Blood On Blood

10 10 Sophie- Kiss, while your lips are still red


Notas iniciais
GENTE, quem estiver lendo pf comenta! Boa leitura :-)

_Sophie…?

Evan me acorda calmamente, contente por estar onde estava, e com quem estava. Ninguém poderia negar que eu estava mais que feliz por estar com ele, assim tão próximo de mim, mais próximo que eu achei que um dia estaria. Éramos agora parte um do outro, não somente dois vampiros angustiados pela solidão dos tempos, e era isso o que eu tanto temia, porém ao mesmo tempo o que eu mais desejava.

Evan deitou-se novamente na cama, ao meu lado. Usava poucas roupas, com cabelo grande e solto, deixando-o assim ainda mais belo.

_Evan... Eu te amo. Quer dizer, tudo isso que passamos em tão pouco tempo, é como se fosse por todos os séculos que já vivi! Nada poderia ter me recompensado tão bem quanto ter você aqui e agora, comigo.

Minhas palavras saíram traiçoeiras. Ele não devia saber que eu o amava assim, desse jeito. Tivemos algo intenso, que eu era apaixonada nele eu tinha certeza. Mas amor, mesmo eu também estando certa de que sentia isso por Evan, era complexo demais. Talvez ele não gostaria do que eu havia dito e me deixaria, ou quem sabe até riria da situação. No entanto amar Evan era o que eu sabia fazer de melhor e não sabia. Estava pronta para o que ele poderia me responder porque eu o amava, de fato.

Mas ele não disse nada.

Ele me olhava tão intensamente nos olhos que pude ver todo aquele fogo de dentro dele reascender, mesmo sem ler seus pensamentos. Voltou-se a mim rapidamente e logo estávamos nos beijando tão intimamente quanto horas atrás.

Ele me olhou, sorridente e ofegante. Só depois então me disse:

_Não é você quem lê mentes?_ ele passava a mão em meus cabelos, voltando-se a mais um beijo_ Pois então... deve saber que eu também te amo.

Evan me empurrou para trás e com um beijo e eu cai novamente na cama, com ele em cima de mim. Nós rimos, e ele se apoiou na cama para não deixar seu peso sobre mim. Mas logo após nossos risos se calaram e tudo que sobrou foi seu olhar de predador adentrando os meus, de mera vítima. Ele me olhava como sua presa, e ao mesmo com tanto fervor, que eu me senti sendo uma humana e sua mulher ao mesmo tempo. Eu me segurei em sua nuca, dando-lhe um beijo como aqueles que já tinha dado antes. Ele me puxou para cima dele, continuando o beijo ainda mais intensamente, enquanto me segurava pela cintura.

10 Evan

Tentei controlar meus instintos sobre Sophie, afinal ela não era um objeto o qual eu poderia manusear como eu quisesse_ embora eu soubesse que se continuasse nossos beijos eu teria o que nós queríamos de novo. Porém ainda havia outras coisas que precisavam ser abastecidas antes de um próximo encontro nosso, então saí de cima dela, deixando-a novamente livre. Peguei minha blusa e dei para ela vestir, afinal a sua estava longe demais.

_Está com fome?

Sophie ainda estava na minha cama. Eu achava estranho falar “cama”, uma vez que eu dormia num caixão, que ficava justamente em baixo desta. Eu tinha uma somente para fingir que dormia nela, porém às vezes ela servia para alguma coisa. Como para aquele dia.

_Você vai matar alguém a essa hora do dia?

Eu sorri. Havia me esquecido que ela não tinha conhecimento sobre o porão do hotel, e os ratos e demais bichos que ali moravam.

_Venha_ estendi a mão para ela_ você está linda desse jeito_ nós dois rimos, e ela me deu a mão.

Abri a porta calmamente. Eram três da tarde ainda, e o corredor soprava um vento quente em nós. Eu usava poucas roupas, e ela, minha blusa.

Andamos tão rápido que os poucos humanos que estivessem no caminho não poderiam nos ver_ típico dos filmes, mas o que nós de fato pouco fazíamos.

Chegamos na mesma hora na porta do escuro porão do hotel. Não havia ninguém por perto, afinal, era plena tarde e as pessoas costumavam sair de lá para passearem no parque ou caminhar. Abri a porta sem muito me preocupar.

_Ratos?_ ela perguntou, não tão surpresa.

_Sim, ratos. E gambás, talvez... você já bebeu sangue deles?

_Mas é claro_ ela ria_ eu tenho séculos de vida, Evan. Talvez tenha feito as mesmas coisas que você durante todo esse tempo. Não que eu esteja lendo sua mente agora, qu-quer dizer, pelo que já li quando nos conhecemos e...

_Tudo bem_ tentei acalmá-la, puxando-a para perto e a beijando_, tudo bem. Bom, se está com fome e os corpos das pessoas são difíceis demais para esconder de dia, acho que você vai precisar deles_ apontei para os ratos no fundo do cômodo.

10 Sophie

s.m.a

Já eram quatro horas da tarde quando saí do apartamento de Evan, e foi nessa hora que eu me lembrei: as meninas do cabaré deviam estar loucas trás de mim!

_Nossa, Evan! Eu tenho que ir! A Teresa, a gente ficou de passar algumas roupas das bailarinas hoje, e eu tenho que fazer comida para eles e...

_Calma, calma. Tenho certeza que eles não estão ligando para você_ ele sorriu, como se eu soubesse o que tinha acontecido.

_Você... fez alguma coisa? Digo, com elas?

_Não, não_ ele sorriu_ mas eu... não sei... de repente devo ter manipulado a mente delas e...

_Seu dom faz isso também?

Eu tinha consciência de que o dom dele era manipular os sentimentos das pessoas_ embora não pudesse fazer isso comigo caso eu estivesse lendo seus pensamentos, já que um dom anularia o outro, e ele também não poderia manipular do jeito que ele quisesse: seu dom o usava apenas como um corpo para se manifestar; ele manipularia quando houvesse necessidade, não somente quando quisesse.

_Calma! Não é bem assim. Talvez aquela mulher com quem eu falei pela primeira vez, a garçonete, e a Teresa... essas duas mulheres devem ter esquecido completamente da sua existência._ ele fez cara de surpreso, como se aquilo realmente tivesse acontecido, porém brincando_ Ou pelo menos que você não estava lá até agora, que é o mais provável.

Aquilo já era mais que o suficiente. A garçonete a qual ele se referia sequer estava lá nessa hora, somente Tereza estaria, e duas outras que eram dançarinas e que quase não conversavam com ela, então não poderiam ter lembrado de mim e nem comentado nada sobre minha ausência.

_Ah, isso já é o suficiente!_ dei um abraço apertado nele, sentindo naquele corpo frio todo o amor que ele poderia me dar_ Agora eu preciso realmente ir.

Seus olhos inundaram os meus com oceanos de séculos inteiros. Oceanos de saudade, e talvez até mesmo de perda_ Sarah não havia se despedido dele para ir embora, mas eu estava me despedindo, como se o segundo amor de sua vida quisesse ficar longe dele. Mas ele não disse absolutamente nada, apenas sorria, com um sorrido doloroso:

_Certamente precisa. Te encontro hoje de noite na apresentação?

_Não... hoje eu não me apresento.

_Então você pode vir aqui...

_Também não, Evan_ disse, com um aperto no coração_, mesmo que eu queira. Tenho que compensar o trabalho que eu deixei de fazer até agora de noite com as meninas, e ajudar as que vão se apresentar no meu lugar também. Mas amanhã eu estarei no palco de novo..._ passei minha mão pelo cabelo dele, ainda mais frio pelo vento do lado de fora do hotel_ Você vai ir me ver amanhã?

_Claro_ ele sorriu, e isso me fez sorrir também.