Blocos de concreto
1 Please don't go please don't go,I love you so.
Eliza
Presa naquele armário, totalmente confusa, angustiada. Principalmente com dificuldade para manter o ar em meus pulmões. Era impossível não pensar em como havíamos chegado até ali.
Lembro-me de quando você costumava ser amável, gentil. Ter um sorriso que por anos foi meu porto seguro. Hoje ele não causa nada além de náuseas. Seu olhar que costumavam me transmitir segurança, hoje eles não me fazem sentir nada além de medo. Para ser totalmente sincera, eu me lembro perfeitamente daquele primeiro tapa que foi durante aquela discussão no nosso terceiro ano juntos. Você me prometeu que jamais aconteceria novamente. Mas, vejamos só, aconteceu. Várias e várias vezes. Não só uma vez depois daquela, mas sim praticamente todos os dias durante 10 anos.
Eu tive vontade de fugir todos os dias. Mas o seu “amor” e o medo me mantiveram presa nessas paredes de concreto que um dia foram o palco da nossa paixão. Porém, nada disso importa mais. Afinal, eu já estou morta.
Horas antes...
De dentro do armário escuto a porta se abri e meu coração acelera ainda mais. Escuto você colocando as chaves na mesinha como sempre. Então você pega a chave do armário no bolso esquerdo da sua calça, abre a porta com um sorriso no rosto e então se abaixa até a minha altura. Sei se você pode notar o desespero em meus olhos. Mas você apenas o ignora e contínua a sorrir.
— Hei, eu vou soltar você se prometer se comportar. Eu trouce o jantar. Disse ele e eu concordei com a cabeça. As lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto você tirava a mordaça da minha boca
— Agora eu vou soltar suas mãos e você vai continuar assim quietinha. Sim?
— Por favor, por favor só me deixa ir embora. Por favor. Em nome de tudo que já fomos, me deixe ir. Disse enquanto as lágrimas ainda escorriam pelo meu rosto.
— Hei, prometeu se comporta, lembra? Quer ficar aqui a noite toda de novo? Disse ele enquanto apertava forte o meu rosto.
— Não, eu não quero. Dei um sorriso fraco. Eu só estava brincando meu amor. Vamos comer. Disse e dei um falso sorriso.
— É assim que eu gosto de te ver, sorrindo. Disse ele me beijou eu tentei desfiar, mas ele apertou ainda mais forte o meu rosto. Em seguida ele finalmente me desamarrou, as marcas da corta erram bem nítidas em minha pele.
— Agora você vai se comportar como prometeu. Vá tomar um banho ok? Eu apenas concordei com a cabeça. Levantei-me com dificuldade devido aos vários machucados em meu corpo e fui em direção ao banheiro. Liguei a torneira da banheira e em seguida olhei o meu reflexo no espelho, A minha imagem que eu via agora era totalmente oposta da mulher feliz de anos atrás. Meu rosto estava vermelho e inchado devido às longas horas de choro e o meu corpo estava todo machucado.
— Vem logo, eu to morto de fome. Hoje foi um dia bem longo lá no trabalho. Disse assim que me viu saindo do banheiro.
Nós morávamos em um pequeno apartamento, tudo era muito perto um do outro. Da aonde eu estava pude avista uma faca esquecida em cima da estante.
— Já estou indo, vou colocar uma música. Disse e fui em direção a estante e liguei o rádio em uma estação qualquer e em seguida peguei a faca e escondi em minhas roupas.
— Comprei o seu preferido, comida japonesa. Disse com um sorriso no rosto assim que viu chegar na mesa do jantar.
— Deixa eu ir embora. Sussurrei.
— Oi? Não escutei. Ele continuava a arruma a mesa de jantar.
— Deixa eu ir embora. Gritei e em seguida peguei a faca. Me dê as chaves da porta e me deixa ir. Disse enquanto me aproximava dele com a faca.- Eliza, larga essa faca. Ninguém vai sair daqui. Vamos jantar.
—Deixa eu ir embora. Gritei novamente e corri em sua direção com a faca em punho. Ele desfiou.
— Eliza Você está louca larga essa faca. Eu não quero machucar você.
— Você não quer me machucar? Você não pareceu pensar nisso quando abusou de mim ontem à noite ou muito menos quando me deixou marrada e amordaçada naquele armário por 8 horas. Disse em meio a gritos e choro.
— Larga Isso. Disse ele e veio para cima. Corri e cai no sofá ele me alcançou e tirou a faca das minhas mãos a deixando cair atrás do sofá. Ele segurou forte em meus braços e olhou bem no fundo dos meus olhos e disse:
— Meu Amor, meu amor, por favor não vá eu te amo tanto minha linda. Lágrimas escorriam pelo seu rosto. Ele baixou o rosto na altura do meu para me dá um beijo, mas eu conseguir me soltar e pular para trás do sofá para pegar a faca. Assim que eu conseguir botar as mãos nela novamente ele se jogou por cima de mim me fazendo solta-la, eu corri para pega-la, porém ele a chutou para longe. Eu me levantei e corri em direção a nossa pequena cozinha, joguei a primeira coisa que eu vi em minha frente em sua direção, que eram garrafas de vidro vazias. Ele correu para se desfiar dos cacos e pegou um bloco de concreto e veio em minha direção. Eu corri, porém, ele me agarrou pelo casaco e eu rapidamente me livrei do mesmo. Corri em direção ao banheiro, mas ele me acertou antes que eu pudesse fechar a porta.
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