Blond Hair
1 You Found Me
Notas iniciais
"Você tem medo
de se apaixonar.
(...)
Medo de que o medo
de entrar o medo seja maior do que o medo de sair do medo.
(...)
Medo de machucar,
ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a
felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito.
Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la.
(...)
Medo de enlouquecer
sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha.
Você tem medo de já
estar apaixonada."
A prisão já estava à milhas de distância, contudo minhas preocupações permaneciam ali. Precisávamos urgente de suprimentos. O bebe de Rick e Lori havia nascido e com isto infelizmente veio a morte de Lori no parto. Rick pelas circunstâncias havia enlouquecido e o peso de todas as responsabilidades estava agora em minhas costas. Obviamente havia ajuda de Glenn e Meggie, depostos a tudo, sempre mantendo o grupo unido e seguro, mas teria de ter uma voz de comando e está agora seria minha, pelo menos até Rick recuperar-se do choque.
Para mim nunca foi de costume ter uma “família”, não que o grupo seja uma de verdade, porém com certeza é a melhor que já tive em toda minha vida. Jamais direi isso para ninguém, nem mesmo que me importo com eles, afinal sou Daryl Dixon.
A mochila em minhas costas já pesava, minha moto era extremamente confortável, todavia ficar em uma mesma posição por muito tempo não era para qualquer um. A estrada estava escura e devido à extrema nebulosidade forçava meus olhos para enxergá-la, entretanto finalmente eu havia achado algo que chamasse minha atenção: uma pacata lojinha de esquina. De longe a loja parecia intocável, seria ali minha parada a procura de suprimentos. Estacionei a moto quase na porta e rapidamente adentrei no local. Vistoriei os corredores a procura de Walkers, não os encontrei.
O lugar estava recheado de alimentos em ótimo estado, fora às roupas de crianças e adultos, produtos de higiene e limpeza e diversas outras coisas necessárias para a sobrevivência. Abasteci as duas mochilas que havia levado e logo sai atrás de minha moto. Estava posicionando-me para retornar a viagem de volta quando algo me chama atenção naquela rua tão obscura e deserta: Um cavalo.
Ele era tão bonito, tão majestoso, realmente não conseguiria desgrudar os olhos, pois sua grandeza era tanta; o animal mais belo que já havia visto em toda minha vida. Durante alguns minutos imaginei que estivesse morto, mas algo fez com que minha atenção fosse interrompida, uma dor estrondosa em minha perna me fez cair sobre o chão. Meus olhos se voltaram para o cavalo novamente, que agora relinchava assustado. Minha perna esquerda sangrava muito, minha agonia nem de perto se comparava ao meu espanto. De quem seria aquele cavalo? Ou melhor, quem havia tentado me matar?
Quando acordei de meus devaneios, me dei por conta de que agora havia uma mulher logo ao lado do cavalo, tão bonita quanto o animal. Ambos eram muito diferenciados, pois o cavalo em seus olhos podia-se enxergar a inocência e a doçura, já nos olhos da mulher as únicas coisas que se destacavam era o medo e a solidão.
Ela era loira de cabelos curtos e ondulados, com os olhos esverdeados mais bonitos que já havia visto; um corpo formidável com a aparência misteriosa e perturbadora. Encarou-me profundamente e engoliu-me com sua fome de respostas. Sua boca carnuda estava entreaberta observando-me atentamente, não movia se quer um músculo, apenas continuava ali e eu obviamente também. O pavor maior surgiu além de seus olhos quando avistou uma horda vindo em nossa direção. Rapidamente a loira montou em seu cavalo e veio até mim. Naquele momento percebi o que havia acertado minha perna, uma magnífica flecha parecida com as que eu costumava usar. Tentei tira-la, mas sem sucesso.
A mulher ainda sob o cavalo estendeu sua mão em minha direção e falou:
– Suba, vamos sair daqui antes que os sanguessugas cheguem. – Sua voz era rouca e tremula.
– Costumo chamá-los de Walkers – Respondi sem olha-la diretamente – Não preciso de sua ajuda, nunca precisei de ninguém – Tentei me levantar sem sucesso.
– Terei de me redimir de alguma forma, acertei você – Balbuciou e perseguiu – Pensei que fosse um deles, de costa não identificamos ninguém e fora que depois disso tudo encontrar alguém é um milagre...
– Onde você o conseguiu? – Indaguei cortando suas palavras.
– O que? – Respondeu assustada – É melhor irmos, eles estão quase aqui.
– Já disse que não vou com você – Tentei me levantar novamente, porém a dor era tremenda.
– Não vou permitir que fique, você vai morrer aqui – Desceu do cavalo segurou por trás de minhas costas e me forçou a subir na garupa do cavalo.
– Não posso deixar minhas coisas aqui – Falei entre suspiros.
Mas os Walkers estavam perto demais para hesitar uma fuga. Então sob a garupa do cavalo seguimos rapidamente a procura de um lugar seguro. Por todo o trajeto ninguém ousou trocar se quer uma palavra, a noite estava por vir então paramos dentro da floresta. A mulher me ajudou a descer do animal e logo falou:
– Peço desculpas novamente, se não fosse por mim você poderia seguir viagem – Tentou sorrir. – Vamos ficar por aqui hoje, me parece calmo – Admitiu.
– Quando podemos passar a parte das desculpas? – Fiz cara de poucos amigos e me joguei sobre o chão.
– Acho que estou um pouco nervosa, não costumo encontrar sobreviventes, me desculpe se falo demais – Sentou-se logo a minha frente e prosseguiu a conversa – Prometo que logo amanhã de manhã irei lá buscar sua moto e suas coisas. Provavelmente aquela horda não estará mais lá, mas mesmo assim sozinha sou rápida.
– Está me chamando de lerdo? – Levantei o rosto para fita-la – Você não sabe com quem está falando menininha – Sorri ironicamente.
– Com a perna machuca não poderá fazer muita coisa, deixe de ser teimoso – A loira exclamou brava.
– Merda – O palavrão escapou de minha boca, a perna estava latejando e lembrei de quem me esperava na prisão.
– O que houve? Está doendo muito? Eu fiz um curso de primeiro socorros posso ajudar se quiser. – Ela realmente era uma tagarela.
– Está doendo, mas não é por isso que estou angustiado. – Falei tentando me levantar – É que minhas coisas eram muito importantes, preciso voltar, existem pessoas que precisam de mim.
– Existem mais sobreviventes? – Surpresa, parecia feliz ao ouvir a novidade.
– Existem e posso te levar até eles se me ajudar. Óbvio que você vai me ajudar, afinal foi você que atirou a porra da sua flecha em mim – Balbuciei – E por sinal, muito mal lançada.
– Se você quiser posso acertar a outra perna, para provar que sou uma boa atiradora – Sorriu ironicamente e prosseguiu – Mas agora me deixe ver este machucado.
Ajoelhou-se logo a minha frente abriu sua bolsa e tirou seu kit de primeiros socorros. Arrancou a flecha de minha perna e eu continuei ali com a aparência intacta para não demonstrar nenhum tipo de dor. Limpou o ferimento, olhou para mim, sorriu e falou:
– Você se importa se eu usar minha camisa para cobrir o ferimento? – Sem esperar uma resposta tirou sua camiseta amarrou junto do ferimento. Não conseguia parar de olhar, afinal uma mulher estava de sutiã na minha frente.
– Eu sei que você me achou bonito e quis se mostrar, mas podia ter usado a minha camiseta – Disse sorrindo e examinando seu belo par de seios.
A ruiva corou e rapidamente tapou seu corpo com as mãos.
– O tarado tem nome? – Perguntou envergonhada.
– Tem, é Daryl Dixon. E a exibida tem nome?
– Susan Fray.
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