Blood Brothers
5 Há uma linha tênue entre o amor e o ódio
Notas iniciais
Durante a hora do almoço, Rose, Scorpius e Ramon procuraram Alvo por todo o terreno do castelo e nem sinal do menino. Faltavam apenas 20 minutos para aula de Trato das criaturas mágicas. Scorpius não havia parado nem um segundo de repetir que estava morrendo de fome e agora Ramon fazia coro com ele.
– Se formos até a cozinha vamos perder a aula do Hagrid – Rose diz a eles impaciente
– Ah tá! Você não se importa de perder a aula do Binns, mas a do Hadrid sim! Qual é a diferença? – Scorpius pergunta
– Toda diferença! Hagrid é nosso amigo e ficaria chateado se matássemos a aula dele... E ele pode saber alguma coisa do Alvo – Rose responde
– Eu também gosto do Hagrid, mas meu estômago está colado nas costas! — Ramon resmunga
– Se formos logo dará tempo de comer alguma coisa na cabana dele – Rose fala enquanto já caminha apressadamente em direção a cabana de madeira do amigo meio gigante.
Os garotos não ficam muito satisfeitos com a perspectiva de comer os bolinhos duros que Hagrid faz, mas como não veem outro jeito de colocarem algo na barriga e Rose já se encontrava a 4 metros de distância, se põem a caminhar atrás dela.
Ao chegarem a cabana do Hagrid, o encontram cuidando do canteiro de aboboras gigantes que ele está cultivando para a festa de Halloween.
– Olá Hagrid – diz Rose sorrindo
– Ah, são vocês! — ele diz se virando para os três – Chegaram cedo hoje
– Estamos procurando o Alvo, você o viu? — Ramon pergunta
– Agora que vocês falaram reparei que está faltando ele — Hagrid diz observando os três – Mas não, não o vi, lamento
– Hum, tudo bem – Rose fala cabisbaixa
– Vocês não perdem para esperar a aula que eu preparei para hoje – Hagrid fala animado – Vamos entrando, ainda faltam 15 minutos e eu tenho uns bolinhos de frutas secas que eu mesmo fiz, vocês vão adorar – ele completa enquanto entra pela porta enorme.
Se a aula de Hagrid fora realmente interessante, Rose nunca saberia, pois sua mente não parava um segundo de pensar em onde Alvo estaria e porque havia sumido dessa forma, seria para puni-la por ontem? Ela conseguia imaginar milhões de motivos e em todos, ela era a culpada.
Em um momento da aula, enquanto Hagrid segurava uma espécie de pássaro bizarra e explicava alguma coisa, a menina pensou sentir a presença e o cheiro do primo, mas quando olhou em volta constatou que estava imaginando coisas.
Após a aula os três seguiram em silêncio para o castelo.
– Cozinha? – Scorpius sugere
– Por favor – Ramon resposde
Rose apenas acena com a cabeça e segue os meninos a passos lentos, a menina não sentia fome, não quando não sabia onde Alvo poderia estar.
Ramon estava no final de uma grande torta que ele comia sozinho. Já Scorpius comia ao mesmo tempo uma coxa de galinha e um ensopado de rins. Rose apenas beliscava uns pãezinhos enquanto observava a quantidade imensa de Elfos trabalharem, mas quando ela fixou seu olhar em uma mesa aparentemente vazia a direita, pode ver um pedaço de torta sumir, como se alguém invisível a comesse. A menina se aproximou da mesa e inspirou o ar profundamente e mesmo com todo aquele aroma da deliciosa comida dos Elfos ela pode sentir, não muito forte mas bem destacado, o cheiro de Alvo. E ela sorriu para a mesa vazia a sua frente.
– Já estou satisfeita – Rose declara
– Mas acabamos de chegar – Ramon protesta enquanto Scorpius concorda de boca cheia
– Tudo bem vocês podem ficar, nos encontramos na sala comunal.
Dito isto, Rose saiu pela cozinha quase correndo, deixando Scorpius e Ramon curiosos para trás. Ela seguiu direto para sala comunal da Grifinória, chegando lá se deu conta de que não sabia a senha e a mulher gorda não iria deixá-la entrar. Esperou por uns 10 minutos até que apareceu um garotinho de deveria ser do primeiro ou segundo ano e sem pedir permissão saiu entrando junto com o menino na sala redonda e quente.
– James! – a garota chamou assim que viu o primo sentado em uma das poltronas próximas a lareira
Ele estava, como sempre, rodeado de garotas que sorriam o tempo inteiro, mas dessa vez o Snow não parecia estar com ele.
– Caramba Rose, você está cada dia pior, como entrou aqui? – ele pergunta com cara de assustado – Eu nunca entrei na sala comunal da Sonserina – ele completa num tom triste
– Foi só esperar alguém entrar... Mas escuta James, eu sei que você está com o mapa, então me entrega logo – Rose diz enquanto estende a mão
– Que mapa?
– Não faz essa cara que você sabe muito bem do que eu estou falando, anda James! – ela fala impaciente
– Se você tiver falando do mapa do maroto...
– É claro que eu estou falando do mapa do maroto – Rose interrompe – Sei muito bem que você destrocou com o Alvo
– Eu não destroquei nada, você sabe que em minha opinião, para quem já conhece o mapa, a capa é bem mais útil
– James, eu não tenho a dia inteiro! Agora você vai mentir para proteger o Alvo? Desde quando você está do lado dele? – Rose pergunta irritada
– Eu não estou de lado nenhum, e só porque você acha que o Alvo esta com a capa não quer dizer que eu esteja com o mapa – James reponde impassível
– Te conheço bem demais para acreditar que você deixou a capa com o Alvo sem pegar nada no lugar. O que você quer em troca do mapa?
– Aah, agora você fez pergunta certa! – James fala sorrindo
Rose apenas balança a cabeça e faz sinal para ele prosseguir.
– Então Rose, há varias coisa que eu gostaria, mas eu sou um grande amigo e me importo com as pessoas ao meu redor...
– Para de elogiar a si mesmo e vai direto ao assunto por favor – Rose interrompe
– Tudo bem, tudo bem, quero que você peça desculpas ao Snow por ontem – ele diz solenemente
– Quê?? – Rose pergunta com a voz um pouco mais alta – Acho que eu não ouvi direito...
– Ouviu bem, quero que peça desculpas ao Snow, ele está muito triste desde ontem, mal quis sair do dormitório e eu não gosto do meu amigo assim – James fala como se explicasse tudo
– O que eu tenho haver com isso? – Rose responde levemente histérica
– Tudo haver, foi por causa da briga de vocês ontem
– Duvido que seja, mas isso não, outra coisa por favor... – Rose pede
– Ou isso, ou nada
Rose sacou a varinha do bolso de dentro na capa e James sorriu com o gesto.
– Accio Mapa – ela disse, mas nada aconteceu
– Sabe priminha, eu aprendi uns encantamentos bem interessantes de proteção agora no sexto ano — James sorri radiante enquanto Rose bufa
– Ok, eu peço desculpas! Mas o mapa antes, é urgente, têm a minha palavra – ela se dá por vencida
E com um movimento da varinha de James um pedaço de pergaminho velho e surrado vem parar em suas mãos.
– Não se esqueça de que eu tenho a sua palavra! – James diz enquanto Rose já virava as costas e ia em direção ao buraco do retrato.
Rose desceu como uma flecha e chegou as masmorras, usando as passagens secretas, em um tempo recorde. Scorpius tentou pará-la para pergunta qualquer coisa, mas não conseguiu, a menina o contornou pegou a sua vassoura e a de Alvo, além de uma capa para o menino e seguiu para o jardim observando as pessoas no mapa para que não fosse pega, já eram perto das 6 da tarde e diante do frio que fazia a maioria dos estudantes estava em seu salão comunal.
Chegando ao campo olhou para cima e pode verificar que o céu estava cinzento e fechado, além de estar próximo ao anoitecer. Mas isso não mudou em nada sua vontade de voar.
– Tira a capa Alvo, somos só eu, você e as vassouras, anda! — Rose disse impaciente enquanto jogava a vassoura e a capa no que parecia ser o ar, mas os objetos pararam encostados em algo sólido e invisível
– Não vou tirar
– Ah vai sim! Se você não se lembra, a gente tinha combinado que você não faria mais isso! Pelo menos não sem mim! — Rose rebate bastante irritada
Alvo tirou a capa lentamente e colocou a que Rose lhe trouxe, encarou a prima, mas nenhum dos dois disse nada, apenas subiram em suas vassouras e levantaram voo. Rose seguiu pelo caminho da passagem secreta para a Casa dos gritos em Hogsmeade, esperando que o mapa a levasse ao vilarejo com a ajuda de sua bússola de vassoura, olhando de vez em quando para verificar se Alvo continuava ao seu lado. Demoraram alguns minutos, mas pelo frio que fazia pareceram horas.
Rose parou de sentir os dedos, que antes estavam latejando no momento em que viu a Casa dos gritos. Embicou sua vassoura a Alvo veio logo atrás, desceram das vassouras e se puseram a caminhar vagarosamente, continuaram a não se falar. Rose imaginava que Alvo pudesse ter ouvido a conversa dela com Ramon, mas não tinha coragem de perguntar. Enquanto o menino, que realmente tinha ouvido, não sabia o que falar, ele se sentia tão triste e sozinho, era um sentimento tão ruim que não queria passar a prima.
– Então... Você ficou o tempo inteiro por perto? – Rose pergunta insegura
– Fiquei...
De novo o silêncio, Rose não se lembrava de algum dia ter se sentido tão constrangida perto de Alvo. Os dois continuavam a caminhar a passos lentos, há essa hora já havia escurecido, e a maioria das lojas estava fechada, seguiam o caminho que dava no Cabeça de Javali. Algumas vezes Rose olhou para o lado e comtemplou um Alvo quieto, fitando o chão a sua frente. Resolveu que teria que perguntar, seja qual fosse a resposta dele.
– Hum... – ela começou, mas Alvo não levantou o olhar – Você... você ouviu minha con...
– Ouvi – o menino interrompeu – Tá tudo bem, não repete, prefiro não ouvir de novo
– Olha Al, eu...
– Não precisa Rose, eu entendo sabe, eu demorei demais não é mesmo – Alvo fala com um tom amargo
– Eu não disse isso...
– Eu sei que não, mas é verdade, eu sempre achei que a gente ficaria juntos um dia, mas foi infantilidade minha, você gosta do Scorpius agora, tudo bem, é fácil de entender, quer dizer, ele é meu melhor amigo e eu reconheço suas qualidades. E vocês sempre foram tão parecidos, é até estranho que eu nunca tenha pensado nisso. Só é um pouco incômodo, mas eu vou me acostumar
– Eu não quero que a gente fique assim, nunca me senti dessa forma com você... – Rose fala ainda insegura
– Vai ficar tudo bem – ele disse dando um sorriso triste
Rose se aproximou do primo, que passou o braço por cima dos ombros da menina e agora abraçados, continuaram a caminhar em silêncio alguns minutos. Chegaram ao Cabeça da Javali, o bar estava tão sujo como de costume, Rose abaixou um pouco mais a touca e Alvo colocou o capuz da capa que Rose lhe trouxe na cabeça. Eles sentaram em uma mesa no fundo um pouco mais afastada, tinham apenas duas pessoas próximas também encapuzadas pulando uma mesa de distância.
Quando o garçom veio, pediram duas doses de Firewhisky e logo que ele trouxe Rose esvaziou o copo e antes que ele pudesse voltar ao balcão pediu outra. Enquanto Alvo havia tomado apenas um gole do seu.
– Você não devia beber tanto assim, já lhe disse, é nova demais – Alvo fala em um tom tão natural que fez Rose duvidar que tivessem tido uma conversa tão constrangedora a minutos.
Ela pensou que ficariam mais algum tempo em silêncio e se assustou tanto quando ouviu Alvo a recriminar que não conseguiu responder ácida como faria normalmente.
– Talvez tenha razão... – ela disse e ele também pareceu surpreso com a resposta – Quer dizer, eu já estou acostumada, mas de qualquer forma, não deve fazer muito bem... – ela completa
– É... Mas talvez nem faça tão mal assim – Alvo diz virando o copo – A sensação é boa pelo menos
Eles estavam na quarta ou quinta dose quando Rose percebeu uma das pessoas que estavam na mesa próxima se esticando tentando os reconhecer, ela apertou os olhos tentando ver se conhecia e antes que pudesse ter certeza de sua desconfiança o estranho se revelou.
– Rose e Alvo, são vocês! – era James que agora se aproximava e era possível ver seu rosto debaixo do capuz – Juntem-se a nós! – ele fazia um gesto com as mãos para irmos para sua mesa
Rose olhou para Alvo numa pergunta muda e diferente do que ela esperava, ele não apresentou resistência em se sentar com o irmão e o outro encapuzado que ainda não dava pra ver quem era.
Ao se aproximarem da mesa em que James ocupava, Rose viu que era Chester Snow quem estava em sua companhia e se lembrou imediatamente do que James lhe pediu mais cedo. Ele realmente parecia meio abatido.
– Como você veio até aqui sem capa e sem mapa James? – Alvo pergunta curioso
– Eu aparatei – James responde simplesmente
– Mas é impossível aparatar em Hogwarts – Rose contesta – Mesmo para você James, mamãe me disse que o próprio Dumbledore se certificou disto – ela completa
– Foi por isso que eu sai do terreno da escola antes – James falou sorrindo
– Mesmo assim, você não tem 17 anos e não pode aparatar – Alvo é quem disse dessa vez
– Mas eu já tive aulas e o importante é o que eu sei fazer e não o que eu posso fazer- James fala – Afinal, vocês também não podem estar aqui
– Dessa vez você tem razão – Alvo fala a contra gosto
– Eu sempre tenho razão irmãozinho
Alvo faz uma careta, mas opta por não responder, não se deve dar abertura a James.
– E você Snow, o que aconteceu com seu cabelo? – Rose pergunta quando percebe que lhe faltam vários tufos
– Ele não é tão bom em aparatar quando eu – James responde pelo amigo que não dá sinal de se importar – Acabou deixando uns cabelos para trás
– Sabe que acabei de me lembrar de que quero falar uma coisa em particular com o Alvo – James continua se levantando e puxando o irmão com ele – Porque vocês não botam o papo em dia enquanto vamos ali no balcão? – ele sugere dando um olhar significativo para Rose que por sua vez, o encara cerrando os olhos ameaçadoramente. James sustenta o olhar sorrindo e sai quase arrastando Alvo com ele.
O silêncio segue por alguns minutos, mas Rose não se sentia mais constrangida como antes, afinal, era só o Snow.
– Eu queria mesmo falar contigo... – ela começa meio sem jeito, não era muito de pedir desculpas.
Chester levanta os olhos pela primeira vez e encara a menina a sua frente, mas não diz nenhuma palavra. Rose reparou que seus olhos negros pareciam brilhar bem menos hoje.
– É que talvez eu tenha exagerado um pouco ontem... Eu não estava muito bem e não sei se você sabe, não foi a única pessoa com quem briguei... – Rose diz meio sem graça – Então eu queria dizer que sinto muito – ela completa
O garoto sorri, não tão bonito como normalmente, mas sorri.
– Devo imaginar que isso é um pedido de desculpas? – ele pergunta jovial, já não parecendo o mesmo de segundos antes
– Sim – Rose responde simplesmente e dessa vez ele a presenteia com um sorriso de verdade
– Talvez a gente esteja começando a se entender – Chester declara
– É... Talvez...
Pouco tempo depois James e Alvo voltam à mesa e os quatro pedem uma porção de petiscos e bebem mais um pouco. James pergunta a Alvo e Rose como chegaram até ali e quando fica sabendo que foi de vassoura, os pede uma carona. Alvo não perde a oportunidade de zoar o irmão, que pouco antes estava se gabando por saber aparatar, e James se defende dizendo que irá de vassoura apenas para o Chester não deixar a cabeça dessa vez, o que não parece irritar o amigo.
Na hora de ir embora, Alvo se recusa a deixar James pilotar sua vassoura enquanto James se recusa a ser carregado por Alvo, depois de uma pequena confusão acaba que Alvo leva o Chester e a Rose leva o James, que não fica muito satisfeito de qualquer jeito.
–
Enquanto eles estavam nessa aventura, Lily havia recebido uma coruja de sua mãe informando que ela e Harry fariam uma viajem e que passariam na escola amanhã de manhã para ver os filhos. Lily já havia procurado James por todos os lugares e não o encontrara, agora estava parada em frente a entrada para a sala comunal da Sonserina esperando que alguém resolvesse sair ou entrar para tentar falar com Alvo. Estava tão distraída procurando pontas duplas no cabelo que não viu Pirraça se aproximar.
– A garotinha Potter está perdida nas masmorras – ele quase grita
– Shiiu! Por favor Pirraça, eu não quero ser pega – a garota diz desesperada
O Poltergeist soltava sua gargalhada alta e horrível enquanto uma Lily nervosa tentava inutilmente calá-lo. Ela não percebeu quando alguém saiu da sala comunal logo a sua frente.
– Sai daqui Pirraça, ou vou chamar o barão sanguento que está logo aqui – era Ramon Zabini quem havia saído da sala comunal
Pirraça nem se dá o trabalho de responder, arregala os olhos e sai flutuando rápido pelo corredor.
– Obrigada – Lily fala envergonhada
Ramon sorri ao reparar como ela fica bonita quando está corada.
– Procurando o Alvo? – ele pergunta e a menina acena positivamente – Ele não está aqui, não o vi o dia inteiro e a Rose também sumiu à tarde, acho que devem estar juntos
– Hum... James também sumiu, tinha um recado dos meus pais... Será que você podia dar? – Lily perguntou insegura, não era comum falar educadamente com o Zabini
O garoto fez que sim com a cabeça.
– É que eles vão viajar e vão passar aqui amanhã de manhã, para nos ver – ela diz
– Tudo bem, se o Alvo aparecer, direi – Ramon fala – E aproposito Lily... Eu queria te pedir desculpas por ontem, foi grosseiro desnecessariamente – O garoto completa aparentemente sem perceber que agora era ele quem parecia envergonhado
– Tudo bem, obrigada por se desculpar – Lily responde surpresa com as palavras do menino – Eu vou indo então... Obrigada
Ramon acena e ela vira as costas e se põe a caminhar, enquanto Ramon a observa quase sem piscar. Quando já havia dado uns 20 passos, se vira repentinamente e diz:
– Gosto do seu cabelo quando está assim – e tão rápido quando se virou, ela voltou a posição inicial e começou a correr, deixando um Ramon sorridente para trás.
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