Blood Chronicles

1 O primeiro amanhecer após a morte.


A madrugada estava silenciosa, tanto que Karin ouvia seus próprios passos, um após o outro. Ela demorou mais do que esperava para terminar um trabalho, além disso, as coisas não saíram como ela esperava. Desapontada consigo mesma, caminhava pensando nas consequências daquele atraso e das complicações que teve. Ela sabe que a Camarilla e seus cabeças-secas poderiam ser clientes bem difíceis para lhes dar explicações, mas Levy definitivamente conseguia ser bem pior quando queria. Ela passou um lenço branco pelo rosto, que se avermelhou severamente – óbvio que aquele sangue não era dela, provavelmente acabou juntando trabalho com refeição.

Apressou os passos, ainda devia chegar até o carro que escondeu em um beco perto de alguns prédios abandonados. Ela olhava o céu e o relógio, o medo de ser pega pelo amanhecer fazia sua preocupação triplicar – além de um quase fracasso, e uma provável má reputação nos negócios, ainda poderia pegar um bronzeado que custaria sua existência.

Seu medo à fez usar o sangue, talvez desnecessáriamente, mas ela sentia que precisava chegar o mais rápido possível. Acelerou até enxergar o beco – se respirasse, teria soltado um suspiro daqueles quando viu o carro.

Ela se aproximou mais e estava prestes a abrir a porta quando foi surpreendida com o que parecia ser um corpo arremessado em sua direção. Ela se esquivou sem dificuldades, seu sangue ainda não havia esfriado. – Filho de uma puta. – Ela xingou, procurando quem teria sido o autor daquilo e já se preparando pro pior; um simples humano não seria capaz de fazer aquilo e um carniçal bem treinado seria o seu pior pesadelo com o pôr do sol chegando. Ela não precisou esperar muito pra ter sua resposta; logo um sujeito ensanguentado e coberto de hematomas, bufando ferozmente veio em sua direção. Havia tanta força empregada naquele ataque que Karin podia ver as veias do sujeito pulsarem, como se fossem saltar pra fora da pele.

Bastaram poucos milésimos de segundos olhando aquilo tudo pra ela perceber que ele estava em frenesi e quem possivelmente era ele. Ela não podia bobear, a besta quando se revela é perigosa, mas esse descontrole era o único trunfo que ela tinha. Era uma questão de instinto contra inteligência. O que chamou atenção e a fez agir foi reconhecer o pendente no pescoço do homem, algo bem singular, que ajudaria a limpar o histórico do trabalho mal feito que havia executado essa noite – nada conveniente.

— Gostei da sua coleira cara, vou te levar pra passear. – Karin disse baixo, mas não faria diferença, não era ele que estava ouvindo e os únicos idiomas que a besta entende é o do sangue e o da destruição. Mais uma vez, desviar não foi um problema pra ela. Agora, seu sangue fervia mais do que antes, ela precisava se apressar. Usou um pouco mais de sangue pra concentrar força nos músculos, precisava desacordar ele e coloca-lo no carro antes que fosse tarde demais pra sair de lá – o amanhecer não faria a gentileza de aguardar pelos seus planos.

A coisa não durou muito tempo, mas o sujeito lhe deu trabalho, ela gastou bastante sangue na esperança do efeito de frenesi acabar, mas já sabia que assim que acabasse o cara iria cair feito uma pedra no chão. E foi o que houve.

Pegou o cara e o jogou no porta-malas, trancou as portas e tirou o carro daquele buraco. Em um canto do GPS do carro ela notou as horas: 05:49AM – Merda. – Resmungou enquanto passava as marchas e aumentava a velocidade. Quanto mais ela percebia o tempo passar, mais ela praguejava e cortava as ruas com desespero.

Na contagem regressiva para as 6:00AM ela fechou os olhos, já podia mentalmente sentir o sol atravessando os vidros filmados e queimarem sua pele – Insulfilm? – Talvez o nervosismo houvesse atingido demais suas percepções, não notar aquilo foi uma tremenda estupidez; mas é claro que Levy nunca deixaria um carro sem preparação ir pra rua com um de seus “pupilos” – ela sorriu aliviada e seguiu até o refúgio do bando.

Ao chegar na frente do refugio, o portão de ferro reforçado da garagem se abriu quase que automaticamente – Henry que tomava conta de toda a parte eletrônica no grupo, desde à eletrodomésticos precisando de reparos até escutas de espionagem elaboradas e quebras de sistemas.

Namorando ao por do sol, Karin? – Disse Henry pelo Interfone da garagem, no exato momento em que Karin abriu o porta-malas. – Não sabia que você era tão romântica. – O garoto completou rindo. – Ha-Ha-Ha... Muito engraçado pirralho. – Ela respondeu com deboche, era bem a cara dele fazer esse tipo de piada. – Se você puder parar de rir e descer aqui... Tô um pouco zerada, um pouco de ajuda cairia bem.

(Continua)

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.