E mãe você me diz: "vai fazer alguma coisa!"... Mas é que eu estou tão cansada. Eu sei que acabei de acordar...

Mas não é fisicamente...

Eu estou tão cansada

de existir.

E você diria que é frescura, coisa de gente fraca. Mas eu costumava ser tão forte, tão feliz. Por que será que me sinto tão inútil e derrotada?

Lembra de quando eu costumava ser a melhor da sala? Ou de quando se orgulhava em dizer que eu cursava engenharia? Pois é mãe, eu não sei quando foi, mas em algum momento eu deixei de ser alguém de quem você podia se orgulhar e passei a ser alguém que está só aqui, deitada...

Esperando meu corpo definhar.

Torcendo pra minha morte chegar.

Pensando em como eu posso agilizar.

Mas me sentindo tão culpada pelo que causaria a vocês que nem sequer posso mover a lâmina pelo meu braço.

Já não basta ter desgraçado a mim mesma, como poderia carregar minha família inteira numa tragédia de suicídio?

Logo nós que sempre fomos tão felizes. Família exemplar.

Mas mãe, eu não abri a porta pra essa dor entrar. Ela me invadiu e eu não tenho mais forças pra reagir.

Voltei a estudar.

Arrumei um emprego.

Conheci alguém. Mas se eu me detesto tanto, como ele poderia me amar?

Eu me sinto tão inútil, como uma empresa vai me valorizar?

Eu me tornei tão desinteressada. Como frequentar as aulas se cada dia que eu acordo não tenho forças nem pra imaginar como seria levantar e seguir em frente... Onde encontrar motivação quando eu não quero um futuro?

Ainda bem que nesses últimos tempos eu tive um quarto só pra mim... Por que eu chorei tanto mãe, chorei tanto que eu oficialialmente posso dizer que não suporto mais chorar. Não suporto o nariz entupido, a dor de cabeça tão forte e a vista latejando. Não suporto chorar tanto até meu maxilar doer. Eu não me suporto mais.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.