Blood Moon
1 Chapter I - THE AUCTION
Notas iniciais
Favoritem e acompanhem, garanto que não irão se arrepender! Não esqueçam também dos comentários, a opinião dos leitores é muito importante para mim!
Divirtam-se! ♥

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“Não olhe a própria alma, a menos que esteja preparado para enfrentar o que descobrir.”
— VAMPIRE: The Masquerade.
†
Scott Wattkins
23 de maio de 2062 — 1:34 AM
Leilão clandestino de humanos
Região subterrânea da cidade de Ketterscut
***
O clima por aqui era um tanto quanto incômodo para mim. Estava rodeado de bilionários ambiciosos fumando charutos e bebendo. E eu detestava contato com esse tipo de ser humano. Eles, assim como eu, permaneciam sentados numa mesa individual, em frente um fino computador acoplado ao tampão. Na tela, é possível ver o lance mais alto dado até o momento em números maiores, para arrematar a ruiva mostrada seminua em fotos no telão, junto com o seu último dado no canto esquerdo.
O lugar é relativamente escuro, para manter a privacidade dos presentes. Acostumado com isso, eu enxergava melhor que qualquer outro aqui. A pouca iluminação, vinha das luzes negras posicionadas estrategicamente, em formatos retangulares, dispostas em colunas isoladas nas paredes, – que tinham as outras partes compostas por uma pintura negra aveludada –, do telão, das telas dos computadores e de algumas partes do piso de vidro. Em cima de cada mesa, desciam do teto bonitos lustres de cristal. Esse mesmo material compunha as pernas das mesas, enfileiradas e consideravelmente espaçadas, junto com as confortáveis cadeiras estofadas com um tecido preto.
— Dou-lhe uma, dou-lhe duas... Dou-lhe três! – a palavra “sold” pisca no telão, para indicar que houve um comprador pelo último valor lançado. – Red Velvet vendida para o cavalheiro da mesa 26. Parabéns pelo belo produto adquirido!
Olho ao redor e passa pela minha cabeça acabar com esse lugar matando a todos num estalo para me satisfazer... Imagino as chamas frias do elixir cascatearem pela minha garganta, nutrindo-me.
A morte até que seria uma libertação para as garotas daqui. Se eu simplesmente as deixassem livres, de nada adiantará. Sem ter para onde ir, elas voltarão às ruas e é só questão de tempo até serem capturadas novamente. Afinal, não haviam mais sem teto nas cidades. As mulheres eram sequestradas e vendidas como objeto nesses leilões clandestinos de humanos. O esquema mais rentável da atualidade, pois só quem tem muito dinheiro participa. Já os homens, quando não vinham parar em locais como esse, viravam escravos ou tinham seus órgãos vendidos.
Melhor não. Nem todos possuem a pureza que eu aprecio. Além do mais, isso tudo traria uma dor de cabeça desnecessária por colocar em risco a Máscara e virão atrás de mim, que sempre preferi agir discretamente e sem deixar rastros. Sei bem o valor do sigilo e da dissimulação.
A garçonete loira de roupas pretas de couro justas, passa ao meu lado sorridente me oferecendo uma dose de whisky e desviando meus pensamentos. Recuso. Essa não era a bebida que tiraria a minha tensão naquele momento. Não adiantava nem pedir, tenho certeza que não teriam para oferecer... Não de livre e espontânea vontade, é claro.
Já estava impaciente. Todo aquele cenário me causava náuseas. Quero sair logo daqui e voltar para minha casa. Até agora nenhuma das mostradas despertou meu interesse. Talvez fosse um erro meu pensar que poderia encontrar, num ambiente repugnante e tão errado como esse, o que estava procurando para colocar minha arriscada ideia em prática. E o pior, tendo que pagar por isso e ainda correndo o risco de ser descoberto... Não sei se o investimento vale realmente a pena.
Prestes a fazer logout na máquina que usava, para sair depressa dali, eis que surge a foto da próxima na tela. Tinha longos cabelos escuros, olhos azuis, boca rosada e pele tão clara quanto a minha. Sua aparência era quase uma camuflagem. O primeiro lance foi dado. Sessenta milhões de euros por ela. O valor foi aumentando rapidamente e sem pensar, voltei atrás e lancei o meu. Cento e vinte milhões de euros, de uma vez. Ninguém seria capaz de cobrir a minha oferta. Observei o cara de duas mesas antes da minha pensar em dar um lance maior. Ele chegou a levantar as mãos para digitar, mas antes mesmo de conseguir fazer isso, o induzi a mudar de ideia.
— Dou-lhe uma, dou-lhe duas... Dou-lhe três! – mais uma vez a palavra “sold” piscava. — Black Veil vendida para o cavalheiro da mesa 44! Meus parabéns, é toda sua.
Black Veil... Repeti o apelido da moça mentalmente. Achei até interessante. Eles nunca chamavam as mulheres pelo seu real nome, porque a identidade delas não interessava e sim, o que elas poderão oferecer ao seu comprador. Por isso, as denominavam a partir de uma característica, na maioria das vezes física. Essa também era uma forma de marketing desse comércio.
Encerro meu acesso e em minha direção, a mesma garçonete de antes vem andando com uma pequena bandeja de prata nas mãos. Em cima dela, estava uma chave junto com um cartão. A moça aproxima a salva prateada. Pego ambos e leio mentalmente o que estava escrito:
“Local de espera para entrega da compra: quarto 495”
— Senhor, por favor me acompanhe, o conduzirei para fazer o pagamento e depois até o local indicado. – ela diz em meu ouvido.
Levantei-me, guardando meus novos pertences no bolso e a sigo, saindo pelos fundos de onde o leilão continuava. Continuamos andando por alguns corredores e primeiro paramos num balcão. Ela passa para o outro lado e me entrega uma pequena máquina retangular, que mais parecia um pedaço de vidro. Lembro-me de forjar respiração. Coloco meu polegar em cima da tela, que processa minhas digitais e em seguida, pede a senha. Terminando a transação, ela pede o cartão que recebi e o devolvo. Só depois disso, seguimos rumo ao ponto de entrega indicado. A moça finalmente para em frente uma bela porta de madeira de coloração vinho escuro e a abre, posteriormente dando passagem para que eu entre no cômodo.
— Fique à vontade. O senhor deseja um pouco de distração enquanto espera? – pergunta, olhando fixamente para mim, enquanto eu caminhava para sentar numa poltrona, localizada do lado de um sofá. Pude ouvir seus pensamentos.
— Não, quero esperar sozinho. – digo, sem esboçar qualquer tipo de reação.
Se a deixo ficar, ela não gostará muito do tipo de distração que eu queria e isso poderia me causar problemas com a Camarilla, já que a qualquer hora alguém poderia aparecer e presenciar o que não deve. A mulher assente a contragosto e antes mesmo de fechar a porta, o gerente do local aparece com um sorriso no rosto.
Peter Snechal, mais conhecido como “Sneck”. Um dos caras mais ricos que conheço. E mais mau caráter também. Esse não era o único negócio clandestino do qual fazia parte e, para não ser processado nem preso, pagava uma alta propina ao Governo. Nisso, o mundo continuava sendo o mesmo, poderosos dando dinheiro em troca de favores. Muitos políticos até desfrutavam dos serviços oferecidos pelos empreendimentos que gerenciava. Ele vestia um terno preto de veludo, com uma gravata de tom azul escuro, sapatos envernizados e luvas de couro, da mesma cor escura. Se aproxima de mim, que me levanto e abotoo a segunda casa do meu paletó. Mais uma vez faço movimentos de respiração.
— Meus parabéns, senhor Wattkins! – aperta minha mão. — Fez uma excelente aquisição! Em alguns instantes estará com seu produto em mãos.
— Obrigado. – permaneci sério para encurtar a conversa. Aquele homem me dava nojo.
— Estamos terminando de prepara-la para melhor lhe servir. Espero que volte mais vezes! Com licença. – sai em seguida.
Espero nunca mais ter que colocar meus pés aqui e em nenhum outro lugar como esse. Volto a me sentar e observo ao meu redor. Estava dentro de um quarto grande, todo decorado nas cores preto e no mesmo tom de vinho da entrada. Chego até a me lembrar do meu refúgio, que também possuía em praticamente todas as partes, quase as mesmas tonalidades. Mal vejo a hora de voltar para lá.
No centro, encostado na parede de frente para mim, uma grande cama de casal coberta por uma colcha de seda rubra. De cada lado, estava dois criados mudos e em cima deles, abajures acesos. À esquerda, um armário negro com detalhes da mesma cor do tecido em cima do tálamo. Em minha direita, um aparador composto da mesma madeira do guarda-roupa com um vaso de planta horroroso ao meio e, acima dele, um largo espelho colocado sobre a parede. Como tinha sua parte superior levemente inclinada para frente, refletia mais o tapete de pelos no chão. E, por fim, onde eu estava, móveis que poderiam compor uma sala de estar. A iluminação, ainda fraca, dessa vez era alaranjada e estava disposta em pontos estratégicos nos cantos do teto.
Ouço duas batidas na porta, que é aberta em seguida. Um dos seguranças entra levando a moça, – que caminhava devagar – por uma corrente de prata polida presa em pescoço. Seus pulsos e as canelas também se encontram envoltos pelos elos unidos.
Vestia uma espécie de lingerie preta feita de renda e meias 7/8 com a borda ornamentada com o mesmo tecido. Por cima, um longo e vestido feito em tule francês, com tiras que começam no pescoço, descem por cima sutiã e contornam a cintura até chegar no meio das coxas, onde deixa de ser justo e se abre até a extensão final.Nós pés, sapatos de salto alto.
O cara a conduz, até chegar perto de mim, deixando-a em pé e sai sem dizer uma palavra. Levanto e me aproximo mais. Ela está visivelmente sob efeito de tranquilizantes e mal consegue me olhar com clareza.
— Se você for fazer algo, aproveite enquanto estou sob efeito disso... – foram suas únicas palavras antes de cair para o meu lado. Consigo segurá-la antes mesmo de seu corpo tocar o chão.
Eu não faria nada ali. Não é um local nada adequado. Além de causar uma sujeira danada, não estou com o que preciso e ainda corro o risco de ser descoberto. Coloco a moça sentada no sofá e com a chave que recebi, abro os cadeados que prendiam as correntes nela, que permaneceu desacordada.
Observei-a por alguns instantes. Ela era idêntica à imagem mostrada no leilão. Realmente tem a pele tão clara quanto a minha. Por um momento chego a pensar que era igual a mim. Mas não. Consigo escutar as fracas batidas do seu coração. Além do mais, se fosse eu saberia logo de cara e certamente não estaria aqui à venda, num local como esse.
Finalmente, é hora de ir embora dali. Pego sem dificuldade a moça no colo e vou saindo em direção à porta, que foi aberta pelo mesmo segurança que a trouxe. Ando com ela carregando nos braços até o estacionamento. Meu carro estava próximo e sem usar as mãos, abro a porta do passageiro. Com facilidade, coloco a Black Veil sentada no banco e passo o cinto de segurança pelo seu corpo, prendendo-o. Entro no veículo, me certifico que os vidros fumês estão todos fechados, ligo o ar condicionado e dou partida. O caminho seria um pouco longo.
Enquanto dirijo pela estrada, a lua vermelha iluminava o céu. Olho para o lado, a fim de averiguar como a moça estava. Com a cabeça tombada para o lado direito, ainda apagada, deixava seu liso pescoço à mostra. Me controlei.
Em meio ao silêncio, eu podia ouvir claramente o som do sangue pulsando em suas veias.
Notas finais
♦ Se a fanfic tiver uma boa repercussão, posto mais capítulos em breve!
Me contem tudo que estão achando nos comentários! ♥
♦ Vestido usado pela Black Veil:
https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/564x/cb/e7/cc/cbe7cc8dd1a3fbc5588def526fbe24ce.jpg
~ Playlist de Blood Moon no Spotify:
https://open.spotify.com/user/itsleticialima/playlist/1WO2MkzP7UWe0paru0dYn1
A primeira música da lista, We Don’t Belong Here do BVB, é a que eu imagino ser a trilha sonora da introdução da fanfic. Sigam, ouçam e me contem o que acharam!
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