Blood Brothers

12 Na sua desprezível companhia


Scorpius encontrou os amigos sem noção dos sentidos. James estava jogado sobre a neve, Ramon debruçado sobre o corpo ao lado de uma Lily apagada e apoiada em uma árvore. Alvo era o único que não havia perdido a consciência, estava apoiando a palma da mão na árvore em que Lily encostava. Scorpius não notou a falta do Snow.

Ele se aproximou de Alvo e lhe entregou um vidrinho do antídoto. O amigo o encarou, seus olhos estavam assustadoramente turvos e perdidos. Jorge Weasley tinha razão, aquilo era perigoso. Terminou de administrar o antídoto nos outros.

Alvo voltou a si muito rápido enquanto os demais ainda melhoravam.

– O que aconteceu? Você já sabe? – perguntou ansioso.

– Sobre o lance de irmãos, sim eu já sei. – Scorpius respondeu sem emoção.

– Tudo bem? – Alvo perguntou incerto.

Scorpius deu de ombros.

Ramon, Lily e James já haviam retomado os sentidos e o casal conversava baixo enquanto o mais velho dos Potter coçava a cabeça, não parecia muito bem.

– O que aconteceu aqui? – Alvo perguntou novamente.

Scorpius o encarou.

– Foi a Rose, usou umas bombinhas de gás para nos apagar e fugiu. – disse bem claro e esperou a reação do amigo.

– Fugiu? – Alvo gritou – Como fugiu? Para aonde? Você viu? – estava desesperado.

– Não consegui alcançá-la. — Scorpius mentiu.

– Por que a Rose fugiu? O que houve? — Lily perguntou confusa.

– Rose e Scorpius são irmãos. – James prontamente informou.

Lily levou a mão à boca, não tinha palavras. Já Ramon, riu.

– É uma piada, certo? — perguntou franzindo o cenho.

– Não, longa história. Estou disposto a contar desde que fique longe da minha irmã – James respondeu.

– Ótimo, conta sua versão cinematográfica para eles e me livra dessa. — Alvo disse irritado.

– Nas carruagens, precisamos ir. — Scorpius falou.

– Temos que achar a Rose! — Ramon protestou.

– Concordo, depois damos um jeito de voltar. — Alvo concordou.

– Não, vamos para o castelo, preciso enviar uma carta – Scorpius falou – Voltamos mais tarde.

Alvo o encarou cético.

– Por favor — Scorpius pediu.

– Tudo bem – Alvo concordou e Scorpius aliviou-se, mas apenas por um momento – Vocês vão e eu fico com o James, ele pode aparatar comigo para voltarmos.

– Não cara, voltamos depois! — Scorpius tentava convencê-lo – Preciso de você.

– Desculpa Scorpius, Ramon vai contigo. Não posso e não vou deixar a Rose sozinha com tudo isso na cabeça. — Alvo foi firme.

Scorpius fechou os olhos, ele não iria desistir. Rose teria que desculpa-lo, mas Alvo tinha que saber. Ele segurou nos ombros do amigo e o afastou dos outros.

– Não vai encontrá-la – disse sério – Temos que voltar.

Alvo o encarou desconfiado.

– O que você sabe? — perguntou.

– No castelo cara, no castelo eu te conto o que sei.

– Você sabe onde ela está? – Alvo perguntou ansioso.

Scorpius negou com a cabeça.

– Por favor cara, não pode fazer isso comigo. – Alvo insistiu.

– Não sei se ela ainda está lá. – Scorpius respondeu por fim.

– E o que estamos fazendo aqui? – Alvo gritou exasperado – Onde cara, onde?

Scorpius permanecia imóvel. Alvo o pegou pelos ombros.

– Qual é o teu problema? Me leva até ela! Agora Scorpius! – disse o encarando firme.

– Ela me pediu, não vai me perdoar. – Scorpius disse baixo.

– Te perdoar? Sua preocupação é se ela vai ficar feliz com você? – Alvo gritava cada vez mais, parecia ter esquecido que Scorpius também era vítima.

– Ela é minha irmã! Não posso perdê-la, não quero que me odeie.

– Não estou me importando se ela vai te odiar cara, nem se vai me odiar – respondeu exasperado – Conhece a Rose, ela deve estar cheia de raiva, ela chega a ser psicótica com raiva e poderosa. Você já viu, sabe que eu tenho razão. Já imaginou o que ela pode fazer? Nos problemas que pode se meter? – Alvo parecia cada vez mais desesperado.

Scorpius levou a mão à cabeça. E se Alvo tivesse razão? Não se perdoaria se ela se machucasse, pior, ela já tinha se machucado. Como ele pôde esquecer? Rose tinha um roxo enorme do abdômen.

– Na casa dos gritos – disse por fim – Ela estava na casa dos gritos.

Alvo nem olhou de volta para o amigo, só correu o mais rápido de pôde em direção a ela.

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Rose permanecia imóvel observando o céu pelas janelas quebradas já há algum tempo. Tentava pensar no que fazer, mas nada lhe vinha à mente. Sentia como se a decepção e a tristeza tivessem desligado seu cérebro. Era como uma meditação involuntária, sua mente vagando no vazio enquanto os olhos observavam o céu, mas não viam.

Chester Snow se aproximou devagar da menina. Ela permanecia concentrada.

– Rose – ele tentou soar o mais baixo e doce que conseguiu.

Ela se virou imediatamente e o encarou, seus olhos se estreitaram ao encontrar o brilho negro dos dele.

– O que faz aqui? – perguntou agressiva.

Ele levantou os braços num gesto de rendição.

– Quero ajudar, não sou seu inimigo – disse e tentou se aproximar.

Rose recuou os passos que ele deu em sua direção.

– Vai para o inferno! – disse e se virou novamente para a janela.

Ele foi se aproximando novamente.

– Sei onde pode ir, conheço o mundo trouxa, estaria segura comigo. – Snow falou tentando parecer amável e repousou a mão sobre o ombro dela.

Rose se virou violentamente e o empurrou com toda força que pôde. Snow deu dois passos desequilibrados para trás e caiu de bunda no chão. Quando voltou a encará-la, ela apontava a varinha para o seu rosto.

– Não encoste em mim. – disse pontuando cada palavra.

– Você não vai usar magia – ele disse com um sorriso de lado, aparentemente ainda tentando ser agradável.

– Não duvide – ela avisou.

Ela abriu mais o sorriso.

– Nunca duvidaria de você. Quais são os seus planos? – ele perguntou.

Rose ignorou e manteve a varinha apontada para o rosto dele.

– Ouça os meus. – Snow pediu.

– Sem chance.

– Um minuto, só ouve. Se não gostar eu vou embora e não te incomodo mais.

Rose não tinha mesmo nada a perder, deu um leve aceno de cabeça e guardou varinha. O garoto sorriu, saiu do cômodo e voltou com duas vassouras nas mãos.

– Você voa bem – Snow ainda tentava ser simpático, Rose não reagiu.

– O plano é simples, voamos para o local trouxa mais próximo então pegamos um trem para Londres. Chegando lá eu sei onde arrumar mais dinheiro trouxa e ai te apresento as opções de locais e você escolhe o que achar melhor. – o garoto explicou.

Rose o encarou séria.

– Não pode achar que eu vou aceitar isso sem duvidar. Não sou mais uma tola grifinória das que você está acostumado a lidar, você deveria saber. Porque não me diz a realidade? Porque não começa explicando o motivo que te fez vir até aqui e me oferecer isto? Ou o que te faz querer fugir comigo? Você sabe que provavelmente vai ser expulso por isso. Um nascido trouxa que nem terminou os estudos, não sei se terá espaço no mundo bruxo para você depois disso.

Ele riu.

– Eu sou um grifinório tolo, a professora McGonagall jamais me expulsaria por te proteger. – ele respondeu simplesmente.

– O que te trouxe aqui Snow?

– Você me trouxe aqui Rose. Vim porque quero ajudar. — ele disse olhando no fundo os olhos azuis muito claros dela – É um bom plano, vamos lá.

Rose mal conseguia decidir se era mesmo um bom plano. Não queria a companhia do Snow, definitivamente não queria.

– Não quero sua companhia. – disse.

Snow fez cara de impaciente.

– Sou sua melhor opção. Se não for comigo vai fazer o que? Ficar aqui esperando o James te encontrar?

Ela não respondeu. Sabia que no fundo ele tinha razão. Mas não era confiável, ninguém mais era.

– Por que eu deveria acreditar? – perguntou ao garoto.

Ele deu de ombros e continuou a encarando.

– Por que não?

A frase entrou na cabeça de Rose como um estimulante. Por que ela seria? Por que não enganá-lo? Ela poderia facilmente se livrar dele depois, usar e se livrar. Precisava sair dali logo, era a melhor opção. Sabia que se Scorpius fosse pressionado ele falaria.

– Desde que duas coisas fiquem claras. Não somos amigos e você deve falar comigo só o que for realmente necessário. – ela concordou enfim.

Chester sorriu e Rose não pôde resistir:

– E sorrisos estão proibidos.

Ele fechou a expressão e estendeu uma vassoura a ela.

– Me segue. – disse montando e saindo pela janela.

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Alvo não reparou nos vultos passando acima de sua cabeça. Corria como se fosse sua última chance, com todo o fôlego que tinha. Não adiantou, procurou em cada cômodo, em cada canto, ela não estava lá.

Não podia acreditar, Rose sumira. Estava sozinha em algum lugar como tudo isso na cabeça. Alvo só conseguia se perguntar o que ela faria. Seria capaz de fazer algo e machucar a si mesma? Ele não queria admitir, mas sabia que seria.

Ele havia suportado tanto nesses últimos tempos. E pra que? Havia tomado coragem para se declarar, fantasiou tanto o quanto seria perfeito quando isso acontecesse, mas não, teve o coração esmagado pela cena de ciúmes que ela fez por Scorpius. E depois de conversarem, depois de um quase beijo, ela ainda o escolheu. Escolheu o próprio irmão ao invés dele. E depois de tudo ainda fugiu, olhou nos olhos dele e fugiu, sem falar nada, sem se importar. Como pôde?

Alvo não queria culpa-la, mas não conseguia. Sentia raiva, raiva dela por não estar ali, raiva de si mesmo por não ter chego a tempo, raiva de James por ter demorado tanto a lhe contar, raiva de Draco e Hermione por terem causado tudo isso. Apenas raiva.

Ele havia prometido a si mesmo não chorar novamente por ela naquele dia da festa. Mas hoje, sem poder mais comprimir as emoções dento de si, Alvo chorou. E pela primeira vez na vida chorou por não poder fazer nada a respeito, chorou de raiva.

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Astória observava o céu distraída. Passava horas na sacada mais alta na mansão Malfoy com o seu telescópio ou sem ele. Aquilo sempre a acalmava quando sentia muita falta de seu filho. Ela ainda não sabia por que, mas sentia um aperto no peito desde que acordara essa manhã. Havia escrito uma carta logo sedo para Scorpius, mas ainda não tinha chegado a resposta.

Se surpreendeu quando viu uma coruja grande e marrom se aproximando, parecia uma das de Hogwarts, sentiu o coração disparar.

Assim que a ave pousou, ela retirou o pergaminho pequeno que ela trazia. Havia apenas uma frase nele:

“Mamãe,

Eu e Rose sabemos a verdade. Espero você, o papai e os Weasley aqui amanhã.

Scorpius.”

Astória leu uma, duas, três, quatro vezes. Não adiantava, era mesmo isso que estava escrito. Sentiu suas pernas fraquejarem, só conseguiu gritar pelo marido e sentiu sua visão fechar.

Draco ouviu o grito da esposa e bufou. Ela provavelmente queria mostrá-lo algo no céu que ele não conseguiria ver. Havia pedido para Astória não interromper, tinha um relatório imenso para entregar amanhã no trabalho. Mas ele não conseguia ignorá-la e foi ver o que ela queria.

Soltou um grito surdo quando a viu jogada no chão da sacada. Agachou ao seu lado e colocou a esposa em seu colo. Quando a levantou viu um pequeno pedaço de pergaminho cair de sua mão, mas não deu importância.

Draco colocou-a sobre a cama e a chamou, não obteve resposta. Ele lançou um feitiço revigorante na esposa e ela lentamente foi retomando os sentidos. Quando abriu os olhos e viu o rosto do marido próximo, disse com conseguiu:

– Scorpius mandou uma carta.

Ele arregalou os olhos e correu de volta a sacada para buscar o pergaminho. Quando voltou, parecia ainda mais preocupado que antes. Astória já havia se recuperado.

– Mande um patrono a Rony e Hermione avisando que chegaremos em meia hora. – Draco pediu a ela.

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– Eu sempre soube que isso aconteceria, era muito melhor ter contado a verdade desde o começo. Mas não, você tinha que dizer a menina que era o pai dela! – Hermione falava numa velocidade impressionante, muito nervosa.

– Mas eu sou o pai dela! – Rony respondeu ofendido.

– Você entendeu o que eu quis dizer Ronald!

– Eu fiz isso por ela! Não queria que se sentisse diferente, principalmente depois do Hugo. Sabe o quando a amo!

Hermione encarou o marido, via o desespero em seus olhos. Ele não admitiria, mas estava morrendo de medo da reação de Rose, e ela também estava.

– Vai ficar tudo bem Ron, vamos explicar tudo e eles entenderão. – ela disse mais para acalmar o marido, conhecia a filha e sabia que não seria fácil.

Rony se aproximou dela, beijou suavemente seus lábios e a abraçou.

– Não posso perder minha princesinha. – disse ainda abraçando a esposa.

– Eu não vou deixar. – ela afirmou.

Ainda se abraçavam quando ouviram uma batida suave na porta da frente.

– Será que os Malfoy esqueceram alguma coisa? – Hermione perguntou ao marido que deu de ombros.

Se assustou ao abrir a porta e dar de cara com Gina em seu robe de seda azul, pálida e com os cabelos bagunçados .

– Gina, o que aconteceu? – Hermione perguntou abrindo espaço para que a cunhada entrasse.

– Eles já sabem! – ela disse rápido – Rose e Scorpius. James me mandou uma carta.

– Nós sabemos, Scorpius escreveu aos Malfoy. – Rony respondeu.

– E a Rose? – Gina perguntou.

– Não nos disse nada ainda. – Mione falou preocupada.

Gina fez uma cara de preocupação ainda pior e tirou um pergaminho do bolso. Estendeu para a cunhada. Hermione passou os olhos pelo pergaminho e o estendeu ao marido.

– James não parece muito bem na carta, não sei se é tudo verdade. – Gina falou antes que Hermione dissesse qualquer coisa.

– Precisamos ir a Hogwarts agora! – Rony falou assim que acabou de ler.

– Mandarei um patrono a Minerva. – Hermione concordou.

– Não, são quase três da manhã – Gina os chamou a realidade – Não gosto de admitir, mas acho que James estava bêbado quando escreveu isto.

O casal Weasley se encarava. Não pareciam convencidos a ficar.

– Ouçam a voz da razão, amanhã de manhã, antes das crianças acordarem já estarão lá. Tenho certeza que Rose está em seu salão comunal agora, James não é da mesma casa. Se ela tivesse mesmo sumido, Alvo falaria alguma coisa. – Gina disse firme.

Hermione acabou concordando. Alvo com certeza falaria alguma coisa.