Blood of LOVE
3 Capitulo II
Notas iniciais
Capitulo II
– Stiles -
Ver Derek... Ali, parado na minha porta, sem mais nem menos não era uma das coisas que eu mais esperava para fechar meu dia. Mas meu coração acelerou e o contemplei mais uma vez. Como ele era tão bonito que conseguia despertar aquele sentimento que eu lutava bravamente para não ter? Como ele conseguia?
– O que você quer? – Perguntei. – Entre.
– Obrigado.
Ele entrou e analisou a casa. Fiquei meio agitado.
– É desculpa a bagunça! – Falei. – Meu pai é meio porco às vezes, e você sabe, não tenho uma mãe para cuidar da casa e essas coisa, então só sobra eu como dona de casa... Não que eu ache isso ruim, mas é que chega a ser meio exaustivo. Talvez por eu ser um homem...
– Stiles! – Derek me interrompeu. – Não precisa dar satisfações. Só estou aqui para lhe fazer algumas perguntas...
– Tudo bem – respondi. – Desculpa... É que eu sou meio hiperativo às vezes.
– Meio? – Ele retrucou. – Eu diria que isso é te elogiar.
Ele tinha um jeito grosseiro e frio... Era um pouco incomodativo, mas certos momentos, como aquele, por exemplo, chegava a ser divertido.
– Okay. Do que se trata afinal?
Derek suspirou e me encarou com aqueles olhos fatais. Senti meu corpo estremecer esperando que ele falasse algo. Não sei por que, mas ele fez uma feição meio interrogativa que surgiu ao mesmo tempo em que a aceleração do meu coração.
– Vou ser direto – ele disse por fim. – O que você e Scott viram noite passada?
– É... Bem... – eu não sabia bem o que responder, e muito menos se deveria responder. Ele era um estranho, tecnicamente falando... Eu não sabia se passar informações para ele seria uma ideia muito boa, mas também descobrir o que ele queria era tentador para mim. – Eu não fiquei por lá tempo o suficiente para ver algo... Se for isso que quer saber. Mas Scott viu.
– E você sabe o que ele viu?
– Sim... Eu sei – respondi meio hesitante. – Você já deve saber que a policia encontrou o corpo de uma mulher pela metade na floresta, mas só a parte abaixo da cintura. Scott disse que chegou a ver a outra metade... Mas saiu correndo quando viu um par de olhos vermelhos no meio das arvores.
Derek ficou tenso como se aquilo significasse algo para ele. Fiquei meio intrigado com aquilo... Ele continuou me encarando como se quisesse que eu falasse mais. Então o fiz:
– Ele não se feriu se quer saber, e muito menos viu o “monstro” cara a cara – falei fazendo aspas no ar. – Só isso que sabemos.
– Tudo bem... – Ele disse por fim e deu as costas indo rumo à porta. – Obrigado.
Meus instintos queriam que ele ficasse mais. Que conversasse mais comigo, eu queria saber o que estava sentido. Se era atração ou apenas foi a sensação de ver uma “lenda” viva na minha frente. Eu concordo que a ultima opção foi ridícula, mas minha mente tinha que arrumar opções.
– Espera – falei por fim. Ele me olhou confuso. – É... Obrigado... Por achar a bombinha do Scott, e você sabe, ter entregado ela. Foi uma grande ajuda, porque ele é asmático e sem ela ele poderia morrer... Não que ele realmente fosse morrer simplesmente assim sem ela... Mas é que sei lá...
– Stiles – ele me interrompeu – você fala de mais sabia?
– É já me disseram isso...
– E eu gostei... – Ele disse com um meio sorriso e foi embora.
♦♦♦
– Scott -
Por que eu estava tão tenso? Geralmente eu era o garoto mais relaxado do mundo! Mas ver Stiles daquela forma... Corado e tenso por causa de Derek... Tirou-me do sério! Eu sempre soube que um dia eu teria que ser sincero com ele. Falar o que eu realmente pensava a respeito dele. Eu não aceitava aquele fato... Ele era Stiles! Oras! Apaixonado por Lydia desde a terceira série.
Eu sabia o que tinha acontecido com ele e com Nathan há uns dois anos atrás. Eu sabia que ele era meio... Gay. Digamos assim! Mas eu não podia aceitar aquilo... Não sei por que, não era preconceito. Era uma sensação diferente; se fosse preconceito eu nem conversaria mais com ele. Será que eu estava gostando dele? Ou era simplesmente o desejo de ajuda-lo ou de tentar achar uma solução?
Meu nervosismo estava subindo cada segundo mais, porém, quando recebi uma mensagem de Allison me dizendo que estava a fim de marcar algo comigo, meus pensamentos mudaram completamente. Ela era incrível, bonita e muito simpática. Seria uma boa oportunidade para mim. Poderia até conseguir uma namorada! Quem sabe não é mesmo?
Fiquei conversando com ela por mensagem até que adormeci e esqueci toda aquela história do Derek e do Stiles. Pelo menos eu esperava esquecer... Mas algo me dizia que não seria simples assim. Tinha algo a mais no meio de tudo isso que estava me incomodando... E muito!
♦♦♦
– Stiles -
Na manhã seguinte eu não esperava nada de muito emocionante. Já era sábado e não tínhamos aula. Provavelmente eu ficaria sentado sem nada para fazer durante o dia todo. Mas, não sei por que, tinha uma parte de mim que queria ir até Derek e chama-lo para sair... Não sei, talvez fosse idiotice, mas a vontade de vê-lo era tão intensa que me corroía por dentro, ah, e claro, minhas unhas por fora.
Sentei no sofá e liguei a TV no History Channel, estava passando um documentário sobre criaturas místicas e lendas. Eu adorava aquele programa! Fiquei observando eles falarem sobre os famosos dragões e depois sobre as górgona da mitologia grega. Era tudo muito interessante para um garoto como eu.
– Não vai sair hoje Stiles? – Meu pai perguntou vestindo sua farda, com toda certeza estava indo para o serviço.
– Não. – Respondi voltando a ver TV.
– Tudo bem então... – Ele comentou quase que sussurrando. – Caso você saia, tranque a casa, Okay?
– Sim, senhor.
Ele me deu um beijo na testa e saiu.
Continuei ali vendo o documentário quando eles começaram a falar sobre os lobisomens... Era a primeira vez que falavam deles. Prestei bastante atenção ao que a apresentadora dizia, em cada palavra e em cada detalhe.
“Lobisomens são os famosos licantropos. Sua origem deriva de diversas mitologias, mas a que mais é utilizada é a maldição de Zeus. Sua aparência é marcada por três formas. A primeira consiste em uma transformação completa de lobo, no qual o homem se torna por inteiro no animal. Muitos pesquisadores dizem que estes são especiais entre todos! Já a segunda forma é bípede com pernas do animal, o corpo robusto, grande, peludo e musculoso, sem mencionar a cabeça animalesca e assustadora que faz conjunto com os olhos avermelhados...”.
Olhos vermelhos?, me questionei.
“... A terceira forma, a mais conhecida, consiste em um humano que ganha a força, a velocidade, presas, olhos dourados, um crescimento parcial de pelos e garras. Ele não é capaz de mudar muito suas características humanas, porém é consideravelmente perigoso por estar em constante guerra em sua mente. É importante ressaltar que, durante as noites de lua cheia, os lobisomens perdem o controle total de seu animal interior sendo capazes de coisas incrivelmente horríveis.”
Naquele momento minha mente associou cada detalhe! Os olhos vermelhos que Scott viu naquela noite, que a proposito era de lua cheia. Derek aparecendo no dia seguinte com sua bombinha e, se me lembro de bem, ele disse para termos cuidado, principalmente em noite de lua cheia. E depois a curiosidade dele de saber o que vimos... Era tudo muito estranho!
Não começa Stiles, me questionei. Como eu podia estar pensando que havia um lobisomem em Beacon Hills? Era muito surreal, sem citar a parte de que aquilo era uma lenda, um mito, nada que tinha sido comprovado cientificamente!
Minha cabeça já estava doendo com aquelas ideias malucas... Então resolvi sair e andar na floresta. Talvez eu tivesse sorte de encontrar Derek por lá, ou talvez eu mesmo fosse ver sua antiga casa... Será que ele morava lá? Eram tantas perguntas que eu tinha sobre ele.
Quando estava entrando no jipe recebi uma mensagem de Scott dizendo que Lydia e Allison tinham nos convidado para ir comer pizza dali a umas duas horas. Respondi dizendo que não estava bem para isso e continuei indo rumo à floresta.
Parei o carro em um lugar seguro e desci. Percorri o mesmo caminho de quando encontramos Derek, mas ele não estava lá. Uma decepção esquisita tomou conta de mim quando ouvi passos um pouco mais adianta. Andei rapidamente até o local onde eu tinha escutado os barulhos... Entretanto não tinha nada lá também...
– Procurando alguma coisa? – Uma voz familiar surgiu atrás de mim.
Quando virei dei de cara com Derek. Ele estava a poucos centímetros de mim o que me deixou completamente sem jeito.
– É... Que... Sabe... – Tentei falar algo, mas só conseguia gaguejar.
Ele estava tão perto de mim, seus olhos me encarando profundamente e sua respiração chegando até meu rosto. Era uma sensação boa e muito preocupante ao mesmo tempo.
– Então, Stiles, o que está procurando aqui? – Ele perguntou me apressando.
E eu estava realmente perdido... Tive que pensar em uma resposta rápida e bem convincente. Eu não podia simplesmente responder: ah, claro, estava te procurando, Derek.
– Bem... Sei lá... Só sai pra tomar um ar! – Disse finalmente conseguindo fazer a voz sair.
– E ai você decidiu vir para a floresta onde uma mulher foi encontrada partida ao meio? – Ele questionou ironicamente.
Fiquei meio atingido pela pergunta, mas depois raciocinei:
– E você? Está nela também não está? – Retruquei ferozmente. – Acho que está pergunta serve para nós dois.
Ele sorriu com ar de “você venceu Stiles” e eu comemorei por dentro. Ficamos em silêncio por um tempo até que ele me encarou e tomou fôlego para falar algo:
– Já que estamos aqui... Por que não sentamos e conversamos?
– Acho uma ótima ideia! – Falei deixando a animação na minha voz um pouco mais perceptível.
Andamos um pouco mais e sentamos no chão, na beira do rio. Era um lugar aconchegante. O ar estava úmido e bem gostoso de respirar. Reparou na rouba que Derek vestia: uma calça de moletom preta, uma blusa cinza, e tênis de caminhada. Provavelmente ele estava fazendo o mesmo que eu quando nos encontramos. E não pude deixar de perceber que ele ficava muito atraente daquele jeito. Meio desleixado.
– Então... Seu pai é o xerife não é? – Derek perguntou.
– Sim, ele trabalha bastante, quase não fica em casa... E desde que minha mãe morreu ele é a única coisa que eu tenho.
– Pelo menos você o tem! Eu tenho um tio em coma eterno, uma irmã desaparecida e uma família inteira debaixo de sete palmos – ele retrucou vorazmente.
– Desculpa... – lamentei.
Eu não deveria ter tocado naquele assunto. Foi muito pesado e eu senti que me arrependeria muito. Ele me encarou, e como estávamos sentados lado a lado ele me deu um empurrãozinho.
– Não se preocupe – ele falou. – Isso não é nada de mais.
Pela primeira vez senti a presença de um Derek completamente diferente dos dias anteriores. Um Derek alegre, simpático e preocupado. Foi tão bom sentir aquilo, era como se eu tivesse conseguido arrancar algo dele. Comecei a sentir uma coragem percorrer por todo o meu corpo e eu sabia que talvez era hora de dizer algo a respeito do que eu estava sentindo.
– Derek... – falei.
– Stiles... – ele falou.
Soltamos uma risada com aquilo. Foi estranho falarmos ao mesmo tempo.
– Pode falar primeiro... – falei.
– Já que insisti – ele disse em tom irônico com um meio sorriso no rosto. – Stiles, você namora?
Aquela pergunta me atingiu brutalmente. Por que ele queria saber se eu namorava?
– Não... – respondi com a voz arrastada.
– Difícil de acreditar... – ele comentou não tirando o olho do rio.
– Por quê? – Questionei. Eu e minha mania de questionar tudo!
Ele sorriu e balançou a cabeça. Ou eu era lerdo, ou ele estava só brincando com minha cara.
– Esquece.
– E você – voltei a falar –, namora?
Ele negou com a cabeça e depois me olhou. Aqueles olhos fatais me faziam estremecer a qualquer momento. Era incrível aquela sensação... Mas eu tinha tanto medo de admitir, tinha medo da reação de Derek. Com toda certeza muitas mulheres caiam aos seus pés.
– É meio complicado um cara como eu namorar... – Ele comentou cabisbaixo. – Desde que minha irmã sumiu, e eu voltei a Beacon Hills, tento levar uma vida normal e esquecer o meu passado... Mas parece que ele está mais vivo do que eu pensava...
Eu realmente não tinha entendi aquele comentário todo, mas simplesmente sorri para ele.
– Vai ficar tudo bem, Senhor Hale – falei em tom de brincadeira.
– E como você sabe disso, Senhor...
– Stilinski – completei, e logo voltei a falar. – Eu sei disso porque agora você tem um novo amigo para te ajudar!
Ele soltou um enorme sorriso que mexeu comigo. Estávamos começando algo. Uma relação de amizade... Talvez esse devesse ser o nosso começo.
Olhei em direção ao rio enquanto o silêncio dominava o local. Eu não sabia mais o que falar, e, provavelmente, ele também não. Já estava quase escurecendo então me virei para Derek:
– Já está ficando tarde e eu... – Ele me interrompeu pondo o dedo na minha boca.
– Meu amigo vai sair comigo essa noite! – Ele disse em tom imperativo. – E não aceito não como resposta.
– Tudo bem... – Respondi meio acanhado.
E então saímos da floresta... Seria uma longa noite de sábado... Melhor do que eu imaginava!
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