Blood of Darkness

2 Capítulo 1- Ascensão do Caos


Estava confortavelmente deitado, podia sentir no meu rosto a leve brisa e alguns raios de sol que passavam por entre os galhos da velha arvore na qual eu estava descansando embaixo, assim como o pinicar da grama sob mim. Abri os olhos, ela estava ajoelhada ao meu lado me olhando com um sorriso, ela me disse algo, mas não pude entender. Levantamo-nos e começamos a correr, podia ver seu sorriso, reluzente com o sol batendo em seu rosto.

De repente o tudo escureceu, olhei para os lados, o céu que antes estava ensolarado agora estava coberto por nuvens de tempestade. Nesse instante o sentimento de tranquilidade que eu sentia deu lugar a uma enorme sensação de perigo e medo. Olhei para trás, ela ainda estava lá, mas aquele sorriso de instantes atrás havia mudado para uma expressão triste. Em sua mão direita havia uma valha adaga, uma adaga que eu conhecia muito bem.

°°°

— Leo... Leo acorda logo, vamoooos!

— Aaaaaaaaaaahh!

Acordei com um pulo, olhei para os lados para ter certeza que tudo não havia passado de um sonho e vi minha pequena irmãzinha Lena parada ao lado da cama com um rosto assustada.

— Não acorde assustando os outros, idiota! — berrou Lena enquanto fazia uma fofa cara de raiva.

Sorri aliviado ao perceber que tudo não passou de um pesadelo, e ao mesmo tempo fiquei um pouco apreensivo pensando no porquê de Lena estar ali.

— Você estava se contorcendo todo na cama agora a pouco e agora esta rindo? Você bateu com a cabeça por acaso? — perguntou Lena, ainda com raiva pelo susto.

— Não foi nada. Mas o que você esta fazendo aqui no meu quarto? E por que você estava querendo me acordar? — perguntei com um pouco de medo da resposta que ia receber.

— Quero saber se você vai usar o Ronan hoje ou não? Quero sair para passear e preciso dele.

Então entendi o motivo daquela agitação, o motivo de minha irmã ter vindo me acordar essa manha, na verdade era algo mais simples do que eu imaginava, na ultima vez que ela fez isso foi para pedir ajuda para arrumar a bagunça que ela tinha feito no porão antes que nossa mãe visse, no fim não conseguimos a tempo e eu levei a bronca junto. Mas dessa vez era apenas porque ela queria sair com o meu cavalo. Isso porque ela ainda não conseguiu domar o dela, e sempre que ela tenta subir nele ele a derruba no chão. Mesmo depois de 13 anos ela ainda não domou o pobre animal.

— Sim, daqui a pouco eu vou sair para caçar. — respondi. — Aliás, que horas são?

— Não importa que hora seja, além do mais nós somos vampiros, não é como se fossemos morrer de fome tão fácil. Seria preciso uns dois anos sem comida para que morramos de fome, isso se mesmo sem comida ainda tenhamos sangue para beber.

— Mesmo assim, eu gosto de comer carne e gosto de caçar. Sem falar que você sempre pede um pouco mim. Semana passada você quase chorou porque queria uma coxa do pato que eu tinha trago. — questionei-a tentando fazer com que ele desistisse da ideia de sair.

— Mas hoje eu quero sair com o Ronan, e a mamãe disse que era para eu te chamar, e se você não fosse preparar ele para sair eu poderia ir, então tchau.

Ela disse aquilo com um sorriso malicioso no rosto e saiu correndo pela porta como se nada tivesse acontecido. Levantei rápido da cama tentando ir atrás dela.

— Espera Lena, eu disse que ia sai...

Contudo, antes mesmo de alcançar a porta, fui puxado pelo braço. Quando olhei para trás vi que havia uma corda amarrada em meu pulso prendendo-o à cabeceira da cama. Naquele momento, a única coisa que passou na minha cabeça era:

— Maldita Lena.

Fui ate a cabeceira da cama para desamarrar a corda, mas Lena tinha amarrado muito bem, tão bem que demorou alguns minutos para eu conseguir me soltar. Corri para fora do quarto, o velho relógio cuco no corredor marcava precisos 7:48, normalmente eu sairia para caçar por volta das 10:30 e voltaria mais ou menos 17:30, mas se não corresse para impedir Lena de sair com o Ronan mesmo saindo agora eu não conseguiria voltar na hora de sempre.

Desci as escadas e corri até a porta da frente. De lá fui até o velho celeiro ao lado da casa. Mas era tarde demais, Lena já tinha partido com Ronan. Ela tinha pensado em tudo desde o inicio, colocou a sela no Ronan e o deixou pronto para sair antes mesmo de ir para o meu quarto, e antes de eu acordar ela prendeu meu braço na cama para que eu não pudesse impedi-la.

Voltei para casa para me preparar para sair, peguei meu arco e as flechas, desci as escadas e fui à direção da saída.

— Aonde você vai com essa cara tão séria?

Virei para trás antes de responder. Lá estava uma linda mulher com uma aparência jovem, por volta dos 28 anos. Ela tinha longos cabelos castanhos usando roupas simples, mas ainda assim elegantes, era ninguém menos que minha mãe.

— Estou indo caçar. Essa cara é porque ALGUÉM disse para Lena que ela podia usar o meu cavalo para passear.

— Ora, eu falei para ela te perguntar, ela saiu do seu quarto tão feliz que eu achei que você tinha deixado, não venha reclamar só porque você foi enganado por uma garotinha!

— Que seja, estou indo, se eu não sair cedo vou acabar voltando muito tarde.

Andei um pouco em direção à porta, mas parei por um instante e perguntei:

— E o pai, como está?

— Bem, eu acho. Ele está na sala da lareira, como tem feito todos os dias desde a última briga de vocês, acho que ele está esperando que você vá falar com ele.

— Pois que espere.

— Você não acha que já está na hora dessa guerra entre vocês acabar? Já tem quase 50 anos que vocês mal conversam, e quando se falam é para brigar. Você não acha que isso já foi longe demais?

Ignorei a pergunta e voltei a caminhar em direção a porta, sai da casa e foi em direção à floresta nos fundos. Esse iria ser um longo e cansativo dia...

°°°

Fiquei em silencio, escondido atrás de um arbusto espreitando pela presa, uma lebre branca distraída a pouco mais de três metros a minha frente. Respirei fundo, lentamente peguei uma flecha da aljava¹ e a armei no arco, tencionei cuidadosamente o arco para não fazer barulho e mirei no animal. Após um longo suspiro, atirei.

— Isso, com essa já são duas lebres e um pato, quando eu voltar para casa vou fazer questão de comer na frente da Lena e não dar nada para ela, assim ela aprende a não me enganar mais... Haha...ha.haa.. — dei uma risada maligna enquanto planejava minha vingança contra Lena. — Bem, sem o Ronan eu não vou poder carregar muito mais, sem falar que já esta ficando tarde, se eu não voltar logo vou acabar chegando à noite em casa e eu odeio andar na floresta no escuro. Essa comida deve dar por uma semana, já que dessa vez apenas eu que vou comer.

Peguei a lebre que tinha acabado de matar e a amarrei em minha cinta. Levantei-me e andei de volta para casa.

Já perto de casa comecei a sentir um cheiro forte de sangue e morte, por mais que aquela seja uma casa de vampiros, aquele cheiro não era algo que eu pudesse chamar de “normal”, por isso comecei a correr.

Assim que sai da floresta fiquei em choque, não podia acreditar no que meus olhos estavam vendo: CAOS. Meu pai, um dos grandes lords, e os empregados estavam com seus corpos mutilados e empilhados, minha irmã estava amarrada em um poste inconsciente, e minha mãe estava pendurada pelos braços em uma arvore enquanto um grupo de cerca de vinte ou trinta homens brincavam de tiro ao alvo com arcos e flechas usando-a como alvo.

Ainda meio trêmulo, me aproximou do grupo.

— Vamos, quem é o próximo? Vocês têm de aprende a usar um arco se querem enfrentar os outros Lords. Não pensem que vai ser sempre fácil como foi dessa vez! — disse um homem que aparentava ser o líder em frente aos outros.

A raiva tomou meu corpo naquele instante, comecei a ranger os dentes, mas logo depois me acalmei. Parei um instante para analisar a situação, peguei o arco e uma flecha e comecei a andar em direção à pequena multidão.

— Acho que é a minha vez. — disse com uma expressão fria já entre o grupo.

Notas finais
1.: Recipiente para setas, geralmente transportado no ombro
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.