Antes de o dia amanhecer eu já estava de pé. Tinha dormido muito mal por causa do frio noturno da floresta. Eu desci da árvore onde tinha passado a noite e fui em direção as grandes muralhas que cercavam todo o reino élfico. Caminhei algumas horas até avista-la. Era enorme. Calculei que havia mais de dez metros de altura. Uma fortaleza de pedra impenetrável. Continuei minha caminhada agora em direção à única entrada pelas muralhas. Parei a uma distancia segura da primeira guarita sobre o muro e percebi que dois elfos faziam a vigia, continuei a andar mais dentro da floresta e a dez metros dali estava à entrada: um portal gigante com uma guarita de cada lado e dois vigias em cada, como se isso não bastasse uma grade de ferro impedia a passagem por aquele portal e que apenas se levantada quando alguém era autorizado a entrar.

Merda.

Me afastei mais adentro da floresta e subi em um carvalho baixo. Tinha que pensar em como entrar naquele reino maldito. E só de imaginar o que poderiam estar fazendo com meu pai naquelas masmorras senti um frio na espinha. Sacudi a cabeça para afastar esses tipos de pensamento e tentar pensar em algo que me ajudasse a passar por aquela muralha.

Minha cabeça ainda latejava, passei a mão pela nuca e senti o caroço que formava. Desgraçados. Mas por que tinham me deixado naquela clareira? Levaram meu pai, mas me deixaram viva. Por quê? Será que era outra armadilha? Afinal, meu pai sempre dizia que mestiços quando encontrados eram mortos, pois os elfos seriam de uma raça pura. Era por isso que todos os elfos eram obrigados a viver apenas em terras élficas. Mas eu estava viva e sem ferimentos, tirando o galo na minha nuca. Talvez eles esperassem para que corressem até aquela grade e gritasse e implorasse que me deixasse entrar para ver o meu pai e talvez assim lá dentro me esperassem para me matar. Mas eu não seria burra a ponto de implorar tão escandalosamente para algo, mas também não deixaria meu pai morrer naquelas masmorras. Eu entraria naquele reino. Entraria de alguma forma silenciosa como sempre faço em meus serviços.

Depois de horas sentada naquele galho minha bunda já estava dormente. Eu tirei da sacola a última fruta que havia colhido e quando ia morder ouvi um forte estranho vindo daquelas grades, me movi apenas para conseguir ver o que estava acontecendo: as grades estavam se erguendo. Era agora. As grades pararam ainda na metade daquela muralha, então vi três carroças passarem, todas eram fechadas como um baú.

Isso, disse a mim mesma.

Assim que as carroças passaram a grade voltou a abaixar e em pouco tempo aquela passagem estava selada novamente.

Me senti muito idiota por não ter me lembrado disso antes. O reino de Andrya possuía o maior porto de todo o continente de Wydder, a maior parte dos produtos exportados para o Outro Continente saia do porto dela, mas no reino élfico também havia um porto, porém as mercadorias que saiam do porto élfico eram selecionadas: as melhores frutas, as melhores armas, os melhores tecidos, tudo de melhor cultivado em Wydder saia do porto do reino élfico e graças a isso eu entraria naquele reino.

Desci do carvalho e caminhei por duas horas entre a floresta, porém perto da estrada até avistar do outro lado da estrada uma árvore seca. Sorri. Atravessei a estrada e caminhei alguns metros até o tronco da árvore seca. Avaliei sua altura e percebi que seus galhos cairiam no meu da estrada. Peguei minha espada e xinguei por não ter uma faca maior, aquilo me custaria o fio de minha espada, mas se desse certo me preocuparia com isso depois. Antes de começar a cortar a árvore me certifiquei que não havia ninguém por perto, então comecei. Depois de muitos minutos batendo minha espada naquele tronco seco a árvore começou a estralar. Tinha conseguido. Eu parei de cortar e emburrei a árvore em direção à estrada. Ela ainda parecia firme, mas continuei empurrando e ela começou a ceder. Os galhos mais frágeis começaram a cair primeiro enquanto ela tomava uma queda lenta. Faltava poucos metros para atingir o chão, ela parou.

Xinguei ao perceber que ela havia enroscado em galhos das outras árvores e não iria atingir o chão sem uma ajuda.

Verifiquei as árvores em volta e vi uma que tinha galhos próximos ao tronco da árvores seca. Peguei uma corda que havia na sacola e subi na árvore. Achei um galho firme e amarrei a corda e depois passei a corda por minha cintura, eu estava a uma altura considerável do chão para me garantir um osso quebrado. Caminhei cuidadosamente até o tronco seco e comecei a dar pequenos pulos até ela começar a ceder de novo. A árvore seca caiu e se partiu ao se chocar com o chão duro da estrada. Eu fiquei pendurada pela corda e isso me rendeu hematomas na cintura, me segurei na corda tensionada e impulsionei até o galho onde ela estava amarrada, consegui subir no galho com mais dificuldade que eu imaginava. Depois de passar o dia comendo frutas eu estava com muita fome e precisava me alimentar melhor.

Após descer da árvore avaliei meu trabalho. Perfeito. Ninguém iria desconfiar de que aquilo era uma armadilha, afinal a árvore parecia ter caído sem nenhum esforço. Agora eu tinha que torcer para que ninguém saísse daquelas grades, mas sim entrasse.

Estava cansada de subir em árvores, então me sentei no chão escondida atrás de um arbusto onde conseguia ter uma visão perfeita se alguém parasse para tentar retirar aquele tronco da estrada. Faltavam poucas horas para o anoitecer chegar e eu não saberia se iria resistir ao passar mais uma noite congelante em meio à floresta.

Estava cansada demais e me permiti um breve cochilo.

Acordei assustada ao ouvir trotes de cavalos se aproximando. Me ajeitei no meu esconderijo e não demorou muito para uma carroça com baú aparecer e estava indo para à direção das muralhas.

Quando eu vivia no Labirinto me ensinaram a adorar quatro deuses: ar, terra, água e fogo. Mas nunca acreditei ou pedi verdadeiramente algo para eles, si é que existiam. Mas naquele momento em que as coisas começaram a dar certo agradeci ao deus da terra.

Ao ver a árvore caída no chão o cocheiro analisou o local cuidadosamente. Estava começando a escurecer e certamente ele estava com receio de que alguém poderia querer lhe roubar sua preciosa carga. Depois que ele percebeu que aquilo poderia ser algo natural, ele pegou um machado que ficava logo embaixo de seu banco e desceu para cotar os galhos que lhe atrapalhavam a passagem.

Tinha que ser agora.

Eu saí lentamente de meu esconderijo fazendo o mínimo de barulho que conseguira. Ao chegar à estrada caminhei um pouco mais rápido e cheguei até os fundos da carroça e puxei aquela lona apenas o suficiente para entrar. Em um pulo já estava dentro. Havia muitas caixas e dentro delas morangos vermelhos e rechonchudos. Pelo menos tinha algo para comer. Me sentei em um cantou atrás de algumas caixas e pedi ao deus terra que aquele cocheiro não olhasse para dentro daquele baú.

O cocheiro demorou mais do que eu imaginava para retirar aqueles galhos da estrada. A noite já havia tomado conta da floresta e o frio também. Eu me encolhi dentro de minha capa para tentar aquecer os ossos que já começaram a tremer. Depois de um tempo já indo em direção à muralha a carroça parou e então ouvi aquele barulho das grades sendo erguidas. Voltamos a andar e senti. Senti. Estava no reino élfico. Consegui.

Agora andávamos sobre ruas de pedras e certamente estávamos indo para o porto. Comecei a ouvir as pessoas praticamente gritando nas ruas e andavam de um lado para outro. Não me atrevi a espiar como era aquele lugar, mas parecia mais quente que aquela floresta, talvez pela concentração de pessoas naquele lugar.

A carroça parou e ouvi o cocheiro gritar para alguém.

Maldição.

Eu tinha que sair dali rápido, mas sem ser notada.

Me atrevi a abrir uma pequena brecha da lona atrás do cocheiro apenas para ver o que estava acontecendo e vi um elfo de cabelos castanhos e um traje de couro. Um soldado. Será que faziam inspeção em todas as carroças que chagavam ou estavam fazendo isso por que sabiam que tentaria entrar?

Não tinha tempo para pensar em responder, apenas tinha que tentar sair dali rápido antes que aquele soldado olhasse dentro daquele maldito baú.

Pensa. Pensa. Pensa.

Os passos do elfos começaram a se aproximar mais daquele baú.

Pensa rápido.

Os passos estavam perto dos fundos da carroça.

Fechei os olhos e me concentrei. Fazia muito tempo desde que não fazia mais aquilo, mas tinha que funcionar. Então a terra começou a tremer. Nada demais, apenas um tremor para assustar as pessoas e as fazerem correr. Aquele soldado saiu correndo para longe da carroça, certamente para onde as pessoas gritavam desesperadas.

Tinha conseguido de novo. Soltei minha respiração e minha cabeça girou. Eu não tinha tempo de me recuperar, tinha que sair enquanto o desespero tomava conta das ruas. Abri a lona e espiei para fora do baú. Não havia ninguém. Puxei o capuz sobre a cabeça e saltei para fora. Comecei a correr em direção onde o espanto das pessoas fervilhava, assim não desconfiariam de ninguém correndo, afinal muitos ainda corriam para tentar se proteger.

Enquanto corria pelas ruas de pedra, apenas notei que estava em meio a um centro comercial, mas não prestei atenção nos detalhes do local e nem nas construções que cercavam a rua. Senti o aroma de comidas exóticas e de plantas que nunca tinha sentido antes. Meu estomago protestou, mas eu não tinha tempo para saciar minha fome. Avistei uma rua íngreme e mais tranquila e comecei a correr em direção a ela. Comecei a diminuir o passo e a caminhar mais nas sombras. Havia casas nos dois lados da rua, elas eram de pedra e cada uma tinha uma cor diferente que combinavam com as flores que havia nas jardineiras abaixo das janelas. As casas eram todas iguais e me lembrada de pequenos chalés. Elas pareciam aconchegantes e quentes. Algumas tinham fumaça saindo pela chaminé. Continuei subindo pela rua de casas coloridas quando um cheiro maravilhoso de carne assada me atingiu. Meu estomago estremeceu.

Subi com cuidado até o telhado de uma casa pintada de lilás e com flores amarelas. Me segurei na chaminé que estava fria. Olhei em direção de onde tinha vindo. O porto ficava distante dali e as ruas dos comércios estavam fervilhando de gente arrumando as prateleiras que haviam caído por causa do pequeno tremor. Os prédios comerciais não tinham mais que dois pisos e eram de pedras marrons e cinza. Olhei para além das casas coloridas do outro lado da rua e percebi que havia mais casas coloridas em direção ao mar que não passava de um borrão negro. Então olhei para onde aquela rua das casas coloridas seguia e vi ainda distante o majestoso castelo. Imaginei se os castelos das fadas no Outro Continente eram assim. Talvez os reis élficos que construíram aquele castelo cheio de torres altas haviam copiado das fadas. O castelo era de pedra cinza com uma pequena escadaria que levada a um pátio interno. Havia um jardim na frente do castelo com arbustos simetricamente cortados e verdes. Verdes demais para o fim de outono.

Desci daquele telhado e continuei caminhando por ruas com casas coloridas até chegar às ruas mais próximas ao castelo, as casas que ficavam ali era diferentes daquelas próximas aos comércios. Elas eram bem maiores e não eram coloridos. Suas fachadas tinham grandes vidros e pedras iguais ao do castelo. Os telhados eram trabalhados e as portas principais eram ornamentadas com figuras que lembravam flores e animais diversos. Da rua até as casas haviam jardins floridos como se ainda fosse primavera e um gramado verde, o caminho era de feito de pedra como a rua. Certamente ali moravam os mais nobres da cidade. Continuei caminhado por aquelas ruas de casas de pedra até avistar um pequeno bosque que ficava poucos metros do castelo. Caminhei até lá sem olhar para o castelo. Para aquela monstruosidade de pedra. Era lindo, magnifico, mas o que acontecia nas masmorras era tão pútrido quanto um cadáver em decomposição. Aqueles elfos que moravam nas alegres casas coloridas e aqueles nobres não tinham culpa, mas aquele que habitava o castelo tinha, pois enganava o próprio povo mostrando uma igualdade entre nobres e elfos inferiores que jamais tinha existido na pratica.

Deixei minha revolta de lado e me concentrei naquele castelo e porque eu estava ali. Certa vez meu pai que contou que havia túneis de fuga sob o castelo. Tuneis que serviriam para o rei e seus aliados fugissem caso inimigos conseguissem invadir o reino e tomar o castelo. Mas eu tinha que saber onde estavam. Até onde eu sabia os elfos não estavam sob nenhuma ameaça eminente, então certamente aqueles túneis não estavam sendo usados ou até mesmo vigiados, assim espero.

Olhei para o bosque verde e agachei coloquei minha mão direita sobre a terra e me concentrei. O solo frio me fez arrepiar e pude sentir a terra dizendo um olá. Consegui sentir um túnel do lado oposto onde eu estava. Me levantei e novamente minha cabeça girou. Pisquei algumas vezes para me concentrar e avaliar como chegaria do outro lado do castelo sem ser notada.

Sempre agradeci por não ter herdado as orelhas pontudas de meu pai, mas naquele momento tê-las viria a calhar.

A forma mais rápida para chegar ao outro lado era passando pelo jardim. Caminhei em direção a ele sempre tomando cuidado para não ser notada.

Não havia sentinelas no pátio interno no alto das escadas.

Isso era bom.

Sai das ruas com casas de pedras e acompanhei um pequeno grupo de elfos que iam em direção ao comercio, me desvinculei deles e fui em direção ao jardim. Subi alguns degraus de mármore cinza e praticamente me joguei dentro de um arbusto baixo cortado de forma quadrada e servi como uma baixa mureta verde. Me arrastei pela grama e senti alguns espinhos cortarem minhas mãos e bochechas quando atravessei outro arbusto. Não parei. Continuei me arrastando pelo chão até chegar do outro lado do jardim. Parei e passei a mão pela minha bochecha cortada e verifiquei que já tinha se curado. Mas uma herança útil de meu pai, além da rapidez e leveza. Puxei o capuz e me levantei. Caminhei lentamente em direção onde aquele túnel ficava.

Senti que alguém me observava pelas costas. Havia uma fonte cercada por flores violetas. Eu retirei meu cantil da sacola e me aproximei da fonte para enchê-lo apenas para distrair quem quer que fosse que estava me olhando. Puxei o capuz para trás apenas para que o eu observador visse minha boca. Terminei de encher o cantil e olhei para trás e vi um soldado além do jardim, ao perceber que eu olhava para ele rapidamente ele continuou o seu caminho em direção as casas dos nobres. Foi por pouco. Não fiquei ali para ver se ele voltaria. Puxei o capuz de volta e continuei minha caminhada ao meu objetivo.

Perto de altos ciprestes ao lado do castelo senti algo oco quando pisei sobre as folhas. Me abaixei e retirei as folhas sobre aquela tampa de ferro. Sorri. Então desviei meu olhar para o castelo e imaginei que seria mais interessante invadir o castelo durante o dia e jogar a cara do rei que não era difícil de entrar naquele reino maldito. Mas e se fosse uma armadilha? De novo essa questão me atormentou. E se ele tivesse deixado o caminho livre para eu invadir? Não, eu quase havia sido pega a pouco e por duas vezes. Se aquele soldado que me observou no jardim me deixou pegar água tranquilamente, então não havia armadilha. Assim espero.

Acordei com o barulho dos pássaros que tinham ninhos no cipreste onde me aninhei para passar o resto da noite. Tinha conseguido dormir melhor, pois não estava muito frio e já tinha conseguido entrar naquele reino. Agora só tinha que entrar no castelo. Só.

Observei se não havia ninguém por perto antes de sair do meio do cipreste e então caminhei até aquela tampa. Sem travas. Eu a puxei praticamente gemendo por causa da força que utilizava para retira-la. Estava ofegante quando consegui puxar o suficiente para que eu conseguisse passar. Não estava tão escuro quanto imaginei que estaria, havia escada que levavam para dentro do túnel. Retirei algumas teias de aranha e empunhei minha espada e comecei a caminhar para dentro.

Continuava claro o suficiente para enxergar o caminho. A escada acabou e o túnel se estendia em linha reta até onde a pouca luz me permitia ver. Continuei caminhando, os passos leves e atentos. Pelo estado que o túnel se encontrava alguém havia passado ali já fazia muito tempo ou até mesmo nunca tivesse sido utilizado. Depois de fazer algumas curvas e me atrapalhar com dezenas de teias de aranhas e pedras solta no caminho encontrei uma bifurcação que seguia para a direita.

Até agora estava fácil demais.

Coloquei minha mão na parede de terra e senti que deveria continuar reto e não pegar o túnel da direita. Agradeci ao deus da terra por aquilo, pois se não tivesse esse dom não estaria ali, talvez já estiasse com a cabeça sobre uma bandeja servida ao rei élfico. Engoli em seco ao pensar nisso.

Retomei minha caminhada.

Caminhei por alguns minutos até chegar ao pé de uma escada em espiral que subia. Os degraus estavam escorregadios e cheios de teias de aranha. Era íngreme e mais escura que o túnel, porém havia poucos degraus. Logo cheguei a uma grande porta de madeira com uma trava de ferro que ia de um lado ou outro do portal fazendo com que impedisse a porta de ser aberta do outro lado. Encostei minha orelha na porta suja para ouvir o que havia do outro lado. Silêncio. Guardei minha espada e empurrei a trava para cima para abrir a porta. O ferro rangeu e eu xinguei. Quando consegui retirar a trava eu estava ofegante, pois não me alimentava decentemente há dois dias. Peguei minha espada novamente e abri a porta cuidadosamente. Ele rangeu mais do que esperado. Entrei em uma câmara de pedra de teto baixo e com cheiro de mofo. Havia tanta poeira ali que cheguei a desconfiar que talvez o rei nem conhecesse aquele lugar. Deixei a porta aberta, pois não queria fazer mais barulho. A câmara era gélida e pequena e que ao fundo tinha uma escada que seguia para cima.

Segui a escada, caminhei levemente cada vez mais para cima. A escada era em espiral e estreita e cheia de poeira. Calculei que já tinha subido uns dez metros quando os degraus acabaram em um minúsculo cômodo que era escuro e tinha um portal que era tapado por alguma tapeçaria do outro lado.

Cheguei perto da tapeçaria para ouvir. Mais silêncio. Será que havia elfos dentro daquele castelo? Retirei as teias de aranha presa na capa e no capuz. Puxei a tapeçaria e sai daquele cômodo e estava definitivamente dentro do castelo. A tapeçaria ficava num canto recuado. Caminhei até um corredor enorme e cheio de portas de madeira. Havia um tapete azul royal por toda a extensão do corredor e as paredes internas eram com as de fora: pedra cinza. A iluminação era feita por janelas que ficava em recuos como aquele da tapeçaria. Não havia ninguém ali também. Caminhei pelo corredor até encontrar uma escada ao lado esquerdo e que descia. Ia começar a descer a escada quando ouvi passos no andar inferior. Parei e me recostei na parede e segurei mais firme na espada.

—Ai está você! Estava lhe procurando. – Disse um elfo que se aproximada daquele já que estava naquele corredor. Os passos pararam.

—Por que estava me procurando? – Perguntou o outro.

—O rei mandou chamar todos os chefes de guarda para uma reunião.

Breve silêncio. Então os passos retomaram para outro lugar.

Soltei a respiração que nem tinha notado que havia prendido. Tinha que seguir aqueles elfos, pois eles me levariam direto ao rei. Desci a escada e estava em um corredor praticamente igual ao de cima o que lhe diferenciava era que o tapete era alaranjado. Parei para ouvir se não havia mais ninguém além daqueles dois elfos que pareciam descer outra escada no fim do corredor. Não havia ninguém. Fui em direção onde aqueles elfos haviam ido e quando cheguei à escada ouvi uma porta sendo fechada.

Isso.

Desci aquela escada com o máximo de silêncio que conseguia. Essa escada era em espiral. Quando cheguei até a metade notei que aquele corredor era diferente, mais amplo e com tapeçaria vermelha e prata, as paredes pintadas de um creme e havia uma porta dupla branca e alta toda ornamentada com espirais que remetiam as flores e animais. Em cada lado da porta havia uma sentinela.

Só podia ser ali a sala do trono. Eu tinha que passar por aquelas sentinelas e estaria de frente com aquele rei maldito. Dei meia volta e subi as escadas dessa vez batendo forte os pés nos degraus, ao chegar ao topo encostei-me à parede e ao meu lado havia um aparador com um bandeja de prata com algumas frutas. Ouvi que alguém estava subindo a escada. Eu retirei as frutas de dentro da bandeja e a segurei com força e esperei até que uma das sentinelas aparecesse. O sentinela apareceu e se assustou ao me ver, mas fui mais rápida e antes que ele me golpeasse com a espada eu bati a bandeja com força na cabeça naquele elfo que desmaiou. Deixei a bandeja sobre o aparador e peguei minha espada e comecei a descer a escada e quando estava no meio o outro sentinela apareceu. Eu me defendi de um golpe e então dei um chute em sua barriga e o elfo se desequilibrou e caiu escada a baixo. Ele não tinha desmaiado, mas estava tonto e eu olhei para as grandes portas brancas e corri. Pulei por cima do sentinela caído e cheguei às portas. As olhei de cima a baixo. A sentinela já estava levantando então eu bati com toda força e raiva que elas se escancararam.