Blood

1 Capítulo único.


Notas iniciais
Betado por: Tatew.

Obrigado. ♥

Outono, chuva, folhas, vento. Nada mais combina com esse cenário quanto à própria Inglaterra.

Doze de Outubro era o dia e mês. Earl Phantomhive, em sua digníssima mansão, estava a preencher os papéis que havia deixado para última hora, para desgosto do mordomo.

- Quantas vezes, Jovem Mestre, eu já não lhe disse para não dormir em trabalho? — suspirou suas palavras em baixo tom, enquanto limpava da estante a sujeira acumulada do dia.

- Não encha, Sebastian. — a criança resmungou, em seu tom forte e autoritário. Apesar de sempre cochilar a tarde, nunca atrasava seu trabalho como hoje... O motivo?

- Uma indesejável peste. — o demônio falou, como se lesse os pensamentos do menino. Escutou um abafado suspiro e teve que conter o riso, por tal.

Negava para si mesmo tudo o que agora acontecia em um balançar de cabeça. Achando tal atitude de seu mestre fofa, o ‘homem’ ali sorriu malicioso.

- Por que não se preocupa com isso depois, Jovem Mestre? Se não terminar até a hora de ir dormir, amanhã terá mais afazeres. — zombou, recebendo o olhar repreendedor que tanto adorava do menino de cabelos azul-petróleo.

E deste modo, a noite caiu, trazendo consigo sua escuridão mais uma vez.

Sebastian, o sempre atencioso mordomo já havia terminado tudo o quê deveria fazer: colocar seu mestre para dormir — esperando este pegar no sono após alguns minutos de espera -, arrumou a mansão, preparou as coisas do “amanhã” e sentou-se, mais uma vez entediado, em uma das tantas poltronas da gigantesca sala de estar. Pôs-se a pensar.

Certos meses atrás, sua tão clamada recompensa fora roubada de si pela aranha; tendo tomado tal de volta, voltou a perdê-la. E ele era a culpa de tudo.

- O quê é ser descuidado para um demônio? — perguntou para si mesmo. Puxou o ar — não realmente necessário para o funcionamento de seu corpo — e soltou-o, em forma de um pesado suspiro — O quê é mais importante para mim? Minha própria satisfação ou a dele?

Perguntas que talvez só fosse realmente achar a resposta quando já fosse tarde de mais.

Relaxou no estofado de veludo, viu a mesa de xadrez por perto — mesmo com a quase absoluta escuridão — e a puxou, guiando-a até ficar confortavelmente entre suas pernas, agora abertas.

- Se importa se eu lhe desafiar para um duelo, Claude-san? — o moreno perguntou, sentindo a presença do outro ali, que emergiu das sombras ao ouvir tal.

Seus óculos brilharam diante da pouca — mas direta — iluminação que a imensa janela proporcionava, já que ainda chovia e a lua estava encoberta.

Calmamente, o ‘homem’ portador de poucas expressões* se aproximou, arrastou a poltrona que ali perto havia e sentou-se, tanto em frente do outro demônio quanto do tabuleiro, observador, apenas, proclamou.

- Eu fico com as negras. — e sem esperar objeções, partiu a arrumar suas peças. Delicadamente e precisamente, poucos quinze segundos depois, já havia completado o seu lado do tabuleiro. Sebastian sorriu, em meio à penumbra.

- Como quiser... As brancas sempre me passaram a pureza de uma alma bem-conservada. — riu-se baixo, enquanto arrumava suas recém pegas peças.

Pronto, o jogo já podia ser iniciado. O cavaleiro branco, pulando um de seus peões deu a largada para o exército do rei Phantomhive.

Claude, sem mudar sua expressão, iniciou seu jogo. O peão, a frente do rei, saiu em disparada e duas casas à sua frente agora correra. Sebastian riu malicioso novamente, deliciando-se com a pressa de tal.

- Nunca pensei que tal peão fosse tão apressado. — zombeteiro, coçou levemente o cotovelo direito com a mão oposta. Pensava em sua próxima jogada sem realmente prestar atenção ao tabuleiro — Isso significa que a aranha não planeja antes de agir?

- Pelo contrario, — a voz fria e calculista de Claude quebrou o silêncio deixado pela divertida de Sebastian. Pouco interessado pelo diálogo que o outro teimava em manter, movimentou sua peça — o bispo — após o outro finalmente jogar — a melhor linha de defesa muitas vezes é o próprio ataque.

- “Muitas vezes” nem sempre é o suficiente. — sorriu malicioso. Fez hora para mover-se, mas uma vez, enquanto balbuciava coisas quais queres, como se quisesse irritar o outro demônio; por fim, moveu a rainha — Sua vez.

Calude o tentou fitar, mas sua posição, contra a fraca luz, tirava lhe qualquer possibilidade de tal, já que seus óculos brilhavam por esta.

- A rainha: a peça, de todo o tabuleiro, que apenas serve para matar o rei adversário e servir o seu próprio... — falou baixo, tocando na peça, que em seu comando simbolizava a rainha, levantando-a e a movimentando na diagonal, retirando de jogo o cavaleiro que Sebastian havia movimentado primeiramente. — Check...

- ... Mate. — o outro demônio disse ao aproveitar a deixa que o outro havia deixado — de propósito — e derrubou o rei negro, com sua rainha branca.

O jogo, aparentemente curto, tivera durado até as luzes começarem a surgir no horizonte, agora liberado das nuvens de chuva.

- Se quiser uma revanche, Claude-san... — Sebastian havia começado a falar, porém fora interrompido pelo outro, que se levantara, arrumara os óculos e, entre um imperceptível e malicioso sorriso, falou.

- O meu interesse, Sebastian Michaelis, é apenas o sangue e a alma daquele que vim atrás. Você? Não passa de um bônus.

E desapareceu como aparecera, em meio às sombras que o Sol, já quase todo descoberto daquela manhã, ainda não conseguira alcançar e dissipar.

- X -

O gemido tímido e fraco do pequeno ser que ainda se agarrava às cobertas, por não querer levantar em tal gélida manhã, teve suas esperanças de um sono mais longo interrompidas pelo abrir da porta, passear do mordomo pelo quarto e o abrir de janelas, de modo que ao mesmo tempo era brusco, quanto era suave... Que apenas aquele mordomo possuía.

- Bom-dia, Your Highness.

Fim... [?]

* — Eu me segurei DE VERDADE pra não por \"e o professor de química...\" e-e\'

Notas do Autor:

Yay, finalmente consegui escrever algo. D:

Fico-me [?] mais feliz e satisfeito comigo mesmo por saber que foi algo de Kuroshitsuji ç_ç’

Não pensei muito para fazer a one-shot... tá, pra falar a verdade eu não pensei nada, apenas segui uma coisa random que veio à minha cabeça e continuei indo. e-e’

E... erm, me cortou o coração fazer o professor de Química Claude perder o jogo de xadrez, mas, para quem assiste, vai entender -euacho. q

Malz, pelo ‘spoiler’ e poucas descrições e tals, mas é que fiz isso de madrugada, à mão... e como é uma fucking one-shot também pensei que iria desvalorizar o texto. Q

Btw, se alguém aí quiser bônus dos ‘pairings’ de Kuro, é só esperar, que eu vou fazer. Q

... CLAUDE *-*;

06/09/10

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!