Blood Moon

9 Mas só porque você me deu a Tess


— Sua filha tem uma reunião comigo? Espera... você tem uma filha? — Ele estava com uma expressão divertida no rosto, mas por fim, ele ligou os pontos e descobriu quem era a filha de Olivia. — Sua filha é a mesma do Dr. Williams? — Ele soltou uma gargalhada que fez a mulher cerrar os olhos. Ele continuava o mesmo, ainda não conseguia levar nada a sério.

— Sim... A Tereza. Se eu a proibisse de se encontrar com você.... Não ia adiantar de nada, ela ia me desobedecer e vim assim mesmo. Então a única solução é ela própria vendo o quão babaca você é. E desistir de vez de querer uma parceria com o Tony Stark. — Ela respondeu, ainda sem entender o motivo de toda aquela graça que ele estava achando.

— Ah as crianças de hoje em dia, tão rebeldes... — Ele falou tomando um gole do Whisky, saindo de traz do bar e indo para um dos sofás. — Mas me fala, Livvy, porque não quer que sua filha e eu fechemos uma parceria? Você ainda está guardando rancor? Isso faz mal para o coração... — Ele falou num tom divertido, agora sentado no sofá e olhando para a mulher que voltava para o meio da sala e o encarava com um dos olhares mais mortais que ele já tinha visto no rosto de uma mulher.

Olivia respirou fundo algumas vezes para que sua paciência recarregasse antes de responder.

— Você ainda não entendeu, não é? Eu não quero ela envolvida com nada que seja relacionado a você.

— Olha aí, tá vendo. Guardou rancor.... Deve ser por isso que está com essas rugas embaixo dos olhos. — Ele mentiu. Não tinha ruga nenhuma no rosto da mulher, na verdade, toda vez que ele olhava para ela parecia que tinha voltado no tempo, para a época que seus pais ainda estavam vivos e quando tudo era fácil. — Sabe, Livvy, não tenho vontade nenhuma de negar a parce... — Ele parou de falar no meio da frase, seu rosto não tinha mais o tom divertido. — Dezessete anos...? — Ele soltou o copo agora vazio encima da mesa de centro e levantou para ficar cara a cara com a mulher. — Quantos anos a Tereza tem?

Olivia sentiu seu estomago revirando e a garganta secar. Ele já estava juntando as peças... ah como ela queria que pudesse adiar aquela conversa por mais umas décadas.... Quem sabe adiar para a próxima vida.

— Olivia... Quantos anos a Tereza tem? — Ele perguntou novamente. O Dr. Williams já tinha falado qual era a idade da menina, mas como não era algo que importasse para ele — naquela hora — seu cérebro deletou aquela informação.

— Dezessete, Tony. Ela tem dezessete. — Ela respondeu passando pelo homem e sentando-se no sofá. Depois de raciocinar um pouco ele virou-se de frente para ela.

Os dois ficaram ali, se encarando e tendo aquela conversa silenciosa por quase vinte minutos. Até ele realmente entender o que Olivia estava falando.

— Me diz que isso é uma brincadeira. — Ele estava sério, com a postura rígida e a voz por um fio.

— Acha que eu viria aqui se isso fosse uma brincadeira? — Olivia respondeu com calma, as mãos massageavam compulsivamente a testa tentando, sem resultado, aliviar a dor de cabeça que já começava a dar sinal. — Acha que eu estaria tão desesperada para afastá-la de você se isso fosse uma brincadeira?

Tony pegou o copo vazio que tinha deixado na mesa de centro e voltou para o bar, encheu o copo com o líquido âmbar e o engoliu de uma vez, depois repetiu o processo mais uma vez. Talvez se ficasse bêbado fosse mais fácil de raciocinar... de olhar para a mulher sentada no sofá sem ter tanta vontade de gritar com ela.

— Acha que eu vou acreditar que a garota é minha filha assim tão facilmente? Quero um teste de DNA, e eu mesmo vou escolher a clínica, você pode muito bem tentar falsificar o resultado.

— E eu acho que você ainda não entendeu o que eu vim fazer aqui. — Olivia não conseguiu ficar sentada ouvindo as palavras que saiam da boca do homem, ela se levantou e parou a poucos metros de distância dele. — Não vim aqui para tentar provar a você que Tereza é sua filha, estou pouco me importando para o que você acredita ou não, Anthony. Eu vim aqui, para garantir que você não fique no mesmo ambiente que ela mais que o necessário. — As palavras saíram de sua boca com um gosto amargo.

— Se ela for mesmo minha... Eu não acredito que você escondeu ela de mim todo esse tempo. Você não tem esse direito. — A voz dele estava mais alta e ríspida e Olivia sentiu a raiva crescendo dentro dele... E dentro dela também.

— Eu não tenho esse direito? — A voz da mulher saiu mais alta do que ela gostaria, mas já que estavam tendo essa discussão, então que ele soubesse que não era o único que estava com raiva naquela sala. — E você queria que eu fizesse o que? Ou melhor, o que você teria feito se eu tivesse contado isso à dezessete anos atrás? — Ela não conseguia mais olhar para a cara dele sem ter uma vontade absurda de batê-lo.

— Eu teria... teria... — Ele não tinha a resposta para aquela pergunta e isso o deixou com mais raiva. Como é que Tony Stark não tem resposta para uma simples pergunta dessas?

— Hm? Eu sei o que você iria fazer. — Ela começou a falar, gritar, na verdade. Seu autocontrole já estava ao chão. — Teria exigido o teste de DNA antes de qualquer coisa, depois que comprovasse que eu não estava mentindo iria pagar a pensão mais alta da história, para não deixar NADA faltar para sua filha... — por um segundo ela pensou que iria desmaiar, sua cabeça já estava explodindo de dor. Olivia tentou se acalmar, Tony estava parecendo que tinha levado um tapa no rosto. Ele não estava com uma expressão melhor que ela, parecia que iria vomitar a qualquer momento.

Por uns minutos o silêncio reinou na cobertura. Ele absorvendo tudo o que ela tinha falado e ela tentando recuperar a compostura. Não ia ajudar em nada deixar Tony Stark com raiva, por mais que ela quisesse o machucar, aquilo acabaria afetando Tereza também. Olivia sentou-se no sofá e colocou os pensamentos em ordem antes de recomeçar a falar. — Mas isto não é ser pai, Tony. Olha para mim. — Ela falou, agora com o tom de voz calmo novamente. Demorou uns segundos antes dele, relutante, olhar para a mulher. — Você mudou.... Não totalmente, ainda consigo ver o Tony Stark que namorei a dezessete anos atrás, mas... — ela sorriu. — Se tornou algo a mais. Toda essa história do seu sequestro, depois o Homem de Ferro... E tem a Virginia Potts, ela é uma mulher incrível, a conheci um tempo atrás num evento em Washington. — Tony andou devagar e sentou ao seu lado no sofá, deixou que suas costas relaxassem um pouco no encosto. — Mas tudo isso, todas essas mudanças foram de... não sei, cinco anos atrás? Antes você ainda era irresponsável e egoísta. — Ele a encarou com as sobrancelhas franzidas pronto para começar a se defender, mas Olivia fez um sinal para ele não a interromper. — Eu não queria que minha filha fosse criada por esse homem, não queria que ela crescesse nós vendo brigar o tempo todo, porque nós brigávamos quando éramos um casal, imagina separados e com uma filha.... Não seria saudável. Aí eu fui para Londres, pensei em voltar e te contar. Afinal, você era o pai, tinha o direito de saber. — Ela parou de falar e continuou olhando para o nada, como se estivesse se lembrando de alguma coisa que a muito tempo estava esquecida.

— Mas não voltou.... Foi porque conheceu o Henry? — Ele sorriu cinicamente. — Decidiu que era mais fácil enganar o trouxa e fingir que o filho era dele, não é? — Ele não conseguia manter uma conversa por muito tempo sem soltar algum comentário ácido. Mas Olivia ignorou a alfinetada, ela não queria brigar com ele. Não agora.

— Eu voltei, Tony. — Agora ele não estava entendendo mais nada. Se ela voltou, o que a fez mudar de ideia e não contar? — Você que não estava mais aqui. Howard e Maria tinham sofrido o acidente.... Ninguém sabia para onde você tinha ido depois do enterro. Você ficou fora do país por uns meses e.... foi nesse meio tempo que conheci o Henry... Ele sabia que a Tess não era dele, na verdade, eu disse que era do meu ex agente e concordamos que nunca contaríamos isso a ninguém... e mesmo com tudo isso, ele continuou me amando — Ela sorriu — E quando Tereza nasceu, ele deu a ela seu sobrenome...

— Eu precisei sair daqui... a mídia não me deixava em paz. Precisei sair daqui para poder... — Ele começou a frase, mas não sabia como termina-la, não tinha forças para terminar, agora sabendo que sua filha não cresceu ao seu lado porque ele não tinha sido forte o suficiente para ficar.

— Para poder sentir a perda deles, para se permitir ficar de luto sem que seu rosto fosse a manchete da vez. Eu entendo, não estou lhe culpando... — Ela tocou em seu braço num gesto gentil. — Tony, eu acredito que não podíamos ter feito nada diferente. Você seguiu o seu caminho e eu segui o meu e..... Foi a melhor escolha que poderíamos ter feito. Foi o certo a se fazer, pela Tereza. — Ela ficou de frente para ele no sofá. Tony sentia falta daquilo, ele nunca tinha percebido antes, mas as conversas que eles sempre tinham depois de discussões eram as mais sinceras. — Se tivéssemos criado ela juntos... Deus, teria sido um desastre.

— Você não tem como saber.

— É claro que tenho, acha que você seria um bom exemplo para ela? Saindo bêbado de festas quase todas as noites? Dormindo com uma mulher diferente toda semana? Não mesmo. Eu a criar longe de você foi o certo a se fazer, e você sabe disso... bem no fundo você sabe. — Ele ficou calado, não tinha como negar aquilo. O Tony antes do sequestro era um babaca e nunca que o Tony de hoje colocaria uma criança nas mãos irresponsáveis daquele homem. Talvez Olivia não estivesse totalmente errada.

— O que você quer que eu faça? Se ela for mesmo minha.... Não espera que eu simplesmente finja que ela não existe, não é? — Ele perguntou.

— Na verdade, seria o ideal. — Ela tentou não se irritar com a cara de reprovação que ele fez. — A sua vida pode continuar igual, como se a Tereza nem existisse. É só negar o acordo dela e pronto.

Tony não estava acreditando nas coisas que aquela mulher estava falando. Como ele poderia ignorar o fato da menina ter chances de ser filha dele?

— Você está ficando louca? Essas tintas de cabelo devem estar afetando seu cérebro. Se essa garota for minha.... Eu quero fazer parte da vida dela. — Ele estava com mais raiva ainda.

— Meu Deus, ela já tem tudo o que precisa, Tony. O que você daria a ela, que eu ou o Henry já não tenhamos dado? — Olivia tentava se manter calma.

— Ah, deixa eu pensar... O meu sobrenome? A chance de conhecer o pai verdadeiro? Nunca precisar trabalhar na vida? — Eles estavam gritando um com o outro novamente, por um minuto Olivia pensou que eles tinham se entendido. Que ele tinha entendido.... Chegava a ser cômico a sua ingenuidade.

— Primeiro, o pai verdadeiro da Tereza é o Henry, sempre foi e sempre será, não importa se eles não têm o mesmo sangue. — Ela se aproximava do homem com os olhos brilhando de raiva, por um segundo Tony pensou que ela fosse batê-lo. — Segundo, Tereza não precisa do seu dinheiro para nada, caso ainda não tenha percebido, a mãe dela é Olivia Renard e terceiro, que diferença o sobrenome Stark traria para ela, além de um alvo bem grande nas costas? Acha que ela estará segura andando do seu lado enquanto você brinca de super-herói com aquela armadura? Seja racional ao menos uma vez na vida e pense no bem-estar dela... antes de pensar no seu.

Talvez agora ela tenha acertado com as palavras, a sala ficou em silêncio enquanto ela observava Tony afastando-se dela. Ele parecia magoado.

— Não vou aceitar o acordo. — Ele falou depois de uns minutos. — E nem falar nada sobre ela ser minha filha.

— O quê? É sério? — Olivia arregalou os olhos surpresa.

— Você é a mãe dela.... Se tem tanta certeza que ela ficará melhor sem mim.... Então eu confio em você. — Tony não acreditava que estava falando aquilo, mas se a menina fosse ficar mais segura longe dele... então é lá que ela teria que ficar. Longe.

— Eu tenho certeza. — Olivia tinha ido até ali para pôr fim aquele problema, e com muito esforço tinha conseguido. Ela deveria estar feliz. Mas agora, vendo Tony com aquela expressão que parecia uma mistura de tristeza com arrependimento, ela se sentiu uma pessoa ruim. Como ela poderia negar a ele o direito de participar da vida da filha?

— Então, já resolvemos tudo ou você tem mais um filho meu escondido por aí? Porque agora eu tenho que ligar para umas ex-namoradas para ver se estou devendo pensão para mais algum. — Ele falou com o rosto sério.

— Quase quarenta anos na cara e ainda continua fazendo piadas com coisas sérias. — Tereza pegou sua bolsa no sofá e foi em direção ao elevador.

— Sabe como é, fazer piadas com coisas sérias é minha marca registrada. — Ele a seguiu até a porta do elevador.

— Se quiser... — Ela começou a falar já dentro do elevador, Tony segurava a porta para não fechar. — Você pode me ligar, para saber dela. Ela vai estar melhor sem você, mas sei que você não estará melhor sem ela...

O que ele queria mesmo era poder fazer parte da vida dela. Mas quando decidiu vestir a armadura e tentar fazer desse mundo um lugar melhor, ele sabia que teria que abdicar de muitas coisas que uma pessoa normal teria. Já estava se arriscando demais tendo a Pepper ao seu lado sempre, não iria arriscar a segurança de mais ninguém. Principalmente de sua filha.

— Obrigado. E... Eu sei que já faz tempo, nós dois não somos as mesmas pessoas que éramos naquela época, mas... desculpa, Livvy. Por ter sido um grande idiota com você...

— Eu estou mesmo ouvindo um pedido de desculpas do grande Sr. Stark? — Ela soltou uma gargalhada.

— Pessoas mudam, Olivia... Para de rir, estou aqui abrindo meu coração e você nem para falar um “Eu te perdoo, Tony. ”

— “Eu te perdoo, Tony. ” — Ela falou imitando o homem. — Mas só porque você me deu a Tess.

Eles se olharam por uns segundos antes de Tony soltar a porta do elevador e vê-la se fechar levando Olivia para o térreo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.