Blood Lust
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Quero agradecer à minha correctora, é graças a ela que a historia vem com poucos ou nenhuns erros (não é que eu dê muitos, mas estão sempre lá alguns).
Espero que gostem e boa leitura.
O normal era eu recordar-me disto quando era pequeno, quando ainda era tudo recente, mas já se passara uns largos anos, porquê agora?
Será que eles decidiram atormentar-me ou querem avisar-me que algo de mal vem ai? Pensando melhor, o meu pai não era do tipo de acolher o filho, quando este tinha medo do escuro, até pelo contrário, desprezava-o e via-o chorar. Talvez fosse a minha mãe, arrependida por não proteger a cria das vezes que levou porrada do pai.
Desde que aquilo tudo não volte de novo, não me interessa quem tenha sido o responsável por este sonho, só queria ter uma vida descansada e sem stress. Agora sinto-me um idiota completo. Quando era miúdo e tinha os meus problemas com os rapazes da minha idade, tentava não depender dos meus tios, dizia que não precisava da ajuda deles porque logo passaria, toda a confusão era temporária. Mas agora, com este sonho, não recusava a companhia de alguém, alguém que me afastasse o medo ou a ilusão disso. Queria alguém em quem confiar, alguém como…ele. Queria-o ao meu lado, só por breves segundos, para me sentir seguro e sem medo. Queria-o aqui…agora…
-O que é que eu estou para aqui a dizer! – Berrei.- Estás parvo! Desde quando é que precisas da companhia de alguém, principalmente, a dele.
A única coisa que podia fazer neste momento era voltar a dormir e rezar para que aquelas memórias fossem seladas a sete chaves.
Quando acordei já era dez e trinta e sete, nunca dormira assim tanto desde a minha adolescência nem estava à espera depois daquele sonho. A primeira coisa que fiz foi tomar o meu pequeno-almoço, tomar um duche rápido e vestir, tinha coisas a fazer como ir ao supermercado e passar pela universidade que frequento devido aos relatórios que me pediram para fazer. Tinha tanta coisa para fazer, mas a vontade estava no nível mínimo só queria-me divertir um pouco e beber uns copos com os meus colegas e voltar para casa, sem pensar no trabalho e na universidade. Mas a minha vida não o permite, pois bem, se não posso fazer aquilo que quero tenho de fazer aquilo que sou obrigado a fazer.
Saí do meu apartamento e fui directo à universidade, entrei na sala dos professores e procurei pelo meu Sensei, este entregou-me dois documentos para ler com a intenção de fazer um relatório final, para a minha nota final.
De seguida fui ao supermercado comprar o essencial para sobreviver. Encontrei uma antiga vizinha que se tinha mudado para perto do seu local de trabalho e ficamos a conversar um pouco acerca da sua vida e da minha (mesmo eu não querendo dizer).
-Foi um prazer voltar a vê-lo Tenma-san.
-O prazer foi todo meu. – Sorri-lhe.
De volto à vida monótona, fui para casa preparar o meu almoço. Para meu espanto estava com uma fome enorme e não sei porquê qualquer comida que fizesse não me satisfazia. Depois de arrumar o meu apartamento olhei para o relógio e observei que estava na hora de ir trabalhar. Quando cheguei ao café vi a Kaede a colocar o avental e acenou-me.
-Yahoo!
-Bem disposta como sempre. – Sorri-lhe.
-Claro! Se não o patrão despede-me. – Retribuiu-me o sorriso
Se todos os meus problemas fossem esses, mas enfim.
O meu trabalho começou bastante bem. Dois idiotas meteram-se com uma das empregadas do café e eu fui obrigado a metê-los fora do estabelecimento, tinham pinta de pertencerem a um gangue, a minha sorte é que não queriam armar brigas e foram-se logo embora.
-Obrigada Haruka-kun.
-De nada.
O resto do dia correu normalmente, eu a atender clientes, alguns ou melhor, algumas que se babavam quando me viam.
-Impressionante! Eu aqui com uma saia toda jeitosa a mostrar as pernas, não tenho essa reacção nos homens, mas tu, completamente vestido, consegues que todas as mulheres neste sítio corem e babem por vezes, o que é muito nojento digo-te já.
-Pois…trocaria se pudesse.
-És tão rude Haruka!
-Se calhar é isso que elas gostam Ta-ka-chi.
-Não me trates por Takashi!
A noite deu indícios e o café começou a agitar-se. Todos os minutos via caras novas a entrarem. Não sei como é que a estas horas da noite aparecem tantas pessoas.
O pior de tudo é que vêm pessoas bastante indesejadas como é o caso dele.
-Sora! Podes vir aqui?
Sora era outra empregada do café.
-O que foi?
-Estás a ver aquela mesa ali? A nº7?
-Sim. Oh! Aquela que tem o rapaz super lindo?
Revirei-lhe os olhos. – Sim esse. Podes atende-lo por mim? É que estou ocupado a preparar um pedido de um cliente.
-Claro que posso, mas não achas que o patrão vai desconfiar?
-Talvez, mas eu depois explico. E já agora, se perguntar por mim, diz que não posso atende-lo porque, como vês, estou ocupado e que vá para casa quando terminar o quer que seja.
-Está bem…Passa-se alguma coisa entre vocês os dois?
Nada que desejes saber.
-Digamos que ele é um perseguidor. Nada de mal, não te preocupes.
-Ok.
Assim já não me podia chatear.
Observei que a rapariga estava a anotar o pedido e enquanto aproximava-se do balcão olhei de relance para ele, arregalei os olhos quando vi que olhava para mim também entregando-me um sorriso como se dissesse “apanhei-te”.
Continuei a minha tarefa, bastante corado por sinal.
-Haruka o rapaz disse que queria falar contigo, independentemente do que dissesses. Disse, também, que de maneira alguma o conseguirias evitar.
Só pode estar a brincar comigo! Mas eu sou o brinquedo dele?! Se não quero falar com ele não falo!
-É o que vamos ver… — Sussurei.
-Disseste alguma coisa?
-N-nada. Obrigado Sora.
-Não tens de quê. – Sorriu-me.
Vamos ver se realmente não o consigo evitar.
A noite passou normalmente como de costume, por vezes olhava de relance para o lugar onde ele se sentara, mas já não se encontrava lá. Era um alívio não estar a ser importunado pela constante observação que fazia e digo-vos que era capaz de senti-la.
Como a minha hora de trabalho tinha acabado, fui directo para o balneário e despi a farda, arrumando-a e preparando-me para sair. Quando saí vi o espectro de alguém que me fez descer o humor até ao nível menos cem do meu contador.
Como inteligente pessoa e cumpridora da minha palavra, ignorei a sua presença e continuei o meu caminho até casa. Ouvia os seus passos a seguirem-me como se fosse a minha sombra, continuei a ignorar.
-Um dia vais ter que abrir a tua boca e dizer alguma coisa…espera, não teoricamente.
O que é que ele está a insinuar?
-Adorava fazer o mesmo que fizemos naquela noite.
O que fizemos naquela noite? Quer dizer…o beijo?
-Deves estar a brincar! – Exclamei.
-Oh! Parece que o menino abriu o bico. – Sorriu-me perversamente.
Continuei de bico calado enquanto caminhava para casa. Se ele pensa que por dizer aquilo me fará abrir a boca está muito enganado. Simplesmente foi um descuido.
-Não entendo porque me ignoras Haruka. Eu sei que por dentro estás a atormentar-te para não falares comigo. Mas sabes que não vai ser para sempre esse pacto de silêncio, um dia vais falar e quando falares vai sair-te mais que a voz dessa boca.
Mas que raio! Vai sair mais que a voz? Passou-se de vez!
Se ele pensava que lhe ia responder àquilo estava muito enganado, e como prova continuei a andar até chegar ao meu apartamento. Quando abri a porta e entrei o homem que me acompanhara o tempo todo perguntou:
-Não me vais convidar a entrar?
Olhei para ele, sério, e respondi:
-Não! – Fechando a porta na cara.
Pousei a minha mochila na cama e abri o frigorífico. Só tinha um bento que comprara na loja de conveniências e há dias que o meu estômago pedia por algo diferente.
-Vai ter que esperar.
Peguei na caixa e comecei a comer. Liguei a televisão para ver as notícias enquanto comia, mas desliguei logo a seguir pois não queria ouvir as mesmas bocas a contarem as mesmas novidades.
Quando acabei o meu jantar decidi tomar um banho para largar todo o suor que ganhara enquanto trabalhava.
-Ha-ru-ka! Nunca mais acabas esse banho. Daqui a pouco vou ai a ver se precisas de ajuda!
Foda-se! Deixei a janela entreaberta!
-Vou entrar em três, dois, um…
-O que é que tu queres!? – Perguntei-lhe com a toalha enrolada à anca.
-Uhh, que bela vista. Só é pena essa toalha. Está a ferir-me a visão.
Não consegui evitar ficar um pouco corado. No entanto continuava fulo.
De repente vi o maldito homem a centímetros de mim.
-Então, essa tua boca decidiu falar… — Constatou. Começou a afastar-se e acrescentou: — É bastante entediante não ouvir a tua voz, Haruka, apesar de me divertir sempre que te vejo corado.
Corei um pouco mais.
Este estupor conseguia envergonhar até um homem adulto!
-Por acaso fiz-te ou disse-te alguma coisa para deixares de falar comigo?
-Sim. Apareceste!
-Hm…ainda bem.
Fez um sorriso matreiro e sentou-se na minha cama, cruzando as pernas de seguida.
-Por acaso importava-se de sair do meu apartamento? É bastante incomodativo ter alguém que nem se quer convidei.
-Talvez vá, com uma condição.
O que é que ele queria desta vez…
-Que condição? – Perguntei.
Começou a bater com o dedo no lábio e consegui deduzir qual seria a condição que exigia.
-Nem penses!
-Pois… sendo assim não saio daqui. E podes chamar quem tu quiseres que ninguém me tira da tua cama.
Fechei-lhe a porta na cara e comecei a tomar banho.
Quando terminei, saí da banheira e a figura de um ameaçador vampiro estava implantada à minha frente. O que me excitou…um pouco.
-Haruka, Haruka. Não gosto nada que me façam o que acabaste de fazer. – Informou a criatura que avançava na minha direcção. – Principalmente tu.
Parou e começou a estudar o meu corpo. Sentia-me um animal raro à sua frente e apesar de ter uma toalha a escassos centímetros de mim, não a peguei para me tapar.
-Ainda por cima com um corpo tão avantajado que só me apetece comer-te.
Continuou a aproximar-se até chegar com a boca ao meu ouvido.
-Se voltares a repetir a brincadeira, violo-te. – Sussurrou num tom ameaçador enquanto me agarrava o pénis.
Sem me aperceber, um gemido vindo de não sei onde, saiu-me da boca.
-Haruka, eu sei que me queres, não entendo porque me retrais.
Estava ofegante e o pior de tudo é que ele tinha razão. Nas profundezas do meu corpo e do meu membro, eu queria-o.
-No entanto, como te portaste mal, não há sexo para ninguém. – Informou Shijo com um sorriso matreiro na cara.
Saiu da casa de banho e segundos depois, escutei a porta da entrada fechar-se.
-Porra para este cretino! – Virei-me para o meu pénis e acrescentei – E tu porque é que me traíste?!
Peguei na tão esperada toalha e enrolei-a à anca. Fui para o quarto e deitei-me nada cama, arrependido da minha excitação.
Notas finais
Fico à espera dos vossos comentários e se quiserem dar ideias para a continuação da história estou de olhos abertos à espera das vossas sugestões. :D
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