Blind Sky
5 O improvável, o inesperado
Notas iniciais
Não durou muito tempo até as pessoas verem os “responsáveis” pela explosão do salão comunal da Corvinal. Depois de Flitwick usar um feitiço para apagar o fogo. Miguel, Antônio e Henry foram escoltados pelo o olhar feroz de Filch, acompanhado por Flitwick e a monitora Penélope para a sala do diretor de Hogwarts, que mal acabara de resolver o caso do trasgo nas masmorras que estragou a festa de Halloween e já tinha mais um em mãos, hum...bom, um caso bem pior.
─ Estou dizendo, diretor! Esses garotos não merecem estudar nessa escola! Expulse-os ─ Que por incrível que pareça, era Penélope quem dizia ─ Eles não gostam do salão comunal, por isso quebraram a aldrava encantada e explodiram o salão. E também hoje eu ouvi um deles dizer que botaria fogo no salão comunal se ouvisse mais uma fofoca sobre o Potter ─ Dizer isso fez com que Henry olhasse de cara feia para Antônio que se virou da cadeira onde estava sentado e abriu a boca para se defender:
─ Hey! Em primeiro lugar: Eu disse que atearia fogo na PESSOA que falasse de novo sobre o Potter ser o novo jogador da Grifinória. E segundo: ...Droga, não tem “segundo”, estamos ferrados...─ Concluiu desapontado.
─ Viu, diretor? ─ Disse Penélope.
─ Bem... ─ Disse Dumbledore desapontado ─ Acho que não tem mais jeito, prejuízos demais, meninos... ─ O coração de Miguel deu enorme salto, os olhos já estavam lacrimejados, se fosse expulso com apenas dois meses iria ressecar seu corpo de tanto chorar. Já Antônio, não podia se dizer que estava com o coração acelerado, pois estava quase morto, “devia ter ouvido minha família quando disseram que não ia ser bom se me juntasse com gente de má fama” pensava.
─ Vocês estão expulsos ─ Continuou Dumbledore. Em meio ao constrangimento dos meninos, o rosto risonho de Filch e Penélope e a seriedade de Dumbledore e Flitwick, um estampido resolveu perturbar o silencio, ou melhor um ronco. Henry acabara de acordar de um sono profundo, como alguém consegue dormir em uma situação dessas? Só um Thawne para ser tão inconveniente.
─ Perdi alguma coisa? ─ Perguntou Henry aos dois amigos que estavam com a mão no peito.
─ Espere, diretor ─ Disse Flitwick ─ Eles são alunos de minha casa, portanto, acho justo que eles expliquem seus atos antes da decisão final ─ Dumbledore olhou para Flitwick, Flitwick para os garotos, Dumbledore para a mente confusa de Henry.
─ Você tem razão, professor Flitwick ─ Disse Dumbledore ─ Erro meu achar que essas crianças não teriam um bom motivo para tudo isso. Penélope e Argus, por favor, leve todos os alunos da Corvinal para o Salão Principal, dormiram lá essa noite. Agora, meninos, conte a versão de vocês.
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Os três explicaram o que aconteceu, que pelas palavras de Miguel e Antônio foi que o “presente” na verdade foi entregue por um falcão, mas só que um GRANDE falcão. Como se fosse uma coruja, pois sabia exatamente o destino da entrega. E mostraram o cartão ao diretor, que com certeza deixou Dumbledore e Flitwick pensativos. Então para encerrar o assunto, Dumbledore e Flitwick não expulsaram os três, pois achavam que estariam mais seguros em Hogwarts, do que fora. Mas na opinião sufocada de Henry, era que ele só ficaria em Hogwarts como isca.
─ Henry, pode ficar mais um minutinho? ─ Disse Dumbledore enquanto Flitwick levava Miguel e Antônio para fora da sala.
─ Ah...ta bom ─ Disse Henry cansado ─ Não vai ser a mesma merda de duas semanas atrás, não é?
Dumbledore balançou a cabeça negativamente ─ Primeiramente, feliz aniversário ─ Henry assentiu ─ Henry, eu espero que não se incomode com isso, mas depois do que aconteceu há duas semanas atrás...sobre sua preocupação com seus pais.
─ Como sabe?
─ Miguel Corner. Então, eu mesmo fui a sua casa, e posso lhe dizer que seus pais estão bem ─ Terminou o diretor com um sorriso.
─ E eles disseram por que não respondem minhas cartas? ─ Perguntou Henry ansioso.
─ Ah, sim...parece que suas cartas-
─ Foram interceptadas ─ Interrompeu Henry ─ Pela a mesma pessoa que tentou me matar.
─ Faz sentido para mim ─ Disse Dumbledore com pena ─ Mas não se preocupe, Henry, os problemas serão resolvidos logo ─ Falou o diretor com uma calma, como se o problema fosse um cabelo mal cortado.
Dumbledore se virou e caminhou para lá de angustiado até onde ficava Fawkes, a Fênix, e começou a acaricia-la.
Henry, embriagado de tanto sono, com olheiras tão grandes que dominavam toda a região dos olhos. Ainda se mantinha em pé, firme há mais de três dias sem dormir, ou mais de dez dias? Talvez um mês...bem, ele é duro na queda! De repente Dumbledore começara a dizer algo virado para seu pássaro, porém Henry não escutou, teve sua atenção tirada por um vulto estranho que vira perto de uma estante de livros, em um piscar de olhos apareceu e sumiu. Depois a mesma coisa só que em uma estante de objetos mágicos que Henry desconhecia, porém, agora conseguiu ver por pouco tempo o que era, “talvez seja uma criança”, pensou Henry. Dumbledore ainda continuava falando. Henry olhou para os lados, quando a mesma imagem apareceu sentada em cima da mesa de Dumbledore.
A criatura, que na opinião de Henry, não era mais feia que seu amigo Fábio. Era pelo menos do tamanho de Flitwick, tão magro que dava para ver as ligações dos ossos, com a pele morena e enrugada, usando algum trapo todo costurado como roupa. Mas o que mais chamou atenção de Henry era os olhos da criatura, era um roxo penetrante que emitia um fulgor de grandiosidade. Dava uma vontade incondicional em Henry, de ficar encarando aqueles olhos para sempre.
─ Mas que diabos é isso? ─ Perguntou Henry em um sussurro inaudível.
─ Perdão ─ Disse Dumbledore se virando para Henry ─ O que disse?
─ Ah, nada, deixa quieto ─ Respondeu Henry.
─ Bem, mais ouviu o que eu disse, não é?
Henry assentiu.
─ Então está tudo bem? ─ Perguntou o diretor tentando ganhar a atenção de Henry.
─ Claro ─ Respondeu Henry dando de ombros. Olhou mais uma vez para a mesa do diretor, mais a criatura já tinha desaparecido.
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Escadas de Hogwarts
─ Vamos, a escola inteira vai estar lá vendo o jogo ─ Disse Miguel tentando convencer o amigo a assistir o primeiro jogo de Quadribol de sua casa.
─ Não ─ Disse Henry relutante guardando seu material da última aula do dia na mochila ─ Eu não gosto de esportes, e está nevando lá fora, cara, eu tenho coisa melhor para fazer!
─ Como o que? Ler um livro? ─ Perguntou Miguel. Henry fez que não com a cabeça
─ Terminar de ler as ocorrências do Filch, antes que o feitiço se desfaça.
Henry e Miguel ficaram a primeira semana de novembro inteira lendo as pastas de ocorrência que Henry roubara de Filch no Halloween. Até agora, em meio a letra garranchosa de Filch, só conseguiram encontrar o nome “Thawne” em um caso simples de bombas de bosta nos corredores de Hogwarts em 1970, o que não impressionou Henry foi ler que ele era da Sonserina. Ficou se perguntando se esse Thawne tinha alguma relação com o seu professor de Poções, pois, ao que se parece os dois frequentaram Hogwarts nos mesmos anos.
─ Nós iriamos terminar mais rápido se o Antônio não tivesse dado no pé! ─ Continuou Henry.
E era verdade, alguns dias depois do “acidente” na sala comunal, foram enviadas cartas aos pais Miguel, Antônio e Henry, sobre o que aconteceu nos últimos dois meses. Os pais de Miguel proibiram o garoto de andar com Henry, porém, Miguel não ligou e fez a própria vontade. Mas com Antônio foi diferente, fora enviado por seus pais no café da manhã no Salão Principal, um berrador, o que o abalou muito. Já Henry nem chegou a receber uma carta de resposta.
─ Está bem, olha...você está com as ocorrências aí, não é? ─ Perguntou Miguel.
Henry assentiu.
─ Então vamos ler enquanto assistimos o jogo! ─ Disse Miguel convencendo Henry.
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Campo de Quadribol
─ Está nevando, cara. Como eu odeio frio! ─ Disse Henry indo em direção onde caíra as folhas. Muitos alunos e professores já estavam nas arquibancadas. Quando Henry se abaixou para pegar uma página pode ver por baixo de uma das grandes lonas que cobriam as partes de sustentação arquibancadas, Henry parou e observou um casaco azul, coberto por cabelo preto cacheado.
─ Anda logo, Henry! ─ Gritou Miguel ─ Está frio aqui.
─ Calma! Não demorei nada, eu hein.... ─ Replicou Henry andando em direção de Miguel que já estava na escada.
─ Você ficou DOIS minutos olhando para o nada!
Os dois foram se sentar no alto de uma das arquibancadas, que agora já estavam demasiadas cheias. Todas os alunos sentiam um frio terrível, a única coisa que aquecia seus corpos era a ansiedade e a vontade de ver seus respectivos times ganhando o jogo. Em meio a neve, que já estava diminuindo, Miguel e Henry puderam ver os jogadores dos times saindo dos vestiários e indo direto ao centro do campo, onde Madame Hooch os esperava. Os jogadores de ambos os times são apresentados por Lino Jordan que estava narrando o jogo. “E O JOGO COMEÇA! ”, gritou Lino. Todos os alunos começam a gritar por seus times, o frio não parecia mais incomodar ninguém. Henry não parece escutar nada mais além de gritos e vaias, sua mente esta confusa, seus olhos dão a impressão de que está se esquecendo de algo. Suas mãos enluvadas pelo o couro mais caro de Hogsmead roçavam nos papéis que segurava, dando uma sensação boa em Henry, agora isso era única coisa que queria fazer. O campo de Quadribol, os jogadores, as cabeças dos alunos que se podiam ver na frente de Henry, agora estão aos poucos se escurecendo.
Miguel dá uma cotovelada no braço de Henry. O garoto parece ter acordado de um transe.
─ O jogo está tão bom assim? ─ Perguntou Miguel com um sorriso malicioso ─ Pensei que íamos ler as ocorrências ─ Henry olhava de um lado para o outro confuso, o placar do jogo já está 50 a 30 para a Corvinal.
─ Eu...eu só me distraí um pouco ─ Explicou Henry com as bochechas rosadas ─ Vamos ler logo.
Os dois dividiram as épocas das ocorrências anos 60 para Henry e anos 70 para Miguel. Até que era divertido ler aquilo, quando achavam alguma ocorrência idiota além da conta para estar naquela pasta, um contava para o outro e os dois caiam na gargalhada. As vezes algumas páginas estavam tão mofadas que o feitiço de Henry não aguentava muito e simplesmente desapareciam nas mãos dos garotos.
─ 70 a 40 para Corvinal! ─ Gritou Lino!
─ Espera um pouco eu vi alguma coisa ─ Disse Miguel revirando as páginas.
Henry olha ansioso para Miguel.
─ 70 a 50 para a Corvinal. Lufa-lufa ainda resiste! ─ Disse Lino.
Miguel pega uma ocorrência em sua mão, seus dentes batem de frio.
─ Ando logo. LEIA! ─ Ordenou Henry!
─ Espera! Está muito manchada de tinta!
─ 70 a 60! Parece que o goleiro da Corvinal relaxou! ─ Disse Dino decepcionado.
Os dois colocaram a página em cima das pastas para servirem de apoio e Miguel começou a ler em voz alta:
─ Março, dia 08, 1975. Cinco alunos de Hogwarts travam um duelo de magia não legalizada entre si, quebrando mais de dez regras em cinco minutos e destruindo diversos patrimônios da escola.
─ E o jogo empata 70 a 70! Esse jogo está demais, só não ta melhor que Grifinória versos Sonserina! Todos devem lembrar que Harry Potter humilhou a Sonserina na última partida! ─ Gritou Lino mais que satisfeito.
─ Lino! É para falar deste jogo! ─ Ralhou a professora Minerva.
─ As devidas casas foram punidas com 150 pontos a menos: Sonserina e Grifinória ─ Continuou Miguel.
─ Parece que o apanhador da Corvinal viu o pomo de ouro...e o da Lufa-lufa também! ─ Disse Lino.
Então Henry continuou a leitura:
─ Os alunos responsáveis foram: Sirius Black, Tiago Potter, Pedro Pettigrew, Severo Snape e-
O vento foi ficando cada vez mais forte, levando da mão de Henry sua resposta mais preciosa. Henry se levantou e correu até o começo da arquibancada. Os alunos nem perceberam o que estava acontecendo, estavam vidrados na disputa dos dois apanhadores pelo o pomo de ouro. Acontece que a página caíra em algo mais inesperado para Henry, no rosto de um Elfo Doméstico. O Elfo tirou o papel do rosto, e foi aí que Henry viu que era o mesmo que estava na sala de Dumbledore. Estavam a um metro de distância. Henry ficou paralisado enquanto o olhava.
─ Er, ah, pode me devolver a página? Por favor... ─ Pediu Henry como se a papel tivesse caído no rosto do Ministro da Magia.
─ Hum ─ Resmungou o Elfo. Levantou a página até a altura dos olhos e leu em voz baixa. Quando terminou de ler guardou a página dentro de sua “roupa”, que era mais um monte de trapos ─ Não... você...você não precisa saber disso agora ─ Disse o Elfo.
─ C-como? ─ Perguntou Henry confuso quando o elfo se virou e desceu as escadas ─ Hey! Espera, isso é meu! ─ Henry saiu correndo atrás do Elfo pela a escada úmida de gelo. Mas a criatura era rápida, logo que Henry se mexeu, o elfo fez uma careta e correu escada a baixo. Enquanto Henry quase escorregará diversas vezes, Miguel levantou de sua cadeira para ver o que tinha acontecido, apenas conseguiu ver o calcanhar de Henry correndo pela a escada.
─ Parado aí, seu Elfo maldito! ─ Disse Henry com os braços erguidos, como se estivesse na posição de um goleiro de futebol, estava prestes a agarrar o Elfo, mas a pequena criatura sorriu, um sorriso maldoso. Henry então pulou, sem se importar que estava em uma escada escorregadia e facilmente quebrável.
Enquanto Henry estava no ar aconteceu três coisas, Miguel o chamava enquanto corria atrás dele, Lino gritara que o apanhador da Corvinal estava a um palmo do pomo de ouro e o elfo estalara o dedo e desaparece, do mesmo jeito que fizera várias vezes na sala de Dumbledore, mostrando então no pequeno vão entre um andar e outro, um buraco no chão de madeira, parecia que as arestas irregulares do buraco estavam em brasa, e pedaços de madeira estavam espalhados por toda a escada.
Então tudo aconteceu muito rápido, Henry caíra, poderia ter caído perfeitamente no buraco mas machucara a boca nos grandes fiapos de madeira que sobraram, e só não fosse isso. Enquanto caia pelo o buraco, viu um pouco de neve no chão de terra, o lado contrário da lona que cobria a arquibancada e para sua surpresa viu algo, que através dos tempos sempre mudou a vida de qualquer homem para sempre, uma garota.
Mesmo que por muito rápido o que aconteceu, Henry sentiu que aquele momento durara horas. Invés de cair de cara no chão e quebrar toda sua arcada dentária, ficou com seus pés presos nos restos de madeira. Mas ele não poderia evitar, seus lábios carnudos e ensanguentado foram ao encontro dos lábios carnudos e rosados da garota, seus lábios se encostaram, os dois arregalaram os olhos, ficaram alguns segundos se beijando, apesar do frio de novembro, Henry sentia calor e excitação se manifestando por seu corpo.
─ E a Corvinal ganha o jogo por capturar o pomo! ─ Irradiou Lino.
O improvável estava acontecendo, e Henry adora o improvável e teve um bom pressentimento quanto a isso. Já a garota, “o que diabos???”, pensou ela confusa, “ele está...me beijando? Até que é bom, quente e molhado”, ela estava cedendo “ e tem gosto de sangue. Hum” “...espera aí, tem gosto de sangue! ”. Ela puxou o rosto de Henry para longe, seu rosto estava completamente vermelho, Henry não sabia se era de raiva ou de vergonha, estava mais concentrado em seu sangue que escorria do lábio da garota, a deixava cada vez mais sexy. A garota franziu a testa e cerrou os punhos e, por fim, largou um soco de direita no rosto de Henry.
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O garoto não se lembrou de mais nada a partir dali, quando recebeu o soco da garota que beijara acidentalmente, acabou batendo a nuca em uma madeira que sustentava a arquibancada e desmaiou ali mesmo.
Quando despertou sentiu seu olho direito quente e dolorido, aos poucos conseguiu entender aonde estava. Era a Ala Hospitalar e estava em uma cama cortinada perto da saída. Percebeu que Madame Pomfrey não estava o vigiando e resolveu levantar da cama. Logo que Henry botou o seu pé direito fora da cama, sentiu uma dor imensa no tornozelo, se ergueu para baixo e colocou a mão onde sentiu dor. Seu pé estava enfaixado, e a até sentiu seu sangue quente escorrer de sua ferida pela atadura até de baixo de seu pé. Ajustou a atadura e por fim se levantou.
Henry ficou parado um instante, pensando por que toda semana parava na Ala Hospitalar, quando começou a ouvir vozes atrás da cortina. A voz era de Miguel e pelo o tom parecia irritado, outra voz era de Madame Pomfrey, Henry sorriu. O garoto botou a metade da cabeça para fora da cortina para observar o que estava acontecendo, e viu a garota que beijara tentando explicar o que aconteceu.
Era um palmo mais baixa que Henry, de pele branca, nariz empinado, cabelos pretos e encaracolados que parecia não ser lavado a um bom tempo, mas os olhos, ah, os olhos...eram depressivos, um azul meia-noite nada chamativo, envolta, seus olhos tinham olheiras (não tão grandes como as de Henry, que iam quase até a bochecha).
Henry arregalou os olhos e suas bochechas coraram quando foi de encontro aos olhos da garota.
─ Olha, ele acordou ─ Disse a garota com sua voz fina e doce.
─ Não era para estar andando agora, Henrique! ─ Ralhou Madame Pomfrey.
─ Está tudo bem, Papoula ─ Disse Henry. Andara tanto na Ala Hospitalar no mês que se antecedeu, que pegou amizade com a enfermeira e agora a chama pelo o primeiro nome ─ É só me dar um chocolate que eu melhoro do tornozelo ─ Continuou Henry com o peito estufado e convicto do que dizia.
─ Henry! ─ Tomou a frente Miguel ─ Essa garota socou você no rosto até desmaiar-
Henry o interrompeu.
─ Como assim? “Socou”? ─ Perguntou Henry gesticulando com a mão tentando não encarar a garota a todo tempo.
─ Não estou entendo ─ Disse Miguel. Era evidente as marcas do punho da garota no olho roxo de Henry ─ Você perdeu a memória?
Henry olhou mais uma vez para a garota que não queria ser encarada e sorriu.
─ Estava tudo molhado, escorreguei e acabei rolando pela a escada. Me machuquei em uma liga de madeira ─ Explicou Henry apontou para o olho.
─ Ah, ta ─ Disse Miguel ceticamente ─ E a madeira em que você se machucou tinha o formato de um punho?
─ Er...bem, encontram rostos de famosos em batatas a todo momento, isso é completamente normal.
A garota sorriu timidamente. Henry percebeu.
─ Hm, então...então já posso ir? ─ Perguntou a garota.
─ Pode ─ Autorizou Henry enquanto dava uma mordida em um pedaço de chocolate entregue por Madame Pomfrey.
─ Ah, essa vai ser sua resposta mesmo? ─ Perguntou Miguel. Henry assentiu. Miguel observou Henry e depois a garota indo embora, entendeu tudo. Soltou um longo “ah” ─ Está bem. Mas você achou “aquilo”? Não é? ─ Perguntou fazendo aspas.
─ “Aquilo” o que? ─ Perguntou Henry meio desligado enquanto a enfermeira trocava as ataduras.
─ “Aquilo” que andamos procurando a semana inteira ─ Concluiu Miguel
─ Oh! Um Elfo Doméstico roubou a página ─ Explicou Henry, mas Miguel não entendeu ─ Mais tarde a gente conversa sobre isso ─ Concluiu Henry.
No fim da tarde, já perto das dezoito horas, Henry e Miguel aproveitaram o resto da tarde frienta de folga, para ir ao Corujal mandar cartas ao seus pais, em resposta as cartas sobre o Halloween, bem, pelo menos Miguel só estava lá para apenas isso.
─ No-nós t-temos de comprar corujasss ─ Disse Miguel batendo os dentes de tanto frio.
Enquanto subiam até o Corujal, o vento batia forte no rosto dos garotos, fazendo os seus cabelos voarem para a esquerda. Henry prendera seu cabelo comprido em um rabo de cavalo, Miguel deixara o seu solto e usava uma calça bege e uma jaqueta jeans. Henry uma calça moletom larga e verde que não combinava nada com sua jaqueta e luvas de couro.
“ Q-quero dizer... por Merlin, cara, você é rico! ”
─ E-eu não vou comprar uma coruja para algum Thawne lunático resolver matá-la ─ Replicou Henry, vindo a seu pensamento a lembrança de um canário amarelo morto em uma gaiola enquanto Henry de joelhos (com seus prováveis seis anos de idade) chorava se perguntando em voz alta por que tinha se esquecido de dar comida ao pássaro ─ Além do mais... eu não me dou muito bem com animais.
Quando atravessaram a porta do Corujal, Henry tirava do bolso da jaqueta dois rolos de pergaminhos; tinta e pena. Miguel já tinha sua carta preparada e já procurava uma coruja para enviar a carta. Quando Henry terminou de escrever a primeira carta, Miguel já tinha enviado a sua.
─ Escreveu o que na sua carta? ─ Perguntou Henry enquanto amarrava sua carta na pata de uma coruja de penujem cinza e branca.
─ Escrevi aos meus pais ─ Miguel fez uma pausa, estufou o peito e deu um sorriso ─...para não se intrometerem na minha vida pessoal!
─ Nossa! Ousado você ─ Riu Henry, enquanto pingava o bico da pena no potinho de tinta.
─ E você? O que escreveu naquele pergaminho? ─ Perguntou Miguel de braços cruzados tentando se proteger do vento gelado.
Henry fez sinal que esperasse enquanto terminava a carta e ergueu o rosto para Miguel ─ Escrevi a um amigo.
─ Desde quando você tem amigos? ─ Perguntou Miguel surpreso. Henry ergueu a sobrancelha ─ Quero dizer, tirando eu.
─ É para o Fabio, aquele do malão, você o conheceu ─ Explicou o garoto, se levantou e procurou outra coruja ─ Só quero saber se está bem. Tinha mandado uma carta para ele na primeira semana de aula. Sabe? Para ver se eleja tinha arrumado um lugar para viver e aproveitei para mandar algumas instruções. Só que a carta nunca voltou. Agora eu quero saber se ele já se adaptou, ou se morreu...sei lá! ─ Concluiu enquanto amarra a carta em uma coruja muito bonita de penujem amarela que não parecia muito feliz de ter de levar cartas no frio.
─ Coruja preguiçosa! ─ Disse Miguel ─ E essa carta aí?
─ Ah... ─ Henry deixou um sorriso escapar, que, junto com suas olheiras formaram um rosto assustador ─ Eu escrevi para os meus pais, sobre a garota que beijei hoje...
─ Opa! ─ Interrompeu Miguel ─ Então você beijou aquela garota? Por isso você estava todo bobão hoje! Espera aê, ela te deu mesmo um soco... por que você beijou ela, não foi? ─ Perguntou Miguel tentando enfiar em sua mente que Henry não assediou uma garota por pura insanidade.
─ Hey, eu não estava sendo bobão! ─ Disse Henry com as bochechas vermelhas ─ Estava sendo cordial. E além do mais, eu sei o que está pensando... que agarrei a garota a força... mais não foi isso, foi pura sorte- quero dizer, acidente, foi um acidente!
─ Ta, mas, por que contar isso aos seus pais, e não para o seu amigo trouxa? ─ Perguntou Miguel por fim.
Henry esfregou suas mãos, o sorriso voltou ao rosto, mas dessa vez de proposito:
─ “Pedirei” permissão aos meus pais, para levá-la em minha casa para o Natal desse ano! ─ Concluiu Henry animado.
Miguel ficou de boca aberta, depois fechou-a e seu rosto demonstrou pena.
─ Oh, Henry, você ficou maluco de vez.
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