O vi subir as escadas e ir para o quarto. Quando ouvi o barulho da porta se fechando tratei logo de dormir.
Flash Back – OFF
– Derek, acorda – Stiles disse me acordando. – Vamos para a escola!
A ideia de ir à escola depois de formado não é muito agradável, mas eu tinha que ir para ver tudo mais de perto e ficar atento caso alguma coisa acontecesse. Scott poderia estar lá e atacar Stiles, ou Lydia poderia mostrar algum sinal do que ela é, ou algo que poderia nos ajudar.
– Eu ainda acho que deveríamos contar tudo a ela – afirmei convicto.
– Não! – Stiles disse irritado. – Seria uma péssima ideia. Sem falar que a deixaria mais confusa. E se ela não for nada do que Allison está pensando? Vamos esperar e ver o que vai acontecer... Temos que dar tempo ao tempo.
Calei-me e concordei com a situação. Eu não tinha muita certeza sobre a questão do esperar, afinal estávamos correndo contra o próprio tempo para descobrir como deter o alfa, ou até mesmo quem ele é... Scott sabia quem ele era, mas arrancar essa informação dele seria quase que impossível.
– Eu vou tentar falar com Scott – Stiles afirmou frio. – Quero ver o que ele tem a dizer...
– Não gosto dessa ideia – retruquei me focando no volante enquanto dirigia o jipe de Stiles para a escola.
– Mas ele ainda é meu amigo, Derek. Preciso saber como ele está, se ele tem salvação ou algo do tipo! Quero entender o que está acontecendo com ele. Só fique por perto, caso algo aconteça você entra em cena.
– Tudo bem, mas eu vou te dar cinco minutos com ele, senão eu vou aparecer entre vocês e te tirar de perto dele...
Acho que meu lado lobo estava se mostrando mais naquela frase do que eu. Stiles riu da minha cara e me deu um beijo doce no rosto o que me fez acalmar. Eu o dei um soco no braço de leve e ele soltou um “ai” sarcástico.
– Seu grosso! – Ele me insultou ironicamente.
– Isso é por ser tão irritante, sabia?
– Idiota...
Ele começou a rir e fomos conversando sobre como arrumaríamos a minha casa que estava aos pedaços. Nós dois faríamos do nosso jeito, com nosso esforço. Seria algo para chamar de nosso! O plano era construir algo bem simples ao lado da casa destruída, como se ela fosse ficar lá como uma lembrança que fazia parte de quem sou eu. Seria um ótimo lugar para chamar de lar, nosso lar.
– Não estou dizendo que vou morar com você assim que acabarmos a casa... É só que ela pode ser projetada para ser nossa, entende? Ai quando tivermos resolvido todos esses problemas, eu já tiver feito uma boa faculdade, isso supondo que eu passe em alguma, e quem sabe eu já esteja trabalhando, talvez eu vá para lá...
– Stiles – eu disse quando parei o carro. O encarei. – Vai ser ótimo ter algo nosso!
Eu o dei um selinho demorado e então ele sorriu e saiu do carro.
– Te vejo mais tarde Grandão.
♦♦♦
– Stiles –
Pelo menos algumas coisas boas estavam acontecendo depois de dias turbulentos como aqueles. Derek agora passaria ficar lá em casa até construirmos sua nova casa. Meu pai estava gostando dele e se adaptando melhor até mesmo do que eu.
– Scott – ouvi Allison me chamar quando entrei na escola.
Fui até ela normalmente, mas senti meu coração bater mais rápido. Eu tinha medo do que poderia ouvir dela, ou que poderia ter acontecido. Já tinham acontecido tantas coisas que eu acho que nada mais poderia me surpreender. Quando me aproximei ela me abraçou e sorriu.
– O que vai fazer hoje à tarde, digo, você e o Derek?
– Bem... Nós estávamos pensando em construir uma pequena casa ao lado da casa destruída dele, para ter onde ele morar.
Ela me encarou confusa.
– Mas só você e ele? Construindo uma casa?
Daquele jeito que ela tinha perguntado fez parecer que toda aquela ideia era uma grande idiotice, o que de fato era. Só eu e ele construindo uma casa? Levaríamos muito, muito tempo para terminar. Então ligou para o pai dele e pediu que ele mais os amigos da família, que eu imaginei que eles seriam tão “amigáveis” quanto Chris Argent, fossem até lá para nós ajudar, e ela também iria.
– Muito obrigado... Eu acho... – Falei meio acanhado.
Allison era uma ótima amiga no final das contas, e estava do meu lado nessa batalha contra o alfa assassino, e confiava em Derek o suficiente para lhe dar a chance de viver e ficar comigo tranquilamente ajudando a proteger Beacon Hills.
O sinal tocou e fomos para nossa aula de química. Ela contou algumas coisas mais sobre o mundo dos caçadores e lobisomens. O que eu achei muito interessante. Mas na verdade eu queria saber sobre Lydia.
– Como ela está Lydia? – Perguntei.
– Estou bem aqui! – A própria Lydia disse surgindo entre mim e Allison. – Aqui está Stiles Stilinski... O namorado de Derek Hale! Quem diria!
– Espera... Como você sabe?
– Allison me contou.
Encarei Allison com um olhar interrogativo e ela simplesmente colou a bolsa na frente de sua bolsa tampando a vergonha. Depois voltei a olhar Lydia e tomei fôlego para falar algo, mas a Senhora Modelo Exemplar da escola foi mais rápida.
– Não se preocupe! – Ela sorriu e me abraçou, o que foi uma surpresa. – Você sempre foi um amigo para mim, Stiles. Apesar de que você é bem irritante às vezes. Eu te darei todo o apoio...
De repente ela parou de falar e notei que seu olhar ficou distante.
– O que foi? – Allison perguntou mostrando um pouco de aflição.
– Estou sentindo cheiro...
– Cheiro? De que? – Perguntei confuso.
– De lobo – A voz de Scott soou como facas cortando meus ouvidos por dentro.
O encarei atentamente. Há primeiro momento ele parecia tão normal quanto eu, mas seu sorriso malicioso e o olhar feroz mostravam algo completamente diferente. Ele me encarou frívolo e eu estremeci. Aquele não era meu melhor amigo... Pude ver dentro daqueles olhos profundos que algo estava o cegando. Não sei como percebi aquilo, mas eu podia sentir uma espécie de...
–... Pedido de socorro – Lydia disse olhando para Scott incrédula. – Sinto cheiro de pedido de socorro – ela repetiu e Scott a analisou de cima a baixo o que me deu muito medo.
– Vamos logo! As aulas já vão começar!
Puxei Allison, que não parecia nem um pouco amigável, e Lydia, que parecia estar em um transe perfeito. Empurrei-as delicadamente para dentro da sala quando Scott segurou meu braço e me fez olhar para ele forçadamente.
– Não sei o que Derek te contou, mas eu preciso conversar com você.
– Derek me contou o suficiente – afirmei atônito. – Podemos conversar, mas na hora do intervalo, ok?
– Ok – ele respondeu e saiu andando corredor afora.
Entrei na sala e me deparei com Lydia de volta ao normal. Allison me olhou e balançou a cabeça o que entendi como um “não pergunte nada ainda”. Simplesmente sorri e me sentei ao lado de Danny, o meu amigo... Também gay. Era engraçado agora ver aquilo.
– Olá Stiles, ou devo dizer, senhor Hale – ele disse sarcasticamente.
– Poxa! As noticias se espalham rápido por aqui!
Virei-me e encarei Allison ameaçadoramente ela se encolheu se deu um sorriso torto de desconforto. A aula passou normalmente. Conversei com Danny a respeito de Derek e Scott, e ele simplesmente me disse para dar um tempo a Scott e mostrar a ele o que realmente há entre nós: irmandade.
Quando o sinal do intervalou ecoou eu fui para fora da sala.
– Eu e Lydia já vamos – Allison disse.
– Vamos fazer compras! – Lydia disse com o maior gosto. – Porque, fala sério, o guarda-roupa da Allison é terrível!
– Tudo bem – afirmei. – Só vou conversar com Scott e depois vou também...
Lydia segurou meu braço com uma força incrível, o que era muito estranho vindo daqueles braços finos e delicados.
– Cuidado... – Ela falou me encarando com uma convicção tenebrosa. – Scott não é o mesmo... Ele parece estar... se escondendo dentro dele mesmo.
Acenei positivamente e depois as duas saíram. Pela segunda vez, em um curto período de tempo, Lydia comprovou o que Allison estava supondo. Ela tinha algo de diferente, que lhe dava um poder estranho, como uma clarividência ou coisa do tipo. Tentei desviar minha mente daquilo e procurei por Scott.
Por fim o encontrei na quadra onde o diretor fazia suas palestras de final de mês. Ele estava sentado na arquibancada me esperando com aquele olhar frio e o sorriso malicioso. Lydia tinha razão... Ele não era o mesmo!
♦♦♦
– Scott -
Vi Stiles entrando na quadra. Ele parecia imponente e autoritário vindo em minha direção, eu sabia que ele deveria estar me odiando naquele momento, mas algo estava me fazendo gostar de cada momento em que eu o fazia sentir raiva e irritação por mim. E eu sentia o cheiro de Derek, o que deixava tudo um pouco mais divertido.
Eu queria saber o que Stiles estava pensando de mim depois de saber as novidades de Beacon Hills. Peter disse para que eu fosse cauteloso, pois com toda certeza ele tentaria descobrir mais sobre o alfa assassino, e seria um problema que aquela história fosse revelada. Mas ele me pediu algo interessante...
“Brinque com ele”, Peter falou. Ele queria que eu brincasse com a mente de Stiles, mas eu tinha que descobrir como faria aquilo.
– O que você quer Scott? – Ele perguntou sem entonação.
Eu desci da arquibancada e fiquei cara a cara com ele.
– Você tem cinco minutos – Stiles avisou.
– Sem problemas, vou gastar menos do que isso.
Pude ver uma pontada de tristeza nos olhos dele o que mexeu com uma parte de mim que eu já tinha me esquecido desde a transformação. Eu comecei a lembrar de quando éramos grandes amigos, e nada mais que isso. Será que eu estava confundindo meus sentimentos ao pensar que estava apaixonado por ele?
Pare com isso Scott!, eu me reprimi.
– Por que fez isso? – Ele perguntou por fim. – Você faz ideia de quem está apoiando nisso tudo?
– Eu sei o que estou fazendo! – Falei nervoso. – Fiz tudo isso porque quero você, Stiles. Nada mais que isso. E Derek está no meu caminho... Só fui atrás de meios para tira-lo da minha frente e ficar com você.
– Seu idiota! – Stiles gritou e me deu um soco no rosto.
O soco não foi muito forte, mas foi bom o suficiente para remexer comigo por inteiro. Olhei no fundo dos olhos dele e vi que lágrimas escorriam pelo seu rosto. Eu estava acabando com sua mente...
– Eu sempre fui seu Scott! Sempre fui seu irmão, seu melhor amigo! Te apoiando, te aconselhando, e, claro, ouvindo seus conselhos e aceitando sua ajuda quando eu precisava. Sempre estivesse com você nas brincadeiras, nas aventuras! Em tudo!
A fúria dele estava saindo aos poucos... O que estava me dando uma sensação estranha era como se aquelas palavras não fossem apenas palavras, era como se elas entrassem na minha mente e mexessem as peças de volta para o lugar. Não era algo sentimental, ou no sentido figurado. Eu realmente sentia uma onda de poder exalando até mim e mexendo no meu cérebro pouco a pouco. Mas aquilo não era suficiente... Eu o queria mais do que como amigo! Eu o queria para mim, só para mim!
– Eu não vou aceitar isso Stiles – avisei. – Esse jogo está apenas começando!
– Então isso é um jogo para você?
Não aguentei e soltei uma gargalhada.
– Para mim? Não... Mas para o Hale, talvez.
– Hale? Você quer dizer Derek?
Em poucos instantes eu descobrir como bagunçar sua cabeça, e eu estava fazendo tudo direitinho.
– Se você acha que tem outros Hales vivos...
De repente ele não pareceu tão abalado assim quanto eu tinha calculado que era para ele estar. Era para ele pensar que Derek era o único Hale vivo e que ele estava brincando com sua mente, simplesmente brincando. Mas algo no jeito de Stiles me olhar, e a insinuação de um sorriso, me deram a impressão de que ele estava se sentindo vitorioso.
– Para mim já chega Scott... – Ele disse e começou a andar para fora da quadra.
Eu estava paralisado. O que poderia ter deixado Stiles com aquele ar de vitória? O que ele sabia que dava a impressão de que eu tinha acabado de entregar uma chave-de-ouro a ele?
– E fique avisado Scott, se você tocar em um dos meus amigos, ou principalmente em Derek, eu arrumo um jeito de acabar com você! – Ele me ameaçou com toda convicção.
– O que pretende fazer Stiles? – Perguntei demonstrando mais aflição do que deveria.
Ele parou na porta e se virou para mim com um olhar mortal e ofensivo... E, por alguns segundos, tive a impressão de que seus olhos brilharam em um tom de cobre intenso e vivido como se ele não fosse... Humano... E então ele disse:
– Tente e você descobrirá!
Fale com o autor